Cristão é morto por seqüestradores

| 18/08/2005 - 00:00


Um cristão iraquiano foi esfaqueado no dia 11 de agosto, em Kirkuk, no que as autoridades da igreja crêem ter sido um seqüestro frustrado para resgate, de acordo com um colaborador da Portas Abertas na região.

Cinco minutos depois de ter deixado sua casa, às nove horas da manhã, Saad Adib Hindy, 29 anos, foi forçado a abandonar seu carro e a entrar em um veículo estacionado, com quatro homens armados, em frente ao Cinema Kharnata. Meia hora depois, seu corpo foi encontrado na rua.

Curiosos viram um corte feito por uma faca em seu estômago e o levaram o para o hospital Azadi, onde morreu 15 minutos depois.

Nenhum grupo se responsabilizou pelo assassinato, que cristãos locais não acreditam que seja motivado pela religião. O Arcebispo de Kirkuk, Louis Sako, que identificou o corpo de Saad e contatou sua família, disse acreditar que o assassinato foi um seqüestro frustrado, motivado por dinheiro.

Quando Saad resistiu aos seqüestradores, informou Sako, eles o esfaquearam. Mas percebendo que suas feridas foram fatais e que ele não mais poderia ser levado vivo para o cativeiro, eles o largaram na rua e fugiram. Saad e seu pai eram engenheiros de uma rica família cristã, muito conhecida em Kirkuk, localizada ao norte da região curda.

Saad foi um dos dezesseis iraquianos mortos nos ataques no dia 11 de agosto, com pelo menos dois outros seqüestros registrados.

Desde o final da guerra no Iraque, a violência tem levado muitos cristãos a fugirem do país. Uma série de atentados contra igrejas, em agosto do ano passado, fez com que cristãos se mudassem para a Síria e Jordânia. De acordo com estimativas, a comunidade cristã no Iraque estava entre 550.000 a 600.000 em 2003.

Ainda assim, os cristãos de Kirkuk têm permanecido relativamente livres dos ataques. Desde que o arcebispo Sako mudou-se para Kirkuk, há 18 anos, ele se lembra de apenas cinco violentos ataques contra cristãos. Todos eram casos de seqüestro para que fossem resgatados em troca de dinheiro.

"Kirkuk é como um mosaico", comentou Sako, descrevendo a unidade histórica, étnica e religiosa da cidade entre cristãos, muçulmanos, curdos e turcomanos. Isso foi o que caracterizou o funeral de Saad na igreja, que teve a presença não só de cristãos, mas também de muçulmanos. Isso também explica a relativa estabilidade da população cristã dessa região, que o arcebispo disse ser em torno de 12 mil cristãos desde o fim da guerra.

Sako disse que esperava que a polícia local investigasse a morte de Saad, já que os cristãos são representados na polícia e por políticos locais.

Apesar de esse mosaico ter se tornado violento, com o futuro incerto dos cristãos face à crescente violência entre árabes e curdos, os curdos de Kirkuk, deslocados de maneira forçada pelos árabes sob o regime de Saddam Hussein, estão agora tentando reclamar suas propriedades e seus empregos na cidade. Em junho, um homem-bomba matou 22  pessoas e feriu outras 80, perto de um banco no centro da cidade.

A morte de Saad atesta a situação precária dos cristãos de Kirkuk à medida que eles aguardam por uma nova constituição nacional. Assuntos contenciosos incluem o pedido de uma federação dividida entre sunitas, curdos e xiitas. Embora no dia 11 de agosto a facção xiita tenha se juntado aos curdos, os sunitas foram contrários, declarando que iria causar uma fratura no país, tanto no âmbito étnico como no religioso. Mas independente do desfecho, a jurisdição será bastante contestada.

O papel do islamismo na constituição iraquiana é outro assunto que preocupa muito todos os cristãos locais. Enquanto os curdos são impulsionados para uma constituição laica, os xiitas preferem que o Islã seja nomeado como a "única fonte" da legislação nacional. O compromisso sugerido de citar o Islã como a "principal fonte" pode levar à uma ditadura religiosa da lei, junto com uma diminuição do papel dos cristãos em todos os níveis governamentais.

"Como cristãos, sentimos que estamos isolados por sermos a minoria", admitiu o arcebispo. "Precisamos de solidariedade. Pedimos a sua ajuda para que os países muçulmanos respeitem os direitos humanos e seus valores, como valor absoluto de Deus".


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