Ex-presidente defende harmonia entre religiões

| 07/08/2005 - 00:00


Ex-presidente indonésio se opõe ao extremismo do Conselho Indonésio de Ulemás, condenando a perseguição de muçulmanos ahmadis. Os cristãos exigem respeito para o pluralismo religioso, um dos "bens culturais" da nação.

Jacarta (AsiaNews), 2 de agosto - O ex-presidente indonésio Abdurrahman Wahid, mais conhecido como Gus Dur, voltou mais uma vez a defender a harmonia entre as religiões na Indonésia, em oposição à perigosa ameaça afirmada pela gradual islamização do país muçulmano mais populoso do mundo.

Wahid, que também é ex-presidente da Nahdlatul Ulama (NU) - uma das maiores organizações muçulmanas do país - incentivou seus companheiros indonésios a discordarem das fatwas (decretos religiosos) emitidas semana passada pelo Majelis Ulama Indonesia (MUI), ou Conselho Indonésio de Ulemás, que bane as interpretações do islamismo que estão baseadas no "pluralismo, liberalismo e secularismo".

O ex-presidente é especialmente crítico da nova e violenta fatwa - a primeira é de 1980 - pronunciada contra muçulmanos ahmadis, que são considerados heréticos pelos muçulmanos ortodoxos, e têm sido recentemente vítimas da violência fundamentalista.

"Eu peço à sociedade Indonésia que não encare seriamente as fatwas do MUI contra os ahmadis", disse Wahid publicamente. "Apenas a Suprema Corte pode decidir se os ensinamentos deles devem ser considerados hereges ou não". Os ahmadis se consideram muçulmanos, mas não vêem Maomé como o último dos profetas.

Por esta razão, Wahid escreveu ao presidente da Suprema Corte pedindo-lhe para reunir uma sessão especial para discutir a questão.

"O propósito disso é fazer o público entender que a Indonésia é um estado secular, não um estado islâmico", disse.

"Todo decreto deve ser baseado no interesse nacional e nos princípios morais universais, não nos dogmas islâmicos", explicou.

Muitos membros do MUI são conhecidos por terem um ponto de vista extremista e por usar o Conselho para interesses pessoais.

Wahid, que é uma das figuras públicas e um dos ativistas mais influentes do país, tem condenado fortemente o ataque contra a comunidade ahmadi em Bogor, Java Oriental. Lá, cerca de 10.000 membros do grupo extremista Solidariedade Muçulmana Indonésia devastaram uma comunidade ahmadi no dia 15 de julho. As autoridades locais forçaram seus membros a desocupar o local onde eles costumavam se reunir.

Apesar de seu pequeno número - 200.000 ahmadis em uma população de 241 milhões - os membros da comunidade estão preocupados com a nova fatwa, que pede ao governo para considerar ilegal a comunidade e desmantelar suas instituições. Mas eles são impotentes.

"Eu não posso dizer nada no momento, tudo o que posso fazer é manter minha boca fechada", um ativista ahmadi lamentou.

A fim de cuidar desse assunto delicado, o ex-presidente Wahid organizou a Associação da Sociedade Civil. Ela inclui líderes com visões moderadas e liberais de diferentes grupos religiosos.

Não apenas a Associação pediu ao MUI para retirar sua fatwa, mas um de seus membros, um jovem intelectual com o nome de Ulil Abshar Abdalla, afirmou que "banir as atividades dos ahmadis é uma violação dos direitos humanos. É claro que o MUI tem utilizado mal o islamismo a fim de banir credos religiosos em nome da religião".

A Associação da Sociedade Civil pede ao governo que aja contra esses extremistas - incluindo o MUI e seus membros - "que, apesar de não usarem força física, tentam acabar com idéias e pensamentos diferentes dentro do islamismo", disse Abdalla.

O Departamento de Assuntos Religiosos também foi contatado, a fim de que ele possa reunir os vários muçulmanos do país e organizações de direitos humanos para discutir a questão.

As comunidades indonésias cristãs não têm ficado indiferentes ao apuro da comunidade ahmadi. O padre Edi incentivou líderes religiosos a agirem corretamente para "preservar o pluralismo religioso como um bem cultural" na sociedade indonésia.

Mas a o quadro todo está ficando mais perigoso, agora que o vice-presidente do MUI, Dien Samsuddin, se tornou o presidente da Muhammadiyah, a maior organização legal muçulmana do país. Samsuddin é bem-conhecido por seu ponto de vista extremista.

Texto enviado por Daila Fanny.


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