Prisões abalam esperança na nova lei

| 02/08/2005 - 00:00


Uma nova onda de perseguição contra cristãos chineses nos últimos meses tem afastado a esperança de maior liberdade religiosa com a nova lei que passou a vigorar em março.

A China adotou a nova Regulamentação de Relações Religiosas no dia primeiro de março. As igrejas que se reúnem nos lares de católicos e evangélicos foram incentivadas a se registrar junto ao governo. Líderes de igrejas clandestinas estavam otimistas com essa nova lei, enquanto que líderes mais velhos - os que sobreviveram da Revolução Cultural - estavam céticos quanto às intenções do estado.

Uma onda de prisões, efetuadas em maio, junho e julho, tem gerado dúvida sobre as intenções do governo em melhorar a liberdade religiosa.

A polícia cercou uma vila inteira no condado de Qi, na província de Henan, no dia 24 de junho, durante um treinamento para pastores de igrejas domésticas. Cerca de cem pastores foram presos, segundo a China Aid Association (CAA). A maioria foi liberada no mesmo dia depois de interrogatórios, mas nove deles, incluindo o pastor líder, Chen Dongming, permaneceram detidos.

Um mês antes disso, no dia 24 de maio, a polícia prendeu três cristãs no condado de Yiyang, província de Henan. Liu Lianying, Xue Haimiao e Zahng Xiulan foram presas durante uma visita a um líder cristão, relatou a CAA. Elas permaneceram detidas pela polícia por dois dias, sendo duramente agredidas, a ponto de Liu, ter sofrido um enfarte.

A CAA também registrou a prisão de vinte líderes de igrejas clandestinas no condado de Pinglu, província de Sahnxi, norte do país. O pastor Zahng Guqngmin e o presbítero Li, líderes de programas de treinamento, ficaram detidos por duas semanas e um mês, respectivamente, na casa de detenção do condado local.

Cerca de mil milhas ao oeste, na província de Xinjiang, a polícia fronteiriça deteve doze cristãos que iam para o Paquistão. De acordo com fontes do Compass, a polícia os manteve presos por vários dias, depois de um deles ter admitido ser missionário.

No dia 22 de maio, cerca de cem igrejas domésticas sofreram batida policial em Changchun, província de Jilin, nordeste do país. Em uma das maiores prisões em massa nos últimos anos, cerca de 600 cristãos que freqüentavam igrejas clandestinas foram detidos. A maioria dos presos foi liberada depois de passar por interrogatório, mas a CAA relatou que aproximadamente cem líderes permaneceram em custódia.

A batida policial de maio foi excepcional, já que foram presos principalmente estudantes universitários e professores da Changchun University. Essa prisão estava de acordo com as diretrizes do Partido Comunista de impedir grupos cristãos de se reunirem nos campi.

O avanço do cristianismo entre os chineses mais instruídos foi destaque em um artigo no "The Economist", no dia 23 de abril, sob o título: "O cristianismo está se tornando popular na elite urbana". Essa tendência evidentemente preocupa o governo.

Em Beijing, oficiais adiaram o julgamento do pastor Cai Zhuohua, em julho. Cai, um importante líder da igreja doméstica, foi preso em setembro do ano passado por imprimir ilegalmente literatura cristã. Cai, junto com sua esposa e outros dois membros da igreja, foi acusado de "práticas comerciais ilegais", embora Cai tivesse insistido que as 200.000 Bíblias confiscadas seriam distribuídas gratuitamente nas igrejas e que, portanto, não configurava um empreendimento comercial.

O advogado de Cai alega que as autoridades freqüentemente acusam as pessoas de crimes econômicos como pretexto quando se trata de assuntos políticos ou religiosos.

A polícia tem voltado também sua atenção para a Igreja Católica Romana clandestina nos últimos meses.

De acordo com o "Asia News", membros de uma igreja católica clandestina em Hebei escreveram uma carta, no dia 8 de junho, expondo uma onda de prisões comandada pelo Departamento de Relações Religiosas.

A carta alegava que o bispo Jia Zhiguo, de setenta anos, foi preso em uma solitária na época da morte do Papa João Paulo II, no dia 2 de abril, e na época da eleição do novo papa, Bento XVI, no dia 19 de abril. Desde então, o bispo é mantido preso em local desconhecido.

O governo chinês se recusa a aceitar a autoridade papal sobre a Igreja Católica Chinesa. Por sua vez, o Bispo Jia Zhiguo, junto com a maioria dos católicos de Hebei (cerca de 1,5 milhão), se recusa a aceitar a Associação Patriótica Católica controlada pelo estado.

A carta dos católicos de Hebei também alegava que Wang Zhengui, diretor do departamento local de Relações Religiosas, ameaçou explodir uma igreja recém-inaugurada, com a permissão para a construção adquirida pelos moradores.

Os membros da igreja disseram que as autoridades da província tinham estabelecido uma "Igreja Católica Unida", sob a liderança do governador Chen Xiyun, com o único propósito de intimidá-los.

No dia 5 de julho, o "Asia News" recebeu a informação de que oficiais teriam prendido o bispo e o levado a um destino desconhecido.


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