Relatório avalia liberdade religiosa no mundo

| 30/07/2005 - 00:00


"Violência, imposições, perseguições" é como a Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) descreveu a situação da liberdade religiosa no mundo em 2004. Em 30 de junho, a sessão italiana de AIS publicava seu informe anual sobre o tema. Ela apresentou o informe em uma entrevista coletiva à imprensa no palácio que hospeda o parlamento italiano.

O informe da AIS cobriu todos os países do mundo. Entre os países a examinar estavam as antigas repúblicas soviéticas, onde ainda se encontram estritos controles sobre a religião.

Nessas repúblicas, segundo o informe, "a influência exercida pelo ateísmo ideológico sobre os funcionários do estado ainda é extremamente poderosa". Na Bielorrúsia, por exemplo, "o estrito controle do Estado sobre toda expressão de culto tende a sufocar os sentimentos religiosos do povo".

Na república de Geórgia tem havido melhoras com o novo presidente Mikheil Saakashvili, que substituiu a Eduard Shevardnadze em 2004. Desde a mudança, tem havido uma queda no número de ataques violentos contra grupos religiosos minoritários.

Símbolos proibidos

Na Europa ocidental, a AIS observava que a França experimentou uma nova onda de secularismo, com a prática de uma nova lei que proíbe o uso de símbolos religiosos nas escolas. Algumas autoridades locais na Alemanha puseram em prática medidas similares.

O informe indicava que esta política foi pensada para combater a aparição do extremismo islâmico. Entretanto, acrescentou, "essas disposições não parecem ser verdadeiramente eficazes".

Na Bélgica, o ressurgimento do anti-semitismo parece dever-se principalmente à hostilidade antiisraelense por parte dos grupos de imigrantes islâmicos mais do que pelos neonazistas.

Na Grécia, onde a Igreja Ortodoxa goza do predomínio, a Igreja Católica, junto com outras denominações, é tratada como uma instituição privada. Durante as últimas eleições, o arcebispo católico de Atenas, Nikolaos Foskolos, apelou aos candidatos, pedindo-lhes o reconhecimento jurídico da igreja e que suspendessem as restrições aplicadas aos católicos. Entre essas restrições está a necessidade de obter a permissão, do comum ortodoxo local, para construir uma igreja.

Na Turquia, o respeito pelas minorias religiosas "continua sendo totalmente insatisfatório", indica o informe. É negado de uma maneira efetiva aos cristãos o acesso aos postos institucionais civis e militares e é praticamente impossível construir igrejas. Ademais, as religiões não-islâmicas não têm o reconhecimento civil e, assim, não lhes é permitido possuir nada.

No dia 21 de junho de 2004, o primeiro-ministro turco, Recep Tayyp Erdogan, recebeu os bispos católicos do país, que apresentaram dois pedidos: o reconhecimento jurídico da igreja e a criação de um comitê misto para preparar e pôr em prática esse status.

As Américas

O informe indicava que, em geral, a Igreja Católica nas Américas está livre de obstáculos legislativos. Cuba e Venezuela, sem dúvida, são casos excepcionais e são citados por algumas violações dos direitos humanos básicos.

Alguns países são citados por problemas devido à hostilidade por parte de grupos locais às atividades de organizações evangélicas. Na Bolívia, por exemplo, uma multidão de nativos quéchua destruiu uma igreja evangélica em uma remota aldeia dos Andes.

No ano passado, também foram registrados ataques contra membros do clero. No Brasil, três missionários foram seqüestrados. No Chile, um sacerdote italiano, Faustino Gazzieri, foi assassinado em 24 de julho na Catedral de Santiago. O assassino, Rodrigo Enrique Orias Gallardo, era membro de uma seita satânica.

A situação de violência e violação dos direitos humanos e religiosos na Colômbia é extremamente grave, indica o informe. Durante 2004, mais de 3.000 civis foram assassinados por razões políticas, enquanto que pelo menos 600 desapareceram e 2.200 foram seqüestrados.

Em Cuba, a situação da Igreja Católica é grave. O informe cita uma entrevista com o cardeal Jaime Ortega no ano passado, que lamentava que o governo tivesse ignorado sistematicamente as súplicas da igreja. O cardeal explicava que não há uma perseguição material real aos católicos, mas de uma forma mais sutil, que procura relegar todas as atividades e manifestações religiosas aos marginais da sociedade e da política. A igreja, de fato, não tem acesso à imprensa. Não é permitido o ensino religioso católico nas escolas públicas, e é impossível abrir colégios católicos particulares.

Na Guatemala, Álvaro Ramazzini, bispo de San Marcos, recebeu ameaças de morte devido às suas atividades de apoio aos diretos do povo indígena que trabalha nas minas abertas na dioceses, informava AIS. Posteriormente, no dia 31 de julho, um sacerdote diocesano, o padre Eusebio Manuel Sazo Urbina, foi baleado e assassinado na capital. Algumas informações da mídia relacionam seu assassinato com o trabalho de apoio ao desenvolvimento dessa comunidade que realizava, que tem sido visto com hostilidade por bandos criminais.

Problemas na Ásia

"Durante 2004, a liberdade religiosa sofreu violações graves e sistemáticas na China", indica o informe. O governo de Pequim permite a atividade religiosa apenas das associações registradas. Ele concebe a religião como estando ao serviço da segurança do estado e do progresso da nação. Assim, a liberdade de crer não é um direito inato do povo, senão uma concessão do estado.

A nova legislação nacional sobre religião tem trazido poucas melhorias reais. Ela contém disposições que permitem ao governo deter e encarcerar como criminosos comuns quem atue fora das organizações controladas.

Não obstante, as igrejas continuam atraindo um número cada vez maior de seguidores. Além disso, as conversões a grupos cristãos têm aumentado entre professores, intelectuais e estudantes.

Durante 2004 houve uma série de detenções de cristãos clandestinos que praticavam sua fé fora das associações reconhecidas. Houve informações de detenções, intimidações, participação obrigatória em aulas de doutrinamento e interrogatórios nas regiões de Fujian, Zhejiang, Mongólia interior, Henan e especialmente em Hebei.

Na Coréia do Norte, durante os últimos 50 anos, desapareceram 300.000 cristãos, indicava o informe. Os crentes são obrigados a se registrar em organizações controladas pelo Partido Comunista. Quem não faz isso, enfrenta freqüentes e brutais perseguições. Ainda falta muito para que a liberdade religiosa seja global.

Texto enviado por Daila Fanny.


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