Cristãos sofrem ataque no sul da Índia

| 07/06/2005 - 00:00


Jamubhai Chodhary e sua esposa, Jathribem, um casal da região de Valia Taluka, ao sul do estado de Gujarat, Índia, estão se recuperando dos ferimentos que sofreram, quando foram atacados por moradores da região que portavam machados.

"Eles foram atacados na tarde do dia 7 maio, enquanto voltavam do campo", afirmou Samson Christian, um executivo do Conselho Cristão para a Índia (AICC).

"Jamubhai recebeu um corte profundo na cabeça e caiu inconsciente no local, enquanto sua esposa sofreu uma fratura na mão direita".

Enquanto isso, o brutal assassinato do reverendo K. Daniel, que teve o corpo coberto por ácido, agitou a comunidade cristã em Hyderabad, capital de Andhra Pradesh. Daniel, um pastor de Neralla, distrito de Karimnagar, morreu no dia 20 de maio, de acordo com o informativo do AICC.

"O Conselho Cristão para a Índia condena esse assassinato bárbaro", afirma o relatório. "Os contornos do fundamentalismo religioso podem ser observados nesse incidente, e nós condenamos esses atos. Exigimos que o criminoso, seja quem for, seja punido".

Sam Paul, secretário nacional do AICC; Dr. G. Samuel, presidente do capítulo do AICC no estado de Andhra Pradesh e o secretário geral da organização, Prabhu Kumar, divulgam relatórios com as notícias sobre o assassinato de Daniel.

"O pastor K. Daniel foi ameaçado muitas vezes pela RSS local", disse Paul a Compass, em 25 de maio. "Por isso suspeitamos que os fundamentalistas religiosos estejam por trás desse brutal assassinato".

O relatório listou ainda outros incidentes de violência contra cristãos na região.

"Nas regiões de Sirsiclla e Siddipet, vários fundamentalistas estão ameaçando e obstruindo a condução normal de cultos em bases regulares. Há reclamações de que nunca houve qualquer ação da polícia".

"Do mesmo modo, há quase 4 anos, o Pastor Prabhudas Mustabad foi morto e ninguém foi preso ainda. Isso mostra tanto a conivência quanto a negligência da polícia para com os fundamentalistas."

"Exigimos a abertura de um inquérito criminal e que os culpados sejam punidos. Também solicitamos do governo que proteja as pregações pacíficas de pastores e evangelistas de ser importunadas desnecessariamente."

Respondendo sobre os ataques de Choudharys, o chefe da polícia civil de Valia Taluka, Singh Bhai, disse a Compass que oficiais prenderam dois homens, Arjunbhai Devabhai Bema e Khansinghbhai Devabhai Bema, por assaltar o casal. Ele negou que o ataque tenha ocorrido por motivações religiosas.

"Foi simplesmente uma disputa pessoal", disse ele. "Jamubhai e sua esposa admitiram isso em seu depoimento. Nunca houve problema desse tipo em nossa jurisdição."

Joseph Durairaj, coordenador da agência Friends Missionary Prayer Band na região, discorda: "Encontrei Jamubhai no Hospital Civil, e ele disse que a RSS e o Bajrang Dal estão por trás dos ataques".

"Jamubhai e sua esposa são um simples casal de lavradores; a polícia pode facilmente fazer com que eles dêem declarações como essas para esconder os reais criminosos".

Durairaj acredita que os agressores visavam o pequeno grupo de cristãos que se reúne em cultos na casa de Choudhary todos os domingos, e que planejava construir um pequeno templo no local.

"Mas em janeiro desse ano, quando levamos os materiais para a construção para o local, alguns moradores protestaram e nos ameaçaram", ele disse. "Desse modo, não pudemos começar a construção".

Apenas 12 das 130 famílias da aldeia são cristãs.

"Os fundamentalistas hindus mudaram eu modo habitual de atacar minorias em Gujarat depois dos tumultos de 2002, quando o estado foi identificado como o mais dividido da Índia no que se refere à religião", disse Samson Christian. "Agora eles usam moradores do local para atingir os cristãos, de tal forma que os ataques possam ser atribuídos a disputas pessoais."

Os cristãos apontam o brutal espancamento de Sunil Benjamin Patel, um professor cristão que lecionava em uma escola do governo na aldeia de Petia, em Valia Taluka, no dia 14 de março.

"No dia 6 de março, poucos dias antes do ataque, cerca de 10 mil pessoas de diferentes organizações hindus se reuniram sob a bandeira da Dharma Raksha Samiti (associação para  proteção da religião) na mesma aldeia", disse Christian. "Nesse encontro, os líderes falaram abertamente contra os missionários cristãos".

A polícia prendeu um membro de uma organização fundamentalista hindu que estava ligado ao ataque.


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