Dois cristãos são mortos em Numan

| 28/03/2005 - 00:00


O clima hostil aumentou de maneira considerável entre a comunidade cristã de Numan, estado de Adamawa, e as forças de segurança do governo depois da morte de dois cristãos.

Ezekiel Eli e Kingsley Zadok Imburu foram mortos pela polícia no dia sete de fevereiro quando se juntavam a um grupo que protestava contra a prisão de uma mulher cristã da região.

O incidente ocorreu quase uma semana depois que uma jovem cristã chamada Judith Lan foi morta a tiros por soldados encarregados de manter a paz entre muçulmanos e cristãos.

Os porta-vozes cristãos alegam que os conflitos em Numan começaram no dia oito de junho de 2003, com o assassinato do pastor Esther Jinkai Ethan e continuam até hoje . O principal suspeito do assassinato do pastor, Mohammed Salisu, nunca foi levado à coorte.

"Até esse momento, esse fanático muçulmano não foi levado à acusação e agora estamos sendo forçados a lamentar a morte de outra mulher cristã", disse Mahula Tika, líder de uma comunidade cristã em Numan.

Depois da morte de Lan, os jovens cristãos em Numan fizeram uma manifestação pacífica. Fontes alegam que os manifestantes carregavam um caixão simbolizando o enterro da opressão dos cristãos em Numan.

Quando os oficiais do governo organizaram um contra-protesto na mesma cidade no dia cinco de fevereiro, o resultado foi um conflito entre os residentes e as forças de segurança da cidade.

No dia sete de fevereiro, oficiais da polícia foram de casa em casa prendendo cristãos suspeitos de organizar o protesto. Quando eles descobriram que um dos suspeitos não estava em sua residência, levaram a mãe dele presa.

Outros jovens cristãos se reuniram em frente a casa, exigindo a liberação da mulher e impedindo que a polícia a levasse. Os seguranças então abriram fogo contra a multidão, Eli e Imburu foram mortos na hora.

Os oficiais prenderam e indiciaram trinta pessoas, todas cristãs, por estarem envolvidas no incidente. Entre eles estava o Reverendo Nelson Malau, pastor da Igreja Luterana da Nigéria (LCCN). Todos os que foram presos são membros da LCCN. Eles serão levados a julgamento em Yola, capital do estado de Adamawa.

Michael Mahula Tika  e Garba Yedmakudon, dois líderes da comunidade cristã em Numan, enviaram uma carta para o presidente da Nigéria, Olusegun Obasanjo, pedindo a retirada imediata dos policiais e solicitando uma investigação e um inquérito independente para esse incidente contra os dois jovens cristãos e a prisão de trinta outros cristãos.

"Ilmo Presidente, estamos esperando que o Ilmo salve-nos de sermos varridos pelas forças tenebrosas de políticos muçulmanos de seu governo", declarava a carta.

Tika e Yedmankudon acusam o vice-presidente, Atiku Abubakar, muçulmano do estado de Adamawa, de provocar militantes muçulmanos a atacarem a comunidade cristã na cidade de Numan.

"Não temos confiança em seu vice-presidente, Atiku Abubakar, pois ele gerou um problema ao incitar muçulmanos contra cristãos. Por favor, nos ajude".

"Mulheres e crianças estão sendo atacadas diariamente, e prisões estão sendo efetuadas baseadas em acusações falsas. A morte desses dois jovens só vem a confirmar nosso temor de que há uma conspiração para nos perseguir pelo fato de sermos cristãos".

"Entre os detidos estão mulheres e jovens. Muitos dos nossos também fugiram de suas casas".

Com as recentes prisões, o número de cristãos sendo detidos passa para setenta e oito. A Cruz Vermelha da Nigéria registra que quarenta pessoas morreram, cento e quarenta e quatro ficaram feridos e dois mil deslocados devido a violência religiosa na cidade.


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