Pastor Hamid sai da solitária

| 17/03/2005 - 00:00


Depois de meses de confinamento solitário, o pastor iraniano Hamid Pourmand se encontra encarcerado em uma cela com outros prisioneiros políticos Prisão de Evin de segurança máxima na capital Teerã.

Através de contatos ocasionais permitidos com o pastor desde sua condenação há três semanas, tem sido confirmado que alguns colegas de cela são internacionalmente conhecidos como dissidentes políticos.

Recentemente, Hamid, explicou aos seus colegas prisioneiros as circunstâncias de sua prisão e sentença, baseado somente na sua conversão religiosa ao cristianismo. "Atualmente, o governo está extremamente irritado com isso, pois agora ele está ficando muito conhecido por isso!", comentou uma fonte.

Ex-coronel que se converteu do islamismo ao cristianismo há vinte cinco anos, Hamid foi condenado por uma coorte militar no dia 16 de fevereiro por "enganar" as forças armadas iranianas sobre sua fé. O regime islâmico na Irã considera ilegal um cidadão não-muçulmano servir o exército, uma vez que ele está num patamar acima dos soldados.

Embora o cristão acusado produzisse documentos provando que seus superiores militares sabiam a respeito de sua conversão, a coorte declarou-os falso entregando Hamid à pena máxima de três anos na cadeia.

Fontes dentro do Irã permanecem temerosas pela vida de Hamid. "Três anos não significa nada, pois em uma prisão política como a Evin, eles podem deixá-lo por muito mais tempo, ou até mesmo executa-lo", declarou uma fonte.
 
 Embora inicialmente construído pelo ex-Xá do Irã, a prisão de Evin passou a se tornar mais famosa depois da revolução de 1979. Talvez o período mais tenebroso de sua história, vários prisioneiros políticos foram torturados e executados depois dos julgamentos em meados de 1988.
 
Intelectuais, estudantes, jornalistas e ativistas políticos detidos em Evin desde o regime repressor iniciado em 2000 têm descrito o complexo como "um local a ser temido".

Hamid, quarenta e sete anos de idade, perdeu dezoito quilos durante os seis meses de prisão, principalmente na solitária.

O veredicto da  corte está atualmente sob recorrência na Suprema Corte. Mas há uma ameaça do Judiciário para levar Hamid perante a corte baseada na lei sharia, e então ele poderia enfrentar a pena de morte sob acusações de apostasia e proselitismo.
 
 Uma fonte em Teerã que acompanha de perto o caso, disse que ele tem esperança de que sua prova judicial de intolerância religiosa no Irã seja enaltecida durante a sessão anual de seis semanas da Comissão das Nações Unidas de Direitos Humanos.

A União Européia entrou com um pedido formal de protesto com as autoridades iranianas em novembro passado sobre as prisões de cristãos, e em particular de pastores, como uma "violação da liberdade re religião ou crença".

No setor diplomático que também consta dezessete jornalistas, técnicos de internet e ativistas de ong´s sujeitos a prisões e perseguições, a EU especificamente exigiu a liberação de Hamid.

 O veredicto do mês passado foi rotulado "como uma ridicularização da justiça mesmo pelos padrões iranianos" disse Nina Shea em Washington D.C.

Sua prisão também foi observada nos últimos relatos de direitos humanos no Irã lançados na semana passada pelo Departamento do Estado Americano, enfatizando que "sob a lei local, ele pode ser executado por apostasia contra o Islã".

Hamid e sua esposa Arlet, que possui um passado da igreja cristã assíria, têm dois filhos, Immanuel e David. Eles moravam em Banda-i Bushehr, cidade portuária onde ele serviu com voluntário de uma pequena congregação Assembléia de Deus. 


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