Muçulmano enraivecido decepa o braço de um cristão

| 28/01/2005 - 00:00


Um jovem lojista cristão da província de Punjab, no Paquistão, teve o braço decepado por um cliente muçulmano, que ficou irritado durante uma desavença a respeito do aluguel de uma TV.

Shahbaz Masih, de 22 anos, foi abordado em 28 de novembro passado por um cliente interessado em alugar um aparelho de TV em sua loja de vídeos em Talwandi, um pequeno vilarejo perto de Chak Jhumra, distrito de Faisalabad.  Quando Masih recusou o pedido, o cliente, um açougueiro de 26 anos chamado Ahmed Ali, ficou furioso, e declarou que o cristão o havia insultado.

"Como você se atreve, um pobre cristão, a recusar meu pedido?", gritou ele para Masih antes de sair da loja. De volta para casa, Ahmed Ali consultou seu pai, Maqsood Ahmed, também açougueiro. Logo depois ele voltou à procura de Masih, armado com um machado de açougueiro.

Ahmed Ali forçou a entrada na casa de Masih e atacou o proprietário da loja, decepando seu braço esquerdo próximo ao cotovelo e saiu da casa ameaçando a vítima e sua mãe, a viúva, Munawar Bibi, com "conseqüências ainda mais terríveis" pelo suposto insulto que havia suportado.

Mais tarde, no mesmo dia, Masih foi internado para tratamento de emergência no Hospital Aliado de Faisalabad.  Após de ter alta, quatro dias depois, o jovem foi forçado a fechar sua loja, pegar sua mãe e sair do vilarejo para esconder-se.

Quando o líder religioso de Masih em Chak Jhumra relatou o incidente ao bispo católico de Faisalabad, Joseph Coutts, a igreja mandou uma delegação, que incluía o advogado Khalil Tahrir, buscar uma ação legal para o caso.

Como resultado, foi feito um Boletim de Ocorrência na delegacia de polícia de Chak Jhumra no dia 30 de novembro, em que se exigia a prisão de Ahmed Ali como o "principal acusado", e seu pai como cúmplice do crime.

Ahmed Ali foi detido naquele dia pela polícia de Chak Jhumra, que também recuperou o machado usado como arma do crime. Ahmed foi mantido sob custódia policial durante quatro dias antes de ser transferido para a Cadeia Central de Faisalabad.

Quando finalmente a polícia localizou o pai Ahmed, ele imediatamente conseguiu fiança antes da detenção. De acordo com fontes da igreja, a polícia local está sob forte pressão para inocentar tanto Ahmed como seu pai.

Não foi ainda marcada a data para o julgamento de Ahmed, que permanece na prisão por quatro acusações de conduta criminosa.

Enquanto isso, Masih tem sido submetido ao que o advogado chamou de "sucessivas ameaças" de Ahmed e seus apoiadores desde o dia do ataque. Tanto ele como sua mãe vêm sendo advertidos repetidas vezes de que serão mortos se atreverem-se a aparecer no tribunal para depor contra Ahmed e seu pai.

"Espero que a justiça seja feita", disse Tahrir, que representa Masih no caso sem cobrar nada. "Masih é o único filho de sua mãe que é viúva e ele é muito, muito pobre", disse o advogado esta semana a Portas Abertas.
Por enquanto, a diocese católica de Faisalabad pagou as despesas de hospital e de remédios de Masih, providenciando alojamento seguro para ele e sua mãe num local escondido e com uma quantia mínima mensal para as despesas de sobrevivência deles.

"É algo muito difícil para este jovem", comentou o padre Yousaf Riaz, "enfrentar esta perda para o resto da vida". Mas uma prótese arranjada para o ombro de Masih custaria aproximadamente 2 mil dólares no Paquistão, onde a renda anual per capita é menor que 600 dólares.

De acordo com o atual relatório do Departamento de Estado dos Estados Unidos sobre a liberdade de religião no Paquistão, "a falta de uma resposta adequada do governo contribui para uma atmosfera de impunidade aos atos de violência e de intimidação contra as minorias religiosas". Estima-se que os cristãos representam de três a quatro por cento da população predominantemente muçulmana.


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