Igreja no Sri Lanka é incendiada em ataque de madrugada

| 05/01/2005 - 00:00


Atacantes desconhecidos atearam fogo na Igreja Católica St. Michael em Katuwana, Homogama, Sri Lanka, nas primeiras horas do dia 19 de dezembro.

 "Um observador foi seguido pelos atacantes que atearam fogo em tudo que estava dentro do edifício", um policial disse aos repórteres da Agência France-Presse (AFP).

Alimentado com cilindros de gás e pneus de borracha, o fogo danificou bancos, um órgão, o altar e estátuas da igreja. Até ventiladores elétricos derreteram em meio às chamas, de acordo com uma reportagem na edição do Daily Mirror.

Um padre local, Chaminda Wanigasena, disse que ninguém foi ferido no ataque da madrugada, já que nenhum padre morava no edifício.

Incendiários já atacaram a igreja de St. Michael no começo de 2004, Chaminda disse. Depois do primeiro atentado, uma guarda da polícia foi instalada, mas recentemente se retirou. Os acusados por trás do primeiro ataque nunca foram encontrados.

"Nós acreditamos que o mesmo grupo que atacou a igreja antes foi responsável pelo ataque de hoje", Chaminda disse.

No início deste mês, a presidente Chandrika Kumaratunga ordenou guardas da polícia para todas as igrejas vulneráveis, temendo uma repetição dos ataques violentos que ocorreram em dezembro de 2003. A presidente também disse que ela manteria policiais locais pessoalmente responsáveis se uma igreja fosse atacada na época do natal.

Vários ataques violentos em igrejas ocorreram no natal de 2003 depois que o funeral de um monge budista ancião, ven.Gangodawila Soma, foi feito no dia anterior ao natal. Gangodawila era um patrocinador popular e vocal da campanha de introdução de leis anticonversão no Sri Lanka.

Um cristão importante do Sri Lanka lembrou-se que na manhã do funeral de Gangodawila "a cidade toda estava de amarelo". Bandeiras budistas amarelo-alaranjadas estavam embrulhando as decorações de natal. Monges budistas também pediram aos cristãos para não celebrarem o natal em respeito a Gangodawila.

Percebendo a tensão crescente, a presidente Chandrika apareceu em rede nacional de televisão e apelou por calma. Apesar dos seus esforços, 20 igrejas foram queimadas na noite do funeral.

Cristãos são certamente a minoria. Um censo de 2001 mostrou que havia quase 190 mil budistas em Homogama mas apenas 3.700 cristãos.

A Igreja Católica Romana responsabiliza-se por cerca de 7% da população de 20 milhões do Sri Lanka, enquanto os cristãos evangélicos são responsáveis por menos de 1%. Hindus compreendem 15%; muçulmanos são 7% e os budistas são o 70% restante.

De qualquer maneira, a população cristã tem sofrido uma parte desproporcional de violência. A Aliança Evangélica Cristã Nacional do Sri Lanka (NCEASL) registrou 46 igrejas queimadas, atacadas ou perturbadas de outra forma no primeiro trimestre de 2004.

Multidões irritadas, geralmente lideradas por monges budistas, atacaram pelo menos 160 igrejas nos últimos dois anos.

Enquanto isso, a Conferência de Bispos Católicos do Sri Lanka publicou sua mensagem de natal anual na edição de hoje do Daily News:

"Estamos celebrando o natal em uma época onde o respeito pela vida e dignidade humana em nosso país está em um declínio muito baixo. No nascimento da Divina criança em Belém, os anjos cantaram: Glória a Deus nas maiores alturas e paz na terra aos homens de boa vontade. Jesus veio para nos trazer o presente da paz com dignidade e justiça".

"Ele nos ensinou que devemos respeitar uns aos outros e nos tratar como membros de uma família humana. Em nossa querida terra, precisamos aprender a tratar a diversidade de línguas, religiões e tradições culturais não como fatores de variedade, mas como uma fonte de riqueza e unidade. A menos e até que aprendamos a reconhecer cada um com dignidade e igualdade, não poderá haver paz duradoura em nossa terra. Se o natal deve ter sentido, nós devemos nos comprometer com essa visão".


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