Prisão de um líder hindu na Índia leva a acusações de cristãos

| 21/12/2004 - 00:00


A prisão do líder hindu mais honrado da Índia, Jayendra Saraswati, de 71 anos, acusado de assassinar um oficial do templo, tem se tornado um ponto de disputa para os grupos hindus radicais da Índia.

"A prisão é resultado de uma conspiração cristã", membros do Vishwa Hindu Parishad (VHP ou Conselho Mundial Hindu) alegaram. A culpa também tem sido depositada na porta de Sonia Gandhi, uma católico italiana que foi eleita presidente em abril deste ano, mas entregou as rédeas do governo ao Manmohan Singh.

Jayendra Saraswati foi detido três semana atrás sob acusações de conspiração e assassinato de Sankaraman, um oficial do templo no sudeste da Índia, na cidade de Kanchipuram, perto de Chennai (antigamente chamado Madras).

O tribunal de Chennai rejeitou a petição de fiança no dia 8 de dezembro. A polícia diz que Saraswati admitiu estar envolvido no assassinato. Aparentemente, o vidente hindu confessou em uma fita de vídeo que ordenou seus ajudantes a executar o assassinato em um "momento de fraqueza".

No entanto, os seguidores de Saraswati negam essas alegações. "É uma conspiração da líder cristã Sonia Gandhi, do governo central. Essa detenção não teria acontecido sem a ajuda de uma mulher que está difamando líderes hindus", disse Vijaya Kumar, um devoto em Bangalore.
Ashik Singhal, presidente da VHP, liderou um protesto no dia 4 de dezembro em apoio a Saraswati. "Esta é uma conspiração de Sonia Gandhi e cristãos," ele disse à repórteres. "Este país sujou a imagem de um grande vidente."

O bispo S. Kumar, da Igreja Metodista da Índia, uma das denominações mais proeminetes do país, comentou: "A prisão do veemenente pontífice hindu é realmente chocante. A lei tomará seu próprio curso, mas se a acusação contra ele permanecer, vai ser um enorme choque para a comunidade hindu."

"Creio que só podemos orar para paz, lei e ordem. Mas posso te dizer categoricamente que não há nenhuma conspiração cristã. Não ganharíamos nada em levar um líder hindu à polícia." Dr. Dass, diretor nacional da Liga Gospel da Índia concordou. "A direita hindu achou um bode expiatório fácil culpando a católica Sonia Gandhi pela detenção de Saraswati. A prisão foi feita por um chefe de ministro hindu, pela polícia hindu. Não houve nenhuma conspiração cristã."

Enquanto isso, grupos como os VHP têm feito greves de fome por todo o mundo, demandando a libertação imediata do "papa hindu" preso. Saraswati segura um dos cinco "assentos" ou Shankaracharyas do hinduísmo na Índia, fazendo dele uma figura reverênciada. Ele também é a cabeça de uma seita da comunidade brahmin hindu da Índia e líder do Kanchi Shankara Mutt, uma entidade religiosa de caridade importante em Tamil Nadu.

Ele está detido em uma prisão em Vellore, no entanto seus advogados de defesa estão peticionando para soltá-lo sob fiança. Saraswati acredita que o sacerdote do templo foi o autor de várias cartasanônimas publicadas na mídia que o acusaram de conduta financeira imprópria. Acusações incluiam aquisição de ouro separado para fazer ornamentos do templo.

O nacionalista hindu, Bharatiya Janata Party (BJP), lançou uma onda de protestos contra a prisão de Saraswati. Ele também cortou ligação com um antigo aliado político,  Ministro  Principal Selvi J. Jayalalithaa de Tamil Nadu,a quem culpou pela detenção de Saraswati. Citando preconceito, o BJP pediu para o caso ser transferido para fora do estado de Tamil Nadu.

Praveen Togadia, secretária geral do VHP, comentou: "Com a prisão do grande pontífice, as autoridades têm declarado guerra explícita contra a religião hindu."

Radicais BJP agarraram a oportunidade de obter ganhos políticos desta detenção, declarando que o partido perdeu a eleição deste ano porque tinha se afastado de suas fortes raízes nacionalistas hindus.

No começo da década de 1990, o BJP conquistou o apoio hindu por ter se tornando protetor do hinduísmo no meio de distúrbios hindu-muçulmanos a níveis nacionais.

O chefe da BJP, recentemente eleito, Lal Krishna Advani, disse que acreditava que a prisão de Saraswati conduziria a um aumento doapoio ao partido.

Em um esforço para contrariar as acusações de conspiração cristã, oficiais em Tamil Nadu ordenaram que um policial cristão identificado como S. Davidson, um membro do time de investigação, saisse imediatamente. Davidson foi substituído por um policial hindu.

Grupos hindus também se iraram com a presença de guardas cristãos na prisão de Vellore - e pelo fato de que o chefe de inteligencia de Tamil Nadu, A. Alexander, também ser cristão.

Para suprimir as acuções de preconceito e maltratos, Jayalalithaa escreveu recentemente ao Primeiro Ministro Manmohan Singh e assegurou-o que Saraswati estava sendo tratado com "a maior dignidade e consideração, levando em conta seu státus religioso e posição na sociedade."

Enquanto isso, cristãos estão esperando ansiosamente pelo o resultado final das investigações de assassinato.


 


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