Extremistas hindus dizem que o cristianismo é uma ameaça à cultura ind

| 09/11/2004 - 00:00


Enquanto a constituição da Índia fornece liberdade religiosa, muitos cristãos que se converteram continuam a encarar discriminação da família, amigos, vizinhos e patrões.

Alguns hindus dizem que a conversão ao cristianismo é destrutiva para a cultura indiana. Na visão deles, a cultura indiana é tão enraizada no hinduísmo que um não pode existir sem o outro.

Um membro da equipe da Aliança Evangélica da Índia em Nova Déli, disse à Compass como os amigos e a família reagiram à conversão dele. "No casamento da minha irmã esse ano, eu me recusei a participar de um hawan, uma cerimônia hindu. Isso magoou meus parentes, especialmente meus pais. Então, no aniversário da morte do meu pai, eu não tomei parte na cerimônia hindu usual. Nem amarrei o rakhi para a minha irmã". De acordo com a tradição hindu, os irmãos amarram o rakhi em torno do pulso de suas irmãs como um sinal de seu compromisso em protegê-las.

"Mas eu louvo a Deus porque posso ver uma melhora recentemente", ele acrescentou. "Minha família começou a entender que eu ainda os amo e que sou parte da minha família, apesar de ter uma fé diferente".

Entretanto, Swami Dayanand Saraswati, um filósofo hindu eminente e fundador do centro de estudos hindus Arsha Vidya, nos EUA, acredita que toda conversão é um "ato de violência".

Em uma carta aberta ao papa João Paulo II em 1999, Swami disse que a conversão poderia, no final das contas, levar à destruição de toda a cultura indiana. "Religião e cultura não são sempre separáveis", ele escreveu. "Isso é especialmente verdadeiro na tradição religiosa hindu. Por exemplo, a palavra de cumprimento, namaste, é uma expressão de cultura bem como de religião".

Ele também se referiu ao bindi, um sinal usado pelas mulheres. "Mesmo que um ... sinal na testa seja puramente religioso, é visto como uma parte integrante da cultura hindu".

Swami disse que a cultura sempre se desintegra depois da conversão, "deixando apenas monumentos mortos". Em outras palavras, alguns cristãos convertidos continuaram seguindo tradições culturais, mas abandonaram o sentido religioso por trás dessas tradições.

Alguns hindus de altas castas têm a crença errônea de que apenas membros do dalit ou de castas inferiores convertem-se ao cristianismo. Aproximadamente 65 por cento dos cristãos na Índia são dalits, de acordo como estatísticas providenciadas pela Associação de Missões Indianas em 1997. De qualquer forma, os restantes 35 por cento vêm de castas mais altas, ou do estrangeiro. Apesar desse fato, hindus de castas altas geralmente tratam os convertidos cristãos como "intocáveis", independente de seu estrato social.

O reverendo Ramesh Pathak, originalmente do estado de Uttar Pradesh, mas agora pastoreando uma igreja metodista em Déli, disse à Compass que sua família, da alta casta brâmane, o rejeitou quando ele se converteu ao cristianismo.

"Eles disseram que eu trouxe vergonha para minha família a sociedade", Ramesh disse. "Minha família era tão intolerante à minha nova fé que eles me pediram para sair de casa. Eu não pude voltar para casa até oito anos depois".

Antagonismos e mal-entendidos são abastecidos pelo Hindutva, uma filosofia que coloca a Índia como a única terra dos hindus. Organizações tais quais Rashtriya Swayamsevak Sangh (RSS), Vishwa Hindu Parishad (VHP) ou Conselho Hindu Mundial) e Bajrang Dal têm trabalhado duro para espalhar essa filosofia pela Índia nos últimos cinco anos.

Todas essas organizações pertencem a Sangh Parivar, uma "família" de grupos nacionalistas hindus que apóiam a Hindutva. O Shangh também tem uma ala política - o Partido Bharatiya Janata (BJP), o qual foi eleito para o governo em 1998. O BJP então promoveu ativamente a Hindutva, e cultiva uma atmosfera de imunidade que encoraja centenas de incidentes violentos contra cristãos.

Através dos olhos da Hindutva, o cristianismo é uma religião ocidental, trazida para a Índia sob as leis coloniais britânicas. Sob essa política, os sentimentos antibritânicos, mantidos por muitos hindus, são estendidos a todas a comunidade cristã.

Infelizmente, muitos cidadãos indianos são ignorantes quanto ao verdadeiro início do cristianismo na Índia. A História ensina que o cristianismo alcançou o país em 52 d.C., quando o apóstolo Tomé chegou na costa sudoeste.

Nos últimos anos, alguns extremistas hindus têm afirmado que os missionários são parte de uma conspiração internacional para converter e controlar a Índia. Eles apontam o estado Nagaland, ao nordeste, como um exemplo. Os cristãos somam 87 por cento da população de Nagaland; alguns grupos civis desse estado pediram por autonomia, enquanto outros lutam por completa independência do governo indiano.

Os oponentes ao cristianismo também afirmam que os missionários ocidentais usam suborno material ou a força para converter os pobres e analfabetos.

Naveen, que se tornou cristão em 1994, disse a Compass: "meu pai, um sustentador do RSS, achava que alguns missionários me davam dinheiro para me converter ao cristianismo. Então ele dizia que eu havia traído a Índia. Primeiro ele me bateu e me mandou parar de ler a bíblia. Então, num dia em 1995, ele disse: seu Jesus ou esta casa - você pode escolher agora. Eu sai de casa com a roupa do corpo", ele continuou. "Eu tive que trabalhar como técnico em um ginásio. Eu usava a academia como um quarto e dormia no chão. Diversas vezes tinha que dormir sem comida".

Os missionários sempre negaram o uso de suborno e outros meios antiéticos para ganhar novos crentes. Apesar dessas afirmações, cinco estados indianos passaram leis para combater conversões "antiéticas" ou "forçadas". Madhya Pradesh publicou a primeira e definitiva lei de anticonversão em 1966; Orissa em 1967; Arunachal Pradesh em 1978; Tamil Nadu em outubro de 2002; e, a mais recente, Gujarat, em abril de 2003.


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