Apesar da perseguição, cristianismo cresce no Irã

| 14/10/2004 - 00:00


A comunidade evangélica iraniana está preocupada com a segurança de um pastor preso há quatro semanas pela polícia secreta iraniana.

Autoridades iranianas se recusaram a apresentar uma razão para a prisão e mantém preso Hamid Pourmand, de 47 anos, um pastor leigo da Igreja Assembléia de Deus. Ninguém teve permissão de manter contato com Pourmand desde 9 setembro, quando ele foi preso junto com 85 outros líderes evangélicos.

No entanto, Compass confirmou hoje que Pourmand, que é coronel do exército iraniano, teve permissão para telefonar rapidamente para sua esposa na semana passada. Sem dizer onde estava ou dar qualquer detalhe, ele simplesmente disse que estava bem.

Dos outros cristãos detidos junto com Pourmand, 76 foram liberados na noite em que foram presos. Dez pastores foram mantidos presos para interrogatório durante três dias, depois os nove companheiros de Pourmand foram liberados. Os pastores liberados foram avisados que eles poderiam ser intimados novamente nas semanas seguintes para serem interrogados.

As autoridades permaneceram caladas sobre Pourmand, que é um ex-muçulmano que serve como pastor voluntário em uma congregação em Bandar-i Bushehr. Famosa por ser o local do primeiro reator nuclear do Irã, esta cidade está localizada a 240 milhas ao sul de Terá, junto ao Golfo Pérsico.

Quando Pourmand foi preso, sua mulher, também cristã, e seus dois filhos estavam visitando parentes em Terã. Na volta para Bushehr, eles descobriram que sua casa havia sido invadida e revistada, e todos os documentos e fotografias da família haviam sido levados.

"Seus parentes temem por sua vida," admitiu uma fonte, "principalmente se a polícia secreta o transferir para a jurisdição de uma corte militar".

Depois de se converter ao cristianismo, há 25 anos atrás, Pourmand continuou servindo como oficial do exército iraniano, apesar das leis instituídas após a revolução islâmica proibirem que não muçulmanos tivessem posto de oficial. "Pourmand não manteve sua conversão em segredo," contou um de seus amigos. "Mas ele era um homem honesto, as pessoas gostavam dele e o respeitavam."

Alguns dias antes de Pourmand e seus companheiros evangélicos serem presos, um alto funcionário do Ministério de Segurança e Inteligência falou em um canal de televisão estatal (Canal 1), alertando a população sobre as "religiões estrangeiras" presentes no país e prometendo proteger o "amado Islamismo Shiita" das forças externas.

Foi relatado que este mesmo funcionário participou do interrogatório aos dez pastores, dizendo que as atividades cristãs no Irã estavam fora de controle e insistindo que a igreja deles fizesse algo para parar o envio de literatura cristã, e os programas de televisão e rádio que chegam ao Irã.

Durante o último ano, líderes proeminentes do governo têm declarado publicamente que o cristianismo, o sufismo e o zoroastrismo são ameaças a segurança nacional iraniana.

Sob o regime islâmico do Irã, vários ex-muçulmanos que se converteram ao cristianismo foram assassinados ou executados por ordem judicial sob acusações de espionagem para países estrangeiros.

Apostasia assim como assassinato, roubo a mão armada, estupro e tráfico de drogas são crimes capitais no Irã.

Durante um discurso para estudantes em Terã, há seis meses atrás, um clérigo shiita Hasan Mohammadi, do Ministério da Educação declarou, "Infelizmente, todo dia aproximadamente 50 moças e rapazes iranianos se convertem secretamente ao cristianismo em nosso país."

Depois do discurso, que foi publicado pelo correspondente do Serviço de Imprensa (SP) Ramin Mostaghim em 5 de maio, o pai de um estudante na platéia contou ao SP que Mohammadi admitiu o fracasso da República Islâmica do Irã como um regime teocrático em promover o islamismo".

De acordo com um cristão iraniano que falou a Compass na semana passada, "Nem o governo nem as igrejas estabelecidas podem controlar o que está acontecendo espiritualmente no Irã neste momento".

"Temos estimativas de que 60% do povo iraniano já ouviu a mensagem de Cristo até mesmo nos vilarejos," disse uma fonte. Apesar de muitos dos novos cristãos serem jovens, relatos indicam que famílias inteiras têm vindo para Cristo e começaram a se reunir em segredo em suas próprias casas.

"Realmente o governo não pode fazer nada para parar o crescimento do cristianismo no Irã," ele disse. "Está fora de controle".


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