Outro pastor paquistanês seqüestrado e espancado

| 05/10/2004 - 00:00


Um pastor protestante da província de Sindh, ao norte do Paquistão, está se recuperando devagar depois de ter sido seqüestrado, drogado  e espancado severamente, há duas semanas, por assaltantes. Os agressores muçulmanos mantiveram-no refém por dois dias antes de atirarem-no em uma estrada a 966 km de distância de sua cidade natal.

Os seqüestradores disseram ao pastor Yousaf Masih, de 33 anos, que eles estavam se vingando da presença militar dos Estados Unidos no país e ordenou-o a parar "de orar pelos muçulmanos" em sua igreja batista em Jacobabad.

O ministro batista foi abduzido em uma rua atrás de sua casa, depois de escurecer, na tarde de domingo, dia 12 de setembro. Voltando para casa depois de um culto, Yousaf foi confrontado por um homem de barba, que tinha um revólver e que avisou: "Se você tentar resistir, eu vou atirar em você, na sua esposa e em seus filhos".

Com a ajuda de outro cúmplice, o homem forçou Yousaf a entrar em um carro vermelho estacionado numa avenida próxima. Apesar de o homem falar em urdu com Yousaf, o pastor disse que eles conversavam em pashto entre si, a língua dos Pathans tribais, que vivem ao sul do Afeganistão e nos territórios do noroeste do Paquistão.

Apesar de Yousaf estar de olhos vendados, ele entendeu pelos gritos dos vendedores ambulantes pelo caminho que eles estavam passando por Sukkur. "Depois disso, eles viraram a direita , mas então o carro mudou de rumo muitas vezes e eu não pude saber para onde estava sendo levado", Yousaf disse a Compass por telefone de Jacobabad.

Quando o carro parou, Yousaf disse que foi levado a um cômodo onde sua cabeça foi raspada, e suas camisa e calças foram trocadas pela tradicional roupa "shalvar kamiz". "Então eles injetaram alguma coisa no meu braço direito e eu fiquei inconsciente", ele disse.

Quando ele voltou a si, viu que estava em outro cômodo, com uma viga de ferro, onde os capturadores o suspenderam pelas pernas, com as mãos amarradas atrás das costas.

"Eles bateram em minhas pernas, braços e costas com varas de madeira, gritando: cristãos são cachorros!" Yousaf disse.

O pastor falou que seus seqüestradores denunciaram militares "cristãos" americanos por matarem "muitos e muitos de nossos muçulmanos", e queixavam-se especificamente do contingente dos EUA que está em Base de Força Aérea de Shahbaz, próxima de Jacobabad.

"Você é um cristão e os americanos também são cristãos. Então diga aos americanos  para deixarem a base aérea. Se não, nós continuaremos a causar problemas para você e para outros cristãos," eles avisaram.

Além disso, os seqüestradores ordenaram a Yousaf a parar de orar pelos muçulmanos em sua igreja. Yousaf disse-lhes que hindus, muçulmanos e pessoas da comunidade cristã vêm visitá-lo em sua casa. "Então eu oro com eles sobre seus problemas", ele disse.

Depois das ameaças e do espancamento, ele foi retirado de onde estava e recebeu pão, lentilhas e água. Mais tarde ele se sentiu inconsciente de novo, o que o levou a suspeitar que haviam drogado a comida. Ele acordou em outro cômodo, onde foi açoitado nas solas dos pés e alimentado com pão e vegetais.

Quando estava recobrando a consciência, ele disse que se encontrou deitado no chão do lado de fora, no escuro da noite. "Meu corpo todo estava seriamente inchado, meus pés e minhas pernas, mas eu comecei a andar devagar", ele lembra-se. Depois ele chegou a uma pequena estrada, onde uma picape Suzuki apareceu e parou para ele.

Yousaf explicou o que acontecera, perguntando onde ele estava. O motorista disse que ele estava a meia hora da cidade de Bannu, a uns 960 km ao norte de Jacobabad. Então ele concordou em levar o pastor ferido ao Hospital Cristão de Bannu, onde Yousaf foi admitido pouco depois da meia-noite do dia 14 de setembro.

De acordo com um relatório médico emitido pelo hospital de Bannu, os efeitos do duro espancamento causaram sério inchaço e danos no tecido da perna do pastor e ferimentos em suas costas. Sua pressão sanguínea continuou a cair para menos de 100/40 , foi dito.

Yousaf foi transferido no dia 17 de setembro, sob proteção policial, para sua casa em Jacobabad, onde o pequeno hospital público continua a monitorar seu tratamento. Foi recomendado que ele fosse para o Hospital Agha Khan em Karachi na próxima semana, para um exame médico mais avançado.

Apesar da polícia local ter resistido em registrar o desaparecimento de Yousaf, um Relatório de Primeiras Informações foi registrado no dia 14 de setembro. Desde a volta de Yousaf para casa, o superintendente sênior da polícia de Jacobabad insistiu que isso fora um falso seqüestro e que seus alegados capturadores eram cristãos e não muçulmanos. "Você não foi seqüestrado", Din Mohammed Baloch, de acordo com o reportado, disse a Yousaf no dia 23 de setembro. "Você estava fazendo um drama".

Casado, com um filho de nove anos e uma filha de quatro anos, Yousaf admitiu: "Minha esposa está se sentindo muito preocupada agora. Então orem por nós".

Yousaf é o segundo pastor protestante, sujeito a seqüestro e tortura, nas mãos dos extremistas islâmicos no Paquistão dentro dos últimos quatro meses. O pastor Wilson Fazal, da Assembléia Evangélica do Paquistão em  Quetta, foi abduzido, raspado e espancado em maio por um grupo de fanáticos muçulmanos que tentaram forçá-lo a se converter ao islã. Ele escapou 40 horas mais tarde, pulando fora de um jipe, enquanto era transportado em direção às fronteiras do Afeganistão.


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