Cristãos tribais voltam ao hinduismo

| 04/10/2004 - 00:00


O Conselho Hindu Mundial anunciou a "reconversão" de 75 cristãos tribais no distrito de Mayurbhanj, no estado oriental de Orissa, em 19 de setembro. A reconversão aconteceu no vilarejo de Sarat, a 65 km de Baripada, onde está localizada a casa do missionário australiano martirizado Graham Staines e de sua esposa Gladys.

O principal jornal nacional diário, Hindustan Times, informou que cristãos de 35 famílias retornaram para o Hinduismo em uma cerimônia organizada pelo Conselho Hindu Mundial conhecido, localmente, como Vishwa Hindu Parishad (VHP).

Durante a cerimônia, um ritual de purificação de alma ou um atmashudhi yagna foi realizado em um templo hindu, após as faixas de cabeça amarelas terem sido borrifadas com água sagrada e distribuídas entre os novos convertidos.

Gauri Prasad Rath, o secretário estadual do VHP e membro do Parlamento do partido hindu nacionalista Bharatiya Janata (PBJ), presidiu a cerimônia. Ele foi convidado por Pratap Sarangi, um convocador estatal do Bajrang Dal -- uma organização hindu jovem radical -- e várias outros líderes hindus-chave.

Ao falar em nome do VHP, Rath disse aos repórteres do jornal Hindustan Times que, "seria errado descrever este ato como reconversão. Nós, contudo, o chamamos de regresso ao lar".

Um dos cristãos que participou da cerimônia contou aos repórteres que, "Nós fomos banidos de nossos vilarejos após termos nos envolvido com o cristianismo. Nós não éramos convidados para irmos às cerimônias sociais e as pessoas não vinham às nossas reuniões. É por isso que decidimos retornar ao hinduismo".

Contudo, líderes cristãos em Orissa afirmam que a maioria dos membros da igreja tem uma fé firme, apesar da oposição social. Eles declaram que o VHP tem como alvo os cristãos nominais que são facilmente influenciados.

O reverendo Dr. D.B. Hruday, secretário general da seção local do Conselho Cristão de Toda a Índia (CCTI) e presidente da Igreja do Povo de Orissa, contou à Compass que, "O VHP  converteu novamente somente aqueles que foram curados pelas orações de cristãos, mas não abandonaram seu estilo de vida anterior - ou aqueles que se tornaram cristãos, mas desistiram de freqüentar a igreja há muito tempo".

Um funcionário da Igreja Evangélica em Mayurbhanj concordou: "Aqueles que, supostamente, converteram-se novamente são de famílias que não freqüentavam a igreja há muito tempo ou que nunca adotaram, em primeiro lugar, o Cristianismo".

Hruday afirmou que o VHP e sua organização-irmã, a Rashtriya Swayamsevak Sangh (RSS), recentemente lançaram uma nova pressão de reconversão em Orissa, enfocando, principalmente, os distritos de Mayurbhang e Phulbani. "Em Mayurbhanj, eles estão aderindo a estes programas de reconversão, mas, em Phulbani, eles estão, agressivamente, ameaçando cristãos e destruindo igrejas", explicou ele.

Segundo Hruday, o VHP e a RSS, também, estabeleceram centros de alfabetização em Orissa, que desempenhou a função de centros de reconversão. Os professores nos centros receberam 200 rupees ( dólares) por mês para bater nas portas e procurar cristãos que não estavam freqüentando cultos nas igrejas. Então, cristãos foram ameaçados caso não retornassem ao Hinduismo. Por exemplo, foram-lhes informados que suas cotas tribais seriam canceladas e seus empregos perdidos.

A Constituição Indiana fornece uma cota de admissões na faculdade e trabalhos governamentais para Tribos Registradas que, historicamente, sofreram pobreza e discriminação. O governo, também, fornece empréstimos e outras doações para melhorar os padrões de vida geral destas tribos. Contudo, o sistema de cotas se aplica somente aos hindus. Se um membro de uma Tribo Registrada, oficialmente, declarar sua fé em Jesus Cristo, ele ou ela não mais tem o direito a estes benefícios.

O monsenhor Lucas Kerketta, bispo do distrito de Sambalpur, em Orissa, acredita que a igreja deva trabalhar mais arduamente para evitar que as pessoas retornem ao Hinduismo. "Para lutarmos contra estas reconversões em Orissa, devemos educar o povo tribal para que eles possam entender seus direitos", afirmou ele.


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