Crianças paquistanesas são seqüestradas pelo pai muçulmano

| 21/09/2004 - 00:00


Duas crianças paquistanesas foram tomadas de sua mãe cristã pelo pai muçulmano na segunda-feira, o qual saiu secretamente da área da corte Lahore, onde as crianças foram levadas para uma sessão de visita, supervisionada pela corte.
 
Abdul Ghaffar seqüestrou seu filho de cinco anos e sua filha de três no dia 13 de setembro, escapando da Vara Familiar de Lahore com eles por volta do meio-dia, pouco depois de ter começado seu encontro particular de duas horas com eles.

Não há qualquer pista da localização das crianças ou de seu pai, que é de Gujranwala, a 64 km ao norte de Lahore. "A mãe deles está muito triste e preocupada com as crianças", um advogado cristão, envolvido no caso, disse a Compass hoje.

O juiz dirigente do caso de guarda dos filhos de Abdul declarou que o seqüestro constituiu um desprezo à corte. Ele imediatamente preencheu acusações criminais de seqüestro em defesa da corte contra Abdul sob a seção 364 do código penal.

Para a mãe das crianças, Maria Samar John, este é o segundo seqüestro traumático de sua vida.. Há sete anos, quando era uma adolescente de 17 anos, ela foi seqüestrada e mantida prisioneira por cinco meses até seus seqüestradores muçulmanos literalmente a venderem para Abdul por uma quantia equivalente a dois mil dólares.

Quando ela foi forçada a casar-se com Abdul, seu nome foi mudado para Kalsoom e ela teve que deixar suas digitais em um certificado chamado "conversão" ao islã. Pelos próximos dois anos e meio ela era uma escrava na casa de Abdul em Gujranwala, trancada em casa e espancada pelo seu marido e sogra por recusar-se a fazer a oração islâmica.

Ela deu à luz um filho e estava grávida pela segunda vez quando achou uma chave perdida e conseguiu fugir de seus raptores e voltar para casa. Logo mais tarde seu marido mandou homens para recapturá-la. Ao mesmo tempo, seu próprio pai e irmão recusaram-se a dar abrigo a ela e ao bebê, declarando que ela envergonhara a família e era agora uma muçulmana.

Então em dezembro de 2000, o Centro de Ajuda Assistencial e Abrigo Legal, localizado em Lahore, providenciou alojamento para Maria e seus filhos em um local seguro. Advogados cristãos afiliados ao Centro, venceram com sucesso seu processo por um divórcio legal de seu casamento forçado, em fevereiro de 2003.

Enquanto isso, Abdul preencheu um contra-processo para ganhar a guarda de seus dois filhos, insistindo que eles eram muçulmanos e que não deveriam ser criados como cristãos. Chamados de Hassan Ali e Fátima por seu pai, as crianças foram renomeadas por sua mãe como Joshua e Miriam.

No começo desse ano a Vara Familiar de Lahore concedeu direitos de visitação a Abdul durante o caso de custódia, permitindo-lhe ter duas horas por mês a sós com seus filhos dentro dos limites da corte.

"O procedimento era: levávamos as crianças à corte numa data fixada e então a corte dava as crianças ao pai", o advogado Tahir Gul disse a Compass hoje. "Então as crianças não estavam sob nossa custódia quando o pai as seqüestrou. Agora é dever e responsabilidade da corte devolver as crianças".

Depois que o advogado Tahir e oficiais da corte perceberam que Abdul havia fugido com seus filhos, o advogado do pai marchou corte adentro e registrou uma queixa contra Tahir. A queixa afirmou que o advogado de Maria havia feito ameaças contra seu cliente, dizendo que o atacaria e mataria.

"Adbul está tentando levar o caso para o seu lado," Tahir disse, "dizendo que ele tinha medo de mim e que, por isso, ele não voltou com as crianças para a corte. Ele só está fazendo disso um drama, inventado a sua história".

Vindo de uma influente família de Gujranwala, Adbul é conhecido por ser afiliado ao agora banido, partido Sipah-e-Sabaha, um extremo grupo islâmico notório por seus ataques violentos contra a minoria cristã do Paquistão.

"Me sinto muito odiada por esse homem," Maria disse a Compass durante uma entrevista em Lahore, há duas semanas, "e isso sempre me entristece". Seu maior medo, ela admitiu, era a incerteza do futuro dos pequenos Joshua e Miriam.

"Joshua tem uma fé muito forte," sua mãe sorri, relembrando uma recente noite quando ele acordou assustado com um sonho ruim e pediu a ela para levá-lo diretamente à inspetora do abrigo. "A titia vai orar por mim e eu vou ficar bem", ele disse a sua mãe.

"Sempre oro para que meus filhos tenham fé em Deus", Maria continuou. "Mesmo que eu não seja muito educada, estou estudando agora e também aprendendo a costurar. Eu acredito que Deus me resgatou e ele proveu tudo para mim", Maria declarou. "Ele tem algo bom para nós, eu sei".


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