Controvérsia continua sobre a lei de anticonversão

| 16/09/2004 - 00:00


Monges budistas do partido Jathika Hela Urumaya (JHU) lançaram uma campanha internacional para obter apoio para um projeto de lei anticonversão proposto no Sri Lanka. Os monges encontraram-se com os representantes das embaixadas dos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Índia, Austrália, França e da Alemanha no Sri Lanka, segundo informações da imprensa local.
 
Em 25 de agosto, o Sr. Peter Hughs, alto comissário britânico interino, encontrou-se com os ativistas do JHU. Segundo o artigo no jornal na linguagem Sinhala Divaina, de 26 de agosto, o comissário contou ao JHU que os "Fundamentalistas cristãos provocam problemas, não somente com budistas, mas também com católicos. Por isso, as religiões tradicionais devem trabalhar juntas contra os fundamentalistas".
 
Uma pequena delegação de monges liderada pelo Ven. Athureliye Rathana Thero, um membro do parlamento do JHU, também compareceu na Associação Superior da Comunidade Parlamentar em Ottawa, no Canadá, no início de setembro. Fontes declaram que o JHU tentou obter apoio na Associação.
 
Espera-se que uma delegação do JHU visite a América do Norte e o Reino Unido ainda este ano.
 
Neste ínterim, grupos de advocacia cristãos parecem estar confusos devido à notificação feita pela Corte Suprema, em agosto, que dois artigos do projeto de lei proposto são inconstitucionais.
 
A Corte Suprema determinou que as Seções 3 e 4(b) do projeto de lei violam o Artigo 10 da Constituição. O Artigo 10 garante a liberdade de pensamento, consciência e religião, incluindo a liberdade de ter ou adotar uma religião ou crença de sua escolha.
 
Contudo, o Projeto da Proibição de Conversão Forçada não foi rejeitado. Ao contrário, esse projeto ainda pode ser apresentado ao Parlamento para um voto final. Entretanto, se os dois artigos controversos forem corrigidos, o projeto de lei não se tornará lei, a menos que ganhe dois terços da maioria de votos no Parlamento e seja votado através de um plebiscito.
 
Os líderes cristãos mais idosos no Sri Lanka afirmam que eles temem que a complacência possa se estabelecer entre os cristãos locais e os grupos de advocacia estrangeiros, como resultado da decisão da Corte Suprema.
 
Mesmo que o projeto de lei do JHU fracasse no Parlamento, a semelhante "Lei de Proteção de Liberdade Religiosa", proposta pelo ministro dos Negócios Budistas Ratnasiri Wickremanayake, pode ser adotada.
 
Contudo, nem todos os budistas no Sri Lanka apóiam a idéia da legislação anticonversão. Em um contínuo debate nas colunas de opinião no jornal e em foros on-line muitos budistas leigos, na verdade, resistem a esta posição.
 
Por exemplo, Linda van Schagen, ao escrever ao jornal Sunday Leader, em 28 de agosto, afirmou que o projeto de lei somente promoveria "divisão religiosa e ódio".
 
Em julho, um budista irado castigou o JHU em um foro on-line, dizendo que a corrupção e má administração foram responsáveis pelo declínio do budismo, ao invés da atividade dos cristãos fundamentalistas.
 
Em 30 de agosto, um outro escritor manifestou-se em um foro on-line: "Eu sou de Negombo, cidade que possui muitas igrejas, mesquitas e templos dentro de uma área de dois quilômetros. Eu tenho amigos de todas as religiões. É repulsivo ver que a religião está sendo transformada em um assunto de controvérsia por alguns para seus próprios motivos sinistros".
 
Historicamente, o templo budista foi o centro da vida no vilarejo do Sri Lanka, fornecendo educação, agindo como um guardião moral e apaziguando conflitos. No Sri Lanka moderno, entretanto, alguns budistas acusaram os monges de corrupção e de negligenciarem suas obrigações tradicionais.
 
Os monges, por sua vez, estão amedrontados pelo decréscimo em número de pessoas que freqüentam o templo. O declínio no budismo afeta diretamente os monges, que contam com a generosidade dos doadores no templo a fim de angariar fundos para saldar suas despesas diárias.
 
A corrupção entre os monges budistas provocou um aumento considerável da ira dos habitantes, em algumas regiões. "Aos homens de manto - vocês sempre estão extorquindo da sociedade - o que vocês estão devolvendo?", escreveu um outro colaborador do foro on-line Indo Lanka, de 30 de agosto. "Coloque sua casa em ordem e as pessoas não irão embora!".
 
Cidadãos do Sri Lanka também informam ter visto monges budistas, supostamente dedicados a uma vida de asceticismo, dirigindo BMWs, enquanto atendiam seus telefones celulares.
 
Neste ínterim, os líderes cristãos no Sri Lanka solicitaram que o grupo de advocacia continuasse o seu trabalho a favor da minoria religiosa no Sri Lanka."O perigo da aprovação do projeto anticonversão permanece muito real", afirmou o representante da Aliança Evangélica Cristã Nacional do Sri Lanka.
 
"A resolução do JHU a ser aprovada pode ser vista através desses movimentos inéditos dos monges ao patrocinar as visitas das embaixadas e governos estrangeiros a fim de tentar obter apoio a sua causa".


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