Cristãos tonsurados voltam para casa em uma vila hostil na Índia

| 05/09/2004 - 00:00


Um grupo de 28 cristãos que fugiu da vila Kilipal,em Orissa, mais cedo neste ano, voltaram para casa depois de viverem em abrigos por seis meses.

O grupo fugiu depois de um incidente no dia 10 de fevereiro, quando o Pastor Subas Samal e oito mulheres foram expulsos de suas casas e forçadamente "tonsurados," uma prática onde a cabeça é raspada como uma marca de afiliação ao hinduísmo.
 
Assim que os aldeões voltaram para casa, no dia 8 de agosto, um porta-voz da polícia disse ao Serviço de Notícias Indo-Asiático (AINS): "Nós dobramos as forças policiais na vila para que confrontos religiosos não ocorram nos próximos dias."

Os cristãos entregaram uma reclamação contra 35 aldeões hindus, logo depois do ataque, levando à prisão seis hindus no dia 3 de maio.Entretanto, no dia 16 de fevereiro, sr. Babajee Das, representando os aldeões hindus de Kilipal, fez uma reclamação contra o pastor Subas e outros seis cristãos, fundamentado no fato de que ele haviam "convertido à força" 25 aldeãos Dalit em um período de dez anos.

Um mandado de prisão foi então emitido contra o pastor Subas, contra o senhor Dhaneshwar Kandi, a senhora Sumitra Kandi, o senhor Vishnu Kandi, sua esposa Mata Kandi e suas duas filhas Kukila e Umitra.

O pastor Subas e Dhaneshwar foram presos dia 29 de maio e acusados de acordo com o "Ato de Liberdade Religiosa de Orissa" (a lei estadual de anticonversão), com a "Prevenção de atos de atrocidades de castas e tribos" e seções do código penal indiano.

Os dois homens foram libertados sob fiança no dia 14 de julho, depois que os cristãos decidiram voltar para casa.A "Igreja do Monte Sião", de Bhubaneswar, a capital do estado,  providenciou acomodações seguras para as vítimas tonsuradas e suas famílias.

O reverendo Sonathan Mohanty, que cuidou do grupo, disse a Compass: "As vítimas decidiram voltar para a sua vila apenas depois de a polícia ter assegurado proteção a eles. Inicialmente, os outros aldeões boicotaram as famílias cristãs, recusando a deixá-los tirar água do poço público", ele acrescentou. "Mais tarde permitiram que os cristãos tivessem acesso ao poço, aparentemente por causa da presença da polícia. Mas os aldeões ainda não querem dar emprego a qualquer membro de famílias cristãs".

Emprego parece ser um problema em curso. "Demos uma pensão de um mês às famílias das vítimas para suas necessidades do dia-a-dia, porque todos eles são diaristas  e estão desempregados agora", disse o reverendo Sonathan. "Mas parece que eles devem ser sustentados por, pelo menos, outro mês".

Compass também falou com o advogado Bibhu Prasad Tripathi, representante legal do pr. Subas e de seus co-acusados. "Julgamentos começarão depois de a polícia submeter o exemplar de acusação", disse Bibhu, "mas eu sinto fortemente que a sentença da corte será em favor do pastor Subas e dos outros cristãos, porque eles foram falsamente envolvidos".

De qualquer forma, o pastor Subas e os outros cristãos querem estender uma mão de amizade aos seus companheiros aldeões e levar a questão para fora do tribunal. "Uma vez que o exemplar de acusação for submetido ao magistrado, as famílias cristãs intentam marcar uma reunião com os aldeões para tentar estabelecer o conflito fora do tribunal", disse Sonathan.

"Além de tudo, a maioria dos aldeões que tonsuraram os cristãos pertencem a famílias pobres. Mas aqueles que são realmente responsáveis por provocarem o crime trabalham atrás das cenas e ficam de longe".

No momento, a atmosfera na vila parece pacífica, mas observadores dizem que os fundamentalistas continuam ativos. "Alguns aldeões me avisaram que os fundamentalistas me escolheram porque eu estou ajudando os cristãos", o reverendo Sonathan confirmou. "Eles também têm na mira Rasul Kumar Das, que foi a primeira pessoa a se converter ao cristianismo na vila; e também Gaurangan Das, na casa de quem a igreja se reúne toda semana. Mas ainda há policiais de segurança na vila e a igreja sobrevive apesar dessas dificuldades".

Em outro lugar em Orissa, líderes da igreja criticaram incisivamente a polícia por sua falha em proteger uma igreja católica.O arcebispo Raphael Cheenath contou a repórteres locais que uma multidão hindu armada atacou uma paróquia em Raikia, Orissa, no dia 27 de agosto. A polícia dispersou o grupo de paroquianos, que se reuniu em torno da igreja mas ficou assistindo aos fundamentalistas hindus invadirem o prédio.

De acordo com o arcebispo, a multidão arrombou a porta principal da igreja, destruiu propriedades da igreja e ameaçou os paroquianos com mais violência, enquanto a polícia "permaneceu como espectadora por horas, durante todo o ataque".

O governo do estado de Orissa continua controlado pelo partido pró-hindu Bharatiya Janata (BJP), apesar da perda do BJP nas eleições nacionais de abril de 2004. Sob as regras do BJP, Orissa tem visto freqüentes ataques e violência contra cristãos, mais notavelmente, o assassinato do missionário australiano Graham Staines e de seus dois filhos Philip e Timothy em janeiro de 1999.


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