Pastor preso na embaixada sudanesa nos Estados Unidos

| 17/08/2004 - 00:00


No dia 30 de julho, o pastor Robert S. Turner - coordenador das Relações Governamentais e de Projetos Especiais para a Campanha do Jubileu EUA - foi preso na embaixada sudanesa, nos Estados Unidos, enquanto protestava contra o genocídio na região de Darfur, oeste do Sudão.

O pastor Turner, da cidade Alexandria, que fica no estado de Virgínia, é um ministro batista ordenado e trabalha atualmente para a Campanha do Jubileu EUA.

O Departamento Policial Metropolitano de Washington D.C. prendeu. Turner e outro pastor por "reunião ilegal", depois de ambos subirem os degraus da embaixada sudanesa, ajoelharem e orarem.

Policiais e membros do serviço secreto americano algemaram e levaram os dois para a delegacia. Depois de três horas em uma pequena cela, tiraram a impressão digital do pastor Turner. Ele pagou uma fiança de cinqüenta dólares e foi libertado.

"Meu ato de desobediência civil é um pequeno gesto, um minúsculo sacrifício comparado ao que as pessoas em Darfur sofrem todo dia", Turner desabafou antes de subir os degraus.

"Mas eu faço isso porque acredito em um Deus que honra pequenos atos de fé. Faço isso como um gesto simbólico para apontar as injustiças que as pessoas de Darfur, e tantos outros ao redor do mundo, sofrem todos os dias, e para declarar que Deus ordena a liberdade deles".

"Faço isso porque, como um ministro do Evangelho de Jesus Cristo, que sofreu injustamente e morreu para trazer salvação, paz e libertação para todos os filho de Deus, eu não posso agir de outro modo".

Resolução da ONU

No mesmo dia do protesto do pastor Turner, o Conselho de Segurança Nacional da ONU aceitou uma resolução patrocinada pelos EUA que ameaça o governo do Sudão com "medidas" caso ele não desarme milícias árabes, cujas atrocidades têm causado diversas crises em Darfur.

A Inglaterra e os Estados Unidos votaram pela resolução com outros onze membros do Conselho de Segurança, enquanto a China e o Paquistão abstiveram-se.

A escrita da resolução usa a palavra "medida" ao invés de "sanção", mas, na verdade, o Sudão pode enfrentar sanções se falhar no cumprimento da resolução, que exige que o regime de Cartum desarme e processe as milícias árabes de Darfur no período de trinta dias.

O governo sudanês rejeitou a "enganada" resolução do Conselho de Segurança.

No dia 22 de julho, o Congresso dos Estados Unidos aprovou unanimemente declarar o assassinato em massa de negros africanos em Darfur, pelo governo do Sudão e suas milícias árabes, como "genocídio". Sob a Convenção de Prevenção e Punição do Crime de Genocídio de 1948, partidários da Convenção, tais como Inglaterra e Estados Unidos, são legalmente obrigados a evitar o genocídio e a punir perpetradores deste crime e seus cúmplices.

Genocídio

Em maio, durante um debate na Casa dos Lordes, o Lorde Alton, de Liverpool, descreveu as execuções em massa e a aniquilação sistemática das vilas em Darfur como "genocídio" e convidou o governo britânico a introduzir uma resolução no Conselho de Segurança da ONU para que o governo sudanês prestasse contas.
Lorde Alton, co-fundador da Campanha do Jubileu, disse que um cargo
passivo de vigilância deve ser substituído por ações concretas, iniciadas dentro do Conselho de Segurança da ONU.
Reportagens indicam que pelo menos trinta mil cidadãos foram mortos em Darfur como resultado de uma campanha de assassinato, estupro, escravidão e forme forçada travada pelo governo do Sudão e seus aliados, a milícia árabe Janjaweed.

Mais de um milhão de pessoas foram deslocadas por causa das atrocidades.

Parlamentares britânicos pedem que o governo exerça máxima pressão sobre o governo sudanês a fim de parar com o genocídio em Darfur, desimpedir ajuda humanitária naquela região e dar aos observadores dos direitos humanos internacionais irrestrito acesso ao lugar.

Urgência
Wilfred Wong, pesquisador e oficial parlamentar da Campanha do Jubileu no Reino Unido, disse: "O regime do Sudão e seus aliados, as milícias árabes, têm uma longa história de genocídio. Eles praticam o genocídio desde a década de 1980 contra as populações cristãs e animistas do sul do Sudão e das Montanhas Nuba, e agora eles infligem o genocídio nos muçulmanos africanos negros de Darfur".

"Enquanto a resolução da ONU é melhor que nenhuma resposta do Conselho de Segurança, ela falha em não endereçar urgência extrema à crise de Darfur e não vai longe o suficiente. O regime sudanês pode simplesmente ignorar a resolução, o que significa mais tempo desperdiçado e mais mortes".

"Ultimamente, ações muito mais fortes podem ser necessitadas pela comunidade internacional para acabar com o genocídio em Darfur".


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