Perseguição religiosa não aumentou após ataque terrorista

| 11/08/2004 - 00:00


As reações por parte das autoridades aos atentados terroristas em Tashkent, no dia 30 de julho, ainda não afetaram substancialmente os religiosos, de acordo com o Forum18. Essa opinião é compartilhada por Allison Gill, que chefia o escritório da Human Rights Watch em Tashkent, Talib

Os ataques terroristas foram feitos contra as embaixadas dos Estados Unidos e de Israel, e ao Escritório da Promotoria Geral na capital uzbeque.

Um evangélico de Tashkent, que preferiu não ser identificado, disse ao Forum18 que literalmente horas depois dos ataques terroristas um evangélico, Maksed Jabargenov, foi convocado pelo Serviço de Segurança Nacional em Karakalpakstan. Maksed tinha previamente sido multado por participar de uma reunião religiosa não registrada. Entretanto, ele foi liberado depois de uma hora. "Pelo menos até agora, esse é o único caso de perseguição aos nossos amigos conhecidos depois dos ataques terroristas", declarou uma fonte ao Forum18.

Sergei Artyushkov, chefe de um grupo de testemunhas de Jeová que está em processo de obter o registro em Tashkent, disse ao Forum18, no dia 03 de agosto, que "em geral, não percebemos nenhuma diferença da política do estado contra nós após os ataques terroristas. Na verdade, no dia primeiro de agosto, a polícia invadiu uma residência em Kagan, oeste do país, onde um grupo de religiosos se reunia. Eles foram levados à delegacia e detidos até a manhã do dia seguinte. Entretanto, tais casos ocorreram em Kagan antes disso também, e não podemos dizer se essa violação dos direitos humanos foi provocada pelos ataques terroristas do dia 30 de julho".

Falando ao Forum18 no dia 03 de agosto, a testemunha de Jeová Erkin Khabibov disse que logo depois dos ataques terroristas ele recebeu um telefonema do departamento de combate ao terrorismo na administração de relações internas para a região de Bukhara e recebeu ordem de vê-los no dia seguinte. Entretanto, quando Khabibov disse que ele não iria comparecer ao departamento ao menos que ele recebesse uma intimidação oficial, a polícia não insistiu nesta exigência.

A atitude atual das autoridades contrasta com o comportamento depois dos ataques terroristas no final de março e início de abril. Sendo assim, todos os representantes das minorias religiosas, que foram declarados culpados de acordo com a lei administrativa por fazerem parte de grupos não registrados, foram convocados para entrevistas "preventivas" com a polícia, e muitos deles tiveram suas impressões digitais registradas.

Nenhuma das ações repressivas até agora foi registrada contra muçulmanos como fizeram nos últimos meses. Depois dos ataques terroristas de março e abril, os muçulmanos foram o grupo religioso que mais sofreu, e muitos ex-prisioneiros que tinham sido libertos debaixo da anistia foram novamente levados à prisão por falsas acusações.

Imediatamente, depois dos ataques, a polícia intimidou Akhmajon Madmarov, chefe do braço regional em Fergana, da Independent Organization Human Rights. Três de seus filhos estão atualmente na prisão por fazerem parte da Hizb-ut-Tahrir. "Pelo que eu sei, outros parentes desses prisioneiros também foram convocados para interrogatório, bem como muçulmanos que já estiveram presos por motivos religiosos", disse Madmarov ao Forum18.

O ativista de direitos humanos Tulkin Karayev disse ao Forum18 em Karshi no dia três de agosto que após os ataques terroristas do dia 30 de julho as autoridades desta região tinham tentado deter muçulmanas que vestiam o hijab. Entretanto, Karayev disse que até agora não houve nenhum outro registro de discriminação contra religiosos provocados pelos ataques terroristas.


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