Primeiro ministro muçulmano não quer conflito religioso

| 04/08/2004 - 00:00


O primeiro ministro da Malásia, Datuk Seri Abdullah Bin Haji Ahmad Badawi, fez hoje um chamado para que se exclua a retórica de ódio e desconfiança entre muçulmanos e cristãos, que atualmente prevalecem no mundo.

Abdullah falou para mais de cem líderes cristãos, católicos e protestantes, de todo o mundo, reunidos na capital da Malásia na assembléia plenária da Comissão de Fé e Constituição do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), que acontece de 28 de julho a 6 de agosto.

Essa foi a primeira vez que um primeiro ministro de um Estado de maioria muçulmana, como a Malásia, situada no sudeste da Ásia, comparece a um encontro cristão. Abdullah disse que a realização de uma reunião cristã em um país muçulmano lhe dá a esperança de que juntos possamos combater a sensação de que existe uma guerra religiosa e um choque de civilizações.

É evidente, anotou, que na atualidade existem fronteiras de conflito entre religiões e civilizações. Predomina a perigosa idéia de que existe uma batalha entre o bem e o mal, produzindo uma situação em que haja mais desconfiança entre o islã e a cristandade do que em qualquer outro período da história.

Muitos muçulmanos, enfatizou, sentem que a guerra contra o terrorismo é uma guerra contra o islã, e pensam que o Ocidente se nega a reconhecer as raízes verdadeiras do terrorismo. Reconheceu, no entanto, que alguns muçulmanos são responsáveis por atos de terrorismo, porém são uma minoria.

Nesse cenário, disse Abdullah aos teólogos cristãos, necessitamos mais do que nunca de um esforço concentrado para iniciar o diálogo inter-religioso. Um diálogo baseado no respeito à liberdade de cada um para adorar, que deixe para trás as diferenças religiosas e faça frente os temas que afetam a todos, acima da fé: a injustiça do sistema global de comércio, que afeta o meio ambiente e produz pobreza e enfermidade.

Abdullah citou frases do Alcorão e da Bíblia para afirmar a existência de valores comuns, como paz, amizade e cooperação entre as duas religiões. A partir dessa base, disse, cristãos e muçulmanos podem enfrentar os problemas mundiais, como os da Palestina e do Iraque, ou o da globalização, que beneficia aos ricos e não aos pobres.

O presidente do Conselho de Igrejas da Malásia, bispo Tan Sri Datuk Lim Cheng Ean, sublinhou a necessidade de educar o povo malaio para que, através de um diálogo inter-religioso sincero, possa apreciar o outro e conviver pacificamente juntos.

O moderador da reunião plenária da Comissão de Fé e Constituição, reverendo David Yemba, declarou que estava impressionado com a beleza natural da Malásia e sua rica diversidade cultural, e solicitou ao primeiro ministro a tradução da Bíblia ao árabe.


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