Prisão de cem líderes de igrejas domésticas

| 29/06/2004 - 00:00


A polícia chinesa prendeu cem líderes de igrejas domésticas no dia 11 de junho, enquanto eles se reuniam para ir a um retiro na cidade de Wuhan.  O retiro foi organizado pela Comunhão Evangélica na China ou CEC, uma das maiores redes de igrejas domésticas do país.

Entre os presos, inclui-se Xing Jinfu, de 39 anos, que já havia sido preso três vezes por estar envolvido com atividades relacionadas à igreja. De acordo com a Associação de Auxílio da China, que foi a primeira instituição a receber a notícia, os cem líderes estão sendo mantidos em um local desconhecido.

No mesmo dia, Shen Xianfeng, líder superior da Comunidade Evangélica na China (CEC), foi preso em casa. As detenções são as últimas atitudes em uma série de incidentes neste ano que parece indicar um retorno das medidas severas contra as igrejas clandestinas.

No Congresso de Trabalho Religioso Nacional, realizado no mês de Janeiro de 2004, oficiais comunistas foram aconselhados a "retornarem às atividades religiosas de supervisão e protegerem-se contra a influência de grupos afiliados a igrejas estrangeiras".

De acordo com o jornal Asia News, o conselho estatal concedeu 54.4 milhões de dólares ao Escritório de Assuntos Religiosos para montar uma equipe de funcionários qualificados e eliminar grupos religiosos clandestinos.

Um Segundo Congresso de Trabalho Religioso Provincial foi realizado na província de Guangdong, de 20 a 21 de maio. Uma questão diretiva após este congresso exigiu que todos os níveis do governo trabalhassem unidos "para subjugar a penetração religiosa de forças estrangeiras antagônicas em nome da religião".

Relatos de detenções começaram a vazar da China em abril, quando a Comissão de Investigação sobre Perseguição Religiosa na China, com sede em Nova Iorque, relatou que Xu Shuangfu, líder do grupo de movimento controverso dos Servos de Três Categorias, foi seqüestrado enquanto visitava a província no nordeste de Heilongjiang.

No dia 26 de abril, mais de noventa cristãos e colegas de trabalho de Xu foram detidos. Segundo informações fornecidas pela Associação de Auxílio da China, no dia 27 de abril, um deles, Gu Xianggao, de 28 anos, que estava sob custódia policial, foi espancado até a morte.

Contudo, fontes na China contaram à Compass que o movimento dos Servos de Três Categorias está incluso na lista do governo de "seitas malignas". A maioria dos grupos cristãos na China acredita que o movimento dos Servos de Três Categorias seja de fato uma seita, que ilustra a complexa demografia religiosa na China. Com tantas igrejas clandestinas, é freqüentemente difícil distinguir entre as igrejas cristãs ortodoxas e as seitas heréticas.

A Associação de Auxílio da China também relatou uma prisão de um líder de uma igreja doméstica, Zhao Wenquan, no dia 9 de maio, no condado de Meng Cheng, na província de Anhui. Uma publicação realizada pela Imprensa Associada confirmou a prisão de Zhao e afirmou que "desde o ano passado, um grande número de líderes de igreja foram detidos e lugares de reuniões da igreja demolidos".

Zhao foi liberto quatorze dias após ser detido. Os investigadores da Associação de Auxílio da China contaram que Zhao sofreu somente "espancamentos menores" e estava bem humorado após sua soltura.

A igreja católica também foi alvo de perseguição. Joseph Kung, da Fundação Cardeal Kung, contou que dois bispos católicos, Wei Jingyi e Jia Zhiguo, foram presos nos meses de março e abril. No dia 14 de maio, Lu Genjun e Cheng Xiali, ambos padres da igreja católica romana clandestina, foram adicionados à lista.

Uma outra fonte, que preferiu não ser identificada, relatou a prisão de quarenta líderes cristãos protestantes de uma igreja doméstica próxima a Wuhan, no início de maio. Pelo menos treze dos líderes presos ainda continuam sob custódia. Alguns destes líderes foram multados em, aproximadamente, 0 dólares.

Contudo, uma outra fonte informou a expulsão de três estrangeiros que estavam trabalhando com cristãos chineses nas igrejas domésticas no sudoeste da China no início de 2004.

Estes eventos demonstram que o Partido Comunista Chinês, sob a liderança do presidente Hu Jintao, aparentemente não modificou suas políticas religiosas repressivas.

O Partido Comunista também perdeu a confiança da CEC, cuja liderança acreditava que eles haviam alcançado uma reconciliação com as autoridades após um incidente envolvendo o grupo da seita Luz do Oriente em 2002.

Em abril do mesmo ano, 34 dos líderes mais considerados da CEC foram seqüestrados por membros da seita Luz do Oriente. Em desespero, os membros da CEC aproximaram-se do governo em Pequim e solicitaram ajuda a fim de conseguir sua soltura.

Em troca da informação sobre a seita Luz do Oriente, o governo assegurou aos líderes da CEC que seu próprio movimento seria removido da lista oficial de "seitas perigosas".

Shen contou à Compass, em uma entrevista no início deste ano, que a CEC estava mais aberta em suas reuniões, como resultado de sua segurança. Contudo, alguns líderes concluíram que sua confiança no governo foi indigna.

Muitas igrejas domésticas da China continuam a lutar com a questão do registro oficial. O grande número de líderes detidos da CEC deve confirmar a crença bem arraigada de muitos cristãos dessas igrejas de que o Partido Comunista não é digno de confiança.

A China tem tentado apresentar-se como uma sociedade moderada e civilizada a caminho das Olimpíadas em 2008. Entretanto, incidentes recentes provam que a China ainda tem um longo caminho a galgar em direção à verdadeira liberdade religiosa.


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