Uma história de amor e dedicação a Deus

| 03/08/2004 - 00:00


A missão Portas Abertas fornece literatura e outros recursos para cristãos na Ásia Central. Coordenadores locais esforçam-se para visitar e ter comunhão com muitas igrejas a fim de encorajá-los e supri-las de materiais. Nós também ajudamos os cristãos a conhecer seus direitos legais e fornecemos assistência legal no tratamento de casos jurídicos.
A seguinte história é baseada nas informações compartilhadas com uma equipe de Portas Abertas que viajava pela Ásia Central. A identidade do casal é desconhecida. O cenário e alguns detalhes são fictícios.

Sejam Pastores da Igreja

"Seu Deus é um Deus de amor e você obviamente não tem medo dEle. Entretanto, nós temos medo do nosso Deus". Embora eu esteja cansada, escuto atentamente o policial que faz esta surpreendente observação. Sim, eu concordo com ele. Eu honro a Deus e desesperadamente quero obedecê-lO, mas não tenho medo dEle nesse sentido. Eu simplesmente O temo. Isto me faz novamente pensar nas palavras de Jesus exortando Seus discípulos: "Tema a Deus, mas não tema o que as pessoas podem fazer a você". Quantas vezes nestes últimos anos eu tive que me lembrar dessas palavras: "Não tema o que as pessoas podem fazer a você".

Neste momento, aqui na delegacia de polícia, eu tenho mais do que razões suficientes para estar com medo. Aqui estou, uma mulher cristã rodeada de policiais homens e alguns deles são bastante hostis comigo. Eles geralmente me detêm por quase 24 horas, constantemente interrogando-me e exigindo nomes de pessoas que freqüentam as reuniões, perguntando-me por que eu continuo a pregar o Evangelho ao povo Tadjique. Eu não sei que o Evangelho foi corrompido? Eu não deveria simplesmente ficar em casa, silenciosamente me preocupando com minha própria vida e ter certeza que o meu esposo está sendo bem cuidado? E por que eu não registro meu grupo religioso que tenho liderado? Eu não conheço as leis do país?

Silenciosamente eu tenho pedido a Jesus para me conceder as palavras exatas para alcançar os corações daqueles policiais e, agora, eu percebo que após todo o interrogatório, um deles honestamente admite que o meu Deus é um Deus de amor.
Até mesmo aqui, neste local desolado, Deus está me dando novamente um desejo no coração: falar a respeito do Evangelho de Cristo àqueles que nunca ouviram sobre ele.

Desde que o Bom Pastor me encontrou em 1991, e eu recebi um treinamento bíblico no seminário, sempre houve um fervente desejo em meu coração de alcançar meus vizinhos muçulmanos com as boas novas de perdão e a possibilidade de conhecer Deus como um Pai. Eu poderia ter ficado dentro dos círculos de nossa pequena igreja cristã; teria sido muito mais seguro e mais fácil para mim. A igreja que eu pertenço não compartilhou meu fardo de alcançar os muçulmanos e isso foi muito frustrante. Eu passei por muitas dificuldades e realmente entrei em depressão, até que os relacionamentos desfeitos foram restabelecidos e minha alegria foi restaurada.

O desejo do meu coração ainda era pregar aos muçulmanos e, embora, as pessoas fechassem a cara, Deus respondeu minhas orações abundantemente. Nós fomos para uma outra cidade e eu comecei a vender verduras no mercado e, assim, nós tínhamos algum dinheiro para nos mantermos. Neste ínterim, Deus me proporcionou muitas oportunidades para testemunhar às famílias muçulmanas. Eu estava freqüentemente visitando e explicando a Palavra. Eu fiz um acordo com Deus: "Eu farei minha parte e você fará a Sua".

Ele fez a Sua parte. O crescimento foi incontrolável. Muito em breve, tínhamos dez grupos-célula, dois grupos de jovens e cinco grupos infantis - aproximadamente 130 novos convertidos.

Eu lembro de uma ocasião que eu tive que falar com as autoridades. Eu tentei obter registro para uma igreja em outra cidade, que geralmente é uma verdadeira dor de cabeça para nós. Há tanta fita vermelha que é inacreditável. Quando eu novamente retornei ao escritório, eles foram bastante receptivos e prometeram registrar-me. Naturalmente, eu fiquei bastante surpresa, até que eu ouvi sua condição: "Você não tocará nos muçulmanos", exigiram eles. Eu perguntei a eles: "Vocês querem dizer que eu não posso compartilhar as Boas Novas do nosso maravilhoso Jesus com meus vizinhos muçulmanos? Se esse é o caso, eu prefiro não ter uma igreja registrada a perder a oportunidade dos meus vizinhos escutarem sobre Jesus". As autoridades ficaram muito frustradas comigo e exigiram: "Então, quando você cessará de pregar aos muçulmanos?". Eu respondi: "Quando Deus quiser que eu pare, então, eu pararei. Nem mais cedo, nem mais tarde". Essa igreja ainda é clandestina. Então, eu fui novamente presa por freqüentar um grupo religioso clandestino, fui levada diante do juiz e recebi uma multa. Contudo, o bom de tudo isto foi que o juiz me escutou quando eu preguei no tribunal e pude até cantar uma música para ele.

A polícia realmente atormentou a mim e a nossa comunidade. Às vezes, eles faziam uma batida policial na nossa reunião, sem autorização, é claro, confiscando toda a nossa literatura e interceptando nossos telefones. Um dia, nós começamos a nos desesperar. Toda a nossa literatura havia sido confiscada e nós realmente necessitávamos de livros e Bíblias. Por isso, durante toda a semana, nós oramos para que Deus nos provesse de Sua Palavra. Após aquela semana, alguém da capital veio com Bíblias e material - que resposta de oração!

Por várias vezes a polícia veio em nossas reuniões, apesar de raramente nos encontramos no mesmo local e no mesmo horário. Nos questionamos como eles poderiam saber sobre o local e o horário de nossas reuniões, até que nós descobrimos que um irmão e uma irmã de nossa congregação foram pressionados pela polícia secreta a passar-lhes esta informação. Eles estavam bastante amedrontados e decidiram informar os detalhes das nossas reuniões secretas à polícia secreta.

Eu não os julgo. Eu sei que a pressão muitas vezes é tanta que parece ser mais fácil ceder do que permanecer firme. Quatro coisas realmente me ajudaram a perseverar quando havia pressão.
 Em primeiro lugar, em tudo o que faço sou apoiada pelo meu esposo. Às vezes, ele também é preso, assim, ele sabe o que eu passo.  
 Em segundo lugar, eu persevero por causa das visitas do irmão que nos ajuda com a literatura e com outros recursos. Ele freqüentemente nos assegura que outros cristãos oram por nós.
 Em terceiro lugar, nós obtemos auxílio prático de um advogado que nos tem ensinado sobre nossos direitos. Nós sempre imaginamos que a polícia tem permissão de fazer qualquer coisa, mas nós sabemos que não estamos totalmente desamparados. Se eles baterem em nossas portas e não mostrarem um mandado, nós não os deixamos entrar - ao menos, nós tentamos.
 Em último lugar - bem, eu deveria ter mencionado este item em primeiro lugar - nós temos a constante presença de nosso Senhor Jesus conosco, encorajando-nos e nos cercando com o Seu amor. Alguns dias atrás, Ele me encorajou através de Atos 20:28: "Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos para pastoreardes a Igreja de Deus, a qual Ele comprou com o Seu próprio sangue". Que conforto saber que a Igreja é o Seu rebanho, do qual Ele pagou com um preço.


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