Vivendo para Cristo

| 10/05/2004 - 00:00


No trabalho lado a lado com os nossos obreiros que atuam na zona rural, é muito útil entender melhor suas origens pessoais. É significativo para nós entendermos suas lutas e vitórias pessoais.

Eis a história de uma esposa cujo marido tem treinamento regular conosco e é um instrutor regional da zona rural. Nosso grupo começou a dar treinamento bíblico e pastoral cerca de oito anos atrás. Como resultado do nosso treinamento, eles agora podem dirigir seu próprio treinamento bíblico aos seus futuros obreiros. Continuamos a apoiá-los com treinamento de instrutores de alto nível e cursos para melhora do relacionamento no casamento.

A esposa diz: A minha família era uma família grande que adorava ídolos. Minha avó era parte disso. Como era costume (e ainda é), famílias inteiras vivem num lar onde o membro mais velho representa a autoridade.

Um dia a minha tia, uma boa cristã, veio visitar-nos. Ao ouvi-la, tomei conhecimento do cristianismo e de Jesus. Não tínhamos igreja perto. Para ir à escola, era necessário eu sair de casa e ir a outra comunidade.

Toda garota normal pensa em casar e ter um lar. E eu era normal. Na escola, conheci um rapaz cristão. No nosso segundo encontro, ele disse que Deus o havia chamado para ser um pregador. Ser um pregador não significava ser um pastor de uma igreja já organizada. Em vez disso, um pregador viajava de um lugar para outro a pé. Ele disse: Eu sou pobre. Você quer casar comigo? Você precisa sustentar-se. Respondi: Deus alimenta os pardais. Ele proverá. Minha resposta é sim. Enquanto outros fazem grandes e deslumbrantes cerimônias de casamento (com muitas dívidas), o nosso foi bem simples.

Encontramos uma pequena casa. Nossos amigos cristãos deram a mobília. Duas cadeiras, uma velha cama de madeira, um saco de arroz e dois talheres (palitos com os quais se come). Somente uma irmã e um irmão foram à cerimônia. Ela trouxe um acolchoado, presente da minha mãe. Não houve viagem de núpcias.

No terceiro dia após o casamento, meu marido teve de partir a serviço da igreja. Ele arrumou suas roupas, livros e outros pertences e partiu por tempo indeterminado. Logo depois que ele saiu, descobri que estava grávida. Era necessário que eu arrumasse um emprego para manter-me financeiramente. Meu marido voltou para cuidar de mim quando a nossa filhinha nasceu. Depois de vinte dias ele partiu novamente. Quando a nossa filha tinha um ano, deixei-a para encontrar meu marido em seu novo ministério com os jovens, onde trabalhava até as 23 horas ou até meia-noite todos os dias. Os jovens de fato precisavam de treinamento. Fiquei com muita saudade da minha filha e doía-me ver outras pessoas usufruindo a companhia de seus filhos. O conforto e o encorajamento veio de outras famílias em circunstâncias semelhantes.

Em fevereiro mudamo-nos para outra província numa área montanhosa. Carregamos roupas, materiais de estudo bíblico e outros pertences por uns 32 quilômetros. A igreja estava sofrendo séria perseguição e muitos cristãos estavam escondendo-se dos oficiais do governo porque temiam ser detidos por prestarem culto a Deus. Seis anos antes o meu marido havia visitado a região e organizado uma congregação. Os cultos eram realizados nas casas - uma igreja familiar. Ele ficava nas casas, mudando-se com freqüência. Numa casa, conhecemos uma jovem irmã de 20 anos. Ela era muito forte foi de grande ajuda no nosso ministério. Ficamos lá durante um mês e então mudamos para outro lugar.

Caminhamos o dia todo. É uma estrada ruim, mas isso nunca vai nos impedir de treinar cristãos. Espero que todos os que seguem a Jesus se dêem em sacrifício vivo para que todos sejam salvos. Depois que voltei para casa, era preciso eu encontrar trabalho para me sustentar. (Isso foi antes de recebermos ajuda financeira de vocês). Encontrei dois empregos: um era o de carregar sacos de cimento e o outro era o de costurar. O pó que saía dos sacos provocavam muitas dores em minhas mãos.

O meu marido tinha de pregar em segredo e escondido dos funcionários do governo. Eu nunca lhe contei sobre minhas dores nas costas ou outras enfermidades físicas. Quando ele voltava, uma vez por mês, eu ouvia suas histórias sobre a perseguição e dava-lhe todo o encorajamento que podia. Orávamos juntos. Eu guardava as minhas enfermidades para mim mesma. (As coisas agora estão melhores depois que recebemos ajuda financeira do seu grupo para comprar adubos antes do plantio e as necessidades básicas antes do Ano Novo chinês).

O meu marido, ele mesmo agora fala:

Estar longe por muito tempo, não poder dar o necessário à minha família e nem poder ter uma vida familiar normal encheu-me com um senso muito grande de culpa. Eu fiquei muito triste e preocupado quando finalmente fiquei sabendo dos seus problemas. Ela estava muito magra e mal nutrida; eu era um peso para ela. Até alimentos ela comprou para mim (ovos - estragados, mas ainda comestíveis). Quando finalmente voltei para casa, eu parecia cheio de sementes. Tomei um banho e me barbeei antes de entrar em casa e ela estava feliz em me ver. Ela disse: Por que você não colocou as calças novas que eu comprei para você no último verão? Ela mesma estava usando um vestido velho.

Sua reflexão: Eu voltei para a casa da minha mãe para o nascimento do bebê. Foi um parto difícil. Ser uma mãe não foi fácil e eu gostaria de poder aproveitar mais a minha família. O meu marido chegou quatro dias antes do nascimento. Ele ficava em pé, sentava e caminhava. Quando o bebê chegou, derramei lágrimas de alegria. Demos-lhe o nome de Dawn-dove que quer dizer: As trevas passarão e a madrugada virá para anunciar as Boas Novas de Jesus. O bebê era um grande conforto para mim quando o meu marido estava distante.

Como muitos outros, este casal mostra profunda dedicação à causa de Jesus Cristo. Muitos naquele grande Dia levantar-se-ão e serão benditos. Nos meses recentes a perseguição intensificou-se. Orem por seus ministérios, famílias, casamentos e filhos.


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