Sofrer fere o corpo, mas fortifica o espírito

| 23/03/2004 - 00:00


Antes de sua conversão ao cristianismo evangélico há 16 anos, Domingo Lopez dedicava seu tempo à fabricação de posh, o forte licor caseiro que os indígenas de Chiapas bebem nas festas religiosas tradicionais. O encontro de Domingo com Cristo obrigou-o a mudar de profissão. Ele teve de mudar também de endereço.

Por quê? Porque os caciques, os líderes da comunidade que dominam a religião e a economia no planalto de Chiapas, não gostam de pessoas que desistem dos antigos caminhos para seguirem a Cristo. Os caciques expulsaram Domingo, então com trinta anos, e sua família da casa de seus ancestrais em Aguacatenango depois que ele se converteu.

A história deles é comum em Chiapas, onde cerca de 35 mil cristãos tzotzil e tzeltal vivem no exílio em razão de sua fé. Os caciques têm usado ameaças, espancamentos, incêndios criminosos e assassinato para expulsar famílias cristãs como os Lopez de suas casas.

Por quê? Porque os caciques temem que os evangélicos contaminem seus vizinhos com sua fé, fazendo com que eles também rejeitem as festas religiosas, as bebidas e outros costumes que rendem muito dinheiro aos caciques. Colocado de forma simples, os cristãos são ruins para os negócios.

Apesar da pressão, os cristãos têm aumentado de forma sistemática nas comunidades indígenas do planalto de Chiapas. De acordo com os números do censo do governo, 35% da população do Estado professa a religião evangélica. Chiapas tem agora mais protestantes per capita do que qualquer Estado do México.

Por quê? Porque Domingo Lopez e centenas de crentes humildes como ele não permitiram que a pressão os parasse de falar de sua fé em Cristo.

Hoje, Domingo vive com sua esposa e cinco filhos em Teopisca, onde pastoreia a igreja Jesus o Bom Pastor, uma congregação de língua tzeltal que ele fundou. Ele também distribui Bíblias e treina pastores e líderes eclesiásticos para evangelizar comunidades rurais pelos planaltos de Chiapas.
Domingo tornou-se tão conhecido por seu ministério que mudou seu nome. Para muitos crentes tzeltal que o conhecem, inclusive um novo grupo de cristãos de sua cidade natal de Aguacatenango, Domingo é conhecido como Juan de Teopisca.

Os caciques o conhecem também. Ele recebe ameaças regulares, como há dois anos quando em telefonemas anônimos lhes disseram que, se ele visitasse os crentes de Aguacatenango uma vez mais, eles o estariam esperando para seqüestrá-lo e vê-lo morrer lenta e dolorosamente. O mesmo destino aguardava Pedro Cosh, um membro da equipe evangelística de Domingo.

Domingo e Pedro continuaram suas pregações e visitas regulares a Aguacatenango e, por enquanto, ninguém executou a ameaça. Entretanto, mais tzeltal têm aceitado a Cristo.

Milagres que libertam
Uma curandeira local ficou gravemente doente e não podia curar-se. Ela fez várias visitas a outras curandeiras da comunidade, sem nenhum proveito.

Desesperada, ela se lembrou de ter ouvido que Juan de Teopisca e sua equipe evangelística tinham tido algum sucesso com curas, por isso ela decidiu consultá-los. Eles falaram-lhe de Jesus e ela O aceitou como seu Salvador.

Depois, os evangelistas oraram por sua cura. A curandeira recuperou-se milagrosamente da enfermidade e tornou-se uma testemunha poderosa em seu vilarejo do poder de Deus.

Incidentes como este são a causa de Domingo Lopez estar atarefado em vários vilarejos ao redor de Teopisca organizando grupos de novos crentes em congregações e ajudando-os a construir edifícios simples para os cultos. Ele irá continuar sua obra evangelística apesar das ameaças, espancamentos e outras formas de maus tratos.

Sofrer é lindo, diz ele. Fere o corpo, mas fortifica o espírito.


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