Ebrahim Firouzi é convocado para depor no Irã

O líder cristão prestou esclarecimentos sobre acusações de “propaganda contra a república islâmica”

O cristão iraniano Ebrahim Firouzi, que passou anos na prisão e agora cumpre exílio interno, foi convocado para responder novas alegações de “propaganda contra a república islâmica em favor de grupos hostis”. Firouzi, que passou os últimos 15 meses exilado na cidade de Rask, foi informado que deve se apresentar ao Ministério Público dentro de cinco dias.

A convocação veio após Firouzi divulgar vídeos em que protesta contra as contínuas violações de direitos que enfrenta. Em um dos conteúdos, Firouzi reclama da pressão que enfrenta do irmão, o contínuo confisco de uma propriedade e a descoberta de que um dos “amigos” era na verdade um informante do Ministério de Inteligência.

Ele também descreve os eventos que levaram à última convocação, em setembro de 2020, que veio após ele receber um pacote contendo algumas Bíblias. "Parece que o Ministério da Inteligência pediu aos correios para avisá-los antes de eu receber esse pacote, para que eles pudessem estar lá na ocasião. Quando fui buscá-lo, os agentes da inteligência estavam esperando por mim", conta,

Segundo o líder cristão, os agentes do governo foram até a casa dele em um carro da polícia, sem um mandado ou qualquer acusação oficial e confiscaram laptops, celulares e livros didáticos que ele usava nas aulas de teologia on-line. Os exemplares foram publicados com a permissão do Estado.

Firouzi acrescenta que ainda aguarda a devolução dos bens. “Eles me dizem: Ainda não examinamos o conteúdo", explica. "Mas ao fazer isso, eles estão me impedindo de continuar minha educação on-line", completa. O líder cristão argumenta que é um cidadão iraniano cristão e tem direitos legais de estudar por meio de dispositivos eletrônicos. 

"Não tenho medo da prisão"

O cristão esteve no radar do Ministério de Inteligência do Irã na última década – a primeira prisão ocorreu em 2011 – e desde então passou quase sete anos na prisão e 15 meses (até agora) no exílio. Furouzi deveria completar seu exílio até outubro de 2022, mas, após ele tirar uma licença não autorizada, a pena aumentou em 11 meses.  

Firouzi diz que o caso contra ele pode levar a mais três anos de prisão, mas que ele "não tem medo de ser mandado de volta para a prisão no Irã por dizer a verdade" ou lutar por justiça. "Minha oração é que as autoridades busquem a verdadeira justiça. A igreja iraniana nunca buscou guerra com o governo. O poder do amor de Cristo por nós é tal que nenhuma outra força pode nos distrair do que acreditamos. Eles podem ser capazes de nos machucar, mas eles não podem causar danos às nossas almas", finaliza.

Pedidos de oração