É ética a Classificação de países por perseguição a cristãos?

O objetivo da Classificação é criar consciência e mobilização a favor dos cristãos perseguidos

| 15/03/2005 - 00:00

Classificação lista os 50 países onde os cristãos são mais perseguidos

Classificação lista os 50 países onde os cristãos são mais perseguidos


Nos tempos atuais, uma lista que informe intolerância contra esta ou aquela minoria corre o risco de ser chamada anti-ética. Pessoas podem alegar que a percepção de intolerância é enviesada, que a lista é etnocêntrica e que pretende criar hostilidades contra povos ou contra regimes.

Mas será que é isso mesmo? A busca desta resposta requer uma - ainda que rápida - discussão do conceito, o que é ética. Segundo Moreira* há pelo menos cinco linhas conceituais relativas à ética.

1. A teoria fundamentalista para quem os conceitos devem ser extraídos de uma fonte externa ao ser humano.

2. O utilitarismo para quem o ético é o que cria um bem maior para a sociedade como um todo, um bem maior medido pelo seu tamanho e não pelo número de pessoas que beneficia.

3. Para a teoria kantiana, o dever ético é definido a partir de conceitos universais aplicáveis a todos, sem exceções, desde que exijamos de nós mesmos o que se exige do próximo.

4. O contratualismo de Rousseau reivindica estar implícita na convivência humana a obrigação de se comportar de acordo com a moral.

5. Finalmente, o relativismo, para quem cada um deve comportar-se de acordo com seu próprio pensamento sobre o certo e o errado.


Para Portas Abertas, a Classificação se enquadra nos quatro primeiros conceitos pois seu objetivo é criar consciência e mobilização a favor dos discriminados, sem qualquer interesse em estigmatizar os países mencionados. Os países são simplesmente o "endereço" do problema e o foco da oração intercessória.

Talvez, mesmo diante desta argumentação, a pergunta permaneça aberta: "é ética a lista"? Nesse caso, o leitor é quem deve decidir e, nesse sentido, dois pontos finais que podem ajudar.

Primeiro um testemunho**

Na década de 70, Irmão André, fundador de Portas Abertas, foi questionado quanto à ética de entrar com Bíblias em países em que a Bíblia é proibida. Ele estava numa igreja na África do Sul e, um pouco antes da pregação, um irmão lhe entregou uma folha em que explicava suas dúvidas.

A resposta dele àquela época vale ainda hoje: "o sofrimento de nossos irmãos perseguidos é por demais desesperador, para que fiquemos por aí a praticar façanhas apenas pelo prazer de aparecer".

E, finalmente, outra pergunta: seria ético de Portas Abertas, apurar a classificação e não publicá-la?

Douglas Monaco - Secretário Geral de Portas Abertas Brasil

* "A ética empresarial no Brasil" - Joaquim Manhães Moreira - Pioneira, SP, 1999
** "Não há portas fechadas" Irmão André - Editora Betania - Belo Horizonte, MG, 1974


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