Cristãos sírios lutam para manter a sua esperança em Deus

| 19/01/2015 - 00:00


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O líder religioso Nawras Sammour, vivendo entre os 7,6 milhões de refugiados internos na Síria, observou a guerra que tem assolado o país em duas etapas. A primeira: quando as pessoas estão em estado de alerta, com fome de informações, nas ruas, em aldeias e campos de refugiados, falando umas com as outras, tentando entender o que está acontecendo e o que vai ocorrer a seguir.

Mas tudo para às seis horas da tarde, quando a maioria dos refugiados se reúne para passar a noite com seus familiares, tentando sobreviver até o dia seguinte. Então, a partir desse horário começa a segunda etapa: muitos refugiados decidem perambular pelas ruas, segundo Nawras.

"Eles andam cercados de morteiros e simplesmente não se importam", disse ele. "O mais importante é viver o momento presente. Amanhã? Ninguém se importa com isso. Para mim, essa segunda etapa é bem mais perigosa do que a primeira. É o fatalismo. Esperança e fatalismo não se encaixam."

Nawras não culpa os sírios por perderem sua esperança. "É muito difícil manter a confiança e esperança em uma situação como essa”, disse ele. "Porque não há escapatória. É um círculo vicioso de violência e não temos perspectiva no horizonte."

7,6 milhões de sírios deslocados internamente já é bastante preocupante; mas os números não param por aí. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) tem 3,2 milhões de refugiados sírios registrados na Turquia, Líbano, Jordânia, Iraque e Egito. O Observatório Sírio para os Direitos Humanos com sede em Londres conta mais de 76 mil mortos em 2014, revelando que esses três anos e meio de guerra civil somam 206.603 vidas perdidas. Os números de 2014 incluem 3.500 crianças e 18 mil civis mortos.

Para os cristãos da Síria o futuro parece sombrio. "Nenhuma das possíveis soluções para a crise síria inclui os cristãos", comenta Sammour. "A Síria considera sua divisão como uma região para os curdos, outra para os sunitas, uma terceira para os alauítas e uma quarta região para os drusos. Os cristãos? Eles estariam no entorno. Agora, eu diria que eles são completamente ignorados."

Para os milhões de sírios deslocados pelo conflito no país, a vida é uma batalha diária. Não é uma luta apenas para se manter vivo; o tempo frio, a falta de comida e abrigo também contribuem para que os saldos do conflito sejam ainda mais negativos. Além disso, é preciso determinação para manter a esperança viva e encontrar uma razão para seguir em frente. O futuro parece desanimador, especialmente para os cristãos sírios, mas eles se esforçam para manter sua esperança em Deus.


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