Países onde a perseguição religiosa se intensificou em 2006

| 12/01/2007 - 00:00


Além da Coréia do Norte, a situação deteriorou-se no Uzbequistão, Eritréia, Comoros, Iraque, norte da Nigéria, Argélia, Mauritânia, Etiópia e nordeste do Quênia.

11º - Uzbequistão

Mais de ano e meio se passou desde que o governo controlou o levante popular em Andijan. Desde essa oportunidade, a política do Uzbequistão modificou-se, e o governo iniciou um novo período de fortes perseguições aos cristãos. Esse terrível período ainda não terminou. As relações entre o governo do Uzbequistão e os países ocidentais deterioraram-se; a atitude em relação aos cristãos deteriorou-se. O povo do Uzbequistão considera os cristãos seguidores de uma religião ocidental, ou membros de uma seita extremista. Em 2006, muitos trabalhadores cristãos expatriados foram deportados do Uzbequistão. Em junho, o governo aprovou uma nova lei que pune com três anos de prisão a publicação de livros religiosos. Programas de TV retratavam os cristãos de forma muito negativa, o que resulta em maior pressão contra os cristãos, particularmente por parte dos parentes e das autoridades locais. Os cristãos de origem muçulmana em lugares remotos do país também encontram resistência por parte dos muçulmanos fundamentalistas e são submetidos à pressão para que retornem a sua antiga fé. São publicamente humilhados e cercados fora de suas casas e de seus trabalhos por haverem se convertido ao cristianismo.

13º - Eritréia 

Na Eritréia, o governo restringe rigidamente a liberdade religiosa dos grupos não registrados e viola os direitos de alguns dos grupos registrados. Desde maio de 2004, as únicas religiões autorizadas, reconhecidas pelo Estado, eram a Ortodoxa da Eritréia, a Católica Romana, a Evangélica Luterana e a Islâmica. Qualquer pessoa apanhada em cultos que não pertencessem a essas quatro instituições religiosas reconhecidas, mesmo que dentro de suas próprias casas, era aprisionada, torturada e recebia fortes pressões para renegar sua fé. A situação já deplorável dos cristãos piorou muito em 2006. Mais de 2.000 cristãos, incluindo pastores e padres das igrejas Ortodoxa e Católica, encontram-se prisioneiros, por toda a Eritréia, nos postos policiais, acampamentos militares e em prisões. Embora muitos estejam aprisionados por meses, e até mesmo anos, nenhum foi acusado oficialmente nem teve acesso a um processo judicial. Em muitos casos, as autoridades policiais submetem os cristãos detidos a espancamentos e outras agressões físicas. Em maio, 15 cristãos escaparam de um acampamento militar em Asabe, onde foram mantidos prisioneiros em contêineres metálicos durante os últimos dois anos. Correndo grande risco, fugiram para o deserto na divisa com Djibouti. Cinco dos homens morreram por exposição ao sol, e os dez remanescentes desapareceram e não há nenhuma indicação de que conseguiram cruzar a fronteira com Djibouti. Em outubro, a polícia de segurança da Eritréia torturou dois cristãos até a morte, apenas dois dias após havê-los detido sob a acusação de conduzir cultos religiosos em uma residência particular no sul de Asmara. O Departamento de Estado dos Estados Unidos, em seu relatório de 2006 sobre a liberdade religiosa, referiu-se à Eritréia, pelo terceiro ano seguido, como um "País de Preocupação Específica", o que classifica essa nação como um das que mais violam a liberdade religiosa no mundo.

15º - Comores

A Constituição de Comoros prevê a liberdade religiosa. Na prática, entretanto, o governo viola esse direito. Em maio, quatro homens foram condenados à prisão por envolverem-se com o cristianismo. Três deles foram detidos quando a polícia invadiu um local de encontros religiosos que um jovem cristão, de origem muçulmana, fora forçado a mostrar-lhe. Foram levados a julgamento e sentenciados a três meses de prisão. Comenta-se que, no decorrer do julgamento, fundamentalistas muçulmanos pediram a pena de morte pelo "crime" de envolverem-se com o cristianismo. Relata-se que dois deles sofreram agressões verbais e físicas. A polícia agrediu-os fisicamente, gritou com eles e tentou fazê-los renunciar a sua fé em Cristo. Embora a sociedade discrimine amplamente os cristãos, informa-se que perseguições desse tipo não acontecem em Comores desde o final dos anos 90.

21º - Iraque

Em 2006, as tensões religiosas no Iraque continuaram a crescer. Além do sangrento conflito entre muçulmanos sunitas e xiitas e do fato de que muitos ataques simplesmente fazem parte da caótica vida diária da era pós-Sadam, trabalhadores da Portas Abertas relataram o aumento da violência no país, especificamente contra os cristãos. Os cristãos sofrem com o preconceito anti-ocidental no país. Muitos iraquianos consideram o ocidente cristão e, daí, partem para a conclusão de que se você é cristão, você é colaborador. O incidente da caricatura, o Ramadã e a declaração do papa acirraram os ânimos resultando em um clima explosivo. Outros motivos são de natureza financeira, especialmente quando os cristãos são alvos de raptos, uma vez que muitos cristãos iraquianos fazem parte da classe média. Em 2006, muitos cristãos foram mortos, sofreram agressões ou foram raptados, e igrejas foram alvejadas e bombardeadas. Em Bagdá, houve manifestações e ameaças contra os não-muçulmanos. Com o aumento dos bombardeios a igrejas e dos raptos de  padres em Mosul e Bagdá, estima-se que a população cristã do Iraque caiu para menos de 450.000, metade do que havia em 1991.

27º - Nigéria (norte)

Doze estados no norte da Nigéria impuseram a lei islâmica nos últimos seis anos. Repetidos surtos de violência religiosa eclodiram desde essa época, ceifando milhares de vidas. O norte da Nigéria também foi palco de uma violenta reação contra as caricaturas de Maomé nos jornais dinamarqueses. Os tumultos causaram a destruição de 50 igrejas e a morte de 60 cristãos no Estado de Borno e no de Niger. Os relatos também registram que os muçulmanos mataram 25 cristãos em fevereiro na cidade de Bauchi, no norte, sob a alegação de blasfêmia contra o Alcorão. Outro surto de violência foi relatado no estado de Yobe, no norte. Relata-se que jovens muçulmanos incendiaram igrejas e casas pertencentes a cristãos. A evangelização junto aos muçulmanos enfrenta a violência. No último mês de junho, no Estado de Niger, uma mulher cristã foi apedrejada e espancada até a morte por extremistas muçulmanos por divulgar o evangelho a jovens muçulmanos. Essa mulher, acusada de "insultar" a Maomé, é a primeira vítima fatal em decorrência da evangelização de muçulmanos no Estado de Niger, desde que foi imposta a lei sharia no ano de 2000. Em setembro, um grupo de jovens muçulmanos feriu seis cristãos - um deles com gravidade - e queimou dez igrejas em Dutse, capital do Estado de Jigawa. Os ataques aconteceram em razão da alegação de que uma mulher cristã blasfemara contra o profeta muçulmano Maomé. Muçulmanos furiosos, ao tentar exigir o apedrejamento dela, promoveram desordens, destruindo não somente igrejas, como também as casas de 20 cristãos e 40 lojas, deixando mais de 1.000 cristãos desalojados.

31º - Argélia

Na Argélia, aprovou-se uma lei proibindo esforços para converter muçulmanos para outra religião e dando ao governo o direito de regulamentar cada aspecto da prática do cristianismo. Essa ação parece voltada a manter a estabilidade depois que a violência islamita atormentou o país por uma década. Antes que a lei fosse aprovada, não havia barreiras legais contrárias à conversão dos muçulmanos para outras religiões, embora as autoridades considerassem essa prática subversiva. De acordo com os padrões do Norte da África, os cristãos desfrutaram de razoável liberdade religiosa nos últimos anos. No ano passado, surgiram notícias de que muitos argelinos estavam se convertendo ao cristianismo. Hoje, parece que a amplitude dessa liberdade religiosa relativa chegou ao final. Fontes locais confirmam que a situação na Argélia piorou durante o último ano e que as autoridades tentam isolar os cristãos mediante a não concessão de vistos de entrada. Se acrescentarmos a isso a libertação de islamitas aprisionados por ocasião da guerra civil da Argélia, em troca da cessação dos conflitos, podemos perfeitamente entender que o governo da Argélia tenta, na verdade, apaziguar os islamitas, uma atitude que poderia ter sérias conseqüências para a igreja local.

32º - Mauritânia

A república da Mauritânia reconhece o islamismo como a religião de seus cidadãos. O governo (de transição) limita, de certa forma, a liberdade religiosa por meio da proibição da evangelização de muçulmanos e da distribuição de material religioso não islâmico. O total de pontos para a Mauritânia aumentou consideravelmente em 2006. Isso se deve, em parte, ao fato de que recentemente recebemos mais informações sobre o país. Por outro lado, houve igualmente um aumento da perseguição aos cristãos do país e às igrejas africanas banidas no decorrer do último ano. Os detalhes não foram publicados, atendendo a pedidos de cristãos do país.

35º - Turquia

O clima de tolerância religiosa parece ter mudado na Turquia, em comparação com o ano anterior. Em fevereiro, um padre da Igreja Católica foi alvejado e morto depois de uma missa dominical. O assassinato foi, provavelmente, cometido em resposta às caricaturas do profeta Maomé. Diversos outros clérigos foram ameaçados e atacados. No total, ocorreram quatro ataques contra clérigos católicos e duas agressões a líderes da igreja protestante turca. Aparentemente, a mídia local incentivava os motivos nacionalistas e enganosos dos acusados. Em outubro, dois turcos convertidos ao cristianismo foram acusados de "insultar a cultura turca, de incitar o ódio contra o islamismo e de coletar secretamente dados sobre cidadãos particulares para um curso por correspondência sobre a Bíblia". Em novembro, uma igreja protestante foi atingida por bombas incendiárias. O ataque seguiu-se a meses de repetidas perseguições por elementos desconhecidos contra a pequena congregação protestante na cidade de Odemis, cerca de 100 quilômetros a leste de Izmir. Em dezembro último, o presidente da Turquia, Ahmet Necdet Sezer, eliminou um texto-chave da reforma legislativa, o qual ampliava a liberdade religiosa na Turquia. Em sua forma final, com essas emendas, a proposição permitiria às fundações religiosas minoritárias reivindicar dezenas de valiosas propriedades confiscadas pelo Estado turco nos últimos 32 anos.

37º - Etiópia

Embora a constituição da Etiópia assegure a liberdade religiosa, os cristãos locais sentem o controle do governo quanto a essa liberdade. Cristãos evangélicos não são reconhecidos e relatam que suas igrejas são monitoradas. Na maioria das regiões islâmicas, os cristãos sofrem a maior parte da oposição por parte de autoridades locais e de muçulmanos radicais. Há muitos somalis vivendo na região de fronteira entre a Somália e a Etiópia. A influência de extremistas islâmicos na Somália encorajou o surgimento de extremistas nessa região de fronteira com a Etiópia. A hostilidade contra os cristãos foi também incitada em toda a Etiópia depois que caricaturas do profeta Maomé foram publicadas na Dinamarca. Em março, os extremistas muçulmanos, proclamando a guerra santa, ou "jihad", atacaram três igrejas e uma organização cristã no norte da Etiópia, incendiando-as totalmente, junto com Bíblias, impressos cristãos, instrumentos musicais e outros bens. Muçulmanos radicais atacaram diversas outras igrejas e agrediram os convertidos. Diversos cristãos foram aprisionados em virtude de sua fé e tiveram de se esconder durante o ano todo. Em setembro, a violência eclodiu entre muçulmanos e seguidores da Igreja Ortodoxa Turca por ocasião de uma celebração ortodoxa no Estado de Oromia, no sudoeste da Etiópia. O apedrejamento inicial ganhou proporções enormes, chegando ao assassinato de cristãos e de muçulmanos e à queima de edifícios, conversões forçadas ao islamismo e o deslocamento de 2.000 pessoas. Cristãos de origem islâmica são, com freqüência, brutalmente perseguidos por membros da família. Eles não somente são relegados ao ostracismo pela comunidade, como também enfrentam ameaças e ataques. Em outras regiões a igreja tem alguma liberdade. Em geral, a situação piorou de alguma forma.

47º - Quênia (nordeste)

Em termos gerais há liberdade religiosa no Quênia. Apesar disso, em regiões predominantemente muçulmanas, como no nordeste, os cristãos enfrentam restrições e perseguições em decorrência de sua fé. Essa pressão aumentou em 2006. Em março, três missionários foram expulsos depois que diversos muçulmanos converteram-se ao cristianismo. O Comitê Distrital de Segurança de Wajir tomou essa decisão "por razões de segurança", acompanhando os protestos dos imames locais. Em maio, extremistas muçulmanos atacaram uma estação de rádio cristã em uma igreja pentecostal em Nairobi, depois que um programa de rádio semanal cristão tentou evangelizar muçulmanos por intermédio de suas transmissões. O brutal ataque deixou uma pessoa morta e três feridas. Parte do edifício foi incendiada.


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