O Ramadã e os não-muçulmanos

| 02/10/2006 - 00:00


O artigo abaixo foi escrito por Sheraz Khurram Khan, correspondente da agência Assist News Service no Paquistão.

O advento do Ramadã, o mês sagrado muçulmano, tirou a liberdade dos não-muçulmanos de comer em público no Paquistão.

Restaurantes e outras lojas do ramo alimentício somente abrem pela manhã bem cedo ou no horário da quebra do jejum. Nenhum não-muçulmano ousaria comer em público por medo de ser agredido pelos muçulmanos em jejum.

A "punição" por violar a santidade do Ramadã pode ser mais rigorosa e ameaçadora. Acredita-se que a fé dos muçulmanos em jejum pode faltar se acontecer de eles virem alguém comendo em sua frente. Sob o ponto de vista humanitário, a intensa restrição força os não-muçulmanos a passarem fome e sede quando estão fora de casa. Por que eles devem ser submetidos a seguir a agenda do Ramadã?

O islã dá grande importância ao Haqooq-ul-Ibad (diretos das pessoas). Essa prática de impor restrições de não comer em público para os não-muçulmanos durante o mês sagrado do Ramadã não os priva de seus direitos? Os eruditos muçulmanos mais esclarecidos no país poderiam influir no sentido de abrandar as restrições para os membros das comunidades minoritárias no Paquistão dizendo aos fiéis muçulmanos que não há inconveniente se alguém de uma comunidade minoritária comer em público ou diante deles.

Contra sua vontade, a maioria dos não-muçulmanos tem de aprender a restringir o apetite e a sede. Apesar da presença de cafeterias em alguns locais comerciais, elas permanecem fechadas durante o dia, forçando os empregados não-muçulmanos a continuar trabalhando sem que tenham se alimentado. Mesmo que eles levem seu lanche, provavelmente serão confrontados com demonstrações de desagrado.

Se o mês sagrado muçulmano pode forçar não-muçulmanos a comer e beber publicamente, não é difícil imaginar um muçulmano exigindo de um cristão que deixe de ir a igreja aos domingos porque sua ida a igreja faz com que ele se sinta incomodado.

Pela transformação da sociedade

E se algum cristão em jejum esperasse que um muçulmano não comesse na sua frente? Como um muçulmano reagiria a essa demanda? Muitos certamente se oporiam com veemência. É provável que a maioria reagisse dizendo: "Isso é uma exigência louca. Por que não deveríamos comer quando não estamos jejuando?" A exigência provavelmente levaria líderes radicais muçulmanos a promover manifestações, organizar ocupações e passeatas de protesto. A exigência poderia ser considerada como uma conspiração contra o islã.

Se os cristãos no país insistissem que os muçulmanos fizessem o mesmo, como seria difícil evitar que os muçulmanos comessem publicamente por 24 horas. Em vez dessa exigência "olho por olho", a melhor solução repousa na transformação da sociedade, tornando-a mais aberta, mais liberal, mais esclarecida e mais progressista.

Em países predominantemente cristãos, os muçulmanos observam seu mês sagrado do Ramadã, apesar do fato de pessoas de outras religiões comerem e beberem publicamente. Se isso não se constitui um obstáculo para o jejum dos muçulmanos que vivem no ocidente, por que a mesma concessão não poderia ser garantida aos cristãos paquistaneses, de modo que eles pudessem se sentir mais aliviados e menos tensos durante o Ramadã.  Essa medida pode aplacar seu senso de privação e aumentar sua produtividade.

Esse estado de coisas favorece as chances de que o fato de não-muçulmanos se alimentarem em público não seja visto como uma violação da santidade do Ramadã. Mesmo que essa concessão seja defendida por alguns eruditos muçulmanos, os líderes fundamentalistas se opõem fortemente a tal proposta. Já é tempo de nos certificarmos de que nosso engajamento em uma prática sagrada não dificulte a vida de pessoas de outras religiões.

Veja pedidos de oração e outros artigos na página Ore pelos cristãos durante o Ramadã


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