“Gaza, junho de 2001*

| 02/08/2005 - 00:00


Eu estava escalado para pregar três vezes em menos de 24 horas na Igreja Batista de Gaza. A primeira reunião, no sábado à noite, tinha a casa cheia, inclusive com algumas pessoas em pé ao fundo. Sob a liderança do pastor Hanna Massad, a igreja havia crescido significativamente. "Não fiz isso sozinho", afirmou. Ele apresentou alguns jovens líderes e enfatizou: "Somos uma equipe ministerial".

Os resultados eram impressionantes. O louvor era entusiasmado, e a pianista, que havia sofrido com os anos de escassez, freqüentemente virava-se para nós com um largo sorriso enquanto martelava as teclas do piano. Agora era muito mais animado e alegre do que quando havia apenas umas dez pessoas na assistência. Silenciosamente, agradeci a Deus por reavivar aquela congregação. "Que isso seja parte de sua Força da Luz em Gaza".

No culto da manhã de domingo meu texto era 2 Coríntios 4.7-9: "Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós. Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados; perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos". Aqueles eram os versículos em destaque em uma página suja de sangue que eu ergui para que a congregação visse. As palavras estavam escritas em russo e a página pertencia à Bíblia de uma das dez pessoas mortas em uma igreja pelos fundamentalistas muçulmanos, oito meses antes, em Dushanbe, Tadjiquistão.

"Existe uma grande igreja perseguida ao redor do mundo", eu disse. Com o passar dos anos, eu tinha descoberto que as igrejas em circunstâncias difíceis eram encorajadas por saber que não eram as únicas que enfrentavam dificuldades. "Somos perseguidos, mas não perdemos a coragem. Seus irmãos ao redor do mundo estão sofrendo. Mas uma parte do corpo cuida da outra".

No final do culto, o pastor Hanna nos desafiou. Bastante comovido, ele convidou a congregação para meditar sobre a igreja no Tadjiquistão que tinha perdido dez membros. "Creio que devemos levantar uma oferta para aquela igreja", Hanna anunciou.

No culto da noite, Hanna, com um largo sorriso no rosto, me chamou à frente e colocou na minha mão o produto das ofertas. "Queremos que você leve isso para nossos irmãos e irmãs que estão sofrendo tanto. São 800 dólares. Queremos que isso seja uma bênção para eles."

Eu estava atordoado. "É muito dinheiro!", pensei, sabendo que muitos naquela congregação estavam desempregados - mais da metade dos habitantes de Gaza estava sem emprego, e o número aumentava rapidamente. Ainda assim, aquelas pessoas tinham revolvido seus bolsos e doado afetuosamente para outra igreja da qual só tinham ouvido falar em um sermão. Eu estava profundamente emocionado e prometi entregar a doação."

Que o exemplo de nossos irmãos nos constranja a amar como eles.

Douglas Monaco
Secretário Geral de Portas Abertas Brasil

* Extraído de Força da Luz, livro do irmão André a ser lançado em 23 de agosto de 2005.


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