“Gaza 1996*

| 26/07/2005 - 00:00


No domingo de manhã eu me dirigi à Igreja Batista de Gaza, na outra calçada da rua onde fica o prédio do Parlamento Palestino. A Igreja Batista usava dois sobrados alugados localizados atrás de uma parede de cimento que estava coberta de grafite. Jaber, um dos líderes da igreja, cumprimentou-me na entrada. A esposa dele estava montando a mesa do lanche no salão social ao lado do pequeno santuário. Duas crianças de pouco mais de um ano corriam livremente entre as filas de cadeiras de dobrar colocadas especialmente para o culto. As mãos enrugadas de uma senhora idosa tocavam um piano que precisava urgentemente de afinação.

Um público pequeno

Na hora que o culto começou, não mais que 12 adultos se espalhavam pelas cadeiras de dobrar. Cantávamos o hino Todos saúdem o poder do nome de Jesus, mas, a despeito do entusiasmo da pianista ao bater nas teclas, o canto da congregação mostrava pouca convicção.

Poucos anos antes, eu tinha pregado naquele santuário e havia de 75 a 80 pessoas que enchiam a sala. Mas, a cada ano que eu retornava, o número tinha diminuído.  Naquele dia, um desespero pairava sobre o salão, como se as pessoas estivessem comparecendo a um velório. Eu sabia que isso não devia acontecer. Este pequeno corpo, a única igreja evangélica em Gaza não pode morrer! Eu preguei com paixão àquele pequeno rebanho.

Protagonistas

Mais tarde, enquanto tomava um refrigerante, conversava com Jaber e outros dois membros antigos daquela congregação - Isam, um homem de negócios, e doutor Attala, um médico respeitado. Attala lembrava de sua experiência inicial na igreja. Eu me mudara para cá vindo do Egito e trabalhei no hospital Batista. Ele se referia ao Hospital Al Ahli que, desde 1982, era gerenciado pela Igreja Anglicana. Fui batizado na capela do hospital em 1979 e, desde então, faço parte da Igreja Batista de Gaza.Eu não pude deixar de sentir o lamento em sua voz.


Temos de perseverar

Cavalheiros, vocês não podem desistir. Há grandes trevas aqui em Gaza, não há? Meus amigos fizeram que sim com a cabeça. E o que é que vence as trevas? Luz. E esta luz está em toda pessoa em que Cristo vive. Esta igreja é uma luz, talvez não tão forte, mas não se apagou. Não pode se apagar. Vocês têm de orar e eu vou orar que Deus fortaleça esta pequena congregação a fim de que se torne uma luz brilhante nas trevas. Esta igreja é a esperança de Gaza. Eu vou orar e conclamar outros a orar que esta igreja seja reavivada e cresça.

Isam sorriu e me agradeceu pelas palavras. André, toda vez que você nos visita, sentimo-nos encorajados."

Porque a luz tem de brilhar, nós temos de nos unir a eles. E quanto mais numerosos formos, mais eficaz será a força da luz.
 
Douglas Monaco
Secretário Geral de Portas Abertas Brasil

* Extraído de "Força da Luz", mais recente livro de Irmão André a ser lançado no início de agosto.


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