Irã publica fotos de material cristão apreendido

Apesar de dizer que há liberdade religiosa, governo publica fotos como evidência de crime

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A Guarda Revolucionária do Irã publicou fotografias de grande quantidade de material cristão confiscado. A Guarda é uma organização militar responsável pela manutenção da segurança do estado. O defensor da liberdade religiosa, Mansour Borji, contou à Portas Abertas que as fotografias foram inicialmente publicadas em julho com a intenção de impedir que os cristãos se encontrassem nos meses de verão.

 

Segundo Borji, a divulgação das fotos é um desrespeito à liberdade religiosa que o governo diz garantir. “Por que um governo seguro e estável se incomodaria tanto com Novos Testamentos e livros de discipulado? Como eles podem dizer que respeitam os direitos das minorias religiosas e exibir literatura cristã como evidência de atividade criminosa?”, questiona.

 

Golpe publicitário

 

Para ele, a publicação das fotos agora foi um golpe publicitário. Porque na verdade a apreensão do material foi feita após a prisão de alguns cristãos na capital Teerã, e nas cidades próximas Rey e Pardis, em julho. E agora o assunto foi levantado de novo sem maiores explicações do contexto de quando o material foi confiscado.

 

“Um fator importante é que as fotografias não foram publicadas por autoridades judiciais ou pelo Ministério de Inteligência, mas pela Guarda Revolucionária. Então, por que uma instituição militar estaria encarregada de reprimir as igrejas nos lares e por que alardeiam a prisão de cristãos e confisco de material religoso?”, são os questionamentos levantados por Borji.

 

Ele acredita que o material apreendido tenha sido queimado, e cita um poeta alemão, Henrich Heine, que escreveu  na época do nazismo: “Onde queimam livros, queimarão também pessoas”. Ele acredita que essa atitude anti-cristã levará a posterior violência.

 

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