Após conflitos, vida começa a voltar ao normal em Jos

Cidade dominada por cristãos pode correr riscos que refletirão em todo o país

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No último dia 14 de setembro, conflitos inter-religiosos fizeram pelo menos três mortos na cidade de Jos, no estado de Plateau, no centro da Nigéria. Uma das vítimas fatais foi um jovem cristão que cursava o último ano de faculdade. O deão da escola de pós-graduação, Timothy O. Oyetunde, sobreviveu por um milagre. Ele estava saindo da faculdade quando jovens muçulmanos armados rodearam seu carro. Eles portavam punhais e outras armas e esfaquearam os outros dois passageiros que estavam no carro. Depois atearam fogo no carro.

 

O ataque em Jos foi desencadeado pelo Povo Indígena de Biafra (IPOB, na sigla em inglês), um grupo separatista formado em sua maioria por pessoas da etnia Igbo, responsáveis pela morte de alguns hausa muçulmanos. O governo federal enviou o exército para conter protestos, o que resultou em violência. Muitos membros do IPOB também foram mortos.

 

No país mais populoso da África, o estado de Plateau tem uma grande importância por estar no centro do país, dividindo o norte muçulmano e o sul cristão e animista. A cidade de Jos é vista como uma miniatura da Nigéria, por sua variedade étnica. Mas é dominada por três tribos majoritariamente cristãs. Assim, uma perturbação da paz em Jos poderia afetar toda a nação, principalmente as comunidades cristãs.

 

Desde o ataque, o governador decretou toque de recolher. Soldados armados permanecem em patrulha nos pontos principais da cidade. No último domingo, apesar de a segurança ter sido reforçada nas igrejas cristãs, poucas pessoas atenderam aos cultos, provavelmente por medo de ataque.

 

Essa semana as lojas reabriram e a vida voltou ao normal, para alegria dos comerciantes. A violência foi unanimemente condenada por líderes cristãos e muçulmanos do país. O governador do estado de Plateau se reuniu com líderes religiosos e reafirmou sua determinação em garantir segurança para todos.

 

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