DESTACAM-SE CINCO GRANDES TENDÊNCIAS PARA 2017

A pressão islâmica continua a ser o mecanismo de perseguição dominante nos 50 países que compõem a Lista, no entanto, o Oriente Médio e o Norte da África são regiões onde estão concentrados o maior número de países nessas condições.

O Iêmen entra nos 10 primeiros, onde todos os cristãos expatriados fugiram diante dos terríveis assassinatos de quatro irmãs, e os cristãos nativos afundam-se no meio do caos da guerra civil.

Mesmo nos países onde os líderes reprimem extremistas muçulmanos, como Egito (21) e Argélia (36), os cristãos estão sob extrema tensão. Pelo quarto ano consecutivo, o número total de pontos nos 50 países subiu de 3.299, em 2016, para 3.355 na Lista 2017, sugerindo fortemente que o aumento da perseguição sobre cristãos em todo o mundo é uma tendência crescente.

1. O NACIONALISMO ÉTNICO ESTÁ CRESCENDO NA ÁSIA
As ondas de nacionalismo étnico, ou religioso, giraram em torno do mundo em 2016. Isso levou alguns países a uma forma de oposição de grupos considerados conservadores – uma forma de antiestabelecimento –, em parte por medos quanto à desigualdade, à migração, à globalização e ao crescimento descontrolado.

No entanto, no contexto asiático, esse nacionalismo tomou a forma de antiminorias e foi alimentado mais dramaticamente pelo nacionalismo religioso e insegurança política.

Nenhum país do Leste Asiático perdeu pontos ao longo do período em análise. Na maioria desses países, os governos dizem que ser, por exemplo, do Sri Lanka significa ser budista; na Malásia, ser malaio é ser muçulmano.

O Paquistão subiu para a 4a posição na Lista Mundial da Perseguição 2017, com níveis de violência que até ultrapassaram o norte da Nigéria.

A Índia foi para sua posição mais alta em toda a história da Lista (# 15). O nacionalismo religioso indiano vem ganhando ritmo desde meados da década de 1990, mas não há dúvida de que está em uma velocidade mais alta com a eleição de Nahrendra Modi em maio de 2014. Os nacionalistas hindus ficaram fora do poder de 2004 a 2014, mas eles usaram esse tempo para se expandirem maciçamente para lugares onde vive a maioria das pessoas da Índia. Mais de 600 mil extremistas foram treinados para dirigir escolas com o objetivo de radicalizar as famílias. Agora, as organizações cristãs em Deli estão enfrentando uma média de quarenta incidentes por mês, em que pastores são espancados, igrejas queimadas, convertidos assediados. Oito cristãos foram mortos por causa de sua fé só em 2016.

Como diz o analista da Portas Abertas sobre perseguição na Índia: "Não é só violência. Há uma deterioração da liberdade em todos os aspectos da sociedade indiana, e os radicais hindus têm a impunidade virtual vinda do governo".

A igreja cristã indiana é muito grande, 64 milhões de cristãos, talvez 39 milhões deles estejam em meio à perseguição direta.

Com exceção do Iêmen, devastado pela guerra, os países que adicionaram mais pontos na Lista vieram da Ásia: Laos, Bangladesh, Vietnã e Butão viram a piora da situação para os cristãos.

O nacionalismo budista também não deve ser esquecido. No Butão, o governo não considera os cristãos como cidadãos butaneses. Um novo sistema de cartão de identidade eletrônico ignora segmentos da minoria cristã, levando a uma enormidade de discriminações.

O nacionalismo budista impulsionou o Sri Lanka para dentro da pesquisa.

A Malásia tem "centros de purificação" para os cristãos e "muçulmanos que se desviaram" para voltar ao islã.

2. GOVERNOS ASIÁTICOS ESTÃO MAIS INSEGUROS E INVESTEM NO NACIONALISMO SECULAR
O nacionalismo é sempre um trunfo que um governo inseguro usa. O Vietnã tem um novo governo; o líder da Malásia está sob pressão com acusações de corrupção; e o presidente da China, Xi Jinping, vem alimentando o nacionalismo chinês mesmo no setor da religião, alegando que se você quer pertencer a uma religião, que seja uma filosofia chinesa como o confucionismo – que é mais uma abordagem intelectual materialista, porque não é de fato uma religião, mas sim uma série de obrigações morais.

Na China – que não mudou em pontos –, a xenofobia trouxe novas regras, advertindo os cristãos a ter cuidado com "forças estrangeiras hostis". Um cristão expatriado em Pequim disse em uma conferência de novembro de 2016: "As autoridades me visitavam uma vez um ano. Porém, tal é o novo nível de suspeita, que agora me visitam duas vezes por semana".

O Laos tem um governo desesperado para permanecer no poder, e os cristãos tribais suportam o peso, encontrando-se com uma dupla perseguição de tanto de Estado quanto de tribo. Mesmo no Vietnã houve três assassinatos de cristãos.

Os cristãos estão sempre em minorias vulneráveis na Ásia, com exceção da maioria cristã nas Filipinas, mas mesmo ali os convertidos ao cristianismo, na maioria muçulmana em Mindanao, são perseguidos. É uma manobra fácil e comum para os governos vacilantes ganharem apoio fácil da população ao confrontarem os cristãos.

3. A RADICALIZAÇÃO ISLÂMICA NA ÁFRICA SUBSAARIANA
É claro que a África Subsaariana – região composta por Eritreia, Somália, Sudão, Nigéria, Quênia, Etiópia, República Centro-Africana, Tanzânia, Mali e Níger – tem estado nas manchetes há anos devido aos ataques de grupos extremistas islâmicos como do Al-Shabaab e Boko Haram, este último acusado pelas Nações Unidas, em novembro de 2016, de causar o maior incidente da África, com 8 milhões de pessoas em situação de miséria e fome como resultado de sua luta.

No passado, os radicais só visavam a muçulmanos, mas agora – especialmente com o generoso financiamento saudita – eles estão construindo novas redes de escolas extremistas na Somália, no Quênia, no Níger e em Burkina Faso, buscando os quadros do governo local para pedir concessões para construir mesquitas e patrocinar aqueles que apoiam a causa.

A Somália é o número 2 na Lista porque, como um cristão local diz: "Tudo funciona contra o cristão aqui". Pelo menos doze cristãos foram mortos na Somália em 2016 por militantes de Al-Shabaab. Mas o que não é tão conhecido é que a militância islâmica está ganhando terreno em muitos outros setores da sociedade.

O Sudão sobe para o 5o lugar. Ao presidente Omar al-Bashir procurar vantagem sobre os incidentes terroristas de 2011, o Sudão do Sul, de maioria cristã, se separou, e o presidente disse: "Agora podemos impor a sharia aqui". No Sudão, os cristãos são alvos do governo.

É surpreendente que o Quênia, um país de maioria cristã, ainda permaneça firmemente enraizado nas 20 primeiras posições da Lista Mundial da Perseguição. Mesmo em Nairobi, os pastores têm de contratar empresas de segurança privada para equipar as portas das igrejas com detectores de metal.

Segundo nosso analista de perseguição da região: "Os movimentos violentos extremistas parecem deixar para trás um povo mais radicalizado". Por exemplo, os pastores de cabras hausa-fulanos, na região do Cinturão Médio da Nigéria, expulsaram milhares de cristãos de suas terras.

Mali obteve seu o maior crescimento na Lista 2017, subindo 12 posições, pulando para # 32. Isso significa que a situação piorou muito para os cristãos nesse país. Militantes islâmicos da Líbia juntaram forças com rebeldes tuaregues para derrubar o governo, até agora democrático, em 2012, mas foram derrotados por uma intervenção militar internacional, no entanto, a situação continua muito precária no Mali. Em 17 de dezembro de 2015, três pessoas foram mortas quando um atirador abriu fogo em frente a uma estação de rádio cristã em Timbuktu.

Em toda a África Subsaariana, a situação está piorando para os cristãos. De acordo com um relatório do departamento de pesquisas da Portas Abertas de agosto de 2016: "Este é um momento crítico para o futuro do cristianismo na região. Se a instabilidade ficar fora de controle e os grupos militantes tiverem seu caminho liberado, os cristãos serão mortos ou expulsos da região".

4. O ORIENTE MÉDIO ESTÁ POLARIZADO ENTRE REGIMES MAIS RADICAIS E AUTOCRÁTICOS
Não é surpresa que, com o retrocesso militar dos Estados Unidos no Oriente Médio, duas potências regionais estivessem no vácuo, ambas são regimes extremistas – Arábia Saudita e Irã.

Os sauditas estão investindo suas forças no Iêmen e procuram remover os rebeldes do grupo Shia Houthi. O país tornou-se uma zona de resíduos, com muitos cristãos pegos no fogo cruzado. Quatro missionárias foram mortas em 2016.

O Irã, agora com acordo fechado com os Estados Unidos, prendeu um número recorde de cristãos de igrejas em casas, e muitos estão perdendo seus meios de vida, pois têm de pagar enormes multas.

Porém, sempre há um efeito duplo vindos dessas tendências. Alguns muçulmanos veem um lado hostil no islã e convertem-se para longe dele, levando a um notável crescimento no chamado movimento de cristãos ex-muçulmanos. Mas outros tornam-se mais fundamentalistas, quer por convicção, quer simplesmente por se misturarem à maioria.

As divisões sectárias estão aumentando em muitas áreas. Distintos desses regimes mais radicais, estão um grupo de regimes mais autocráticos, como na Síria, Egito e Argélia, que combatem os extremistas.

A Síria recebeu apoio militar da Rússia em 2016. Os cristãos sírios nas áreas governamentais têm, em muitos casos, tanta liberdade quanto antes, e a maioria dos cristãos fugiu do território mantido pelos rebeldes.

No entanto, mesmo na Jordânia, mais pacífica (# 27), onde o rei procura controlar os extremistas, a reação de suas tentativas resultou em níveis mais altos de pressão sobre os cristãos.

A Turquia também piorou (# 37). Em julho de 2016, cerca de 120 mil oponentes do governo empurraram o país para uma direção mais islâmica, além do peso da islamização que os cristãos já têm de suportar. Houve até ameaças de incendiar a Hagia Sophia com a intenção de torná-la uma mesquita – Hagia Sophia foi a maior catedral cristã construída durante o Império Bizantino e secularizada em museu desde 1935.

5. OS CRISTÃOS ESTÃO SENDO MORTOS EM MAIS PAÍSES DO QUE ANTES POR SUA FÉ
O triste número de cristãos mortos continuou, especialmente na África Subsaariana – uma zona de matança na última década.

Entretanto, no período de formulação da Lista Mundial da Perseguição 2017, a violência mais abrangente registrada foi no Paquistão. Militantes islâmicos atacaram cristãos em um parque público no domingo de Páscoa, em Lahore, matando dezenas.

Bangladesh também experimentou um ano de ataques, o que surpreendeu um governo que se orgulhava de sua abordagem secular. Não só os cristãos ex-muçulmanos (que são rotineiramente alvo), mas também outros cristãos se viram vítimas da violência.

Três cristãos foram mortos no Vietnã no planalto central, onde existe uma enorme igreja entre as minorias tribais.

Um cristão também foi morto em Laos.

Na América Latina, onde grandes territórios são controlados pela máfia ou pela guerrilha, enfrentar a corrupção pode ser fatal. Vinte e três líderes cristãos foram mortos no México, e quatro, na Colômbia.

É raro ter um período de relato em que os assassinatos de cristãos tenham sido mais geograficamente dispersos. Ironicamente, houve poucos relatos de que cristãos que tenham sido mortos na Síria e no Iraque, já que a maioria deixou o território antes de o Estado Islâmico estabelecer-se como um califado em 2014 na região.

O CRESCIMENTO DA IGREJA CONTINUA
A notícia não é de todo ruim, apesar do estresse que esses milhares de cristãos perseguidos enfrentam. Um funcionário do Ministério da Segurança Nacional da China declarou em junho de 2016: "Nada pode impedir o crescimento da igreja".

Alguns cristãos e muçulmanos estão experimentando uma nova aproximação que só pode servir bem para o restabelecimento de paz nessas terras. Como disse um líder ortodoxo sírio: "Nossas igrejas, mesmo em áreas devastadas pela guerra, estão mais cheias do que antes. Nossas escolas mais bem atendidas, pois fomos forçados a praticar o cristianismo tanto nas ruas quanto nos lares. Assim nós incorporamos a fé na sociedade de uma maneira nova".

Em um outro incidente surpreendente no Quênia, os passageiros muçulmanos se recusaram a ser separados dos cristãos durante um ataque do Al-Shabaab.

Louvamos a Deus por isso, pois a promessa de Jesus de que sua igreja não será vencida continua de forma viva (Mateus 16.18).