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A igreja

Um dos principais desafios que o país enfrenta continua sendo as madrassas (escolas islâmicas) que não são controladas. Um fluxo interminável de jovens educados nelas entra na sociedade. Se isso não for interrompido, ideias radicais serão plantadas nas mentes da geração mais jovem.

Estima-se que existam 35 mil madrassas no país, das quais pelo menos 11 mil possuem o perfil conservador. As crianças e os jovens recebem um ensino radical e os professores instigam o ódio contra as minorias.

Apesar dessa forte influência, as autoridades começaram a agir contra as madrassas que são consideradas radicais e fecharam 182 delas a partir de janeiro de 2016. Outras fontes afirmam que 254 escolas religiosas não registradas também foram fechadas pelo governo como parte do Plano de Ação Nacional para combater o terrorismo.

O Paquistão sofre com a fragmentação, não só na sociedade, mas também na administração do país. Tudo isso e a corrupção desenfreada afetam a minoria cristã, geralmente desprotegida. A jurisdição sobre as áreas tribais administradas pelo governo federal (FATA) é limitada e distorcida.

Todos os cristãos no país enfrentam algum tipo de perseguição. As comunidades cristãs históricas ainda podem operar, mas têm de suportar controle e monitoramento mais fortes. Os grupos de cristãos ex-muçulmanos sofrem o peso da perseguição de familiares, vizinhos e grupos islâmicos radicais. Já as comunidades cristãs protestantes não tradicionais são observadas com mais rigor e enfrentam frequentes ataques, especialmente quando estão atuando entre os mulçumanos. 

A perseguição

A pressão geral sobre os cristãos permanece no nível extremo e aumentou em relação ao ano passado. A opressão islâmica está presente de todas as formas na vida dos cristãos. O nível de violência é o mais alto pelo segundo ano consecutivo.

Os cristãos enfrentaram vários assassinatos, ataques a igrejas, rapto de mulheres, violência sexual, casamentos forçados, despejos e deslocações no país e no exterior.

Os "bombardeios de Páscoa" no Parque Gulshan Iqbal, em Lahore, que aconteceu no domingo de Páscoa de 2016, visavam aos cristãos que tradicionalmente terminavam as celebrações da Páscoa com um passeio no parque. O atentado resultou em dezenas de mortos e muitos feridos.

Em setembro de 2016, um vigilante cristão, Samuel Masih, foi morto quando se defendia de um ataque de quatro homens armados. Pelo menos mais quatro casos foram arquivados, e provavelmente houve vários homicídios de honra não declarados. Ataques às igrejas estão ocorrendo, embora os edifícios não sejam sempre destruídos ou precisem ser fechados. No entanto, de acordo com entrevistas com muitos pastores, têm sido contínuo incêndios, janelas quebradas, propriedades danificadas e pequenos assédios, como cortes de energia e restrições de água às igrejas.

Esta violência explícita ofusca a violência diária nos bastidores contra meninas e mulheres cristãs que são frequentemente raptadas, violentadas e convertidas ao islamismo. Em casos de blasfêmia, as casas dos cristãos são comumente atacadas, forçando-os a se esconder. Consequentemente, o Paquistão é o país da Lista Mundial da Perseguição 2017 com maior violência

O futuro

Um dos desafios atuais para o Paquistão é lidar com grupos islâmicos extremistas. A esperança imediata após o ataque à Escola do Exército de Peshawar em dezembro de 2014 era que o Exército retirasse a proteção de certos grupos. Essa esperança não foi cumprida, e as minorias religiosas – incluindo cristãos – continuarão pagando o preço.

Outra questão grave e contra a qual o país tem lutado há vários anos é como limitar efetivamente as leis de blasfêmia e como isso pode ser feito sem provocar uma reação agressiva dos grupos islâmicos radicais. Todos os esforços até agora foram infrutíferos e respondidos com forte oposição. Os cristãos também estão preocupados com as leis aprovadas em agosto sobre as restrições de acesso à internet. Elas podem limitar ainda mais a propagação do evangelho no país em 2017.

Além disso, a tensão já forte entre o Talibã e o Estado Islâmico aumenta a pressão sobre ambos para conseguirem aliciar mais seguidores e, para isso, a estratégia de recrutamento exige que os dois grupos pareçam mais islâmicos e mais próximos do coração do islã do que o outro.

Esforçar-se por uma identidade islâmica mais forte inclui perseguir os cristãos mais e limitar a liberdade, tirando o máximo de seus direitos enquanto o governo não está muito interessado em conceder e implementar os direitos das minorias. Isso, por sua vez, se encaixa bem na atitude negativa da sociedade contra os cristãos e não é um bom sintoma para 2017: a opressão islâmica provavelmente permanecerá forte no Paquistão.


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