Saiba mais - Nigéria

A igreja

A Nigéria é um país federal com maioria cristã nos estados do sul e maioria muçulmana nos estados do norte. Doze estados instituíram a lei islâmica (sharia) parcialmente ou totalmente desde 1999. No geral, a pressão sobre os cristãos no norte está em um nível muito elevado e vem aumentando.

Todos os cristãos no norte do país, principalmente os ex-muçulmanos, enfrentam uma enorme pressão para renunciar a fé. Todos têm seu acesso restrito aos recursos da comunidade.

O maior perseguidor na Nigéria é o grupo extremista Boko Haram. Acredita-se que o grupo tenha sido instaurado após os muçulmanos discordarem da presença de um presidente cristão, Goodluck Jonathan, eleito em 2011. Líderes islâmicos e insurgentes prometeram, na época, tornar seu governo impossível.

Em 29 de maio de 2015, Muhammadu Buhari tomou posse como presidente. Em seu discurso de inauguração, ele prometeu trazer "mais prosperidade" para o país e combater a corrupção e a insurgência liderada por Boko Haram, que ele descreveu como "um grupo estúpido e sem Deus, que está tão longe do islã quanto se pode pensar".

Paralelo a isso, um círculo vicioso de violência na região do Cinturão Médio da Nigéria está ocorrendo sob a sombra do Boko Haram: os ataques perpetrados por pastores e colonos muçulmanos hausa-fulanis teriam levado milhares de cristãos à morte. Centenas de igrejas e propriedades foram alvejadas e destruídas. 

A perseguição

A opressão islâmica é a maior fonte de perseguição, ela é alta na vida privada e familiar no norte do país, especialmente em relação aos cristãos ex-muçulmanos. Mas o antagonismo étnico também cresce na região. E a prevalência da corrupção piora ainda mais a situação, pois promove uma cultura de impunidade para aqueles que atacam os cristãos.

Embora o Boko Haram esteja mais associado à perseguição de cristãos no norte, o padrão de perseguição é muito mais complexo do que simplesmente matar ou ferir cristãos (e até mesmo muçulmanos moderados). O grupo, nos últimos anos, tem realizado uma campanha sistemática contra o Estado nigeriano, visando especificamente aos cristãos.

Usando a retórica do islamismo radical, declarou um califado islâmico em Gwoza, estado do Borno, em agosto de 2014. A expansão desse califado foi recentemente interrompida pelas forças governamentais, mas a violência causada pelo grupo continua afetando milhares de pessoas. E promove uma desconfiança mútua entre cristãos e muçulmanos em toda a região, se não no país.

A violência também é praticada por assaltantes islâmicos, comumente identificados como pastores de cabras muçulmanos hausa-fulanis, que vão até as aldeias e realizam ataques contra pessoas inocentes, incluindo mulheres e crianças. Como relata um pesquisador nigeriano, há movimentos pelos governos dos estados de Benue, Kaduna, Nasarawa e Taraba que visam a estabelecer e reservar campos de pastoreio para esses pastores. Isso significa que terrenos de comunidades tribais cristãs são tomados para esse fim, privando os cristãos de seus campos de cultivo e meios de subsistência. 

O futuro

A opressão islâmica e o antagonismo étnico provavelmente persistirão na Nigéria num futuro previsível, tornando o norte um lugar perigoso para os cristãos. As campanhas de Buhari contra o Boko Haram tiveram algum sucesso, mas o grupo também está intensificando seus ataques e fazendo incursões mais frequentes em países vizinhos como Níger, Chade e Camarões.

Até agora, o governo não tomou medidas decisivas sobre a violência dos pastores de cabras muçulmanos hausa-fulanis contra agricultores, principalmente cristãos na região do Cinturão Médio. No entanto, essa situação pode mudar e o governo pode tornar-se mais sensível à medida que a próxima eleição vá se aproximando.


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