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Sudão do Sul

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Sudão do Sul
  • Tipo de Perseguição: Paranoia ditatorial, hostilidade etno-religiosa, corrupção e crime organizado
  • Capital: Juba
  • Região: Sul e Leste da África
  • Líder: Salva Kiir Mayardit
  • Governo: República presidencialista
  • Religião: Animismo, cristianismo, islamismo
  • Idioma: Inglês, árabe e línguas regionais
  • Pontuação: 43


POPULAÇÃO
13,3 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
8,1 MILHÕES

[Atualizado em fevereiro de 2021. Em breve, esse conteúdo será atualizado conforme os dados da Lista Mundial da Perseguição 2022].

O Sudão do Sul tem sido atormentado pela guerra civil, que começou logo após a independência, em 2013. No entanto, houve sinais de que essa guerra poderia estar chegando ao fim em 2020, porque um acordo de paz foi assinado em fevereiro, e a unidade do governo nacional foi estabelecida. 

Os dois principais grupos armados na guerra civil foram o Movimento Popular de Libertação do Sudão (SPLM, da sigla em inglês) e o Movimento Popular de Libertação do Sudão - em Oposição (SPLM-IO, da sigla em inglês). Houve inúmeros relatos de assassinatos, sequestros, agressões sexuais e outras violações de direito relacionadas à guerra civil. O fato de que os dois poderes opostos são apoiados pelos dois principais grupos tribais, os dinka (SPLM) e os nuer (SPLM-IO) tornou a guerra mais agressiva e complicada. 

Os cristãos são maioria na sociedade e sofrem mais com aos conflitos. Eles não podem comparecer aos cultos e adorar pacificamente. Os jovens não vão à escola porque vários grupos armados os recrutam. Meninas são sequestradas, agredidas sexualmente e forçadas por grupos armados a se casarem. Líderes cristãos que falam contras esses crimes e sobre os soldados mirins foram ameaçados e intimidados. 

Em julho de 2020, conforme relatado pela Associated Press, dois trabalhadores humanitários e quatro outros foram mortos a tiros. Conforme relatado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos no relatório de Liberdade Religiosa Internacional em 2020, “as atitudes religiosas dos trabalhadores em relação ao que eles declararam foram as forças que impulsionaram o conflito e os tornaram alvos”. 

Quase um terço da população do país adere a bruxaria tradicional e religiões africanas. A maioria dos chefes tribais opõem-se à conversão dos membros tribais ao cristianismo. Além disso, ameaçam com bruxaria e, em alguns casos, instigam ataques aos seguidores de Jesus. No entanto, houve um aumento na conversão de seguidores da religião tradicional ao cristianismo. Apesar desses fatores, o número de cristãos no país está crescendo. 

O Sudão do Sul caiu um ponto na Lista Mundial da Perseguição 2021. Embora a pressão média tenha se mantido no mesmo patamar de 5,7 pontos, o nível extremo de violência caiu de 15,6 para 15 pontos. Os principais tipos de perseguição são paranoia ditatorial, hostilidade etno-religiosa e corrupção e crime organizado. 

“As ONGs já estão sob crescente pressão administrativa e muitas vezes são objeto de execução arbitrária de regras e regulamentos. Há um número crescente de incidentes de assédio e violência contra elas.”

CONTATO DA PORTAS ABERTAS NO PAÍS

Tendências 

O desrespeito aos direitos humanos e a prevalência da impunidade continuou  

É um desafio para o governo reunir mais de 60 tribos, frequentemente rivais. A situação foi agravada pelo regime de ditadura. Outros fatores que ameaçam a vida de todos os cidadãos no Sudão do Sul, cristãos e não cristãos, são a seca e a impossibilidade de cultivar terras aráveis em áreas afetadas pela guerra civil. Isso resultou em uma crise alimentar, ameaçando quase metade da população do país. 

Em fevereiro de 2020, um novo governo de coalizão foi formado, que declarou o encerramento da guerra civil. O fim dos conflitos deve resultar em uma melhoria para os cristãos e as atividades na igreja. Contudo, os nove últimos anos mostraram que a impunidade, a anarquia e o total desrespeito aos direitos humanos tornaram-se um padrão. A formação do governo de unidade, mesmo embora sinalize o fim da guerra civil, não resulta na proteção dos direitos e na responsabilidade. O país precisa de uma mudança profunda na cultura e na vontade do governo, mas isso é improvável de ser alcançado a curto prazo. 

A República do Sudão do Sul, anteriormente conhecida como Sudão Meridional, é um país sem litoral no Centro-leste da África, que é parte da sub-região das Nações Unidas na África Oriental. A atual capital é Juba, que é também a maior cidade, mas há planos de mudá-la, no futuro, para Ramciel, localizada de forma mais central. O Sudão do Sul faz fronteira com a Etiópia a Leste, Quênia a Sudeste, Uganda ao Sul, República Democrática do Congo a Sudoeste, República Centro-Africana a Oeste e a República do Sudão ao Norte. Inclui a vasta região pantanosa de Sudd, formada pelo Nilo Branco e conhecida localmente como Bahr al Jabal. 

O Sudão do Sul se tornou um estado independente em 9 de julho de 2011, após um referendo que foi aprovado com 98,83% dos votos. É um Estado membro das Nações Unidas, da União Africana e da Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento. Em julho de 2012, o Sudão do Sul assinou as Convenções de Genebra. 

O Sudão do Sul tem uma população estimada de pouco mais de 13 milhões e a economia é predominantemente rural, dependendo principalmente da agricultura de subsistência. Perto de 2005, a economia começou uma transição da dominância rural e áreas urbanas do Sudão do Sul viram um extenso desenvolvimento. Entretanto, a região ainda sofre as consequências das duas duradouras guerras civis: a Primeira Guerra Civil Sudanesa (1955-1972), em que o governo sudanês lutou contra o exército rebelde Anya Nya, e a Segunda Guerra Civil Sudanesa (1985-2005) em que o governo sudanês lutou contra o Exército Popular de Libertação do Sudão (SPLA/M, da sigla em inglês). Diferente do conflito civil dos anos 1960 e 1970, a insurgência nos anos 1980 e 1990 obteve um caráter de confronto mais religioso. Devido aos muitos anos de guerra, o país sofreu sérias negligências, falta de desenvolvimento de infraestrutura, grande destruição e alto índice de desabrigados. Mais de 2,5 milhões de pessoas foram mortas e milhões se tornaram deslocadas internas ou refugiadas. 

Logo após a independência, o conflito entre os dois líderes da independência, o presidente Salva Kiir e o vice-presidente Riek Machar, levou ao surgimento de uma guerra civil em 2013. Os dois líderes conseguiram apoio dos dois maiores grupos étnicos no país, os dinka e os nuer, respectivamente. A guerra civil no Sudão do Sul levou a um grande desastre socioeconômico e à morte de aproximadamente 40 mil pessoas. Em 12 de setembro de 2018, as duas facções assinaram um acordo para o fim da guerra civil. Entretanto, há múltiplas questões não resolvidas após o acordo, com algumas áreas no país onde a guerra civil continuava. Muitos outros acordos foram assinados, mas não foram honrados pelas partes envolvidas. Finalmente, em fevereiro de 2020, uma unidade governamental foi formada e o fim da guerra civil (2013-2019) foi declarado. Espera-se que isso acabe com as hostilidades entre os nuer e os dinka. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

Salva Kiir Mayardit assumiu a liderança do Movimento Popular de Libertação do Sudão (SPLM, da sigla em inglês) em 2005, sucedendo o líder rebelde de longa data, John Garang, que foi morto em uma queda de helicóptero. Em julho de 2011, quando o Sudão do Sul se tornou independente, Mayardit se tornou presidente de um novo Estado. Entretanto, sete anos de guerra civil surgiram quando ele demitiu seu conselho de ministros e acusou o vice-presidente Riek Machar de tentativa frustrada de golpe. Em setembro de 2018, um acordo de poder compartilhado foi assinado pelo presidente Mayardit e grupos de oposição em uma tentativa de acabar com o conflito brutal. 

Em 2019, outro acordo foi assinado. Nomeado Revitalização do Governo de Transição de Unidade Nacional, o acordo foi bem recebido por muitos, incluindo a embaixada norte-americana no Sudão do Sul. O acordo foi destinado ao fim da guerra. Entretanto, o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas expressou “grave preocupação” sobre a contínua falta de vontade política para acabar com a guerra no país. Um grupo de especialistas disse: “Forças do governo, por outro lado, continuam recrutando homens e garotos à força em suas formações por meio de extensivas campanhas em Warrap, Bahr al-Ghazal Ocidental e Unidade, enquanto forças opositoras recrutam à força homens e meninos em Unidade e Equatória Central”. 

O Sudão do Sul experimenta um alto nível de autoritarismo do presidente. Ele está determinado a permanecer no poder e colocou tribos étnicas umas contra as outras, além de suspender pessoas importantes no governo por falarem contra o regime. Embora essa paranoia não esteja direcionada especificamente contra cristãos devido à fé, os efeitos são sentidos pelos cristãos que formam a maioria da população do país. A guerra que ocorreu de 2013 a 2019 foi parcialmente devido à determinação do presidente de eliminar seus oponentes e permanecer no poder sem oposição. Apoiadores do regime participam na perseguição aos cristãos ou permitem que a perseguição aconteça.  

Os analistas acrescentaram: “A paz frágil a nível nacional, localizada e com frequentes tensões com base étnica intensificadas, levou ao aumento de aproximadamente 200% no número de mortes de civis em 2018. Entre o final de fevereiro e maio de 2019, a Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul registrou cerca de 531 mortes e 317 feridos em 152 incidentes de violência localizada. De grande preocupação, ataques brutais, sempre como premissa o ataque ao gado, envolvendo membros do aparelho estatal ou do Movimento Popular de Libertação do Sudão na Oposição (a favor de Riek Machar), levaram os deslocamentos a níveis alarmantes, incluindo nos estados de Bahr al-Ghazal Ocidental, Unidade e Juncáli”. Isso significa que mesmo se o tratado de paz fosse honrado, há questões de abusos de direitos humanos e atrocidades que precisam ser resolvidas. 

Os líderes rivais conseguiram formar uma coalisão governamental em fevereiro de 2020. Um dia depois do presidente Salva Kiir dissolver o governo anterior, o líder da oposição, Riek Machar, foi juramentado como deputado. 

A corrupção é espalhada pelo Sudão do Sul, que é um dos países mais pobres do mundo. Apesar disso, tem ricas reservas de petróleo, ouro e gado e acesso ao rio Nilo. Os recursos do país são usados para abastecer a guerra civil com altos oficiais acumulando riquezas para si mesmos. O mal uso dos recursos unido à guerra civil levou à severa escassez de alimento, afetando quase metade da população do país. A existência de corrupção excessiva significa que aqueles que perseguem cristãos o fazem impunemente. Não há responsabilidade, lei e ordem ou sistema local que traga justiça.  

CENÁRIO RELIGIOSO 

O Sudão do Sul ganhou independência do Sudão em 2011 e a demografia mudou de um país de maioria muçulmana, quando era parte do Sudão, para um de maioria cristã. Uma parte substancial da população em áreas isoladas adere às religiões étnicas africanas, quase 32% da população, ou combina o cristianismo com práticas religiosas nativas. Embora os cristãos tenham se tornado maioria e não enfrentem mais a perseguição que experimentavam nas mãos do conservador governo islâmico sudanês, as condições socioeconômicas não tiveram melhora significativa até agora. 

De acordo com o centro de estudos religiosos World Christian Database, 61,5% dos mais de 13 milhões de cidadãos no Sudão do Sul são cristãos, dos quais 89% são católicos romanos. O cristianismo prevalece mais entre os povos do estado de Al Istiwai, como madi, moru, azande e bari. Estima-se que pouco mais de 6% da população seja muçulmana. 

CENÁRIO ECONÔMICO 

A República do Sudão do Sul se tornou a mais nova nação do mundo e o 55º país da África em 9 de julho de 2011. A renovação dos conflitos em dezembro de 2013 e julho de 2016 prejudicaram os avanços no desenvolvimento alcançados desde a independência e agravaram a situação humanitária. Perto de 400 mil pessoas foram mortas desde 2013, mais de 4,2 milhões de pessoas foram deslocadas internamente e para países vizinhos, e cerca de 5,3 milhões, quase metade da população, ainda enfrenta grave falta de alimento. 

O Sudão do Sul é o país mais dependente do petróleo do mundo, com o petróleo chegando quase ao total das exportações, e cerca de 60% do seu Produto Interno Bruto (PIB). Nas estimativas atuais de reserva, espera-se que a produção de petróleo reduza progressivamente nos próximos anos e se torne insignificante em 2035. 

Após a independência, o Banco Central do Sudão do Sul emitiu uma nova moeda, a libra sul-sudanesa. Entretanto, a monetização do déficit fiscal acelerou a inflação de 187% em junho de 2016 para 550% em setembro de 2016, antes da queda para 362% em junho de 2017. Levada pela falta de câmbio estrangeiro, a libra sul-sudanesa continua sua depreciação no mercado oficial e paralelo. Desde a mudança de um acordo de taxa de câmbio fixa para flutuação controlada em 2016, a libra sul-sudanesa foi desvalorizada em 90%, no final de dezembro de 2017, com a atual pressão evidenciada pela contínua propagação das taxas de câmbio oficial e do mercado paralelo. 

Devido à pandemia de COVID-19, as projeções de crescimento econômico do país foram rebaixadas para 4,3%. Um reflexo disso são os baixos preços no petróleo. O consumo privado contraiu 0,8%. O fechamento de fronteiras e o distanciamento social contribuíram para isso. 

Além disso, espera-se que a pobreza aumente e permaneça extremamente alta devido à alta insegurança alimentar, inflação e acesso limitado a serviços básicos.
 

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

O Sudão do Sul é uma nação multiétnica de maioria dinka e nuer, com 35,8% e 15,6% do total da população, respectivamente. Outros grupos étnicos incluem shilluk (chollo), szande, bari, kakwa, kuku, murle, mandari, didinga, ndogo, bviri, lndi, anuak, bongo, lango, dungotona, acholi, baka e fertit. 

Uma estimativa de 32% da população pratica religiões tradicionais, a maioria vive em vilas remotas do país. Embora a geração mais jovem seja mais inclinada a seguir os valores cristãos, a perspectiva teológica de religiões tradicionais se encaixa melhor para a etnia africana ou contexto tribal. Há 64 grupos étnicos no Sudão do Sul, com tensões étnicas sendo evidentes mesmo entre os próprios cristãos. O conflito étnico mais óbvio é entre os dois maiores grupos étnicos no país, os dinka e os nuer. No período de 2013-2019, os dinka, representados pelo presidente Salva Kiir, estavam em um conflito armado com os nuer, representados por Riek Machar. 

Os grupos étnicos não são anticristãos por assim dizer, mas quando seus membros se tornam cristãos, significa que não podem mais participar em rituais ou conflitos do clã. Por essa razão, líderes de grupos étnicos pressionam convertidos para seguirem ordens e participarem de rituais comunitários e outras obrigações.  

Líderes étnicos alvejam aqueles que se opõem a práticas tradicionais nativas. Grupos rebeldes têm como alvo líderes de igrejas que falam contra atrocidades no país. Oficiais do governo e forças de segurança intimidam qualquer líder de igreja que critique o governo. Jovens cristãos são vulneráveis a sequestros de rebeldes.  

A nova nação tem enfrentado múltiplos desafios, todos agravados pela guerra civil de 2013 a 2019. De acordo com a Agência de Inteligência Central (CIA, da sigla em inglês) dos EUA, no The World Factbook: “A escolaridade é extremamente pobre devido à falta de escolas, professores qualificados e materiais. Professores e alunos também têm dificuldades com a troca do árabe para o inglês como língua de ensino. Muitos adultos perderam a escolaridade por causa da guerra e do deslocamento. Quase 2 milhões de sul-sudaneses buscaram refúgio em países vizinhos desde que o atual conflito começou em dezembro de 2013. Outros 1,96 milhão estão deslocados internamente desde agosto de 2017. Apesar da instabilidade do Sudão do Sul e da falta de infraestrutura de serviços sociais, mais de 240 mil pessoas fugiram para o Sudão do Sul para escapar dos conflitos no Sudão”. 

A contínua guerra civil tem deixado a maioria das áreas do país sob o controle do governo e a perseguição aos cristãos por autoridades, grupos rebeldes e líderes étnicos se torna uma ocorrência comum. Igrejas são alvo de grupos armados que, às vezes, matam pessoas dentro das igrejas. Falar contra a corrupção e injustiça pode gerar represálias.  

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Sudão do Sul é um dos últimos cinco, com 0,433, estando em 185 de 189 países. A taxa de expectativa de vida no nascimento é de 57,9 anos. A taxa de alfabetização de adultos é de 34,5%. A população que vive abaixo da linha da pobreza, com 1,90 dólares por dia, é de 42,7%. 

O cristianismo foi muito influente na região do Sudão a partir do século 4. Por quase um milênio a maioria da população foi cristã. Os cristãos sofreram quando a invasão árabe trouxe o islamismo e gradualmente islamizou a parte nordeste do Sudão, no século 15. Após a derrota do autoproclamado islamismo Mahdi e seus apoiadores pela Grã-Bretanha em 1898, muitos grupos cristãos entraram no país.  

Católicos romanos, anglicanos pela Church Missionary Society e presbiterianos americanos também vieram da base no Egito. A Anglican Sudan United Mission, a Africa Inland Mission e a Servindo em Missão seguiram esse movimento. Diversas igrejas iniciadas na África também começaram a se estabelecer. 

Grupos rebeldes têm como alvo líderes de igrejas que falam contra atrocidades no país

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