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Iraque

IQ
Iraque
  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica, paranoia ditatorial, opressão do clã, corrupção e crime organizado, protecionismo denominacional
  • Capital: Bagdá
  • Região: Oriente Médio
  • Líder: Barham Salih
  • Governo: República parlamentarista
  • Religião: Islamismo, cristianismo e outras
  • Idioma: Árabe, curdo, turcomeno, siríaco, armênio
  • Pontuação: 78


POPULAÇÃO
42,6 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
166 MIL

Como é a perseguição aos cristãos no Iraque? 

O Iraque permanece sendo assolado por conflitos, apesar da recente perda de território do Estado Islâmico, e isso continua afetando gravemente a população cristã, que é minoria no país. Em junho de 2020, vilas cristãs foram bombardeadas na maior operação da Turquia na região desde 2015, forçando muitos cristãos a fugirem. Em maio de 2021, vilas cristãs foram evacuadas após o bombardeio turco na região. Cristãos não foram protegidos pelo governo local. 

Muitos cristãos foram seriamente afetados pela intolerância e pela perseguição. Isso é perpetuado, normalmente, por grupos militantes islâmicos e líderes não cristãos. Os cristãos também enfrentam discriminação das autoridades governamentais. 

No Sul e Centro do Iraque, muitas vezes, cristãos não mostram símbolos cristãos (como cruzes) já que isso pode levar a assédio ou discriminação em pontos de controle, universidades, locais de trabalho e prédios do governo. Cristãos sinceros na região frequentemente se tornam alvo. Leis de blasfêmia podem ser usadas contra cristãos suspeitos de conduzir evangelismo entre muçulmanos. 

Os cristãos ex-muçulmanos experimentam mais pressão de suas famílias. Eles, muitas vezes, mantêm a fé em segredo, já que correm o risco de serem ameaçados por membros da família, líderes do clã e comunidade local. Convertidos podem perder direitos de herança e a escolha de com quem se casar. 

“Um dia, quando eu morrer, morrerei como cristão.”   

Matti, cristão no Iraque cuja identidade declara que ele é muçulmano apesar de ter crescido como cristão 

O que mudou este ano? 

Os níveis de perseguição no Iraque permanecem quase inalterados. Entretanto, no último ano houve uma queda substancial nos incidentes de violência relatados. Enquanto isso, políticos iraquianos aprovaram uma lei que torna o Natal um feriado nacional. 

Um comitê foi estabelecido para permitir que cristãos deslocados devido à insurgência do Estado Islâmico voltem para suas casas (mais de 80% tiveram que fugir do país desde 2003). No entanto, muitos cristãos estão relutantes em voltar para casa, já que sentem que o ambiente ainda não é propício para um retorno seguro e próspero.
 

Quem persegue os cristãos no Iraque 

O termo tipo de perseguição é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos no Iraque são: opressão islâmica, paranoia ditatorial, opressão do clã, corrupção e crime organizado, protecionismo denominacional. 

Já afontes de perseguição são os condutores/executores das hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos no Iraque são: grupos religiosos violentos, parentes, partidos políticos, grupos paramilitares, cidadãos e quadrilhas, oficiais do governo, líderes de grupos étnicos, líderes religiosos não cristãos, redes criminosas, líderes religiosos cristãos.

Quem é mais vulnerável à perseguição no Iraque? 

A maioria dos cristãos no Iraque vive no Norte do país, no Curdistão. Poucos cristãos ficam em Bagdá e Basra. A situação é particularmente difícil para cristãos no Sul e na região central do país. Cristãos deixaram a maioria das províncias lá, com exceção de pequenos grupos de cristãos ex-muçulmanos. 

Como as mulheres são perseguidas no Iraque? 

Em algumas áreas, meninas e mulheres cristãs escolhem usar véus (como as mulheres muçulmanas fazem) para sua própria segurança. Para mulheres cristãs, a perseguição é mais grave porque há impunidade geral para violações contra cristãos, seja roubo de propriedade, sequestro, abuso sexual ou corrupção. 

As mulheres ex-muçulmanas são mais vulneráveis a abuso. Isso muitas vezes vem da família mais ampla e pode incluir prisão domiciliar, agressão, assédio sexual, estupro e até mesmo morte. “Diversas meninas foram mortas, embora isso nunca chegue às notícias”, explica um especialista local. Além disso, mulheres ex-muçulmanas não podem se casar oficialmente com homens cristãos, já que o Estado iraquiano ainda as considera muçulmanas. 

Em escolas estatais, meninas cristãs são vistas como mais fracas e são muitas vezes ridicularizadas por sua fé. Elas podem enfrentar pressão para se converterem ao islamismo e suas notas podem ser impactadas se elas abertamente desafiarem valores islâmicos, o que que contradiz a fé cristã. Algumas também têm relatado experimentar assédio sexual por causa da percepção de que mulheres cristãs são soltas e livres, por participarem de festas e não usarem as roupas islâmicas. 

Como os homens são perseguidos no Iraque? 

Homens cristãos que vivem no Centro e no Sul do Iraque são pressionados a deixar o emprego. No Norte, os cristãos muitas vezes lutam para conseguir um trabalho e são vulneráveis a exploração quando encontram um. Donos de negócios cristãos também enfrentam discriminação. 

Os cristãos ex-muçulmanos são vulneráveis a perseguição, principalmente por causa da cultura de honra e vergonha do país. Eles correm risco de serem deserdados pela família, ameaçados ou mortos. Homens de contexto não muçulmano também correm risco de ser mortos pela fé, na maioria das vezes pelas mãos de extremistas islâmicos violentos. 

Esses fatores aumentam muito a possibilidade de homens emigrarem. Essa perda não afeta apenas suas famílias diretas, mas também tira potenciais líderes da igreja local. 

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos no Iraque? 

A Portas Abertas trabalha por meio de parceiros locais para apoiar a igreja no Iraque com treinamento bíblico, cuidados pós-trauma, distribuição de Bíblias, projetos de desenvolvimento socioeconômico, ajuda emergencial e reconstrução de casas e igrejas no Norte do Iraque. 

Como posso ajudar os cristãos perseguidos no Iraque? 

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, você permite que cristãos iraquianos tenham acesso a Bíblias e livros cristãos. 

 

Pedidos de oração do Iraque 

  • Ore por paz e estabilidade para que deslocados cristãos voltem para suas casas. 
  • Clame para que o novo governo iraquiano proteja os direitos dos cristãos e outras minorias religiosas. 
  • Peça a Deus pela proteção de todos os cristãos. Ore para que cada um seja fortalecido e encorajado em sua fé. 

Um clamor pelo Iraque 

Pai celestial, obrigado porque há boas notícias para nossos irmãos e irmãs no Iraque. Oramos para que haja mais no próximo ano. Permita que o governo faça mais para permitir a segurança e um próspero retorno para os deslocados cristãos. Que todos aqueles que sofrem hoje o conheçam de perto; que isso traga cura, conforto e esperança. Traga paz permanente para essa nação que está repleta de conflitos durante anos. Restaure os anos que os gafanhotos destruíram (Joel 2.25). Amém. 

Até o final da Primeira Guerra Mundial, o Iraque fazia parte do Império Otomano. A Grã-Bretanha ocupou o território em 1917. Em 1932, o Iraque se tornou um reino independente e, finalmente, uma república em 1958, sob o comando de vários líderes autoritários. Seu último homem forte, Saddam Hussein, foi derrubado por uma campanha militar liderada pelos Estados Unidos em 2003. No vácuo de poder que se seguiu, a violência sectária surgiu particularmente entre muçulmanos sunitas e xiitas; os cristãos foram pegos nesse fogo cruzado. 

Após a Guerra do Golfo (1990-1991) e a invasão anglo-americana no Iraque, em 2003, os sentimentos islâmicos antiocidentais e radicais aumentaram, o que contribuiu para a perseguição aos cristãos iraquianos. Um fluxo de refugiados começou a sair do país, o que se intensificou com o surgimento do Estado Islâmico e estabelecimento de seu autoproclamado califado em junho de 2014. 

Depois que grandes áreas do território do Estado Islâmico foram reconquistadas em 2016, os cristãos começaram a retornar às cidades cristãs liberadas perto de Mossul, como Qaraqosh. Em dezembro de 2017, o primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, declarou que forças iraquianas derrotaram o Estado Islâmico e o expulsaramdo país. Entretanto, a influência do grupo permanece na região. Após o líder xiita, Moqtada al-Sadr, vencer uma maioria nas eleições parlamentares, em maio de 2018, ele escolheu Adel Abdul Mahdi como primeiro-ministro, em outubro de 2018. Um ano depois, protestos em massa contra a corrupção em toda a nação, desemprego e a influência do Irã na maioria das principais cidades levaram à renúncia de Mahdi. Em maio de 2020, Mustafá al Kazimi assumiu o poder após meses de uma revolta popular contra a corrupção. A representante especial do secretário-geral da ONU para o Iraque, Jeanine Hennis-Plasschaert, informou ao Conselho de Segurança que as eleições parlamentares no Iraque serão realizadas em 10 de outubro de 2021, quatro meses depois do planejado. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

O Iraque só recebeu reconhecimento como Estado no início do século 20, mas foi construído pelos poderosos reinos antigos da Babilônia e Assíria. A nação étnica e religiosamente diversa sofre com a violência sectária e a corrupção, que são os principais fatores que dificultam o progresso e o processo democrático. Estritamente relacionado está o problema da impunidade, que afeta muito a condição dos cristãos iraquianos e o surgimento de grupos islâmicos radicais que não toleram qualquer outra religião que não seja uma forma violenta do islã.  

O Iraque é dividido em duas partes, uma região curda semiautônoma no Norte, oficialmente governada pelo Governo Regional Curdo (KRG), com sede em Erbil; e uma grande parte árabe, controlada pelo governo iraquiano em Bagdá. O Iraque consiste em 18 províncias, das quais apenas cinco têm população oficial de cristãos. Os cristãos deixaram todas as outras províncias, a não ser pequenos grupos de convertidos ex-muçulmanos. A corrupção é epidêmica em todos os níveis do governo e da sociedade. O governo fraco e dividido só reforça a impunidade que conduz a um ciclo vicioso difícil de escapar. As vítimas mais vulneráveis são os cristãos e outras minorias. 

Os conflitos sectários estão sendo travados no parlamento por representantes políticos e nas ruas pelas milícias. Os partidos políticos islâmicos — tanto xiitas quanto sunitas — fizeram sua entrada na política iraquiana. Vários segmentos xiitas têm boas relações com o Irã. Os cristãos, em particular os ex-muçulmanos, relataram que são monitorados por serviços secretos iranianos. Cristãos locais defendem que o reforço das leis islâmicas está em crescimento. O secularismo também parece se tornar mais forte. 

Embora a situação geral no Iraque esteja longe de ser estável, existem desenvolvimentos esperançosos, já que a campanha militar das forças de coalizão contra o Estado Islâmico na região de Mossul parece ter sido bem-sucedida, pelo menos até o fim de 2017, permitindo que os cristãos retornassem a várias regiões. 

O objetivo de ficar no poder a todo custo tem sido a questão central no governo iraquiano e é alimentado pelo sistema de patrocínio, corrupção e nepotismo. Esse foco leva à falha no apoio a uma sociedade pluralista em que cristãos, e outras minorias, se sentiriam realmente bem recebidas. Líderes cristãos religiosos e políticos continuam denunciando a apropriação forçada ou fraudulenta de propriedades de cristãos. 

A corrupção está profundamente enraizada na sociedade iraquiana, perto dos níveis mais altos, e desempenha um importante papel na perseguição aos cristãos no Iraque nas áreas governadas pelo governo do país e no Curdistão iraquiano. Em muitas áreas de maioria islâmica, cristãos só conseguem vender suas casas por 60% do preço. 

CENÁRIO RELIGIOSO 

No Iraque, 97,5% da população é muçulmana e os cristãos são aproximadamente 0,5%. Da população árabe, os muçulmanos xiitas formam a maioria. Os curdos, no Norte, são principalmente sunitas. Só após a decisão da Liga das Nações, em 1920, esses três grupos foram reunidos em um sistema estatal moderno.  

Os diferentes líderes, que chegaram ao poder desde então, alimentaram a desconfiança e o conflito entre os três grupos de acordo com o princípio “divida para governar”. A atual violência sectária no Iraque está enraizada, principalmente, na competição pelo poder e proeminência no Iraque pós-Saddam Hussein.  

Embora o Estado Islâmico tenha perdido quase completamente seu território no Iraque, sua ideologia não está morta e tem influenciado a população local. Atos de violência contra cristãos tradicionais são mais cometidos por militantes islâmicos, considerando que convertidos ex-muçulmanos geralmente enfrentam violência de parentes. Embora algumas famílias cristãs tenham voltado para suas casas, a emigração de cristãos continua devido ao medo e à falta de esperança por um bom futuro. 

As igrejas no país são seriamente afetadas pela perseguição, especialmente por militantes de grupos islâmicos e líderes não cristãos. Elas também enfrentam discriminação das autoridades governamentais. No Centro e Sudeste do Iraque, cristãos com frequência não mostram publicamente símbolos cristãos (como a cruz), já que isso pode levar a assédio ou discriminação em postos de controle, universidades, locais de trabalho e prédios do governo. Mesmo cristãos no Curdistão iraquiano têm removido cruzes de seus carros para não atrair atenção indesejada. 

Igrejas evangélicas em Bagdá e Basra também são seriamente afetadas pela perseguição por grupos radicais islâmicos e líderes não cristãos e regularmente experimentam discriminação por parte das autoridades. Cristãos têm se tornado alvo com frequência no Centro e Sudeste do Iraque. Leis de blasfêmia também podem ser usadas contra eles se forem suspeitos de querer evangelizar muçulmanos. 

Cristãos ex-muçulmanos experimentam mais pressão de parentes e com frequência mantêm a fé em segredo, já que são ameaçados por parentes, líderes do clã e sociedade. Convertidos arriscam perder direitos de herança e casamento. Deixar abertamente o islamismo leva a situações difíceis em todo o país. 

Muitos líderes de igrejas disseram que viver sob o terror do Estado Islâmico e ser expulsos de casa foi a pior perseguição que a igreja no Iraque já experimentou. Mesmo durante ondas de perseguição anteriores, a Planície de Nínive nunca havia sido completamente esvaziada de cristãos como em 2014. A derrota do Estado Islâmico deveria trazer uma melhoria para a situação dos cristãos no Iraque. Porém, apenas quando deslocados internos cristãos voltam com sucesso para as antigas cidades, é que a situação melhora. 

Os movimentos fanáticos, como o Estado Islâmico, são conhecidos por terem como alvo os cristãos e outras minorias religiosas. Normalmente através de sequestros e assassinatos. Jovens cristãos, em particular, estão preparados para partir se a oportunidade surgir, isso por conta de falta de segurança, de perspectiva e de estabilidade financeira. 

Grupos radicais islâmicos desejam uma limpeza religiosa no Iraque para tornar o país puramente islâmico. Depois da invasão liderada pelos Estados Unidos, em 2003, a situação se deteriorou rapidamente, com sentimentos antiocidentais e anticristãos causando níveis consideráveis de violência por militantes islâmicos e grupos de insurgentes. Essa situação se agravou com a impunidade e a ilegalidade governamental. Além disso, grupos radicais islâmicos aumentaram em número nas regiões Nordeste e Leste, sob a influência da guerra civil na Síria. 

CENÁRIO ECONÔMICO 

Existe uma grande insatisfação social como resultado da falta crônica de serviços básicos (água, esgoto, eletricidade, etc.) e desemprego maciço. A corrupção é um dos principais fatores que dificultam o progresso do país e o processo democrático. Indicadores econômicos mostram uma melhora geral, com o setor petrolífero iraquiano ainda provendo rendas substanciais para o país. 

Além disso, quase todos os indivíduos no Iraque estão traumatizados após anos de sofrimento sob o regime de Saddam Hussein, a guerra Irã-Iraque, as guerras do Golfo, as sanções, a invasão liderada pelos Estados Unidos e a violência sectária subsequente, incluindo atrocidades cometidas pelo Estado Islâmico. 

O impacto disso sobre a população — em especial sobre as crianças — é desastroso, havendo muitas crianças com transtornos de aprendizagem e em estado permanente de medo. A questão é como isso afetará o futuro do Iraque. Vários analistas acreditam que o trauma é um dos fatores de radicalização. Isso não é bom para a grande expansão juvenil do Iraque. 

Diversos fatores levaram os cristãos que eram de classe média a se tornarem vulneráveis e com dificuldades econômicas para sobreviver. Além disso, é claro que a população cristã foi muito atingida pelo deslocamento de Mossul e da Planície de Nínive e conta com altos números de deslocados internos ou pessoas que retornaram e agora vivem na pobreza. 

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

O Iraque ainda é uma sociedade muito tribal, especialmente áreas que foram perturbadas por tensões e violência sectária, a maioria em território anteriormente controlado pelo Estado Islâmico. Pertencer a uma tribo é, com frequência, mais importante do que obedecer à lei governamental. Regras e valores antigos exercem uma influência controlada na sociedade tribal. Onde esse tribalismo é misturado com o islamismo, isso afeta especialmente cristãos ex-muçulmanos. Um convertido de origem tribal pode gerar dificuldades para outros cristãos e impedi-los de conseguir ajuda. Grupos tribais têm influência sobre autoridades do governo em algumas áreas.  

Em geral, a sociedade iraquiana está se tornando mais fragmentada e islamizada. Cristãos se sentem traídos pelos vizinhos muçulmanos e a população cristã diminui na mesma medida que a liberdade dos cristãos também. Cristãos costumam ser mais tolerados no Iraque, mas cristãos locais relatam o aumento da pressão na sociedade. Isso inclui mais monitoramento, fechamento de lojas durante o Ramadã e pressão para as mulheres cristãs usarem o véu. 

Houve um aumento no controle social sobre as mulheres e mesmo as mulheres cristãs em Bagdá e Basra estão sob pressão para se cobrirem, a fim de andarem com alguma segurança fora de suas casas. 

Os cristãos vivem na região desde os primeiros dias da igreja cristã. De acordo com a tradição, a fé cristã foi trazida para a Mesopotâmia pelo apóstolo Tomé no caminho para a Índia. Durante o século 1, em Edessa, igrejas siríacas foram estabelecidas. Esse cristianismo se espalhou na cultura e língua siríaca e se tornou a igreja do Iraque. Em 410, essas igrejas adotaram o tipo nestoriano de cristianismo. O Império Romano e suas igrejas declararam o nestorianismo uma heresia no Concílio de Éfeso, em 431 d.C. 

No Sul, o cristianismo arábico se desenvolveu rápido. Os nestorianos se tornaram a principal influência cristã do século 5 até as invasões islâmicas começarem no século 7 e 8, paralisando a vida da igreja. De acordo com fontes islâmicas, em 633, os exércitos muçulmanos ocuparam a área do Iraque. Cerca de três séculos depois, a igreja se tornou minoria devido ao processo de islamização. 

A Mongólia dominou o Iraque em 1258, trazendo liberdade para a Igreja Nestoriana, mas isso só durou até o governador mongol decidir se tornar muçulmano. Durante 50 anos de liberdade, o trabalho missionário foi feito no Iraque por franciscanos e dominicanos. 

Em 1552, uma missão católica romana deu frutos quando o abade de um monastério nestoriano no Nordeste do Iraque visitou Roma e foi nomeado bispo católico. Ele nomeou cinco outros bispos no Nordeste do Iraque, mas em 1675, essa igreja retornou para a Igreja Nestoriana. Em 1830, outro esforço de Roma teve um último impacto. Muitos nestorianos aderiram à União da Igreja Católica dos Caldeus. 

Os missionários protestantes, por outro lado, chegaram somente no século 19. As sociedades missionárias que abraçavam os princípios de William Carey — missionário inglês batista considerado o pai das missões modernas — chegaram ao país em 1815, começando a Sociedade Missionária da Igreja Anglicana. 

Outra missão protestante no Iraque foi iniciada pela Sociedade do Povo Judeu de Londres, em 1820. Missionários presbiterianos chegaram ao Iraque em 1836 e construíram uma igreja em Mossul em 1840. Uma equipe da Igreja Reformada na América entrou em Basra em 1889. Entretanto, no geral, o cristianismo protestante falhou em se estabelecer firmemente no Iraque. 

No início do século 20, os cristãos constituíam cerca de 30% da população. A Igreja Nestoriana original no Iraque era forte no Norte, tendo Erbil como centro, mas, na Primeira Guerra Mundial, perdeu mais da metade dos membros devido a um genocídio otomano quando o Império Turco matou mais de 250 mil cristãos. Isso significa que, em algumas áreas, um terço das comunidades cristãs pereceram. Sob a Sociedade das Nações, a região da Mesopotâmia se tornou um mandato da Grã-Bretanha, que uniu as três regiões dominadas — Mossul, Basra e Bagdá — em uma única nação, conhecida hoje como Iraque. 

Pouco depois dos britânicos garantirem ao Iraque sua independência, em 1932, a população cristã caiu para menos de 8%. O número de cristãos no Iraque diminuiu como resultado de uma violência sectária após a Guerra do Golfo e a invasão norte-americana nos anos 1990 e início do século 21. Na época da destituição de Saddam Hussein, em 2003, ainda havia mais de um milhão de cristãos no Iraque. Devido à guerra civil e o domínio brutal do Estado Islâmico no Norte, esse número diminuiu. 

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