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Catar

QA
Catar
  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica, opressão do clã, paranoia ditatorial
  • Capital: Doha
  • Região: Península Arábica
  • Líder: Tamim bin Hamad al-Thani
  • Governo: Monarquia absolutista
  • Religião: Islamismo, cristianismo, hinduísmo, budismo, judaísmo e religiões étnicas
  • Idioma: Árabe, inglês
  • Pontuação: 74


POPULAÇÃO
2,8 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
372 MIL

Como é a perseguição aos cristãos no Catar? 

Os cristãos no Catar são estrangeiros que trabalham no país. Por isso são mais livres para viver a fé, embora também enfrentem pressão. As igrejas frequentadas por imigrantes são monitoradas pelo governo e limitadas a áreas específicas. Há um pequeno número de cristãos nativos no país. Eles enfrentam extrema pressão das famílias e das comunidades muçulmanas.  

O país não reconhece oficialmente a conversão do islã, o que causa problemas legais e perda de status social, custódia dos filhos e propriedade. Os cristãos estrangeiros ex-muçulmanos evitam alguma pressão ao conviver em comunidade internacional. Porém, tanto os cristãos ex-muçulmanos nativos quanto os migrantes correm risco de discriminação, assédio e vigilância policial. 

“Muitos dos que encontramos testemunharam que vieram ao país pela oportunidade de ganhar mais, mas Deus tinha um plano maior. Eles encontraram o Rei dos reis e o Senhor dos senhores, que não apenas lhes deu uma vida melhor, mas também uma vida eterna.”  

Pastor Samuel (pseudônimo), que pastoreia migrantes no Catar 

O que mudou este ano? 

O Catar subiu 11 posições na Lista Mundial da Perseguição 2022Esse é um reflexo do aumento da violência contra os cristãos. Além disso, igrejas foram forçadas a permanecer fechadas após as restrições da crise de COVID-19.  

Quem persegue os cristãos no Catar? 

O termo “tipo de perseguição” é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra os cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos no Catar são: opressão islâmica, opressão do clã, paranoia ditatorial. 

Já as “fontes de perseguição” são os condutores/executores de hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos no Catar são: oficiais do governo, líderes de grupos étnicos, líderes religiosos não cristãos, cidadãos e quadrilhas, parentes.  

Quem é mais vulnerável à perseguição no Catar? 

Os riscos são maiores para os cristãos ex-muçulmanos nativos no Catar. Já os seguidores de Jesus estrangeiros têm mais liberdade para adorardesde que façam de maneira que o governo tolere.  

Como as mulheres são perseguidas no Catar? 

As mulheres e meninas cristãs infringem a lei do país ao se converter, por isso precisam viver a nova fé em segredo, já que correm o risco de serem excluídas da família e da comunidade local. As famílias têm autoridade para limitar as viagens delas e mantê-las em prisão domiciliar. Também negam apoio financeiro e proíbem o acesso a internet, telefone ou livros.  

Apesar de raro, as cristãs que foram expulsas de casa são malvistas pela sociedade, já que uma mulher não deve andar e viver sozinha no Catar. As ex-muçulmanas podem enfrentar violência física e sexual e permanecem em silêncio para não serem ainda mais estigmatizadas. Em casos em que a cristã ex-muçulmana deseja casar-se com um homem da mesma fé, ela está proibida pela legislação do país.  

Como os homens são perseguidos no Catar? 

Os cristãos ex-muçulmanos descobertos enfrentam pressão dos próprios familiares. Eles são ameaçados de perder a esposa e os filhos, ficam isolados e acham muito difícil se encontrar com outros cristãos. Em casos mais extremos, os homens podem enfrentar traumas físicos e psicológicos por causa da fé em Jesus.   

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos no Catar? 

A Portas Abertas promove apoio espiritual por meio de campanhas de oração em favor dos cristãos perseguidos no Catar e em toda a Península Arábica.  

Como posso ajudar os cristãos perseguidos no Catar? 

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, sua ajuda vai para locais onde a necessidade é mais urgente. 

Pedidos de oração do Catar 

  • Clame pelos cristãos migrantes no Catar. Que eles sejam protegidos do tratamento brutal e abusivo e sejam cheios do Espírito Santo para compartilhar o amor de Deus a todos ao redor.  
  • Interceda pelos cristãos ex-muçulmanos que vivem a fé em segredo. Peça que o Senhor revele a eles que não estão sozinhos e podem contar com as orações de pessoas do mundo todo.  
  • Ore pela monarquia no Catar. Peça que Deus toque o coração do emir e dos demais governantes, e que eles sejam alcançados pelo amor e pela graça de Jesus. 

Um clamor pelo Catar 

Deus todo-poderoso, agradecemos por sua presença com os nossos irmãos no Catar. Pedimos que sejam abençoadosfortalecidos e consolados em todo tempo. Por favor, proteja cada cristão e faça a sua igreja crescer no país. Obrigado por sua graça e misericórdia. Em nome de Jesus, amém. 

Desde que declarou a independência da Grã-Bretanha em 1971, o Catar passou por mudanças econômicas, sociais e políticas marcantes. O país é dominado pela família al-Thani há quase 150 anos. Uma vez uma nação pobre de pescadores, o Catar tornou-se um país próspero e moderno, devido à exploração de campos de petróleo e gás desde a década de 1940. O Catar procurou estabelecer para si um papel único, especialmente através da sua estação de notícias Al-Jazeera, o canal de televisão por satélite mais assistido do Oriente Médio, fundada em 1996. 

Até junho de 2017, o Catar parecia ser uma nação estável, mantendo relações amigáveis com os Estados Unidos e a Arábia Saudita, mas também com o Irã, o Hamas e o Hezbollah (grupos armados islâmicos). Além de alguns protestos on-line, a Primavera Árabe não parece ter causado qualquer transtorno ao Catar, apesar do seu papel ativo no exterior, sobretudo na Líbia. Isso mudou em 2017, quando Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Egito, liderados pela Arábia Saudita, romperam todos os laços diplomáticos e econômicos. 

Desde então, todas as fronteiras terrestres e marítimas entre o Catar e, respectivamente, a Arábia Saudita, o Bahrein e os Emirados Árabes Unidos foram fechadas. O motivo oficial do boicote é o suposto apoio do Catar a grupos terroristas. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

O Catar é uma monarquia absolutista, governada pelo emir. O xeique Tamim bin Hamad al-Thani assumiu o poder após seu pai abdicar em 2013. Curiosamente, ele foi educado no Reino Unido. O xeique do Catar se dedica a diversificar a economia e renovar a infraestrutura nacional. A Economist Intelligence Unit classifica o sistema político em vigor no Catar como autoritário. Os catarianos conservadores e majoritariamente wahabi não são a favor da democracia, que eles percebem como um conceito ocidental que provavelmente causará dificuldades, como testemunhado em vários países árabes democratizados. 

Como o governo criou um estado de bem-estar com muitos benefícios financeiros para os catarianoss nativos, em troca espera obediência e não permite oposição. A prioridade do governo é manter o país distintamente islâmico, principalmente devido ao baixo número de nativos comparado ao altíssimo número de expatriados (estrangeiros residentes no país). Embora cristãos expatriados sejam relativamente livres para praticar a fé, o governo monitora todas as atividades. O país é bem policiado e muitos expatriados têm que se comportar com cuidado, pois podem facilmente ser expulsos.  

O relatório da Freedom of Thought (relatório da organização Humanists International que avalia todos os países do mundo com base nos direitos humanos) classifica o governo e a Constituição do Catar como severamente discriminatórios. Incomum para a região, há pouca expressão pública de descontentamento econômico ou social. Provavelmente, isso se deve ao fato de o Estado distribuir a riqueza entre os cidadãos do Catar, o que leva à apatia política. O relatório Freedom of Thought afirma: “O costume supera a aplicação governamental de leis que proíbem a discriminação religiosa, e a discriminação legal, cultural e institucional é predominante. Enquanto a Constituição do Catar e outras leis preveem liberdade de associação, assembleia pública e culto, essas liberdades são dentro de limites baseados na sharia (conjunto de leis islâmicas) e em ‘questões morais’. A conversão do islã para outra religião é considerada apostasia e continua a ser uma ofensa capital no Catar. Uma acusação de blasfêmia pode ser tomada como evidência de apostasia. No entanto, desde 1971, nenhuma punição por apostasia foi registrada”. 

Os indicadores políticos do Fragile States Index (FSI) mostram um forte aumento na intervenção externa em 2017, o que está alinhado com o início do boicote liderado pela Arábia Saudita, afetando tanto os indicadores políticos quanto os econômicos. No entanto, os indicadores médios permanecem estáveis, sinalizando que o Catar conseguiu lidar com o aumento da pressão externa (caso contrário, a pontuação dos indicadores médios teria aumentado). 

Outra razão pela qual o Catar é estável é a ausência de divisões sectárias. No entanto, o país teve um papel ativo no movimento da Primavera Árabe no exterior, especialmente na Líbia, onde cooperou na intervenção militar. No Iraque, Síria e Líbia, apoiou militantes islâmicos. Também apoiou o governo do Bahrein enviando tropas para reprimir a revolta xiita no país em 2011. As razões para isso foram manter a estabilidade na região do Golfo e sustentar uma agenda sunita e pró-islâmica. Essa última é uma grande diferença em comparação com a vizinha Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, que não apoiam grupos pró-islâmicos, e que até designaram a Irmandade Muçulmana como uma organização terrorista. 

Além de apoiar grupos islâmicos e o islamismo político, o Catar também enfureceu a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos ao estabelecer um papel bastante independente para si. O país tem relações com o arquiinimigo da Arábia Saudita, o Irã, e tenta se tornar um importante ator regional por meio de sua companhia aérea e de receber a Copa do Mundo da FIFA de 2022. Por último, mas não menos importante, abriga a emissora Al-Jazeera, o canal de TV via satélite mais visto no Oriente Médio, fundada em 1996. Diz-se que a Al-Jazeera foi um motor do movimento Primavera Árabe, servindo de porta-voz para líderes da oposição e insurgentes. A Al-Jazeera também critica os governos dos países vizinhos e isso pode ter irritado a Arábia Saudita e seus aliados. Com o boicote, a Arábia Saudita pode estar tentando forçar o Catar a voltar ao papel de subordinado que teve no passado. 

Apesar da crise política com a Arábia Saudita e os países aliados, a situação política, social e econômica do Catar parece estável. De certa forma, a crise parece ser mais um jogo de poder, sem a intenção de se tornar um conflito armado. Por outro lado, o bloqueio poderia prejudicar a economia do Catar a longo prazo, o que poderia causar uma recaída econômica para todos os trabalhadores imigrantes no país, inclusive os cristãos.  

CENÁRIO RELIGIOSO 

Dos 2,75 milhões de habitantes do Catar, apenas 12% são catarianos nativos, sendo os demais estrangeiros residentes no país. Existem dois grupos de cristãos no Catar, que são estritamente separados um do outro. As comunidades de expatriados constituídas por trabalhadores migrantes cristãos são o maior grupo. O governo só lhes permite adorar a Deus em público em um lugar designado, fora da capital Doha. Evangelizar muçulmanos é rigorosamente proibido e pode levar a perseguições e expulsões do país. Os migrantes convertidos enfrentam alta pressão e são controlados pelo ambiente social nos campos de trabalho onde vivem. Mesmo seus empregadores podem ser uma fonte de perseguição. Muitos desses trabalhadores migrantes precisam viver e trabalhar em condições precárias, e o fato de serem cristãos só aumenta a vulnerabilidade. Apesar das condições de vida, essas comunidades cristãs estão crescendo.  

O outro grupo consiste de cristãos ex-muçulmanos. Esses convertidos, de origem nativa e migratória, enfrentam o pior da perseguição. Muitos nativos se convertem fora do país. Eles enfrentam a pressão dos membros da família e da comunidade local para negar a fé cristã.  

Tanto os cristãos ex-muçulmanos nativos quanto os migrantes têm risco de discriminação, assédio, monitoramento da polícia e todo tipo de intimidação por grupos de vigilantes. Além disso, a mudança de fé (deixar o islamismo) não é oficialmente reconhecida e é suscetível de levar a problemas legais no âmbito pessoal e nas questões de propriedade. Quase nunca há relatos de cristãos mortos, presos ou prejudicados pela fé, pois o número de cristãos é baixo e eles mantêm a fé em segredo.  

Existem diferentes níveis de perseguição, dependendo dos antecedentes dos convertidos do islamismo para o cristianismo. Os que têm origem catariana enfrentam níveis mais altos de pressão. Para os convertidos do islã de outras origens, como os originários do Paquistão ou do Levante (por exemplo, Jordânia, Líbano, Territórios Palestinos e Síria, entre outros países), depende da resposta da comunidade do cristão no Catar.  

Dentro das comunidades expatriadas, as consequências para os ex-muçulmanos dependem mais das normas culturais do país de origem do que das práticas culturais do Catar. Para os expatriados, a conversão ao cristianismo às vezes é mais fácil do que em seu país de origem, porque a família e os parentes estão frequentemente distantes e a pressão social é menos rigorosa.  

Middle East Concern (organização que defende a liberdade religiosa de cristãos) informa: “Estima-se que aproximadamente 16% da população migrante seja cristã. Presume-se que todos os cidadãos do Catar sejam muçulmanos, 90% sunitas e 10% xiitas”. O Catar é um dos únicos países wahabistas do mundo, seguindo uma versão puritana do islã. O outro país wahabista é a Arábia Saudita, mas desde os anos 1990 o Catar adotou sua própria versão do wahabismo, menos rigorosa do que na Arábia Saudita. Essa diferença também é conhecida como “wahabismo do mar” versus “wahabismo da terra”. 

Embora os muçulmanos sejam livres para adorar em público, grupos religiosos não muçulmanos, como cristãos, só podem adorar em casas particulares ou locais designados. O proselitismo é ilegal e pode levar a penas de até dez anos de prisão. As críticas ao islã são punidas. A conversão do islã para outra religião constitui apostasia, que é proibida e socialmente inaceitável. O direito da família é regulamentado pela sharia. Quase todos os cidadãos e nativos do Catar são por definição muçulmanos sunitas ou xiitas.  

Entretanto, em contraste com a Arábia Saudita, o Catar tem sido relativamente tolerante com a crescente comunidade cristã de expatriados e forneceu terras para a construção de igrejas. A primeira igreja cristã oficial do país foi construída em 2008; a segunda foi aberta em 2009. As denominações oficialmente reconhecidas com instalações construídas em complexos oficiais são as igrejas católica romana, ortodoxa grega, ortodoxa síria, ortodoxa copta, anglicana e ortodoxa indiana. Outros grupos cristãos podem operar sob o patrocínio dessas igrejas reconhecidas. 

Em 2015, a Igreja Evangélica Filipina obteve reconhecimento e recebeu terra para um lugar de culto junto com outras igrejas dentro do Complexo Religioso, e também foi aprovada uma igreja maronita. Embora a maioria dos expatriados cristãos locais goste disso, há um porém, já que as igrejas concentradas em apenas uma área podem ser consideradas “guetos”. Assim, os cristãos podem ser facilmente monitorados e vigiados, o que geralmente acontece com o pretexto de garantir a segurança deles. 

CENÁRIO ECONÔMICO 

O Banco Mundial classifica o Catar como uma economia de alta renda. Isso não é surpreendente visto que tem a terceira maior reserva de gás natural do mundo. O petróleo desempenha um papel fundamental em muitos aspectos, apesar do esforço do governo em diversificar a economia. 

O boicote de dois anos ao Catar pela Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e outros aliados levou a uma diversificação da economia do Catar, mas não a prejudicou devido às enormes reservas financeiras. No entanto, alguns setores da economia, como a aviação, representada pela Qatar Airways e a indústria do turismo, sofreram perdas significativas devido ao fechamento de todas as fronteiras entre o Catar e seus vizinhos. 

Os indicadores econômicos da Fragile States Index (FSI) mostram que o Catar é relativamente estável, apesar de um aumento acentuado da intervenção externa (causada pelo boicote liderado pela Arábia Saudita). Segundo o IDH, as taxas de alfabetização são altas, 93,5%, e uma grande parte da população (86,9%) é empregada. A pobreza entre trabalhadores expatriados provavelmente é subnotificada. 

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

A população é composta quase que inteiramente de trabalhadores migrantes, mais de 80% da população do país, o que cria um sistema dual de direitos e privilégios. O trabalho forçado e o tráfico de pessoas também são problemas e trabalhadores estrangeiros são sujeitos a abusos, como pagamento insuficiente, falta de habitação e saneamento adequados (devido a complexos de trabalhadores superlotados), violência doméstica e assédio sexual. 

Um desafio para o país é manter seus padrões culturais e religiosos em meio à rápida modernização e desenvolvimento. Enquanto se prepara para a Copa do Mundo de Futebol de 2022, o Catar e seu tratamento deplorável para com os trabalhadores migrantes têm cada vez mais captado a atenção do mundo. Sob a pressão do Ocidente, o Catar tem feito pequenas reformas nas condições de trabalho para migrantes, de acordo com organizações de direitos humanos.  

Em 2022, o país sediará a Copa do Mundo da FIFA. O governo parece determinado a causar uma boa impressão —parecer um país moderno, sofisticado e bem-sucedido, que é acolhedor para todos que estão dispostos a gastar dinheiro e se divertir. Isso não pode ocultar, no entanto, o outro lado do Catar — um país profundamente intolerante com os não muçulmanos, com uma divisão profunda entre os cidadãos extremamente ricos e as centenas de milhares de trabalhadores explorados com frequência, principalmente de países asiáticos.  

Apesar da pressão para melhorar os direitos humanos no Catar, não se preveem grandes melhorias no estrito país islâmico, conhecido por seu controle geral da sociedade. Como tal, não são esperadas mudanças importantes na liberdade religiosa para os cristãos em um futuro próximo.  

Desde 2013, relatórios de grupos da sociedade civil revelaram que os trabalhadores no Catar experimentam a “escravidão moderna”. Isso se tornou um problema sério, já que o Catar se prepara para sediar a Copa do Mundo de 2022. A acusação sobre a escravidão moderna é particularmente relevante no contexto do trabalho doméstico. A Anistia Internacional informou em abril de 2014: “As autoridades do Catar não estão protegendo os trabalhadores domésticos migrantes. Eles enfrentam uma exploração severa, incluindo trabalho forçado e violência física e sexual”. Melhorias legais foram feitas em 2018, mas se as coisas mudarão na prática continua uma interrogação. 

É amplamente conhecido que as empregadas domésticas são vulneráveis a incidentes de abuso sexual. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD, da sigla em inglês) relata: “As empregadas domésticas não são protegidas pela Lei do Trabalho. Elas são frequentemente pagas com atraso ou não são pagas, convidadas a trabalhar horas excessivas sem dias de folga e recebem espaço de vida inadequado”. Além disso, a Anistia Internacional (2014) relata “as restrições à liberdade de circulação e comunicação, tratamento humilhante e trabalho forçado sofrido por empregados domésticos no Catar”. 

No entanto, as estatísticas são escassas, pois quase todas as pessoas, organizações e estados envolvidos não têm interesse em revelar a verdadeira situação: o Catar precisa da equipe doméstica para trabalhar em residências, mas tem uma cultura de vergonha e não quer uma má reputação. Além disso, os países de origem das empregadas domésticas precisam do dinheiro dos milhares de migrantes que trabalham nos estados do Golfo e não querem colocar em risco seus interesses econômicos (embora o presidente filipino Duterte tenha imposto uma proibição temporária de viagem ao Kuwait, depois que o corpo de uma empregada doméstica das Filipinas foi encontrado em um freezer de uma família do Kuwait em fevereiro de 2018). 

Ou os empregadores de empregadas domésticas abusadas são os autores dos abusos ou não têm interesse real em seu bem-estar. As empregadas domésticas costumam ter vergonha por causa dos abusos e não querem ser vistas como “sujas”, seja no próprio Catar, seja por sua família, em casa. Além disso, muitas fornecem uma fonte de renda muito necessária para a família em seus países de origem. Os familiares orgulham-se do trabalho realizado no Catar e a empregada doméstica não quer decepcionar a família.  

Segundo o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), a expectativa de vida dos catarianos é de 79,4 anos e as crianças passam 12 anos na escola, assegurando uma classe média bem escolarizada. 

Segundo especialistas do país, ser cristão é uma vulnerabilidade extra no Catar e pode levar a níveis mais altos de discriminação ou abuso. No entanto, a cor da pele e a origem étnica costumam ter um papel maior. Portanto, os expatriados cristãos ocidentais (brancos) têm muito menos probabilidade de sofrer assédio do que os expatriados cristãos africanos ou asiáticos. Além disso, trabalhadores altamente qualificados enfrentarão menos dificuldades do que trabalhadores pouco qualificados. Portanto, um migrante cristão pouco qualificado de origem africana será mais vulnerável no Catar. 

O tribalismo ainda desempenha um papel enorme na sociedade do Catar, apesar da chegada da tecnologia (e da arquitetura) moderna. Existe uma contínua influência e aplicação de normas e valores milenares. Esse tribalismo está claramente misturado com o islã e afeta especialmente os cristãos ex-muçulmanos. Como no resto do Oriente Médio, a religião está ligada à identidade da família. Portanto, deixar o islamismo é interpretado como trair a família. Em geral, as famílias exercem forte pressão social sobre os convertidos para fazê-los retornar ao islã, deixar a região ou silenciar sobre a nova fé. Em muitos casos, os convertidos são separados da família como resultado da conversão.  

O país é bem policiado e em geral é pacífico. No entanto, há incidentes em que os trabalhadores migrantes cristãos são alvos. Provavelmente os casos não são relatados porque não é do interesse de ninguém divulgar detalhes publicamente; a vítima deseja manter o emprego e outros atores (como o governo) não estão interessados em registrar tais ocorrências. Em segundo lugar, às vezes é difícil discernir se os maus-tratos são devidos à fé cristã de um trabalhador. No entanto, em geral, supõe-se que a fé de trabalhadores migrantes não muçulmanos, incluindo cristãos, leve a uma vulnerabilidade extra. Segundo um relatório recente da Anistia Internacional (AI), apesar das promessas de melhorar as condições de trabalho, milhares de trabalhadores migrantes ainda sofrem abusos. Em um relatório anterior (2014), a AI destacou práticas de abuso sexual de trabalhadoras migrantes, muitas das quais são cristãs. 

Restos de uma estrutura que se acredita ser uma igreja nestoriana foram encontrados na costa sudeste do Catar, perto de al-Warkah. É certo que o local foi ocupado desde o início do século 7 até meados do século 8. Além disso, uma cruz nestoriana foi encontrada em Umm al-Maradim, no Centro do Catar. Essa é a única prova material da presença do cristianismo primitivo no Catar. No entanto, existem muitas evidências documentais do cristianismo no que na antiguidade nestoriana era chamado de Bet Qatraye, as partes do norte do Golfo Pérsico, das quais o Catar era uma parte importante. Isaac de Nínive, um bispo do século 7 considerado santo em algumas igrejas, nasceu no Catar. 

Cristãos nestorianos do Iraque e da Pérsia e cristãos árabes da Península Arábica podem ter se mudado para o Catar nos séculos 4 e 5 para estabelecer uma presença cristã, como aconteceu no Kuwait, Bahrein e em outros lugares. Há razões acadêmicas para acreditar que, em toda a região, apesar do surgimento do islã, o cristianismo nestoriano floresceu no final do século 7 ao 9. Isso, supostamente, também aconteceu no Catar. No entanto, poucos séculos após a chegada do islã, o cristianismo havia desaparecido. 

Como o Catar fazia parte das importantes rotas marítimas entre o Iraque e a Índia, deve ter tido contato com cristãos, mesmo depois de não ter mais cristãos nativos. Isso pode ter aumentado quando, em 1871, o Império Otomano estendeu seu domínio sobre o Catar. O que durou até 1915, quando a Grã-Bretanha derrotou os otomanos e assumiu o Catar. Em 1916, o país se tornou um protetorado britânico. Em 1949, a exportação de petróleo começou de verdade, levando muitos expatriados ao país. O Catar se tornou independente em 1971. Após o boom dos preços do petróleo em 1973, o número de expatriados aumentou rapidamente, assim como a presença de igrejas para esses estrangeiros. 

Atualmente, a grande maioria dos cristãos migrantes são asiáticos católicos romanos. Até 2008, eles não tinham permissão para construir igrejas e precisavam se reunir em casas, escolas ou outros edifícios particulares. Em 2008, o Catar permitiu a abertura de várias igrejas grandes fora da capital Doha. 

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