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Butão

BT
Butão
  • Tipo de Perseguição: Nacionalismo religioso
  • Capital: Thimphu
  • Região: Sul da Ásia
  • Líder: Jigme Khesar Namgyel Wangchuck
  • Governo: Monarquia constitucional
  • Religião: Budismo e hinduísmo
  • Idioma: Dzongkha, sharchhopka, lhotshamkha e outras
  • Pontuação: 67


POPULAÇÃO
844 MIL


POPULAÇÃO CRISTÃ
30 MIL

Como é a perseguição aos cristãos no Butão? 

No Butão, o governo pressupõe que todos os cidadãos são budistas. Qualquer um que se converta ao cristianismo enfrenta pressão intensa para levá-lo de volta à antiga religião. Considera-se que a conversão traz vergonha sobre a família e novos cristãos são sempre renegados — o que faz uma enorme diferença na vida de um butanês, já que a cultura é muito comunitária e a proteção da família é crucial. 

Todos os cristãos que cultuam juntos estão, tecnicamente, adorando de modo ilegal, já que o governo não reconhece oficialmente nenhuma igreja. As autoridades locais muitas vezes se recusam a emitir um “certificado de não objeção” para os cristãos, que é necessário para pedidos de empréstimo, registro de propriedade, solicitação de empregos e renovação dos documentos de identidade. 

“Por causa da minha fé em Cristo, estou disposta a suportar tudo isso e ainda continuar com minha fé.” 

Miriam (pseudônimo), cristã perseguida no Butão 

O que mudou este ano? 

O Butão subiu na Lista Mundial da Perseguição 2022 devido ao aumento na violência contra os cristãos. 

Quem persegue os cristãos no Butão? 

O termo “tipo de perseguição” é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra os cristãos. O tipo de perseguição aos cristãos no Butão é: nacionalismo religioso.  

Já as “fontes de perseguição” são os condutores/executores de hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos no Butão são: parentes, oficiais do governo, líderes religiosos não cristãos, partidos políticos, cidadãos e quadrilhas.  

Quem é mais vulnerável à perseguição no Butão? 

Cristãos que se converteram do budismo para o cristianismo enfrentam mais perseguição no Butão.    

Como as mulheres são perseguidas no Butão? 

Historicamente, o Butão oferece melhor igualdade de gênero do que a maioria dos países próximos, e homens e mulheres desfrutam de direitos iguais de acordo com a lei. Apesar disso, há uma alta taxa de casamentos infantis — com 26% das meninas se casando antes dos 18 anos. As mulheres cristãs que se convertem do budismo ao cristianismo correm maior risco de perseguição; tipicamente, elas são renegadas pela família ou divorciadas do marido.  

Mulheres cristãs casadas com não cristãos enfrentam intensa pressão para se converterem ao budismo, por exemplo, e também estão socialmente sob pressão para ficar com o marido, apesar do abuso doméstico.  

Como os homens são perseguidos no Butão? 

Homens e meninos cristãos muitas vezes experimentam perseguição da família. Eles podem ser renegados pela família, obrigados a sair de casa e perder a herança (que é passada ela linhagem feminina no Butão). Provavelmente, eles também experimentam pressão forte de seus companheiros, colegas e da comunidade local, criando um sentimento de isolamento e rejeição. Quando os homens cristãos perdem o emprego ou são excluídos da forma tradicional de agricultura, a perda econômica afeta toda a família, já que os homens são os provedores financeiros. 

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos no Butão? 

A Portas Abertas trabalha por meio de parceiros locais para fortalecer os cristãos perseguidos no Butão por meio de ajuda emergencial e apoio em oração.    

Como posso ajudar os cristãos perseguidos no Butão?  

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, sua ajuda vai para locais onde a necessidade é mais urgente.  

Pedidos de oração do Butão 

  • Ore para que os cristãos que foram rejeitados pela família encontrem novas comunidades que lhes ofereçam amor e esperança.   
  • Peça que Deus use o apoio prático, fornecido por parceiros da Portas Abertas, para fortalecer cristãos que enfrentam perseguição. 
  • Clame por liberdade religiosa no Butão e para que o governo reconheça oficialmente igrejas cristãs. 

Um clamor pelo Butão 

Querido Senhor, nós apresentamos a Igreja Perseguida no Butão. Oramos para que o Senhor fale de forma gentil e clara aos seus filhos ali, mostrando seu amor e oferecendo proteção de seus inimigos. Abençoe a ajuda dada por parceiros locais da Portas Abertas para que isso enriqueça e prepare a igreja butanesa. Amém. 

O Butão era um reino com pouco contato com o mundo exterior até a década de 1970. Em março de 2008, depois de uma eleição, tornou-se uma democracia parlamentar de dois partidos. O país vê a necessidade de investir, por exemplo, no desenvolvimento de um sistema jurídico que seja mais complexo do que a forma tradicional de equilibrar os interesses. 

É por isso que, em outubro de 2016, o país criou uma nova faculdade de Direito com a ajuda de uma universidade dos Estados Unidos. Esse passo ajuda o país a tornar diferentes pensamentos e valores bem-vindos, mas também pode levar a uma ênfase nas tradições e valores do país. 

Em uma época em que as tradições parecem ser marginalizadas, ou pelo menos desafiadas, por influências externas e o país sofre uma “modernização”, pode haver esforços para limitar uma influência estrangeira adicional. 

À medida que a vida butanesa está intimamente ligada à religião e à cultura budistas, qualquer pessoa que não seja adepta ao budismo é vista com suspeita. Isso não significa que essas pessoas são expulsas de suas casas ou perdem o acesso aos recursos comunitários, mas se tornam marginalizadas. 

Durante a Revisão Periódica Universal do país no Conselho de Direitos Humanos da ONU em setembro de 2019, o governo declarou que: “O registro da organização religiosa não é um pré-requisito para a prática. Os grupos religiosos são livres para praticar sem se registrar na Chhodey Lhentshog (Comissão de Organizações Religiosas)”.  Essa tem sido uma declaração bem recebida, mas cristãos ainda não foram reconhecidos nopaís, e o apelo precisa ser cumprido na prática. Grupos cristãos podem se encontrar, mas precisam fazê-lo sem levantar qualquer atenção. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

O Butão é um dos poucos exemplos em que uma mudança de governança foi implementada de cima para baixo e não de baixo para cima, com o rei criando uma monarquia constitucional em 1998. Uma Constituição só foi promulgada em 2008, quando os cidadãos butaneses elegeram um parlamento e o novo rei iniciou o governo, aos 28 anos. O ano de 2018 marcou o 10º aniversário de sua coroação. 

O rei possui autoridade máxima e tem o poder de vetar decisões, embora ele não use esse poder publicamente. Ele é considerado o guardião do budismo e, embora seja jovem e muito popular na sociedade, ele não alterará o papel que o budismo desempenha.  

As eleições de abril de 2018 passaram despercebidas, refletindo a posição que o parlamento ocupa no sistema. O mesmo é verdade para as eleições de outubro de 2018, embora um novo partido tenha subido ao poder e tenha havido certa variação no humor, o que não é muito usual no país. As eleições para o Conselho Nacional em 2018 foram muito discretas, refletindo o fato de haver instituições mais importantes no país do que o parlamento. Observadores do país dizem que até agora o histórico do novo governo é bom e que manteve várias promessas para melhorar a vida das pessoas. As minorias podem votar e se candidatar às eleições, mas a voz das minorias religiosas, em particular, não é ouvida na sociedade ou no governo. 

Que os direitos civis e políticos ainda têm um longo caminho a percorrer foi demonstrado em agosto de 2016, quando um jornalista foi acusado de difamação quando ousou desafiar a nobreza do país e questionou a independência do judiciário do Butão. Outro jornalista foi condenado a uma pena de três meses em agosto de 2018, pondo em questão o compromisso do país com a liberdade de expressão. 

É possível que as autoridades estejam ainda mais ocupadas cuidando das relações internacionais do que com a política interna. O modo como o Butão decidiu não se pronunciar durante o impasse militar entre China e Índia de julho a agosto de 2017 e o fato de não ter feito nada que pudesse ser entendido como tendendo para um dos lados, depois de pedir ajuda, deve ser visto como uma decisão sábia. De fato, a sobrevivência do Butão depende muito de equilibrar as necessidades e desejos de China e Índia. No entanto, a nova assertividade e disposição de investir da China denota maiores desafios para a Índia, no que diz respeito ao Butão. 

CENÁRIO RELIGIOSO 

O Butão sempre foi um reino budista e é um dos últimos lugares onde o budismo Vajrayana ainda é praticado, embora seus laços com a Índia sempre tenham sido fortes. De acordo com a Constituição, o budismo não é apenas o patrimônio cultural, mas espiritual do país. Embora geralmente não haja pressão oficial para participar de festivais budistas ou viver de acordo com os costumes tradicionais, espera-se que as pessoas o façam. Isso significa que todos os desvios são vistos com suspeita, por exemplo, os cristãos. 

Uma vez que a identidade do país está ligada ao seu patrimônio cultural, que é o budismo, isso faz com que o Estado adote uma abordagem rigorosa para não budistas na sociedade e um forte esforço para afirmar o domínio da religião no país. 

Apesar de não ser explicitamente definido como a religião do Estado — a Constituição define o Butão como um Estado secular e afirma a tolerância religiosa —, isso é mais forte no papel do que na realidade. O budismo está fortemente incorporado ao cotidiano das pessoas e isso é evidenciado nas atividades e dinâmicas políticas, sociais, culturais e econômicas do país.  

Uma ilustração dessa relação íntima pode ser vista nos chamados “dzongs”. Esses são centros administrativos com um departamento para administração política e outro para as autoridades religiosas, que muitas vezes inclui um templo budista e acomodação para monges. Nenhuma igreja jamais teve permissão de construir templos. Todas as comunidades cristãs permanecem secretas. Especialmente nas áreas rurais, monges budistas se opõem à presença de cristãos; as autoridades não fazem nada para proteger os cristãos e a maioria fica do lado dos monges.  

Espera-se que todos os cidadãos butaneses sigam o budismo. Convertidos ao cristianismo serão vistos com suspeitas e geralmente são feitos esforços para levá-los de volta à antiga religião. Líderes religiosos, a comunidade local e a família cooperam com isso. Além dos cristãos ex-budistas, muitos cristãos vêm da minoria nepalesa. Nenhuma igreja tem reconhecimento oficial do Estado, o que significa que, tecnicamente, os cristãos cultuam de modo ilegal. Autoridades locais geralmente se recusam a expedir “certificado de não objeção” para os cristãos. Esse certificado é necessário para fazer pedidos de empréstimos, registrar propriedades, se candidatar para um processo seletivo e renovar o documento de identidade.  

Os cristãos que vivem no Sul vêm principalmente da etnia nepalesa; muitos deles vieram para o Butão no início do século 20. Na década de 1990, mais de 100 mil refugiados fugiram para o Nepal. Há esforços para fazer acordos de repatriamento, mas nesse meio tempo a situação mudou. Segundo relatos, 90 mil refugiados já foram para um terceiro país, sobretudo para os Estados Unidos, restando “apenas” 8,5 mil refugiados no Nepal. Tudo isso pode estar contribuindo para a hesitação do governo em reconhecer oficialmente os cristãos como uma entidade jurídica legal, apesar das promessas feitas para legalizar o status no devido tempo. 

De acordo com o World Christian Database (WCD), 82,9% da população pratica diferentes formas de budismo. O restante da população pratica o hinduísmo — a maioria é de origem nepalesa, mas há também muitos trabalhadores migrantes da Índia. 

CENÁRIO ECONÔMICO  

O país é rico em recursos e exporta eletricidade para a Índia, o que contribui bastante para a renda do Estado. Em um relatório publicado em abril de 2018, a Organização Mundial da Saúde nomeou a cidade de Pasakha como a segunda cidade mais poluída do mundo, expondo o preço que o país tem que pagar por exportar recursos e o potencial perigo para sua segunda maior fonte de renda, que é o turismo.  

O Butão depende em grandes proporções da indústria do turismo; turistas indianos, em particular, estão visitando o país cada vez mais. Outro desenvolvimento que aponta nessa direção é o grande crescimento de veículos particulares, um boom para o qual o país não estava equipado. O país luta para equilibrar os avanços na indústria com o alvo de preservar o meio ambiente. 

Exportação e importação dependem fortemente da Índia. Enquanto o turismo é uma forma de abertura e de aproximação com culturas estrangeiras, sua importância é muito mais um fator econômico: os turistas internacionais são obrigados a gastar uma certa quantia de dinheiro diariamente, contribuindo de forma significativa para o fortalecimento da moeda do país. No entanto, o turismo sempre influencia as tradições de um país, um processo que o Butão prefere evitar. O “Plano de Desenvolvimento Nacional 2030”, apresentado em junho de 2019, não traz nenhuma surpresa. 

Os cristãos que procuram emprego enfrentam problemas, uma vez que são minoria; são vítimas de discriminação e possuem poucas alternativas. Muitas vezes, eles têm de viver em difíceis circunstâncias econômicas e sociais. 

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

Os números oficiais dizem que, em 1980, 28% da população era de etnia nepalesa, mas algumas estimativas chegam a 40%. Alguns dos butaneses são de origem tribal, outros são tibetanos étnicos ou tibetanos de origem sul-asiática. O Butão é um país muito pequeno, que faz fronteira com os dois países mais populosos do mundo, China e Índia. Essa posição requer muita sabedoria em equilibrar as relações internacionais, embora tradicionalmente os laços com a Índia sempre tenham sido mais fortes.  

O Butão experimentou forte desenvolvimento em quase todos os índices internacionais relevantes que medem o desenvolvimento social e econômico. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) era de 0,654 em 2020, colocando o país na 129ª posição em um total de 189 países. Ainda que o investimento em educação tenha crescido nos últimos anos, assim como a média de anos que uma criança passa na escola, o índice de alfabetização é de 57% em 2019, de acordo com estimativa do World Factbook da CIA. A dificuldade do governo é oferecer para os jovens uma carreira, embora o Butão tente diversificar a economia, fortalecer as exportações e se abrir para o mundo. 

Apesar de todos os esforços, há falta de mão de obra qualificada. O governo quebrou o teto de trabalhadores migrantes que havia estabelecido para lidar com a demanda de projetos hidrelétricos, de modo que, em 2017, havia estimados 53 mil trabalhadores migrantes no Butão, vindos sobretudo da Índia. 

O Butão é famoso por um índice especial, a felicidade nacional bruta. Essa felicidade é questionada, no entanto, e doenças mentais e outras doenças não só parecem aumentar, mas também continuam sendo estigmatizadas. Outro desafio é o crescente número de dependentes de drogas na nação onde a felicidade nacional bruta foi inventada. 

O país teme que grandes liberdades civis resultem em divisões e distúrbios devido a sua vulnerabilidade geoestratégica, que poderia ser explorada por forças estrangeiras. Há uma queda notável nas inscrições para as instituições monásticas, que pode indicar que o budismo está perdendo o seu significado. Isso seria uma grave ameaça para a cultura e a tradição do país. 

Essa tendência poderia ter efeitos positivos e negativos sobre a liberdade religiosa no país. Do lado negativo, se essa tendência continuar, o Estado pode querer tomar medidas para reafirmar o domínio das normas culturais e tradicionais para proteger a herança budista do país. Tal reação afetaria negativamente os esforços dos cristãos que buscam reconhecimento oficial. Do lado positivo, isso poderia indicar que o budismo está perdendo importância na sociedade butanesa, o que pode levar o Estado e a sociedade a adotarem uma abordagem mais tolerante em relação a outros grupos religiosos no país. 

No entanto, parece improvável que a comunidade cristã no Butão obtenha a proteção e o espaço que merece em um futuro próximo. O futuro da minoria cristã continuará sendo determinado pela maneira que o nacionalismo religioso, o principal tipo de perseguição no país, se desenvolve. 

Os primeiros rastros cristãos remontam a missionários jesuítas que chegaram a Paro em 1626. No entanto, esses missionários portugueses não puderam se estabelecer. O Butão permaneceu oficialmente fechado ao cristianismo, assim como a toda influência externa, até pouco antes da tentativa de golpe de Estado em 1964/1965. 

Em outubro de 1963, o sacerdote jesuíta canadense, William Mackey, foi convidado pelo rei e primeiro-ministro a residir no país e criar um sistema escolar de língua inglesa como parte de uma série de esforços de modernização. Ele permaneceu até sua morte em 1995. Fontes indicam 1965 como a data em que a atividade da igreja se tornou visível e começou a crescer. 

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