Turquia

Primeira vez na Classificação
Em 41º lugar na lista da Classificação da Perseguição Religiosa 2015, a Turquia aparece pela primeira vez como um país no top 50 da perseguição, com 52 pontos. Em 2014, o país marcou apenas 32 pontos. O último país da lista no ano passado, Níger, marcou 45 pontos.
A combinação da persistência de restrições legais e comentários negativos de alguns funcionários do governo para com os cristãos, hostilidades sociais e a ascensão do islamismo, continuam a limitar os cristãos. Há pouca esperança de que a situação melhore em breve.

Motivos de perseguição
O principal motivo de perseguição na Turquia é o “extremismo islâmico”. O “Nacionalismo religioso” também desempenha um grande papel no aumento da perseguição. Isso afeta especialmente os cristãos ex- muçulmanos. Este grupo é tão pequeno, que a pressão desse nível se torna quase insuportável. Família, amigos e comunidade pressionam com veemência esses novos cristãos, para que voltem ao islamismo, alegando ser a fé dos seus pais.

Quando a família se opõe à conversão, eles se tornam secretos aos demais parentes, vizinhos ou conhecidos, por tratar-se de desonra à família muçulmana. Isso faz com que, muitas vezes, o novo cristão não professe abertamente sua fé para seus familiares e amigos, mas participem secretamente de cultos e reuniões com outros cristãos.

Uma característica latente na Turquia é o alto nível de nacionalismo religioso. A opinião geral é que um turco nasce muçulmano. O Nacionalismo turco foi adotado ao extremo. De muito longe é possível ler enormes mosaicos de pedra nas encostas das montanhas turcas que proclamam "Ne mutlu Türküm diyene" (Quão feliz é aquele que diz "Eu sou um turco”). Como resultado, a atitude em relação ao cristão convertido é muito hostil e quase sempre resulta em acusações de "insultar a identidade turca". Este é considerado um delito grave e o cristão turco tem de enfrentá-la diariamente.

Contexto histórico e político
A Turquia se divide em dois continentes: Europa e Ásia. O país tem muitas conexões com ambos, com o mundo ocidental, mas também com o Oriente Médio. A Turquia foi estabelecida como um Estado laico, mas o islã é a maior religião oficial em 98 por cento da população (inclusive na Europa). A Turquia é um país moderno, com setor de turismo em pleno desenvolvimento. Desde 2002, o secularismo está sob pressão, com organizações governamentais e de iniciativa privada apoiando o desenvolvimento do islamismo.

O país vê-se como a principal nação do mundo turco (Azerbaijão, Turcomenistão, Uzbequistão, Cazaquistão, Quirguistão), e quer desempenhar um papel proeminente na cena diplomática no mundo árabe. Mas não tem sido muito bem-sucedido nesta medida. Apoio político do governo à Irmandade Muçulmana no Egito fez com que muitos países árabes considerassem a Turquia uma parte do mundo turco.

A Turquia também tem buscado a adesão à União Europeia ao longo de décadas, mas o entusiasmo e apoio para este projeto praticamente desapareceram nos últimos anos. A Europa tem criticado severamente a Turquia sobre as restrições que havia imposto na mídia, nos Direitos Humanos e na liberdade de religião. Isto levou a uma reação muito negativa por parte do governo turco.

Além disso, a violência tem aumentado no país, considerado um dos mais tranquilos do mundo turco e até mesmo entre os países que praticam o islamismo. Quatro igrejas foram atacadas e destruídas na Turquia. A trama para assassinar o patriarca Greco-ortodoxo Bartolomeu foi descoberta, em maio de 2014. Em dois de julho um grupo de homens invadiu uma igreja, em Istambul, insultou e assediou os cristãos ali reunidos. Um oficial da igreja pediu à polícia (que estava nas proximidades) para ajudar, mas foi ignorado.

Grupos de cristãos afetados
Na Turquia, quatro grupos de cristãos são afetados pela perseguição em algum ponto.
Os grupos de cristãos que são mais severamente perseguidos são: grupos tradicionais (armênio, grego, siríaco e igrejas católicas) são todos monitorados regularmente e sujeitos a certos controles e limitações por parte do governo. Seus membros são considerados "estrangeiros" em muitos assuntos de responsabilidade pública.

O grupo de recém-convertidos que, são cristãos convertidos de origem muçulmana, suporta um dos maiores pesos da perseguição na Turquia. A pressão vem da família, amigos, comunidade e até mesmo das autoridades locais. Eles são considerados traidores da identidade turca. Grupos evangélicos se encontram em lares, por não poder pagar um lugar para encontros. Isso gera uma tensão muito grande, pois a qualquer momento, o grupo pode ser entregue às autoridades turcas.

Última atualização em 7/1/2015

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