República do Uzbequistão

República do Uzbequistão

  • Fonte de Perseguição: Paranoia ditatorial
  • Capital: Tashkent
  • Região: Ásia Central
  • Lider: Shavkat Mirziyoyev
  • Governo: República
  • Religião: Islamismo
  • Idioma: Uzbeque, russo, tajique
  • Pontuação: 73

POPULAÇÃO
MILHÕES

POPULAÇÃO CRISTÃ
MIL

Apesar da mudança de liderança desde a morte do presidente Islam Karimov, em 2 de setembro de 2016, quase nada mudou para os cristãos no Uzbequistão. Todas as restrições existentes na legislação do país permanecem intactas, assim como a vigilância e a interferência de vários agentes estaduais (serviços secretos, polícia etc.). Reuniões de cristãos continuam sendo invadidas, materiais religiosos confiscados e cristãos detidos por períodos de até 10 a 15 dias.

A política do presidente anterior – de seguir um curso independente – parece ter sido abandonada. O Uzbequistão tenta melhorar suas relações com seus vizinhos e o presidente Mirziyoyev visitou praticamente todos os outros países da Ásia Central e a Rússia. Apesar disso, o Uzbequistão provavelmente permanecerá um país governado com mãos de ferro e com restrição a muitas liberdades (políticas, religiosas, de mídia etc.).

NOTAS SOBRE A SITUAÇÃO ATUAL

• A perseguição aos cristãos no Uzbequistão tende a ser pesada. Houve relatos de incursões em reuniões religiosas, tortura, espancamentos, proibição de práticas religiosas e outras formas de tratamento severo para prisioneiros, a quem o governo considera extremistas religiosos.

• O Uzbequistão é o único país da Ásia Central que possui uma Sociedade Bíblica oficialmente aberta. O governo lhe dá permissão para publicar, importar e distribuir literatura religiosa, mas o controle do Estado em cada movimento dessa organização é tão grande que a Sociedade Bíblica só parece existir no papel.

Em 20 de junho de 1990, o Uzbequistão declarou a soberania do seu Estado e, em 31 de agosto de 1991, sua independência. Em 1° de setembro de 1991, foi proclamado o Dia da Independência Nacional. As eleições presidenciais foram realizadas pela primeira vez no país em 29 de dezembro do mesmo ano, e Islam Karimov foi eleito primeiro presidente do Uzbequistão. Ele permaneceu no poder até sua morte em 2 de setembro de 2016. Sob Karimov, a liberdade religiosa foi ficando cada vez mais restrita.

O Uzbequistão tem uma constituição e um parlamento, mas, de fato, todo o poder está nas mãos do presidente. Todos os movimentos de oposição e meios de comunicação independentes são essencialmente proibidos. A partir de 1° de setembro de 1991, o país foi governado pelo ex-secretário do Partido Comunista, Islam Karimov, até sua morte em 2 de setembro de 2016. Nas eleições presidenciais de 4 de dezembro de 2016, Mirziyoyev tornou-se o segundo presidente da Uzbequistão. O novo governo se abriu em direção a seus vizinhos e à Rússia, mas as restrições à liberdade religiosa não mudaram.

Nas décadas do governo do presidente Karimov, o Uzbequistão retirou-se de vários órgãos regionais, como a União Econômica Eurasiática, a Comunidade dos Estados Independentes e a Organização de Cooperação Econômica. O Uzbequistão desconfiou de muita influência da Rússia, mas os desenvolvimentos na Ucrânia desde 2014 tornaram o regime consciente de que não pode agir de forma independente o quanto quiser. 

SITUAÇÃO POLÍTICA E SOCIAL RECENTE

As relações com as repúblicas vizinhas do Quirguistão e do Tajiquistão costumavam ser tensas. Houve confrontos étnicos entre uzbeques, tajiques e quirguizes nos últimos anos, mas o principal motivo para a tensão política é o abastecimento de água. O Uzbequistão depende muito da água dos rios Syr-Darya e Amu-Darya para a sua colheita de algodão. Esses rios entram no Uzbequistão através do Quirguistão e do Tajiquistão, e ambos os países consideram fazer uso dos rios para energia, construindo barragens. O Uzbequistão teme que isso prejudique gravemente a sua principal cultura e ameaçou iniciar uma guerra caso a água seja desviada de seu território. No entanto, desde que Mirziyoyev assumiu o cargo de presidente, as relações com os Estados vizinhos melhoraram.

A constituição de Uzbequistão garante a liberdade de consciência e declara que todos têm o direito de professar ou não professar qualquer religião. A lei prevê a liberdade de culto e a não perseguição religiosa, mas confere ao governo autoridade para restringir essas liberdades quando considerar tais restrições “necessárias para manter a segurança nacional, a ordem social, a vida, a saúde, a moral e os direitos ou liberdades de outros cidadãos” [Fonte: IRF 2015]. O presidente Mirziyoyev simplesmente continuou com a dura opressão estabelecida por Karimov.

A economia uzbeque é caracterizada por altas taxas de desemprego, pobreza e inflação. Como é impossível proporcionar empregos para todas as pessoas dentro do Uzbequistão, há uma migração laboral enorme – aproximadamente de 7 milhões a 8 milhões de homens uzbeques estão trabalhando no exterior, principalmente na Rússia e no Cazaquistão. O dinheiro que eles enviam para casa (cerca de 5,67 bilhões de dólares por ano) representa 16,3% da renda anual da Uzbequistão. Os trabalhadores migrantes são vulneráveis, mas também há efeitos positivos, já que os uzbeques que trabalham no exterior estão muito mais abertos ao alcance dos cristãos.

A corrupção é endêmica em todos os níveis de administração e governo. Os grupos de poder dentro do regime não têm interesse em perder a oportunidade de ganhar dinheiro. As mudanças no governo desde dezembro de 2016 não parecem ter trazido nenhuma ação contra isso.

Outro fenômeno social é que mais de um quarto da população uzbeque tem menos de catorze anos de idade. Esse chamado salto juvenil exerce uma enorme pressão sobre o governo para criar novas oportunidades de trabalho a cada ano. Isso também significa que o Uzbequistão enfrentará grandes mudanças em um futuro não muito distante, já que a maioria da população não terá mais afinidades com o passado soviético.
Em vez disso, muitos jovens uzbeques sentem-se inspirados pelas atividades de grupos islâmicos radicais, como o Estado Islâmico. Estima-se que centenas estejam lutando com Estado Islâmico. Em setembro de 2014, uma bandeira do Estado Islâmico foi exibida em uma ponte na capital do país, Tashkent. Milhares de membros suspeitos desses grupos foram presos e o governo uzbeque buscou ajuda russa na luta contra militantes islâmicos.

Graças ao antigo sistema educacional soviético, praticamente todo cidadão do Uzbequistão é alfabetizado. Isso significa que pessoas interessadas na mensagem cristã podem receber materiais em seu próprio idioma. Porém a maioria dos trabalhos deve ser feita de forma não oficial devido às restrições impostas pelo governo – todos os materiais devem ser aprovados e somente os grupos registrados podem estar ativos. 

A economia uzbeque é dependente do crescimento do algodão. Tudo é sacrificado para aumentar o rendimento dessa safra. Professores, estudantes, funcionários públicos, escolares, prisioneiros e muitos outros são obrigados a ajudar a fazer a colheita a cada ano. O uso de pesticidas é enorme e afetou negativamente a saúde pública. A água está sendo drenada dos dois principais rios (Amy Darya e Syr Darya) para irrigar os campos de algodão em grandes quantidades, a ponto de haver quedas constantes do nível pluvial que causou um afundamento permanente dos níveis de água do mar de Aral.

O Uzbequistão ocupa uma posição estratégica na conexão Oriente-Oeste entre a China e o Ocidente. Está sendo pressionada pela China e pela Turquia a construção de uma nova versão da Rota da Seda. Isso significa que há enormes atividades de construção em andamento, como estradas para caminhões e trilhos para trens.

Os primeiros cristãos a entrar na Ásia Central (incluindo o Uzbequistão) eram missionários nestorianos no século 4. O nestorianismo é uma doutrina cristológica proposta por Nestório, Patriarca de Constantinopla (428-431). A igreja nestoriana experimentou um período de declínio a partir do século 14, quando os governantes mongóis da região decidiram se converter ao islamismo. Posteriormente, o cristianismo nestoriano foi confinado em grande parte à Mesopotâmia Superior e à Costa Malabar da Índia.

A presença atual de cristãos no Uzbequistão data do século 19. Em 1867, o império russo expandiu seu território para a Ásia Central através de várias campanhas militares, trazendo russos étnicos que pertenciam principalmente à Igreja Ortodoxa Russa.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Josef Stalin ordenou a deportação de um grande número de alemães, ucranianos, poloneses e coreanos da Rússia para a Ásia Central, temendo que eles, de outra forma, apresentassem algum risco de segurança. Com eles, outras denominações cristãs chegaram ao Uzbequistão. 

Depois que Uzbequistão se tornou um país independente em 1991, as comunidades cristãs não tradicionais tornaram-se ativas entre a população uzbeque.

REDE ATUAL DE IGREJAS

As comunidades de cristãos estrangeiros são muito pequenas – essa categoria é formada por russos, norte-americanos, coreanos e outras nacionalidades. Eles são menos de 0,01% da população uzbeque. Enquanto apenas organizam atividades dentro de seus próprios círculos, eles podem funcionar com bastante liberdade. Qualquer atividade pública ou forma de divulgação receberá prontamente ações do governo contra elas.

As comunidades cristãs históricas são, de longe, a maior categoria de cristãos no Uzbequistão, sendo a maior denominação a Igreja Ortodoxa Russa. Essa denominação representa cerca de 0,35% da população, mas sofre a emigração de cristãos russos. Hoje, a população ortodoxa é apenas 10% do que era na década de 1980. 

A Igreja Católica Romana é muito menor, apenas 0,01%. As igrejas protestantes tradicionais no Uzbequistão são representadas pela Igreja Luterana (principalmente alemã). No total, essas igrejas representam menos de 0,4% da população uzbeque.

As comunidades de convertidos para o cristianismo são aproximadamente 30 mil (ou seja, cerca de 0,1% da população). O crescimento da igreja nativa continua. Alguns dos cristãos uzbeques desenvolveram uma visão missionária para chegar ao povo uzbeque localizado no Afeganistão e no Turcomenistão; eles também são ativos nessas áreas. Muitos dos cristãos uzbeques enfrentaram oposição a partir do momento em que deixaram o Islã, mas perseveram em sua fé, apesar de suas dificuldades.

As comunidades cristãs não-tradicionais representam cerca de 0,3% da população uzbeque. As igrejas pertencentes a esse grupo são os batistas, os evangélicos, os pentecostais, os carismáticos, o evangelho pleno e outros. Esse grupo é o mais ativo nas atividades de evangelização e, como resultado, é esse grupo que enfrenta a maior parte da perseguição no Uzbequistão.

A religião principal do país é o islamismo. A população muçulmana é predominantemente sunita. No entanto, seria errado chamar o Uzbequistão de país muçulmano, pois 70 anos de ateísmo durante a era soviética deixaram uma profunda influência. O governo (os herdeiros dos soviéticos ateus) é firmemente secular e mantém o islamismo sob controle estrito.

As pessoas no Uzbequistão ainda reverenciam o seu glorioso passado islâmico quando as universidades e madrassas de Samarcanda e Bukhara eram famosas pela pesquisa científica e atraíam pessoas de todo o mundo. Seus três reinos muçulmanos (khanates) já chegaram a controlar uma vez vastas áreas da Ásia Central (uma área geográfica muito maior que o atual Uzbequistão).

Embora o islamismo no país seja geralmente de caráter tradicional e moderado, o país sofreu ataques no passado de grupos islâmicos radicais como o Movimento Islâmico do Uzbequistão (IMU) e a União Islâmica da Jihad, ambos conectados à rede da Al-Qaeda. Até agora, o governo conseguiu expulsá-los do país. O vale de Fergana, no Sudeste do Uzbequistão, é conhecido pela presença de muçulmanos radicais.

A maioria dos cristãos pertence a minorias étnicas – principalmente russa e coreana. A emigração russa em grande escala explica a taxa negativa de crescimento geral do cristianismo no Uzbequistão (-1,6%). 

Um dos principais problemas para os cristãos no Uzbequistão (e em outros países da Ásia Central) é o fato de que há muita divisão e pouca cooperação entre as várias denominações. Isso torna a igreja fraca e a joga nas mãos do governo.

Embora o governo do país tenha mudado, a situação dos cristãos não passou por grandes alterações. Incursões em grupos de igrejas domésticas, confisco de materiais religiosos, interrogatório e detenção de cristãos continuam. Cristãos ex-muçulmanos continuam a sofrer pressão e violência de familiares, amigos e comunidades locais.

•    Ore pelos trabalhos de evangelização que os cristãos não tradicionais têm organizado. Que o Espírito Santo vá à frente a fim de preparar os corações para a semente do evangelho.

•    Ore pela união entre os cristãos das várias denominações; pois o governo usa a divisão das igrejas para mantê-las ainda mais fracas.

•    Ore para que a permissão oficial do governo para a Sociedade Bíblica funcionar seja respeitada de fato, e não fique apenas no papel.

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