República do Uzbequistão

República do Uzbequistão

  • Tipo de Perseguição: Paranoia ditatorial
  • Capital: Tashkent
  • Região: Ásia Central
  • Líder: Shavkat Mirziyoyev
  • Governo: República presidencialista
  • Religião: Islamismo
  • Idioma: Uzbeque, russo, tajique
  • Pontuação: 74

POPULAÇÃO
MILHÕES

POPULAÇÃO CRISTÃ
MIL

O Uzbequistão é governado por uma das mais duras ditaduras da Ásia Central. O cristianismo é considerado como algo estrangeiro e um fator desestabilizador. Além disso, cristãos ex-muçulmanos enfrentam pressão adicional em seu ambiente sociocultural.

O governo usa a existência de grupos radicais islâmicos para justificar o total controle sobre a sociedade, argumentando que eles são uma constante ameaça ao país – afirmação que é grosseiramente exagerada. Até agora, poucos (se é que algum) jihadistas voltaram para o Uzbequistão vindos do campo de batalha na Síria, Iraque ou Afeganistão.
 

“Cada vez que a perseguição nos atinge, tenho que me perguntar: ‘Por que ainda estou aqui?’ Eu queria deixar meu país e me esconder. Mas então minha esposa e eu nos lembramos porque estamos aqui: para servir a Jesus. Cada vez que a polícia vem, tenho que fazer a decisão consciente de ficar e ser uma testemunha.”.

CRISTÃO UZBEQUE QUE NÃO PODE SER IDENTIFICADO

 

A polícia secreta monitora de perto todas as atividades religiosas no país e informantes estão infiltrados em todos os grupos religiosos. Reuniões da igreja doméstica são frequentemente revistadas e os presentes são intimidados, detidos, interrogados e presos. Material religioso encontrado é confiscado e destruído.

O Uzbequistão é o país mais populoso da Ásia Central e a religião principal é o islamismo. Apesar da mudança de liderança desde a morte do presidente Islam Karimov, em 2 de setembro de 2016, quase nada mudou para os cristãos no país. Todas as restrições existentes na legislação permanecem intactas, assim como a vigilância e a interferência de vários agentes estaduais (serviços secretos, polícia, etc.). Reuniões de cristãos continuam sendo invadidas, materiais religiosos confiscados e cristãos detidos por períodos de 10 a 15 dias.

A política do presidente anterior – de seguir um curso independente – parece ter sido abandonada. O Uzbequistão tenta melhorar suas relações com seus vizinhos e o presidente Mirziyoyev visitou praticamente todos os outros países da Ásia Central e a Rússia. Apesar disso, o Uzbequistão provavelmente permanecerá um país governado com mãos de ferro e com restrição a muitas liberdades (políticas, religiosas, de imprensa, etc.).
 

Em 20 de junho de 1990, o Uzbequistão declarou a soberania do seu Estado e, em 31 de agosto de 1991, sua independência. Em 1° de setembro de 1991, foi proclamado o Dia da Independência Nacional. As eleições presidenciais foram realizadas pela primeira vez no país em 29 de dezembro do mesmo ano, e Islam Karimov foi eleito primeiro presidente do Uzbequistão. Ele permaneceu no poder até sua morte em 2 de setembro de 2016. Sob Karimov, a liberdade religiosa foi ficando cada vez mais restrita.

O Uzbequistão tem uma constituição e um parlamento, mas, de fato, todo o poder está nas mãos do presidente. Todos os movimentos de oposição e meios de comunicação independentes são essencialmente proibidos. Nas eleições presidenciais de 4 de dezembro de 2016, o presidente interino, Shavkat Mirziyoyev, tornou-se o segundo presidente do Uzbequistão. O novo governo se abriu em direção a seus vizinhos e à Rússia, mas as restrições à liberdade religiosa não mudaram.

Nas décadas do governo do presidente Karimov, o Uzbequistão retirou-se de vários órgãos regionais, como a União Econômica Eurasiática, a Comunidade dos Estados Independentes e a Organização de Cooperação Econômica. O Uzbequistão desconfiou de muita influência da Rússia, mas os desenvolvimentos na Ucrânia desde 2014 tornaram o regime consciente de que não pode agir de forma independente o quanto quiser. A Rússia anulou uma grande dívida do Uzbequistão em dezembro de 2014, mas tais medidas com certeza têm consequências.
 

SITUAÇÃO POLÍTICA E SOCIAL RECENTE

As relações com as repúblicas vizinhas do Quirguistão e do Tajiquistão costumavam ser tensas. Houve confrontos étnicos entre uzbeques, tajiques e quirguizes nos últimos anos, mas o principal motivo para a tensão política é o abastecimento de água. O Uzbequistão depende muito da água dos rios Syr-Darya e Amu-Darya para a sua colheita de algodão. Esses rios entram no Uzbequistão através do Quirguistão e do Tajiquistão, e ambos os países consideram fazer uso dos rios para energia, construindo barragens. O Uzbequistão teme que isso prejudique gravemente a sua principal cultura e ameaçou iniciar uma guerra caso a água seja desviada de seu território. No entanto, desde que Mirziyoyev assumiu o cargo de presidente, as relações com os Estados vizinhos melhoraram.

A constituição do Uzbequistão garante a liberdade de consciência e declara que todos têm o direito de professar ou não professar qualquer religião. A lei prevê a liberdade de culto e a não perseguição religiosa, mas confere ao governo autoridade para restringir essas liberdades quando considerar tais restrições “necessárias para manter a segurança nacional, a ordem social, a vida, a saúde, a moral e os direitos ou liberdades de outros cidadãos”. O presidente Mirziyoyev simplesmente continuou com a dura opressão estabelecida por Karimov.

A economia uzbeque é caracterizada por altas taxas de desemprego, pobreza e inflação. Como é impossível proporcionar empregos para todas as pessoas dentro do Uzbequistão, há uma migração laboral enorme – aproximadamente de 7 a 8 milhões de homens uzbeques estão trabalhando no exterior, principalmente na Rússia e no Cazaquistão. O dinheiro que eles enviam para casa, cerca de 5,67 bilhões de dólares por ano, representa 16,3% da renda anual do Uzbequistão. Os trabalhadores migrantes são vulneráveis, mas também há efeitos positivos, já que os uzbeques que trabalham no exterior estão muito mais abertos ao alcance dos cristãos.

A corrupção é endêmica em todos os níveis de administração e governo. Os grupos de poder dentro do regime não têm interesse em perder a oportunidade de ganhar dinheiro. As mudanças no governo desde dezembro de 2016 não parecem ter trazido nenhuma ação contra isso.

Outro fenômeno social é que mais de um quarto da população uzbeque tem menos de catorze anos de idade. Esse chamado salto juvenil exerce uma enorme pressão sobre o governo para criar novas oportunidades de trabalho a cada ano. Isso também significa que o Uzbequistão enfrentará grandes mudanças em um futuro não muito distante, já que a maioria da população não terá mais afinidades com o passado soviético.

Em vez disso, muitos jovens uzbeques sentem-se inspirados pelas atividades de grupos islâmicos radicais, como o Estado Islâmico (EI). Estima-se que centenas estejam lutando com o EI. Em setembro de 2014, uma bandeira do grupo foi exibida em uma ponte na capital do país, Tashkent. Milhares de membros suspeitos foram presos e o governo uzbeque buscou ajuda russa na luta contra militantes islâmicos.

Graças ao antigo sistema educacional soviético, praticamente todo cidadão do Uzbequistão é alfabetizado. Isso significa que pessoas interessadas na mensagem cristã podem receber materiais em seu próprio idioma. Porém, a maioria dos trabalhos deve ser feita de forma não oficial devido às restrições impostas pelo governo – todos os materiais devem ser aprovados e somente os grupos registrados podem estar ativos.

A economia uzbeque é dependente do cultivo de algodão. Tudo é sacrificado para aumentar o rendimento dessa safra. Professores, estudantes, funcionários públicos, prisioneiros e muitos outros são obrigados a ajudar a fazer a colheita a cada ano. O uso de pesticidas é enorme e afetou negativamente a saúde pública. A água está sendo drenada dos dois principais rios (Amy Darya e Syr Darya) para irrigar os campos de algodão em grandes quantidades, a ponto de haver quedas constantes do nível pluvial, que causou um afundamento permanente dos níveis de água do mar de Aral.

O Uzbequistão ocupa uma posição estratégica na conexão Oriente-Oeste entre a China e o Ocidente. Está sendo pressionado pela China e pela Turquia para a construção de uma nova versão da Rota da Seda. Isso significa que há enormes atividades de construção em andamento, como estradas para caminhões e trilhos de trens.

Os primeiros cristãos a entrar na Ásia Central, incluindo o Uzbequistão, eram missionários nestorianos no século 4. O nestorianismo é uma doutrina cristológica proposta por Nestório, patriarca de Constantinopla (428-431). A igreja nestoriana experimentou um período de declínio a partir do século 14, quando os governantes mongóis da região decidiram se converter ao islamismo. Posteriormente, o cristianismo nestoriano foi confinado em grande parte à Mesopotâmia Superior e à Costa Malabar da Índia.

A presença atual de cristãos no Uzbequistão data do século 19. Em 1867, o império russo expandiu seu território para a Ásia Central através de várias campanhas militares, trazendo russos étnicos que pertenciam principalmente à Igreja Ortodoxa Russa.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Josef Stalin ordenou a deportação de um grande número de alemães, ucranianos, poloneses e coreanos da Rússia para a Ásia Central, temendo que eles, de outra forma, apresentassem algum risco de segurança. Com eles, outras denominações cristãs chegaram ao Uzbequistão. Depois que o Uzbequistão se tornou um país independente em 1991, as comunidades cristãs não tradicionais tornaram-se ativas entre a população uzbeque.
 

REDE ATUAL DE IGREJAS

As comunidades cristãs históricas são, de longe, a maior categoria de cristãos no Uzbequistão, sendo a maior denominação a Igreja Ortodoxa Russa. Essa denominação representa cerca de 0,35% da população, mas sofre com a emigração de cristãos russos. Hoje, a população ortodoxa é apenas 10% do que era na década de 1980.

A Igreja Católica Romana é muito menor, apenas 0,01%. As igrejas protestantes tradicionais no Uzbequistão são representadas pela Igreja Luterana, principalmente alemã. No total, essas igrejas representam menos de 0,4% da população uzbeque.

As comunidades de convertidos para o cristianismo são compostas por aproximadamente 30 mil uzbeques, ou seja, cerca de 0,1% da população. O crescimento da igreja nativa continua. Alguns dos cristãos uzbeques desenvolveram uma visão missionária para chegar ao povo uzbeque localizado no Afeganistão e Turcomenistão; eles também são ativos nessas áreas. Muitos dos cristãos uzbeques enfrentaram oposição a partir do momento em que deixaram o islã, mas perseveram em sua fé, apesar das dificuldades.

As comunidades cristãs não tradicionais representam cerca de 0,3% da população uzbeque. As igrejas pertencentes a esse grupo são batistas, evangélicos, pentecostais, carismáticos, e outras. Esse grupo é o mais ativo nas atividades de evangelização e, como resultado, é esse grupo que enfrenta a maior parte da perseguição no Uzbequistão.

A religião principal do país é o islamismo. A população muçulmana é predominantemente sunita (95,5%). No entanto, seria errado chamar o Uzbequistão de país muçulmano, pois 70 anos de ateísmo durante a era soviética deixaram uma profunda influência. O governo (os herdeiros dos soviéticos ateus) é firmemente secular e mantém o islamismo sob controle.

As pessoas no Uzbequistão ainda reverenciam o seu glorioso passado islâmico quando as universidades e madraças (escola islâmica) de Samarcanda e Bukhara eram famosas pela pesquisa científica e atraíam pessoas de todo o mundo. Seus três reinos muçulmanos (khanates) já chegaram a controlar uma vez vastas áreas da Ásia Central (uma área geográfica muito maior que o atual Uzbequistão).

Embora o islamismo no país seja geralmente de caráter tradicional e moderado, a nação sofreu ataques no passado de grupos islâmicos radicais como o Movimento Islâmico do Uzbequistão (IMU) e a União Islâmica da Jihad, ambos conectados à Al-Qaeda. Até agora, o governo conseguiu expulsá-los do país. O vale de Fergana, no Sudeste do Uzbequistão, é conhecido pela presença de muçulmanos radicais.

A pequena minoria cristã de apenas 1,1% da população é fraca devido a muita divisão e pouca cooperação entre as diferentes denominações.

A maioria dos cristãos pertence a minorias étnicas – principalmente russa e coreana. A emigração russa em grande escala explica a taxa negativa de crescimento geral do cristianismo no Uzbequistão (-1,6%).

Um dos principais problemas para os cristãos no Uzbequistão, e em outros países da Ásia Central, é o fato de que há muita divisão e pouca cooperação entre as várias denominações. Isso torna a igreja fraca e a joga nas mãos do governo.
 

NOTAS SOBRE A SITUAÇÃO ATUAL

  • Em 24 de maio de 2018, Nabijon Bolikulov foi preso em Karshi por cinco dias e três outros cristãos foram multados por cultuar sem permissão. O juiz disse para Bolikulov: “Ore em casa. É contra a lei do Estado se reunir para cultuar sem um registro estadual”. (Fonte: Forum 18)
  • Em novembro de 2017, 14 oficiais de várias agências estatais invadiram a casa de Stanislav Kim em Urgench, na região de Khorezm, no noroeste do país. Nove dos dez adultos na reunião foram detidos e levados à delegacia de polícia. Os cristãos reclamaram que os detidos foram interrogados por duas horas e forçados a escrever declarações, ameaçados e fisicamente molestados. (Fonte: Forum 18)
  • O governo do Uzbequistão tem um departamento especial para monitorar atividades religiosas e censurar literatura religiosa.
  • É muito difícil registrar novas igrejas e o registro de comunidades religiosas já existentes se tornou mais difícil.
  • A perseguição aos cristãos no Uzbequistão tende a ser pesada. Houve relatos de incursões em reuniões religiosas, tortura, espancamentos, proibição de práticas religiosas e outras formas de tratamento severo para prisioneiros, aos quais o governo considera “extremistas religiosos”.
  • O Uzbequistão é o único país da Ásia Central que possui uma Sociedade Bíblica oficialmente aberta. O governo lhe dá permissão para publicar, importar e distribuir literatura religiosa, mas o controle do Estado em cada movimento dessa organização é tão grande que a Sociedade Bíblica só parece existir no papel.
  • Ore pelos cristãos ex-muçulmanos que geralmente ficam isolados por causa da nova fé. Eles também enfrentam medo e pressão por saberem que se a família descobrir sobre sua conversão, isso significará ridicularização, perseguição e até mesmo morte. Cada vez que eles buscam comunhão com outros cristãos, estão pondo a vida em risco, assim como a dos outros que fazem parte do grupo.
  • O Uzbequistão tem uma das ditaduras mais duras da Ásia Central, que fará tudo para permanecer no poder. Todas as formas de oposição e desvios da norma são atacadas – o cristianismo se encaixa aí. Clame por mudança e por aceitação do cristianismo no Uzbequistão.
  • Interceda por batistas, evangélicos e pentecostais que são ameaçados, revistados, multados e presos. Nenhuma atividade religiosa além das instituições dirigidas e controladas pelo governo é permitida.

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