Turcomenistão

Turcomenistão

  • Tipo de Perseguição: Paranoia ditatorial
  • Capital: Ashgabat
  • Região: Ásia Central
  • Líder: Kurbanguly Berdymukhamedov
  • Governo: República presidencialista
  • Religião: Islamismo
  • Idioma: Turcomano, russo e uzbeque
  • Pontuação: 69

POPULAÇÃO
MILHÕES

POPULAÇÃO CRISTÃ
MIL

O Turcomenistão é um país em rápido desenvolvimento, principalmente devido à descoberta de grandes quantidades de petróleo e gás. No entanto, isso é uma moeda de dois lados. Por um lado, isso permite grandes investimentos, que são destacados em relatórios e planos de fazer da capital, Ashgabat, a “cidade de mármore”. O x da questão é que o país se torna mais dependente da exportação de gás e petróleo e – dado o alto grau de sigilo e corrupção – apenas um pequeno grupo irá se beneficiar disso. O grande declínio no preço do petróleo afetou seriamente o país.
 

“Eu fiz novos amigos e gostei de todos os jogos. Aprendi tantas canções que agora quero cantá-las até de noite.” 
CRIANÇA PARTICIPANTE DE ACAMPAMENTO DE INVERNO NO TURCOMENISTÃO

 

O país é considerado um dos regimes mais restritivos do mundo, onde não há liberdade de imprensa nem de informação. É muito difícil para estrangeiros entrarem no país. Foi iniciado um novo culto em torno da personalidade do presidente Berdymukhamedov. Além disso, há um alto nível de monitoramento de cada grupo da sociedade (inclusive cristãos), assim como acesso restrito à mídia e recursos estrangeiros. Consequentemente, é difícil obter informações fora do país. Em 12 de abril de 2016, uma nova lei de religião foi introduzida, restringindo a vida da igreja ainda mais. Desde então a vida tem sido difícil para os cristãos.

O Forum 18 publicou seu Inquérito à Liberdade Religiosa em janeiro de 2017, os seguintes pontos que são apenas uma pequena seleção das violações da liberdade de religião ou crença no Turcomenistão identificadas pela organização:

• aprovação de leis violando claramente as obrigações internacionais de direitos humanos;

• proibição de todo exercício de liberdade de religião e crença sem autorização estatal;

• recusas arbitrárias de status legal às comunidades que optam por buscá-lo;

• recrutamento secreto de informantes policiais nas comunidades de crenças;

• falta de julgamentos justos e processo legal;

• coerção por funcionários contra não-muçulmanos para tentar forçá-los a se converterem ao islamismo;

• restrições severas à educação religiosa, incluindo a proibição a mulheres de estudar teologia no país;

• quase nenhum contato com cristãos estrangeiros é permitido;

• censura de literatura religiosa e outros materiais.
 

Após 69 anos como parte da União Soviética, o Turcomenistão declarou sua independência em 27 de outubro de 1991. Até a morte do ex-presidente Saparmurat Niyazov em 2006, o país estava no ápice de seu culto à personalidade quase religiosa, com base em seu livro, chamado "Ruhnama". Esse livro e sua filosofia dominaram a vida pública e foram ensinados em escolas e universidades. Talvez o clímax dessa reverência fosse a construção de uma enorme torre na capital, Ashgabat, que estava coberta por uma estátua dourada e rotativa do então presidente. A estátua estava sempre de frente para o sol. A explicação oficial era que o sol seguia a estátua e não o contrário. Não é surpreendente que os observadores tenham se referido ao país como a Coreia do Norte da Ásia Central.

Gurbanguly Berdymukhamedov assumiu o cargo após a morte do presidente Niyazov em dezembro de 2006 e cancelou algumas de suas decisões, como, por exemplo, nomear meses e dias de acordo com os heróis turcomanos, mas ele teve de se mover com cuidado para substituir seu predecessor, que tinha sido reverenciado quase como um deus. O ensino obrigatório de Ruhnama no sistema educacional do país foi gradualmente reduzido. A estátua dourada foi movida para os arredores de Ashgabat.

Não demorou muito para que Berdymukhamedov desenvolvesse seu próprio culto à personalidade em torno do título honorário "Arkadag" (protetor). Após a reeleição de Berdymuhamedov em 2012, uma nova era foi anunciada: a "Era da Felicidade Suprema". O regime decidiu derrubar milhares de casas e reconstruir a capital Ashgabat como uma cidade de mármore branco.

Em 25 de maio de 2015, as autoridades do Turcomenistão inauguraram uma estátua gigante do presidente Berdymukhamedov montado a cavalo, segurando uma pomba – tudo coberto com uma camada de ouro de 24 quilates. Em setembro de 2016, foram feitas emendas constitucionais para permitir que o presidente dispute as eleições presidenciais futuras, independente da idade.

O Turcomenistão é uma república presidencial, pela qual o presidente é chefe de Estado e chefe de Governo. Não são permitidos partidos de oposição. O poder está concentrado na presidência; o judiciário é totalmente subordinado ao governo, com todos os juízes nomeados para um mandato de cinco anos pelo presidente, sem revisão legislativa.

O Turcomenistão é o país da Ásia Central com o mais alto nível de controle do Estado em quase todos os aspectos da vida. O Departamento de Estado dos Estados Unidos informa que o regime impôs "leis e políticas que restringem a liberdade religiosa através de requisitos de registro, regulação rigorosa da produção e disseminação de literatura religiosa e restrições às atividades permitidas de grupos religiosos e indivíduos".

Desde maio de 2015, a Comissão Estadual de Organizações Religiosas e Avaliação Especializada de Recursos de Informação Religiosos (SCROEERIR) é responsável pelo controle de assuntos religiosos. A lei estabelece que essa comissão deve ajudar os grupos religiosos registrados a trabalhar com agências governamentais, explicar a lei aos representantes religiosos, monitorar as atividades de grupos religiosos para garantir que estejam em conformidade com a lei, ajudar a traduzir e publicar literatura religiosa e promover compreensão e tolerância entre diferentes grupos religiosos. Cada pedido de um grupo religioso precisa de aprovação antes da implementação. Fonte: relatório IRF Turkmenistan 2015

O Estado é responsável pelo setor de produção e também controla o importante setor exportador. Como o país é abundantemente rico em recursos como petróleo, gás natural e outras matérias-primas, também em algodão e grãos, as pessoas que lidam com essas indústrias podem ganhar muito dinheiro. Comprar e comercializar monopólios é um meio de manter os preços bem abaixo do mercado mundial, mas também são pontos onde a corrupção entra. Pelo menos oito dos doze bancos nacionais são estatais e, como o Estado decide quais dívidas ministeriais são abolidas, a prática bancária é limitada.

Apesar da riqueza potencial do país devido a enormes quantidades de gás natural e outras commodities, apenas uma elite muito pequena se beneficia disso. O desemprego e a taxa de pobreza permanecem em um nível muito alto e o crescimento considerável do PIB – per capita e em porcentagem – não melhorou as condições de vida de todos os cidadãos em igualdade de condições. A enorme queda no preço do petróleo desde 2014 teve um efeito bastante negativo na economia do Turcomenistão. A reconstrução planejada da capital Ashgabat teve de ser adiada.

O Turcomenistão tem um alto nível de desemprego. De acordo com o CIA World Factbook, os valores de desemprego situaram-se em 60% em 2004 e dificilmente melhoraram desde então. A corrupção é endêmica em todos os níveis de administração e governo. Os grupos de poder dentro do regime não têm interesse em perder a oportunidade de ganhar dinheiro.

Graças ao antigo sistema soviético de educação, praticamente todos os cidadãos do Turcomenistão são alfabetizados. Isso significa que pessoas interessadas na mensagem cristã podem receber materiais em seu próprio idioma. As restrições impostas pelo governo (todos os materiais devem ser aprovados e apenas grupos registrados podem estar ativos) significam que a maior parte da distribuição deve ser feita de forma não oficial.

O Turcomenistão tem uma má reputação no que diz respeito aos direitos humanos e suas prisões e campos de trabalho forçado estão constantemente superlotados. Literalmente, milhares de pessoas são mantidas em condições terríveis.

O mais conhecido é o campo de trabalho de Seydi no deserto, a cerca de 40 quilômetros a noroeste da cidade de Turkmenabad, perto do rio Amu Darya e da fronteira com o Uzbequistão. Todos os anos há dias de anistia, quando centenas de prisioneiros são libertados. Em geral, os cristãos experimentam os mesmos problemas que todas as outras pessoas no país e não são alvo de marginalização econômica ou social. A única exceção a isso é a pressão do ambiente social (família, imãs locais, aldeões) sobre cristãos ex-muçulmanos.

O Turcomenistão está sob o rígido controle de um governo ditatorial que não é pressionado ou ameaçado de nenhuma parte. Portanto é seguro afirmar que não haverá nenhuma mudança política importante no governo atual. Para os cristãos isso significa que vão continuar vivendo sob grande pressão por tempo indeterminado.

Os primeiros cristãos a entrarem na Ásia Central, incluindo o Turcomenistão, foram missionários nestorianos no século 4. A partir do século 5, houve grandes movimentos de povos na Ásia e Europa para o Turcomenistão, o que significou a chegada de uma tribo turca da Ásia Oriental chamada Oghuz (os ancestrais étnicos do turcomano). No século 8, o islã entrou na região, seguindo as trilhas da rota comercial da seda e os cristãos desapareceram do país.

No século 16, o Turcomenistão tornou-se parte dos khanatos de Khiva e Bukhara, que influenciaram profundamente a cultura e a religião do país.

A presença atual de cristãos no Turcomenistão data do século 19. Em 1867, o Império Russo expandiu seu território para a Ásia Central durante várias campanhas militares, conquistando os khanatos de Khiva e Bukhara. O regime trouxe russos étnicos, que pertenciam principalmente à Igreja Ortodoxa Russa. Durante a Segunda Guerra Mundial, Joseph Stalin ordenou a deportação de um grande número de alemães, ucranianos, poloneses e coreanos para a Ásia Central. Com eles, outras denominações cristãs encontraram caminho para o Turcomenistão. Não há no Turcomenistão comunidades de cristãos estrangeiros.

As comunidades cristãs históricas são de longe o maior grupo de cristãos no Turcomenistão. O número de convertidos para o cristianismo é de aproximadamente mil. A igreja nativa do Turcomenistão é uma igreja muito nova, que cresce lentamente. Esses cristãos ex-muçulmanos experimentam muita pressão de familiares, amigos e comunidade, especialmente em áreas rurais.

As comunidades cristãs não tradicionais contam cerca de 16.000 cristãos, e são compostas de batistas, evangélicos, pentecostais, carismáticos, e outros.
 

REDE ATUAL DE IGREJAS

Os cristãos são um grupo muito pequeno no país, cerca de 1,2% da população, sendo que a maioria deles é de ortodoxos russos. Assim como muitos países da Ásia Central, o Turcomenistão enfrenta a emigração de russos. Um dos maiores problemas para os cristãos no país é que há muita divisão e pouca cooperação entre as várias denominações. Infelizmente, isso faz com que a igreja seja muito fraca e fique sob o controle do governo.

A maioria dos cristãos pertence a minorias étnicas – principalmente russas. O número total de cristãos no Turcomenistão dificilmente cresce.

A maioria da população do país é muçulmana – predominantemente sunita. No entanto, seria errado chamar o Turcomenistão de um país muçulmano. Cerca de 70 anos de ateísmo durante a era soviética deixaram uma profunda influência. O governo (os herdeiros dos soviéticos ateus) é firmemente secular e tem o islã sob controle. Os cidadãos muçulmanos seguem a cultura islâmica básica em vez dos ensinamentos muçulmanos rigorosos.

Apesar disso, não há liberdade de religião no Turcomenistão, embora haja afirmações em contrário na constituição do país. O governo ditatorial do Turcomenistão usa um enorme corpo de agentes estaduais (polícia, serviços secretos, imãs locais) para monitorar de perto todas as atividades religiosas. Isso impôs tantas restrições à liberdade religiosa que se pode dizer que ela não existe no Turcomenistão. Esse é o caso de todas as religiões, não só da fé cristã.

A situação dos cristãos no Turcomenistão continua ruim e até mesmo piorou um pouco. A pressão do governo continua imbatível, o que foi corretamente descrita em uma publicação do Forum 18: “As autoridades continuam a fazer batidas em reuniões e cultos nos lares, com detenções, torturas, ameaças e multas a indivíduos, bem como confisco de literatura. Em muitos incidentes, policiais do sexo feminino abusaram de mulheres cristãs que tentavam exercer seu direito de liberdade de religião e crença”.

Existem duas principais fontes de perseguição para os cristãos no Turcomenistão – o Estado e o ambiente muçulmano. A perseguição do Estado vem sob a forma da polícia, serviços secretos e autoridades locais que monitoram atividades religiosas e atendem regularmente aos cultos. As autoridades estaduais muitas vezes invadem igrejas não registradas. A cultura islâmica geral torna particularmente difícil a vida para os convertidos ao cristianismo.

Mesmo as igrejas ortodoxas russas e apostólicas armênias podem experimentar os cultos dominicais sendo monitorados. A impressão ou importação de materiais cristãos é restrita. Cristãos ex-muçulmanos enfrentam o peso da perseguição tanto do Estado como da família, amigos e comunidade. Onde as igrejas não foram registradas, os cristãos enfrentam repetidas incursões policiais, ameaças, prisões e multas.

Depois do Uzbequistão, o Turcomenistão é o país da Ásia Central mais repressivo para as minorias religiosas. Dado o aumento do nacionalismo e a "orientação espiritual" do novo presidente, a pressão sobre os cristãos provavelmente permanecerá em um nível muito alto, mas com níveis baixos de violência.

Incidentes violentos raramente são reportados porque os cristãos não ousam compartilhar esse tipo de informação com estrangeiros. No período de apuração da Lista Mundial da Perseguição 2019 (1 de novembro de 2017 a 31 de outubro de 2018), cerca de sete cristãos foram detidos por pouco tempo e 25 agredidos; duas casas foram danificadas durante buscas policiais.

Alguns exemplos de perseguição no período são:

  • Em abril de 2018, uma reunião doméstica de cristãos ex-muçulmanos foi revistada e todos os presentes foram detidos, levados à delegacia e interrogados por várias horas. Após o interrogatório, todos foram liberados, mas desde então estão sob estrita vigilância da polícia.
  • Familiares de convertidos, a comunidade muçulmana local e as autoridades interferem e frequentemente perturbam atividades da igreja.
  • Tem havido controle mais cerrado sobre a vida da igreja, desde que uma nova lei sobre religião foi introduzida em 2016.
  • Peça por proteção para as igrejas domésticas, visto que elas têm se tornado cada vez mais alvo da polícia e autoridades.
  • Ore pela liberdade neste que é um dos países mais restritivos do mundo, onde o governo controla muitos aspectos da vida dos cidadãos.
  • Interceda pelos cristãos ex-muçulmanos, que são pressionados a voltar ao islamismo. Ore para que Deus os guarde e fortaleça diante da perseguição que enfrentam.

Logo Portas Abertas

Caixa Postal 18.105
CEP 04626-970
São Paulo/SP
+55 11 2348 3330 / 2348 3331
falecom@portasabertas.org.br