República Tunisina

República Tunisina

  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica
  • Capital: Túnis
  • Região: Norte da África
  • Líder: Mohamed Béji Caïd Essebsi
  • Governo: República parlamentarista
  • Religião: Islamismo
  • Idioma: Árabe (oficial), francês e berbere
  • Pontuação: 63

POPULAÇÃO
. MILHÕES

POPULAÇÃO CRISTÃ
. MIL

A Tunísia é um país mais avançado do que a maioria dos países do Norte da África, em termos de desenvolvimento socioeconômico, liberdades civis e governança democrática. O país tem o potencial de atuar como um modelo para outros países árabes, devido à sua transição pacífica e consensual para a democracia.

No entanto, a instabilidade regional, o aumento do extremismo islâmico, bem como uma alta taxa de desemprego e as dificuldades na implementação de reformas econômicas, necessárias para gerar um crescimento econômico tão necessário, significam que a democracia tunisiana ainda está frágil.

A menos que a Tunísia consiga consolidar sua economia, enfrentar a ameaça da insurgência islâmica e revitalizar sua economia, os cristãos no país podem enfrentar uma situação muito difícil e níveis crescentes de perseguição.


“Eu sou cristão só para mim mesmo. Às vezes compartilho o evangelho com outras pessoas, mas não com minha família”.
CRISTÃO TUNISIANO QUE, DEPOIS DE MUITOS ANOS DE ISOLAMENTO, ENCONTROU UMA IGREJA, A QUAL VISITA SECRETAMENTE
 

NOTAS SOBRE A SITUAÇÃO ATUAL

• O sistema jurídico do governo não é suficientemente robusto para proteger a liberdade dos cristãos.

• O crescimento do extremismo islâmico na região é uma ameaça para os cristãos.

• Os cidadãos tunisianos formam um dos maiores contingentes de combatentes islâmicos radicais na Síria e muitos deles estão retornando à Tunísia. Isso, juntamente com o conflito e o colapso do Estado na Líbia, está contribuindo para sérios desafios de segurança na Tunísia.
 

A Tunísia era uma província do Império Otomano antes de se tornar um protetorado (território protegido e controlado por outro) francês em 1883. O país ganhou sua independência da França em 1956. Depois de dominar a cena política na Tunísia de 1956 a 1987, o presidente Bourguiba foi expulso do poder como resultado de uma série de crises econômicas e políticas, bem como preocupações sobre sua saúde mental.

O presidente Ben Ali governou a Tunísia de 1987 até 2011, até que ele foi expulso do poder através das revoltas da Primavera Árabe. Um governo interino assumiu e uma nova constituição foi aprovada em 26 de janeiro de 2014. As eleições presidenciais e parlamentares foram realizadas em dezembro de 2014, marcando o fim do período de transição.

Apesar dos desafios econômicos, a Tunísia continua sendo o único país em que a revolta da Primavera Árabe levou ao surgimento de um governo mais democrático e legítimo, no qual os partidos seculares e islâmicos puderam governar com base em consenso e compromisso.

SITUAÇÃO POLÍTICA E SOCIAL ATUAL

Após a retirada do presidente Ben Ali em 2011, as eleições presidenciais e parlamentares não foram realizadas até dezembro de 2014, quando Béji Caïd Essebsi foi declarado vencedor.

Enquanto alguns advertiram que a vitória de Essebsi representava o perigo de um retorno ao passado autoritário de Ben Ali, Essebsi se apresentou como um tecnocrata experiente capaz de trazer estabilidade e uma revolução econômica muito necessária.

O partido moderado e secularista de Essebsi, Nidaa Tunis, ganhou o maior número de assentos no parlamento. Ennadha, o partido islâmico moderado que ganhou as eleições logo após a revolução de 2011 e que liderou o governo de transição por um tempo, ganhou o segundo maior número de lugares. Desde que o presidente Essebsi chegou ao poder, houve muito movimento político na Tunísia que levou à formação de uma série de governos de unidade liderados por vários primeiros-ministros.

Os principais desafios são as atividades dos grupos extremistas islâmicos na região e a crise econômica – especialmente o declínio do turismo, que tem sido um dos pilares da economia tunisiana. Atualmente, o primeiro-ministro Youssef Chahed lidera um governo de unidade formado por uma coalizão de partidos seculares, islâmicos e esquerdistas. Segundo os padrões da região, a Tunísia é um país relativamente próspero, sendo o turismo um setor-chave da economia.

Embora a economia da Tunísia tenha tido um desempenho relativamente bom até a véspera da revolução da Primavera Árabe em 2011, existe agora uma alta taxa de desemprego, especialmente entre a geração mais nova – mesmo para aqueles com estudos universitários.

Com a conclusão da transição política na Tunísia, os sucessivos governos que assumiram o poder enfrentaram a tarefa assustadora de revitalizar a economia e enfrentar as queixas socioeconômicas que derrubaram o ex-ditador tunisiano Ben Ali. O turismo sofreu um grande golpe após o ataque na praia em junho de 2015. No entanto, desde então o governo já melhorou o aparato de segurança e o turismo começou a se recuperar em 2018.

Em setembro de 2017, em um movimento raro, se comparado com o Mundo Árabe, a Tunísia revogou a lei que proibia mulheres muçulmanas de se casarem com homens não muçulmanos. Um passo importante, principalmente para cristãos ex-muçulmanos. Em novembro de 2018, o governo propôs uma emenda ao Código de Status Pessoal, que poderia levar à igualdade de gêneros no que diz respeito a direitos de herança. No entanto, a proposta despertou um grande debate, já que muçulmanos conservadores consideraram isso contrário ao Alcorão e à lei islâmica.

A Tunísia tem uma história cristã muito rica. Alguns dos primeiros pais da igreja (por exemplo, Agostinho e Tertuliano) viveram nesse país, e também foi um dos lugares onde o controverso donatismo (doutrina cristã considerada herege) entrou em erupção no século 4 com a nomeação de líderes, que previamente traíram a fé cristã durante a perseguição aos cristãos.

Como em outros países do Norte da África, a chegada do islamismo afetou significativamente o desenvolvimento da igreja, mas o cristianismo conseguiu sobreviver na Tunísia até o século 11, apesar da imposição islâmica. O cristianismo não conseguiu estabelecer-se novamente até o século 19, quando muitos franceses e outros cristãos expatriados foram ao país.

O testemunho católico romano cresceu consideravelmente e um arcebispo de Cartago foi nomeado em 1884. Vários outros grupos cristãos também começaram a trabalhar: os anglicanos em 1829, a Missão Norte-Africana em 1881, adventistas do sétimo dia em 1905, metodistas em 1908 (da América do Norte), e em 1911 pentecostais da Igreja de Deus (de Cleveland, Tennessee, Estados Unidos).
 

REDE ATUAL DE IGREJAS

De acordo com o Relatório Internacional de Liberdade Religiosa de 2017 do Departamento de Estado americano, a população cristã é composta principalmente por católicos romanos, protestantes, ortodoxos russos, reformistas franceses, anglicanos, adventistas do sétimo dia e ortodoxos gregos. Uma pequena comunidade de cristãos ex-muçulmanos também está presente no país, assim como testemunhas de Jeová.

No período de apuração da Lista Mundial da Perseguição 2019 (1 de novembro de 2017 a 31 de outubro de 2018), instalações e edifícios da igreja foram monitorados, aparentemente por razões de segurança, mas também para fins de vigilância. Em abril de 2018, o enviado especial de Liberdade de Religião e Crença da ONU relatou sobre a Tunísia e concluiu que “leis antigas e pressão social apresentam os maiores desafios para reforma religiosa na Tunísia; um grande número de leis antigas, como 'conceitos de moralidade pública' e 'provisões da ordem pública' são usadas para reforçar restrições sobre o consumo de comida durante o Ramadã, por exemplo”.

Também no período de apuração da Lista, alguns cristãos estrangeiros foram detidos e interrogados por possuir literatura cristã. Eles foram acusados de proselitismo. Além disso, vários cristãos, de modo especial mulheres ex-muçulmanas, tiveram que se realocar dentro do país devido à pressão e ameaças de suas famílias. Também foi relatado que vários cristãos ex-muçulmanos foram física e/ou sexualmente abusados.

A perseguição na Tunísia é causada principalmente pela hostilidade geral da sociedade islâmica em relação aos cristãos. Embora, relativamente falando, o Estado tenha se tornado mais tolerante com os cristãos desde os levantes da Primavera Árabe de 2011, ainda há uma influência crescente dos ensinamentos islâmicos radicais.

Os estrangeiros na Tunísia gozam de uma boa liberdade de religião, mas são proibidos de realizar atividades vinculadas ao evangelismo. A pequena comunidade de cristãos ex-muçulmanos tunisianos experimenta perseguição de membros da família e da comunidade em geral e enfrentam dificuldades com as autoridades do Estado para terem sua conversão ao cristianismo oficialmente reconhecida.

Um jornalista que investigou a situação dos cristãos tunisianos com profundidade afirma: "Eles enfrentam discriminação e ameaças que muitas vezes são obscuras e parecem escondidas para o público. Isso afeta a vida cotidiana. Devido a sua identidade cristã, muitos vivem insegurança no emprego, abandono da família, amigos e até cônjuges; eles são vítimas de abuso verbal, mental e físico, e não são dadas oportunidades iguais, sob a lei, para se identificar como cristãos e se casar com quem quiserem".

Devido aos fatores mencionados acima, a maioria dos cristãos tunisianos opta por esconder a fé e não adorar e viver a vida cristã abertamente. A hostilidade e a pressão que enfrentam da sociedade em geral tornam perigoso compartilhar a fé com seus familiares, vizinhos, amigos ou colegas. Os cristãos tunisianos também acham difícil se reunir para o culto, assim como encontram dificuldade para ter comunhão com outros cristãos, devido aos riscos que qualquer exposição possa implicar.

Os laços entre alguns movimentos islâmicos e o crime organizado não devem ser subestimados. Eles criam muitos problemas na sociedade tunisiana e contribuem para o aumento do temor entre os cristãos. O primeiro-ministro enfatizou o vínculo entre terrorismo, crime organizado e corrupção afirmando: "Estamos persuadidos de que existe um vínculo entre o contrabando, o financiamento do terrorismo, as atividades transfronteiriças e o desvio de capital".

Um total de 99% de tunisianos se identifica como muçulmanos sunitas, sendo a maioria da tradição malikita. Apesar do legado francês do laicismo ou do secularismo entre as elites urbanas e educadas, o islamismo é muito influente e a constituição o reconhece como religião oficial.

O cristianismo e o judaísmo são as religiões minoritárias mais significativas. O número de cristãos ex-muçulmanos está crescendo na Tunísia. Este crescimento gradual da igreja tornou-se notável desde a década de 1990.

Cristãos estrangeiros desfrutam de relativa liberdade, embora evangelismo em público não seja tolerado. Quando eles cultuam nas poucas igrejas internacionais raramente encontram problemas, já os nativos enfrentam o peso da perseguição.

Cristãos ex-muçulmanos enfrentam várias formas de perseguição, por exemplo da família. No entanto, eles têm “certa liberdade” para buscar e receber informação sobre a fé cristã, particularmente conteúdo postado on-line.

  • Ore pelos jovens cristãos que são rejeitados e perseguidos por causa da fé. Interceda pelos novos convertidos que estão esperando para casar e são pressionados por familiares não cristãos.
  • Clame pelos cristãos que são perseguidos, pois muitos deles perdem a esperança e têm dificuldade para seguir adiante com sua vida. Peça para que eles saibam que Deus está sempre com eles.
  • Ore para que o Senhor impeça os planos de extremistas muçulmanos de criar caos no país. Interceda para que o Senhor toque seus corações e que eles se prostrem diante de Jesus.

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