Territórios Palestinos

Territórios Palestinos

  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica
  • Capital: Jerusalém Oriental
  • Região: Oriente Médio
  • Líder: Mahmoud Abbas
  • Governo: Democracia parlamentarista
  • Religião: Islamismo, judaísmo, cristianismo
  • Idioma: Árabe, hebraico, inglês
  • Pontuação: 57

POPULAÇÃO
MILHÕES

POPULAÇÃO CRISTÃ
. MIL

Com 57 pontos, os Territórios Palestinos ficaram na 49ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2019. A pontuação caiu três pontos comparada ao ano anterior. Essa queda é principalmente o resultado da diminuição da pressão em certas esferas da vida sendo relatadas. O nível de violência contra os cristãos é, de modo geral, baixo. Há elementos do radicalismo islâmico presentes, mas seu foco principal é em combater as forças israelenses. Se há violência contra cristãos, acontece na esfera da família e os responsáveis por essa violência são os familiares.

A Unidade de Inteligência Econômica estima que os focos de agitação Israel-Palestina continuem a acontecer em Gaza e Cisjordânia nos próximos anos. A construção de nação e as reformas são dificultadas por divisões, entre outros fatores, entre o Hamas e o Fatah. Espera-se que o processo de paz continue estagnado e a chance de novos surtos de violência diminua. Em sua avaliação de risco, uma pesquisa apontou que tais surtos podem ocorrer e "levam a um conflito entre Israel e o Hamas, ou a uma insurreição armada em grande escala semelhante a primeira e a segunda intifadas". Isso afetará ainda mais a qualidade de vida de todos os palestinos negativamente, incluindo os cristãos, levando a uma contínua migração destes últimos.


 

“Para a maioria dos novos convertidos, é uma combinação: eles experimentam um toque de Deus em um sonho ou visão e então alguém vem para explicar para eles pessoalmente. Mas geralmente é Deus quem faz o primeiro movimento.”
NADIA (PSEUDÔNIMO), CRISTÃ EX-MUÇULMANA
 

Os cristãos estão espremidos no conflito Israel-Palestina, sua etnia vem causando muitas restrições do lado israelense e sua religião colocando-os em uma posição minoritária dentro da comunidade palestina. As leis na Cisjordânia geralmente protegem a liberdade religiosa, enquanto as de Gaza são restritivas. Embora amplamente tolerados pelo Hamas, os cristãos são discriminados e ameaçados por grupos de vigilantes muçulmanos radicais em Gaza.

O número total de cristãos tem diminuído ao longo do tempo, devido à migração e menores taxas de natalidade. Um raio de esperança é o pequeno, mas crescente número de convertidos do islamismo ao cristianismo.

Além disso, os cristãos palestinos enfrentam principalmente a pressão de funcionários do governo israelense no dia a dia, acima de tudo das forças de segurança. Confrontos com habitantes israelenses da Cisjordânia, os colonos, também podem ser intimidadores. Tanto as forças de segurança como os colonos estão bem armados, mas os últimos são conhecidos por serem mais zelosos do que o soldado israelense comum.

Como o número de cristãos palestinos é muito pequeno (0,9% de acordo com as estatísticas do World Christian Database) em comparação com a maioria muçulmana, a maior pressão é a sutil, dos cidadãos comuns. Isso pode ser visto nas regras de vestimenta para as mulheres, que são aplicadas através de desaprovação, olhares ou comentários. A sociedade palestina é conservadora, com mais liberdade nas cidades em comparação com as áreas rurais. A maioria dos cristãos faz parte das comunidades cristãs históricas. Eles devem operar com cuidado, já que a sociedade muçulmana é considerada "diferente". Um pesquisador do país afirmou: "A maioria devora a minoria. Os cristãos se isolam, por medo de uma sociedade perturbada, de uma maneira ou de outra".
 

NOTAS SOBRE A SITUAÇÃO ATUAL

• A pregação para muçulmanos não é proibida pela lei, mas continua a ser difícil devido à pressão da sociedade. Alguns cristãos têm medo de pôr em perigo os laços com seus vizinhos muçulmanos, caso eles estejam ativamente envolvidos no proselitismo.

• Durante o período de análise da Lista Mundial da Perseguição 2019 (1 de novembro de 2017 e 31 de outubro de 2018), ao menos uma mulher convertida foi confinada à casa da família por algum tempo. Diversos casamentos de mulheres convertidas com homens muçulmanos foram relatados e vários convertidos tiveram que mudar de país devido à pressão da família e sociedade.

• De acordo com o relatório do Departamento de Estado dos Estados Unidos sobre Israel e os Territórios Palestinos em 2017: "uma combinação de fatores continuou a dar impulso ao aumento da emigração cristã de Jerusalém e Cisjordânia, incluindo a capacidade limitada das comunidades cristãs na área de Jerusalém de expandir devido a restrições de construção mantidas pelo município em Jerusalém ou autoridades israelenses na Área C; as dificuldades que o clero cristão experimentou na obtenção de vistos israelenses e permissões de residência; restrições de reagrupamento familiar do governo israelense; problemas de tributação; e dificuldades econômicas criadas pelas restrições de viagem impostas por Israel".
 

Depois que o grupo islâmico Hamas ganhou uma maioria decisiva nas eleições parlamentares de 2006, um governo de unidade nacional foi formado em que o Hamas e Fatah participaram. As tensões sobre o controle das forças de segurança palestinas levaram a uma guerra civil em Gaza, em que o Hamas assumiu o poder pela força em 2007.

Desde então, houve duas administrações rivais dentro da Autoridade Nacional Palestiniana. A relação entre os dois partidos políticos é caracterizada pela desconfiança mútua, revelando a influência do tribalismo e das rivalidades dos clãs dentro da comunidade árabe-palestina. Partidários de um foram presos e abusados pelo outro. Enquanto isso, o Hamas está ganhando popularidade tanto na Faixa de Gaza quanto na Cisjordânia.

Os esforços de aproximação entre o Fatah e o Hamas resultaram na formação de um governo de unidade palestino em junho de 2014. Esse movimento foi destinado a abrir caminho para as eleições parlamentares, no entanto, estas não foram realizadas enquanto o governo de unidade não renunciou em junho de 2015. Membros do Hamas também participaram da conferência do Fatah em novembro de 2016, embora as divisões entre os dois continuem.

Em julho de 2017, as medidas de segurança israelenses em torno da mesquita de Al-Aqsa, postas em prática após o assassinato de dois policiais israelenses, provocaram protestos violentos, causando a morte de pelo menos seis pessoas. Tanto o Fatah quanto o Hamas condenaram as medidas, pedindo aos palestinos que protejam a mesquita. Após duas semanas de protesto, Israel removeu todas as medidas de segurança.

Em 15 de maio de 2018, a comemoração dos 70 anos do Nakba foi usada em Gaza para organizar uma “Marcha do Grande Retorno”. Nakba significa desastre em árabe e é um termo usado para se referir aos eventos durante o estabelecimento do Estado de Israel, no qual 700 mil palestinos perderam suas casas. Nas seis semanas anteriores ao dia da comemoração, todas as sextas-feiras, milhares de pessoas de Gaza caminhavam até a fronteira, expressando seu desejo de voltar à terra onde seus ancestrais viveram. Embora os palestinos aleguem que estavam se manifestando pacificamente, as autoridades israelenses disseram que os protestos foram violentos. Milhares de palestinos ficaram feridos e centenas foram mortos pelas forças israelenses. A Cisjordânia permaneceu calma durante esse período.

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos mudaram sua embaixada para Jerusalém, com o presidente Trump declarando que Jerusalém “é a eterna capital de Israel”. Um movimento que destruiu a última chama de esperança de que os EUA pudessem ser um mediador de paz imparcial para acabar com o conflito. Nos meses seguintes, centenas de pipas em chamas foram lançadas em Israel. Durante o verão de 2018 (junho a setembro), o Hamas e outros grupos começaram a atirar foguetes e morteiros em Israel novamente, provocando retaliação aérea por forças israelenses.

Em dezembro de 2018, começaram agitações na Cisjordânia, depois de um ataque surpresa a um povoado próximo a Ramala, provavelmente conduzido por apoiadores do Hamas. A cidade de Ramala foi fechada pelo exército israelense desde o ataque, a fim de pegar os autores e prevenir futuras agitações. Entretanto, isso não pôde prevenir outro ataque na área, em que dois soldados israelenses foram mortos, depois que o exército israelense matou quatro supostos agressores palestinos.

Em 2019, haverá eleições em Israel nas quais o primeiro-ministro Netanyahu quer aparecer como o protetor de Israel. Se a violência começar a irromper na Cisjordânia, sua política de defesa falhará. Netanyahu sempre contou com a calma na Cisjordânia por conta da cooperação de segurança com as Autoridades Palestinas e melhores condições de vida, comparadas com Gaza.

Durante os últimos anos, militantes islâmicos mais radicais do que o Hamas têm atuado em Gaza e na Cisjordânia. Eles apelam especialmente para a juventude, e também para partidários do Hamas ou mesmo do Fatah. Apesar do fato de que esses grupos salafistas não possuem grande poder, sua influência não pode ser descartada.

Responsável por uma grande parte dos ataques a bomba de Gaza em Israel, eles são capazes de provocar a escalada. Em parte, como resultado de sua influência, o Hamas toma medidas islamistas de tempos em tempos. Uma campanha moral foi lançada em janeiro de 2013, verificando as roupas femininas, o hijab (véu islâmico) foi obrigatório nas escolas secundárias e os homens foram proibidos de trabalhar como cabeleireiros para mulheres. Essas duas últimas medidas foram revertidas após a resistência da população local, o Ocidente e ativistas dos direitos humanos.

Gaza continua a ser um terreno de recrutamento fértil, que torna o radicalismo violento uma ameaça real: sua situação geralmente é percebida como desesperançosa, a sensação de que ninguém se importa com isso e a influência das forças islâmicas politizadas parece inevitável. Os conflitos da Primavera Árabe só se somaram a isso, e os salafistas de Gaza estão lutando na Síria e se tornando mais radicalizados.

Embora a Cisjordânia e Gaza façam parte dos Territórios Palestinos, suas diferenças são consideráveis. Estima-se que 38% dos habitantes de Gaza vivem na pobreza, enquanto apenas 22% dos cisjordanianos estão nessa condição (estimativa de 2014). Segundo informações, o desemprego na Cisjordânia é maior na área de Belém (cerca de 30%), onde 44% de todos os cristãos palestinos vivem.

A taxa de desemprego é de 42% em Gaza e 18% (estimativa de 2016) na Cisjordânia. Existem ainda diferenças em nível legislativo: o código legal em Gaza segue a lei egípcia, enquanto na Cisjordânia segue a lei jordaniana – apesar das leis aprovadas para unificar ambos os códigos.

Desde 2007, as duas áreas foram governadas por diferentes governos: Gaza é governada pelo Hamas islâmico e a Cisjordânia é governada pelo Fatah mais moderado. Pelo menos 60% da Cisjordânia está sob o controle total de Israel. Além disso, o nível de perseguição nessas duas áreas é diferente. Em Gaza, onde a perseguição é pior, militantes islâmicos e a sociedade islâmica conservadora desempenham um papel mais significativo do que na Cisjordânia.

Desde o início da era cristã, cristãos vivem na região. No começo, esses eram na sua maioria judeus que acreditavam em Jesus e, mais tarde, cristãos de outras nações chegaram à "Terra Santa" para uma visita ou viver lá permanentemente. Embora a igreja nem sempre tenha desempenhado um papel positivo na área, ou seja, durante as Cruzadas, sempre houve uma presença de cristãos de todos os tipos de denominações e nacionalidades.

No século 7, os exércitos árabes muçulmanos invadiram e, desde o século 9, os cristãos têm sido uma minoria, vivendo na terra sob autoridade islâmica. Enquanto eles pagavam a jizya, um imposto para os não muçulmanos conquistados (dhimmis), e não estavam evangelizando os muçulmanos, eles foram autorizados a praticar a religião.

Depois das Cruzadas, os franciscanos ficaram para manter as igrejas e lugares sagrados. Até o século 19, a maioria dos cristãos pertencia à Igreja Ortodoxa Grega. Durante o século 19, missionários tanto da Igreja Católica Romana como da Católica Grega e da protestante foram para a Terra Santa a começaram a trabalhar principalmente entre os cristãos ortodoxos. Isso mudou fundamentalmente o cenário da igreja. Embora a Igreja Ortodoxa Grega permaneça como a maior denominação, a Igreja Católica Romana, com suas conexões com o Ocidente, é mais influente. Os protestantes também criaram teólogos bem conhecidos como Naim Ateek (anglicano) e Mitri Raheb (luterano). Outras igrejas evangélicas não afiliadas a nenhuma denominação também foram estabelecidas nas últimas décadas.

A maioria dos cristãos étnicos são ortodoxos gregos ou católicos romanos e também existem várias denominações protestantes. Os cristãos estão diminuindo em número, mas são encontrados especialmente nas cidades de Jerusalém, Ramallá, Nablus e Belém. Há também comunidades cristãs menores em outros locais, incluindo judeus messiânicos. E uma pequena, mas crescente comunidade de cristãos com formação muçulmana, que enfrenta a perseguição mais severa. A integração das igrejas evangélicas nem sempre é fácil e muitos desses convertidos, portanto, se reúnem em congregações separadas, a maior parte do tempo em segredo.

Hoje na Cisjordânia e em Gaza a tendência geral é que os cristãos estão saindo, ou pelo menos querem sair, especialmente os de Gaza. O número de cristãos é uma questão delicada em termo da vulnerabilidade deles e da política da região. O World Christian Database 2017 estimava que havia 67.700 cristãos, mas outras fontes indicam que esse número é muito alto e o número foi ajustado este ano, indicando um número menor que 50 mil.

A conversão do islamismo para o cristianismo continua sendo uma questão muito delicada, principalmente porque religião está ligada à identidade familiar. Deixar a religião da família é, portanto, visto como uma traição do elemento mais fundamental na sociedade tribal palestina, que é a família. É muito provável que cristãos ex-muçulmanos tenham problemas e sejam perseguidos pelos próprios familiares.

A sociedade palestina é muito conservadora e a conversão do islã ao cristianismo ou mudar de uma denominação para outra é inaceitável ou socialmente indesejável, por causa da forte ligação entre família e religião. As leis da Cisjordânia geralmente defendem a liberdade religiosa, enquanto as de Gaza são mais restritivas. Os cristãos palestinos sofrem diariamente com o contínuo conflito Israel-Palestina. Sua etnicidade resulta em muitas restrições do lado israelense. Como todos os outros palestinos, os cristãos experimentam essas limitações diariamente, o que é um grande incentivo à emigração. A religião também os coloca na posição de minoria dentro da sociedade palestina de maioria muçulmana.

Existem três grupos principais de cristãos nos Territórios Palestinos, cada um enfrentando seus próprios problemas:

  • Entre as comunidades cristãs históricas, as maiores igrejas são a ortodoxa grega e a católica romana. Elas são registradas oficialmente e têm várias congregações na Cisjordânia e duas em Gaza. Em Gaza, alguns membros dessas igrejas são vulneráveis à conversão ao islã, pois se sentem presos e não conseguem se manter firmes diante das ameaças ou são conquistados ao receberem casas, esposas, empregos ou diplomas. Na Cisjordânia, eles têm liberdade de culto, desde que não evangelizem muçulmanos. As igrejas têm uma influência bem maior na sociedade do que se esperaria em vista de seu número. Tanto os ortodoxos como os católicos têm escolas cristãs, que também são frequentadas por muçulmanos. No entanto, as aulas de religião são dadas separadamente.
  • Os convertidos ao cristianismo são, em sua maioria, vindos do islamismo, mas os que mudam de denominação também são incluídos nessa categoria. Ambos enfrentam pressão da família para negar a nova fé. Quando mudam de uma igreja histórica para uma igreja protestante não tradicional, isso geralmente causa problema dentro da família. No entanto, os que se convertem do islamismo enfrentam a perseguição mais severa de todos os tipos. Na Cisjordânia, eles são ameaçados e pressionados. Em Gaza, a situação deles é tão perigosa que vivem a fé em segredo absoluto. Apesar disso, o número de cristãos ex-muçulmanos está crescendo aos poucos.
  • Há várias igrejas evangélicas na Cisjordânia e uma em Gaza. Líderes das comunidades cristãs históricas geralmente veem as igrejas evangélicas como uma ameaça ao seu rebanho.

Todos os grupos cristãos têm dificuldades para viajar e outras limitações impostas pelas autoridades israelenses. Os cristãos ex-muçulmanos carregam o peso da perseguição e é difícil para eles se associar às igrejas existentes. A influência do islamismo radical está crescendo e as igrejas históricas têm que ser diplomáticas em sua abordagem com muçulmanos. Líderes cristãos também são importunados por radicais judeus. Cristãos não afiliados às principais igrejas históricas remanescentes, algumas vezes, enfrentam oposição de igrejas maiores com relação à teologia e “roubo de ovelhas”.

O conflito Israel-Palestina causa muitos desafios para os cristãos nativos: a etnia resulta em muitas restrições do lado israelense e sua religião coloca-os em uma posição minoritária dentro da comunidade palestina. O partido Fatah no poder da Cisjordânia é formalmente baseado em princípios seculares (ou seja, "não islamistas").

Em Gaza, embora os cristãos sejam amplamente tolerados pelo Hamas, seus direitos não são garantidos. Nos últimos anos, os cristãos da Faixa de Gaza enfrentaram ameaças de grupos islâmicos radicais. A lei militar israelense é válida em partes da Cisjordânia, restringindo grandemente o movimento de todos os palestinos, incluindo os cristãos.

De acordo com as estatísticas do World Christian Database (WCD), a maioria dos habitantes dos Territórios Palestinos é formada por muçulmanos. Os cristãos são o segundo maior grupo religioso.

  • Cristãos nos Territórios Palestinos são uma minoria que está declinando rapidamente. Ore para que a igreja exerça seu papel de sal da terra e luz do mundo na região.
  • Interceda especialmente pelos cristãos isolados do norte da Faixa de Gaza, que são apoiados pela Portas Abertas com materiais, atividades para jovens e ministério de presença.
  • Clame pela paz e estabilidade em toda a região, pois a pressão cresceu por causa da instabilidade causada pela falta de progresso no conflito Israel-Palestina.

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