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República do Tajiquistão

República do Tajiquistão

  • Fonte de Perseguição: Paranoia ditatorial
  • Capital: Dushanbe
  • Região: Ásia Central
  • Lider: Emomali Rahmon
  • Governo: República presidencial
  • Religião: Islamismo
  • Idioma: Tajique, usbeque e russo
  • Pontuação: 65

POPULAÇÃO
MILHÕES

POPULAÇÃO CRISTÃ
MIL

O Tajiquistão continua a depender da Rússia, tanto do ponto de vista econômico como militar. Sem assistência russa, o Tajiquistão é vulnerável às invasões do Afeganistão. Se não houvesse a opção de se mudar para a Rússia como trabalhadores migrantes, muitas famílias tajiques teriam dinheiro para viver.

Como em outros países da Ásia Central, o governo do Tajiquistão assume cada vez mais um caráter ditatorial. Toda oposição política de verdade foi banida e o presidente conseguiu estabelecer algo como uma dinastia.

O governo tajique, sob o presidente Emomali Rahmon, aumentou o nível de vigilância das comunidades religiosas e estreitou a liberdade religiosa pela legislação. Por isso, o número de incidentes violentos aumentou bastante.

NOTAS SOBRE A SITUAÇÃO ATUAL

• A partir de 2011, o Tajiquistão começou a introduzir grandes restrições à liberdade de religião. Em agosto de 2011, foi implementada uma nova lei que proíbe as pessoas com menos de 18 anos de participarem de atividades religiosas públicas. Esse é um grande problema para as igrejas, já que mais de 50% de todos os cristãos estão nessa categoria. Outra lei, que data de julho de 2012, proíbe os cidadãos tajiques de ir para o exterior para receber educação religiosa, pregar, ensinar ou estabelecer vínculos com organizações religiosas estrangeiras.

• Em janeiro de 2016, a constituição do país foi alterada para que o presidente Emomali Rahmon pudesse estabelecer uma dinastia presidencial. Assim, Rahmon, um ex-chefe de fazendas cooperativas, de 64 anos, e que governou o Tajiquistão desde 1992, poderia se candidatar à reeleição por um período indeterminado.

• Durante o ano de 2015, a polícia do Tajiquistão raspou as barbas de quase 13 mil homens, fechou mais de 160 lojas que vendiam utensílios muçulmanos tradicionais e convenceu mais de 1.700 mulheres a parar de usar cachecol na tentativa de lutar contra "influências estrangeiras".

Tajiquistão

Tajiquistão

O Tajiquistão ganhou sua independência durante a dissolução da União Soviética em 9 de setembro de 1991 e caiu prontamente na guerra civil de 1992 a 1997 entre as forças da velha guarda e os islâmicos organizados como a Oposição Tajique Unida (UTO). Outros grupos armados que floresceram no caos simplesmente refletiram a quebra da autoridade central e não a lealdade a uma facção política. Em 1997, o governo tajique e o UTO negociaram com êxito um acordo de paz visando o compartilhamento do poder e o implementaram até o ano 2000.

Antes da derrubada do Talibã em 2001, a guerra civil no Afeganistão atingiu áreas fronteiriças e ameaçou desestabilizar a frágil e dura conquista do Tajiquistão. Em 1999 e 2000, o Movimento Islâmico do Uzbequistão utilizou o Tajiquistão como uma plataforma para ataques contra o governo uzbeque. Ao mesmo tempo, os avanços do Talibã no Norte do Afeganistão ameaçaram inundar o Tajiquistão com milhares de refugiados. Um fluxo constante de narcóticos ilegais do Afeganistão continua a transitar no Tajiquistão, a caminho dos mercados russo e europeu.

Em 2010, havia preocupações entre os funcionários tajiques de que a militância islâmica radical no Leste do país estava em ascensão. A luta contra militantes entrou em erupção novamente em julho de 2012, e novamente em 2015, quando a Rússia enviou tropas para ajudar. Atualmente, o governo está preocupado com o possível retorno de centenas de tajiques que foram ao exterior para lutar pelo Estado Islâmico e outros grupos extremistas.

SITUAÇÃO POLÍTICA E SOCIAL RECENTE

O Tajiquistão é uma república presidencial, pela qual o presidente é chefe de Estado e chefe de governo. O poder legislativo é investido tanto no poder executivo quanto nas duas câmaras do parlamento. Emomali Rahmon ocupa o cargo de presidente do Tajiquistão desde 1992. O presidente Rahmon obteve outro mandato de sete anos com mais de 80% dos votos após as eleições presidenciais realizadas no final de 2013. O parlamento é dominado pelo Partido Democrata Nacional do Tajiquistão, ao qual Rahmon faz parte. O único partido de oposição legal, e de cunho religioso, na Ásia Central pós-soviética, o Partido do Renascimento Islâmico do Tajiquistão (IRPT), foi banido em agosto de 2015.

Uma nova lei de religião foi estabelecida em agosto de 2011, proibindo todo o trabalho religioso com jovens cidadãos menores de 18 anos. Isso teve um enorme impacto na igreja, uma vez que se acredita que os jovens formam cerca de 50% de todos os cristãos. Em um discurso de 19 de março de 2015, o presidente Rahmon disse que seu país deve "se concentrar principalmente no desenvolvimento do secularismo e do pensamento nacional e secular". O secularismo visava o IRPT e os radicais islâmicos lutando tanto no Oriente Médio como na Ásia Central. Em janeiro de 2016, a constituição do país foi alterada para permitir que o presidente Rahmon estabelecesse uma dinastia presidencial.

O Tajiquistão é o país mais pobre de todos os ex-Estados da União Soviética, uma vez que não possui recursos naturais como minério, ouro, petróleo e gás. Trinta e cinco vírgula seis porcento da população tajique está vivendo abaixo da linha de pobreza. Oficialmente, apenas 2,5% da população tajique não tem emprego, mas o índice de desemprego atual é muito maior. Como a economia está subdesenvolvida, muitos tajiques são forçados a trabalhar no exterior. De acordo com um estudo do Banco Mundial, o Tajiquistão é o país que depende mais das remessas de trabalhadores migrantes em todo o mundo. O dinheiro que esses migrantes estão ganhando assegura que cerca de 60% da população possa pagar suas necessidades diárias básicas. Sem esse dinheiro, a economia do país quebraria. Há efeitos positivos: enquanto trabalham no exterior, os tajiques estão muito mais abertos ao alcance dos cristãos.

O Tajiquistão é um país que recebeu um alto índice de advertência no Índice de Estado Frágil do Fundo para a Paz de 2016. Isso se deve principalmente à falta de reformas econômicas, corrupção generalizada, má gestão econômica, escassez de energia sazonal e um enorme fardo da dívida externa.

O tráfico de drogas é a principal fonte ilegal de renda no Tajiquistão, pois é um importante país de trânsito para os narcóticos afegãos destinados a mercados russos e europeus. Algum ópio também é produzido localmente para o mercado doméstico.

O Tajiquistão é o único país da Ásia Central onde prevalece uma língua e cultura não turcas. O tajique (idioma) pertence ao mesmo grupo de línguas que o farsi (Irã) e o dari (Afeganistão), e a cultura tajique se assemelha muito à cultura de partes do Irã e Afeganistão também. Os tajiques não separam sua própria literatura da literatura geral persa, mas há uma diferença na escrita: o farsi usa letras árabes, enquanto o tajique usa o alfabeto cirílico (usado também para o russo).

Devido ao antigo sistema educacional soviético, praticamente todos os cidadãos tajiques são alfabetizados. Isso oferece excelentes oportunidades para a literatura cristã ser lida. Uma tradução da Bíblia tajique está disponível desde a década de 1990.

Os missionários nestorianos levaram o cristianismo aos tajiques durante o século 6 e o islamismo chegou cerca de um século depois. Os cristãos nestorianos (também conhecidos como a Igreja do Oriente) viveram lado a lado com os muçulmanos até que Timur Lenk (também conhecido por Tamar Lane) erradicasse o cristianismo do seu império no século 14.

O cristianismo voltou ao Tajiquistão no final do século 19, quando o Império Russo conquistou a região montanhosa. Entre 1864 e 1885, a Rússia gradualmente assumiu o controle de todo o território do Turquestão Russo, cuja parte do Tajiquistão foi controlada pelo emirado de Bukhara e Khanate de Kokand. Deve-se notar que apenas os governantes russos eram cristãos - não havia cristãos tajiques conhecidos na época.
Sob o governo de Josef Stalin, muitos russos, alemães, ucranianos, bielorrussos e poloneses que não eram considerados confiáveis foram enviados para o Tajiquistão na década de 1930. Isso significou um enorme crescimento no número de cristãos no Tajiquistão.

REDE ATUAL DE IGREJAS

As comunidades de cristãos expatriados são pequenas - consistem em russos, americanos, coreanos e outras nacionalidades. Muitos estão envolvidos em projetos comunitários que ajudam jovens, prisioneiros, dependentes químicos e mulheres em situações difíceis.

As comunidades cristãs históricas são de longe o maior grupo de cristãos - mais de 92% de todos os cristãos - no Tajiquistão. A maior denominação neste grupo é a Igreja Ortodoxa Russa. Outras denominações são a Igreja Católica Romana e a Igreja Luterana (principalmente alemã).

As comunidades de convertidos para o cristianismo são muito pequenas. Cristãos ex-muçulmanos experimentam uma grande pressão de familiares, amigos e comunidade. A Portas Abertas não possui estatísticas disponíveis sobre o número de convertidos. No entanto, de acordo com a Operação Mundo 2010, existem cerca de mil tajiques cristãos, enquanto o Departamento de Estado dos EUA observou em seu relatório de 2006 que existem cerca de 3 mil. A maioria deles agora congrega em igrejas protestantes não tradicionais, muitas delas sendo igrejas domésticas.

As comunidades cristãs não-tradicionais também são pequenas, mas são as mais ativas no alcance. Seu número aumentou nos últimos 25 anos por meio do evangelismo, tanto entre os cristãos existentes (a maioria) quanto entre a população muçulmana. No total, os cristãos nesta categoria são alguns milhares.

Não são permitidas atividades religiosas que não nas instituições estatais. A pressão das autoridades foi intensificada desde 2015. Houve mais invasões a cultos, e cristãos foram interrogados. É muito comum que os membros de qualquer igreja protestante sejam considerados seguidores de uma seita alienígena com apenas um objetivo, ou seja, espiar e destruir o sistema político atual. Nessa perspectiva, eles precisam não apenas ser controlados, mas, se necessário, até mesmo erradicados. Outra área de repressão envolve educação religiosa, independentemente da religião.

O Tajiquistão é o país da Ásia Central com a maior porcentagem de muçulmanos: De acordo com a World Christian Database (WCD) a população muçulmana é predominantemente sunita. No entanto, seria errado chamar o Tajiquistão de um país muçulmano. Setenta anos de ateísmo durante a era soviética deixaram uma influência profunda e o governo (os herdeiros de soviéticos ateus) é firmemente secular e mantém o islamismo sob controle rigoroso. O Tajiquistão é o único ex-Estado soviético com uma religião oficial.

A população apenas segue a cultura islâmica ao invés de ensinamentos islâmicos rigorosos. No entanto, o Tajiquistão teve experiência com grupos islâmicos radicais como o Movimento Islâmico do Uzbequistão (IMU) e o Hizb-ut-Tahrir. Centenas de tajiques se juntaram a esses grupos, além de sair para lutar pelo Estado Islâmico na Síria e no Iraque.

De acordo com a WCD, a segunda maior categoria religiosa no Tajiquistão é não religiosa/ateia. Eles vivem principalmente na capital e outras grandes cidades. Este é o resultado de 70 anos de ateísmo forçado pelo governo da União Soviética, entre 1917 a 1991.

Os cristãos são um grupo muito pequeno. A esmagadora maioria (72,51%) deles são ortodoxos russos (ou seja, russos étnicos) e 25,88% pertencem a comunidades cristãs não tradicionais. Como em muitos outros países da Ásia Central, o número de cristãos está diminuindo devido à emigração de russos. O aumento do número de convertidos para o cristianismo, que são cerca de 3 mil, não equilibra essa equação. Eles experimentam uma enorme pressão da família, dos amigos e da comunidade local para retornar à fé de seus antepassados, acreditando que um verdadeiro tajique só pode ser muçulmano.

Um dos principais problemas para os cristãos perseguidos no Tajiquistão (e os outros países da Ásia Central) é o fato de que há pouca cooperação e muita divisão entre as várias denominações. Infelizmente, há poucas exceções a isso. 

A maior parte da perseguição aos cristãos no Tajiquistão provém de funcionários do governo em vários níveis - que vão desde o governo central do país, que impõe legislação restritiva às autoridades locais e à polícia, que proíbe reuniões religiosas, prendem os cristãos e confiscam materiais religiosos. Outra fonte de perseguição vem do islamismo (família, amigos, comunidade e imãs locais) que se opõem aos cristãos que evangelizam entre os muçulmanos.

Em fevereiro de 2017, as autoridades iniciaram uma série de invasões em congregações cristãs na região norte de Sogd, confiscando hinários e outras publicações.

Em 10 de abril de 2017, a polícia secreta prendeu o pastor Bakhrom Kholmatov na cidade de Khujand. Ele permanece em custódia policial secreta, aparentemente sob investigação sobre acusações criminais de "extremismo".

Ainda em 2017, funcionários da capital Dushanbe fecharam duas escolas de enfermagem. Uma foi fechada depois que as autoridades encontraram um hinário cristão, a outra, aparentemente, porque empregava vários cristãos. 

•    Ore pelos governantes e autoridades do país, para que sejam cheios da sabedoria de Deus e governem com justiça.

•    Interceda por proteção aos cristãos do país e pelo crescimento da igreja tajique.

•    Coloque diante de Deus os extremistas muçulmanos que perseguem os cristãos. Peça ao Senhor que derrame sua misericórdia e seu perdão sobre eles.

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