República do Sudão

República do Sudão

  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica
  • Capital: Cartum
  • Região: África Subsaariana
  • Líder: Omar Hassan Ahmad al-Bashir
  • Governo: República presidencial
  • Religião: Muçulmanos sunitas
  • Idioma: Árabe (oficial), inglês (oficial), núbio, bedawie, fur
  • Pontuação: 87

POPULAÇÃO
MILHÕES

POPULAÇÃO CRISTÃ
MILHÃO

O período de análise da Lista Mundial da Perseguição 2019 (1 de novembro de 2017 e 31 de outubro de 2018) foi difícil no Sudão de diversas formas: primeiro porque cristãos estão perdendo igrejas que usaram durante anos. Além disso, eles têm encontrado dificuldades para construir novas igrejas, sendo que o maior obstáculo são os escritórios do governo, responsáveis por emitir a permissão necessária. Segundo porque o governo tem prendido e intimidado muitos líderes cristãos.

O Sudão se tornou um país onde cristãos enfrentam sérias restrições individuais e coletivas. Na Lista Mundial da Perseguição 2019, o país está colocado em 6º, com uma pontuação de 87, a mesma dos anos anteriores. O país intensificou a demolição de igrejas e prisão de cristãos. Esse é um dos resultados que provém da aplicação total da sharia (conjunto de leis islâmicas), que o presidente al-Bashir votou para implementar, após a separação do Sudão do Sul.
 

“Depois de enfrentar muita coisa, anciãos da igreja me disseram ‘Deus te enviou essa “pequena” ajuda’. Eles me deram algo para comer e ajudaram a cultivar a terra. Eu agradeço por ajudarem as viúvas. E agradeço a Deus.”
AMIRA JUMA

 

Os islâmicos e o governo ditatorial também continuam sua política de perseguir cristãos na região de Nuba. Pastores cristãos foram presos e julgados, mas depois soltos após pressão intensa da comunidade internacional.

Em 2018, alguns fatos marcaram a igreja no Sudão. Entre eles está a liberação de um carregamento de Bíblias que estava apreendido no porto há quase 6 anos. Outra notícia de impacto foi a devolução de 19 propriedades para a Igreja de Cristo Sudanesa (SCOC, da sigla em inglês), após anos de disputa judicial.

Forças de segurança estão prendendo, perseguindo e intimidando cristãos e demolindo igrejas. Grupos organizados religiosos e violentos, como as milícias, são responsáveis por mortes e destruição de propriedades de cristãos em todo o país.

A perseguição aos cristãos no Sudão não é uma simples violação da liberdade de religião. É sistemática e remanescente de uma política de limpeza étnica. A perseguição não é uma coleção de incidentes isolados, mas um padrão. Desde 1993, o Sudão está presente na Lista Mundial da Perseguição e, na maioria das vezes, entre as 20 primeiras posições do ranking.

Sob o governo de al-Bashir, não existe Estado de Direito no Sudão. Leis restringem a imprensa e a mídia, assim como a liberdade de expressão dos cidadãos. Historicamente, o islã tem raízes profundas na sociedade sudanesa, e o governo está implementando estritamente a política de uma única religião, cultura e idioma.

Há rumores de que o governo dos Estados Unidos planeja remover o Sudão da lista de “estados patrocinadores do terrorismo”. O Sudão foi classificado pela primeira vez como patrocinador do terrorismo em 12 de agosto de 1993, por conhecidamente abrigar terroristas nacionais e internacionais e por permitir que o país seja usado como ponto de trânsito para armas e terroristas.

Os cristãos – tanto ex-muçulmanos como imigrantes e históricos – enfrentam forte perseguição da sociedade. Esse nível de pressão aumentou muito em relação ao último ano, o que fez o Sudão subir pontos na Lista, resultado de um governo que prende, assedia, intimida e expulsa cristãos e dificulta a construção e permanência de igrejas.

Os cristãos têm de enfrentar estigma e discriminação profundos. Além disso, são obrigados a aceitar um currículo escolar baseado na ideologia islâmica, destinada a fortalecer a política de islamização e arabização vinda do governo.

Os cristãos, em especial os convertidos, têm de lidar com sérios problemas legais. A constituição oferece alguma liberdade religiosa, mas, na prática, esses aspectos da liberdade religiosa são arbitrariamente abusados. O Amplo Acordo de Paz, conhecido como Naivasha, de janeiro de 2005, estabeleceu alguma proteção para os não muçulmanos no Norte do país, embora a apostasia ainda seja punível com a morte.
 

Desde que o país se tornou independente da Grã-Bretanha, em 1956, o Sudão sofreu conflitos violentos, persistentes e recorrentes, principalmente impulsionados pelas lutas entre o governo central em Cartum e grupos armados das periferias do país. Cercado pelo Egito, Líbia, Chade, República Centro-Africana, Sudão do Sul, Etiópia, Eritreia e o Mar Vermelho, o país nunca esteve fora do centro das atenções, devido às guerras e conflitos que o cercam por décadas.

As estruturas de poder tradicionais do Sudão são dominadas por um regime islâmico, liderado pelo presidente Omar al-Bashir, que chegou ao poder em um golpe em 1989. Na verdade, o Sudão atual é visto como vergonhoso pela comunidade internacional, por financiar o terrorismo, cometer atrocidades e enfraquecer fundamentalmente a liberdade de religião.

O governo vem lutando contra diferentes grupos rebeldes em Darfur e outras partes do país. Em lugares como as Montanhas Nuba, o governo usa ataques de grupos antigovernamentais como pretexto para atacar indiscriminadamente civis e um número significativo deles é cristão.
 

GUERRA DE SECESSÃO

A política sudanesa tem sido sempre um ponto de disputa. O governo nunca esteve à vontade com a comunidade internacional nem com o próprio povo. Esse foi em particular o caso com grupos no país e que levou à independência do Sudão do Sul.

A secessão, em janeiro de 2011, foi o culminar de uma história dolorosa e de uma década de conflito interno entre os poderosos árabes muçulmanos do Norte e os africanos negros cristãos e nativos do Sul.

A maioria esmagadora dos eleitores apoiou a independência do Sul. No entanto, apesar dessa separação, os conflitos armados sobre a diminuição dos recursos e posições de poder político (aspectos típicos da situação pós-independência do Sudão) persistiram.

A secessão do Sudão do Sul causou uma divisória na história econômica do Sudão. O Sudão perdeu cerca de 80% de seus recursos agrícolas e hídricos; 75% das reservas de petróleo; 90% das exportações totais; e 50% das receitas do governo.

Após a perda de petróleo e população, o crescimento econômico contraiu 4,4% em 2012. Mesmo tendo concluído um acordo com o Sudão do Sul que abrange a exportação de petróleo do Sudão do Sul, bem como 3,3 bilhões de dólares de “ajuda de transição” pagos pelo Sudão do Sul, o presidente Omar al-Bashir anunciou uma série de cortes orçamentais profundos em junho de 2012 para controlar um crescente déficit fiscal.

Além disso, o Banco Mundial estimou que o Sudão recuou na categoria de países de baixa renda, com 47% da população do Sudão vivendo abaixo da linha da pobreza. Em 2018, o país viu uma série de protestos sobre a pobre situação econômica. Essa crise pode forçar o governo do Sudão a resolver seus problemas com o Sudão do Sul, para obter pagamento por deixar os sudaneses do sul usarem seus dutos de petróleo.
 

SISTEMA POLÍTICO

Embora as causas profundas dos conflitos permaneçam constantes – marginalização política, desapropriação de terras e promessas não implementadas – as dinâmicas étnicas nas diversas regiões do Sudão e Sudão do Sul continuaram mudando.

Por exemplo, em Abyei (uma província reivindicada pelo Sudão e Sudão do Sul), os árabes da tribo Misserya (governo dos principais apoiadores locais do Sudão) ficaram cada vez mais frustrados com Cartum, enquanto a tribo Ngok Dinka (que tem apoio do governo do Sudão do Sul) tornou-se forte.

O sistema político do Sudão se baseia na descentralização da governança e política multipartidária, mas o presidente al-Bashir e seu Partido Islâmico do Congresso Nacional dominam o poder real. A independência do Sudão do Sul, que sinalizou o fim do Governo de Unidade Nacional e a retirada dos representantes do parlamento, reforçou ainda mais o domínio do partido do presidente.

Ao mesmo tempo, o Amplo Acordo de Paz não conseguiu resolver o problema da marginalização das regiões periféricas do Sudão, em particular as chamadas “três áreas”, que consistem em Abyei, Kordofan do Sul e Nilo Azul.

Localizadas estrategicamente ao longo da volátil fronteira Norte-Sul do Sudão e que possuem consideráveis recursos naturais, incluindo petróleo, essas três áreas foram contestadas; resolver questões relacionadas a elas é considerado crítico para a estabilidade dos dois países.

O cristianismo foi muito influente no Sudão a partir do século 4. Durante quase um milênio, a maioria da população era cristã. Os cristãos sofreram quando os árabes levaram o islã – especialmente ao Norte do país – e aos poucos islamizaram a região ao longo do século 15. No entanto, as igrejas grega ortodoxa e etíope ortodoxa sobreviveram.

Após os britânicos derrotarem o autoproclamado Mahdi islâmico (mahdi significa “o guiado”) e seus apoiadores, em 1898, muitos grupos cristãos entraram no país. Os católicos romanos, os anglicanos por meio da Igreja Missionária e os presbiterianos norte-americanos também vieram de sua base no Egito.

A Missão Unida do Sudão, a Missão do Interior Africano e a Missão Interior do Sudão vieram em seguida. Várias igrejas iniciadas na própria África também se estabeleceram no país. Muitos missionários foram do Sudão do Sul para Cartum.
 

COMPOSIÇÃO RELIGIOSA

A composição religiosa do Sudão é outro ponto controverso. De acordo com o World Christian Database (WCD), estima-se que a população cristã é de 4,6% e a maioria muçulmana de 91,6%. As principais denominações são a Igreja Católica Romana, a Igreja Copta Ortodoxa, a Igreja Episcopal do Sudão e a Igreja do Mosteiro do Sudão.

Porém, não há consenso sobre as estatísticas do número de cristãos no país. Mais do que os números do WCD acima mencionados, o Departamento de Estado dos Estados Unidos e alguns grupos de defesa estimam o número de não muçulmanos em 15% a 20%, dos quais os cristãos compõem a maioria.

O Ministério da Cultura e da Informação do Sudão estima que os cristãos constituam apenas 3% da população e que residam principalmente em Cartum, no Norte e nas Montanhas Nuba.

De acordo com o governo, 97% da população é muçulmana. Quase todos os muçulmanos são sunitas, mas existem distinções significativas, particularmente entre os chamados sufis. Além disso, existem pequenas minorias muçulmanas, incluindo xiitas e os irmãos republicanos, com base predominantemente em Cartum e uma porcentagem crescente, ainda que pequena, de salafistas.

As várias denominações protestantes estão presentes principalmente em Cartum, Porto Sudão, Kassala, Gedaref, El Obeid, El Fashe e algumas partes das Montanhas Nuba.

O Sudão é administrado por um regime autoritário desde que al-Bashir chegou ao poder por meio de um golpe em 1989. A influência do governo na vida privada e pública é enorme. A esmagadora maioria da população do país é muçulmana sunita.

A elite do Sudão tem o objetivo de reforçar um regime islâmico no país. A apostasia é criminalizada, punível com pena de morte. As leis de blasfêmia estão sendo usadas em todo o país para processar os cristãos. O regime ditatorial e a opressão islâmica são os motores que sustentam a dinâmica da perseguição religiosa no Sudão.

A situação global de perseguição contra os cristãos vem piorando desde a independência do Sudão do Sul – predominantemente cristão –, pois o governo do Sudão está fazendo progressos na implementação de sua política de uma religião, uma cultura e uma língua.

Na esfera de nação, os cristãos são considerados cidadãos de segunda classe. Embora o Artigo 38 da constituição provisória garanta a liberdade de religião, o partido no poder acredita que o país pertença aos muçulmanos. Cristãos ex-muçulmanos enfrentam a pior forma de perseguição em todas as esferas da vida, sendo discriminados, pressionados a voltar à antiga fé, processados e presos. 

Dentro da maioria muçulmana, o principal grupo salafista tradicional, Ansar al-Sunna, defende meios pacíficos para alcançar seus objetivos. No entanto, os grupos radicais mais recentes tendem a ser mais militantes e confrontativos.

Eles são suspeitos de atacar um santuário sufi em Cartum, em 2 de dezembro de 2011, celebrações religiosas xiitas em Omdurman, em 31 de janeiro de 2012, e uma igreja anglicana em Cartum, em 21 de abril de 2012.

O Sudão foi designado, por mais de uma década, pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos como um país de particular preocupação por suas violações graves e sistemáticas da liberdade religiosa. A liberdade religiosa, embora garantida pela Constituição Provisória de 2005, não é mantida na prática.

Além disso, o direito penal do Sudão, baseado na lei islâmica, que permite o uso de amputações e flagelações por crimes e atos de “indecência” e “imoralidade”, foi aplicado indiscriminadamente, em especial contra os cristãos nativos africanos. O governo continuamente prende cristãos por proselitismo e apostasia. O país também começou um programa para demolição de igrejas.
 

CULTURA E SOCIEDADE

A paisagem étnico-cultural do país também é complicada: árabe versus étnico-africano, muçulmano versus cristão. A separação do Sudão do Sul, em 2011, não resolveu esses problemas, apenas aumentou a influência do islamismo radical de várias formas. Isso é real para os africanos étnicos, porque um número significativo é de cristãos e eles ainda vivem no país.

Todas as comunidades cristãs no Sudão temem ter conversas sobre a fé com os muçulmanos sudaneses, pois isso pode ser interpretado como um "ato que encoraja a apostasia contra o islã".

Houve prisões com acusações de espionagem; muitas igrejas foram demolidas e outras estão na lista oficial em espera de demolição; muitos cristãos são atacados em áreas como as Montanhas Nuba, onde há um conflito contínuo entre forças governamentais e grupos rebeldes.

Para que não sejam descobertos, os novos convertidos, muitas vezes, se abstêm de criar os filhos como cristãos porque isso pode atrair a atenção do governo e dos líderes comunitários, uma vez que as crianças podem revelar a fé de seus pais.

Esse medo ainda se estende aos funerais, quando morre um cristão ex-muçulmano, ele é enterrado de acordo com os ritos islâmicos em cemitérios muçulmanos, embora os cemitérios cristãos e muçulmanos sejam separados.

O governo fechou igrejas. Os cristãos ex-muçulmanos estão em risco, uma vez que a lei castiga oficialmente a conversão do islã à outra religião com morte. Eles geralmente se abstêm de possuir materiais cristãos ou acessar canais de TV e até sites cristãos, porque se alguém descobrir, poderá usar como evidência contra eles.

As crianças cristãs são muitas vezes assediadas na escola ou nos parques infantis devido à fé dos pais. Um nível extremo de violência contra os cristãos é real.

Embora tenha sido difícil obter detalhes exatos sobre o número de cristãos executados, é fato que os cristãos estão sendo atacados. No período de análise da Lista Mundial da Perseguição 2019, mais de 40 cristãos foram presos e alguns multados.  

A perseguição de cristãos no Sudão não é uma simples violação de liberdade religiosa. Há um padrão que mostra que a política do governo é dirigida pelo sentimento anticristão. A perseguição não é uma coleção de incidentes isolados, mas sim um padrão.

  • Em 2018, a igreja em Cartum continuou enfrentando pressão severa na forma de igrejas demolidas, confiscos de propriedades e interferências na administração que levou a processos judiciais. Agradeça ao Senhor pela atenção internacional a esses casos, que trouxeram justiça em pelo menos alguns dos casos.
  • Ore por sabedoria e coragem para líderes da igreja, enquanto interagem com o governo e suas agências. Peça que tenham a graça de balancear o mandamento do Senhor para fazerem discípulos com respeito às autoridades humanas.
  • Clame pela proteção do Senhor sobre o crescimento da comunidade de cristãos ex-muçulmanos. Eles são perseguidos severamente enquanto falta discipulado adequado. Esses cristãos também estão entre os mais pobres dos pobres. Ore para que a igreja seja bem equipada para cuidar desses novos cristãos em todos os aspectos de suas jornadas.

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