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República do Sudão

República do Sudão

  • Fonte de Perseguição: Opressão islâmica
  • Capital: Cartum
  • Região: África Subsaariana
  • Lider: Umar Hassan Ahmad Al-Bashir
  • Governo: República
  • Religião: Islamismo
  • Idioma: Árabe, inglês (oficial)
  • Pontuação: 87

POPULAÇÃO
MILHÕES

POPULAÇÃO CRISTÃ
MILHÃO

A perseguição aos cristãos no Sudão não é uma simples violação da liberdade de religião. É sistemática e remanescente de uma política de limpeza étnica. A perseguição não é uma coleção de incidentes isolados, mas um padrão. Desde 1993, o Sudão está presente na Lista Mundial da Perseguição e, na maioria das vezes, entre as 20 primeiras posições do relatório.

Sob o governo de Al-Bashir, não existe Estado de Direito no Sudão. Leis restringem a imprensa e a mídia, assim como a liberdade de expressão dos cidadãos. Historicamente, o islã tem raízes profundas na sociedade sudanesa, e o governo está implementando estritamente a política de uma única religião, cultura e idioma. 

O panorama étnico-cultural é complicado: árabes versus grupos étnicos africanos; mulçumanos versus cristãos. A separação do Sudão do Sul, em 2011, não resolveu os problemas. Isso se aplica em especial aos grupos étnicos da África, já que um número significativo deles é cristão e ainda vive no país. 

Os cristãos – tanto ex-muçulmanos como imigrantes e históricos – enfrentam forte perseguição da sociedade. Esse nível de pressão aumentou muito em relação ao último ano, o que fez o Sudão subir pontos na Lista, resultado de um governo que prende, assedia, intimida e expulsa cristãos e dificulta a construção e permanência de igrejas. 

Em abril de 2015, o Partido Islâmico do Congresso Nacional (NCP) ganhou mais de 90% dos votos em uma eleição realizada com baixa participação popular. Estima-se que apenas de 30% a 35% dos eleitores registrados emitiram seus votos. Isso indica duas coisas: primeiro, a apatia dos eleitores mostra que as pessoas perderam a confiança no governo; em segundo lugar, mostra que o partido no poder continuará a governar o país sem apoio popular por mais alguns anos. 

Isso indica que os cristãos no país continuarão a enfrentar sérios desafios: em 2016, o governo do Sudão prendeu e processou muitos cristãos, e continuou em 2017, com muitos cristãos sendo presos e várias igrejas sendo demolidas pelo Estado.

NOTA SOBRE A SITUAÇÃO ATUAL

•    Os cristãos têm de enfrentar o estigma e a discriminação profundos.

•    Os cristãos são obrigados a aceitar um currículo escolar baseado na ideologia islâmica destinada a fortalecer a política de islamização e arabização vinda do governo.

•    As igrejas estão sendo demolidas (muitas em 2017), e os cristãos não têm lugares suficientes para a adoração.

•    Os líderes cristãos têm sido presos sob acusações falsas (também em 2017).

•    Os cristãos, em especial os convertidos, têm de lidar com problemas “legais” sérios. A Constituição oferece alguma liberdade religiosa, mas, na prática, esses aspectos da liberdade religiosa são arbitrariamente abusados. O Amplo Acordo de Paz, conhecido como Naivasha, de janeiro de 2005, estabeleceu alguma proteção para os não-muçulmanos no Norte do país, embora a apostasia ainda seja punível com a morte.

Sudão

Desde que o país se tornou independente da Grã-Bretanha, em 1956, o Sudão sofreu conflitos violentos, persistentes e recorrentes, principalmente impulsionados pelas lutas entre o governo central em Cartum e grupos armados das periferias do país. 

As estruturas de poder tradicionais do Sudão são dominadas por um regime islâmico, liderado pelo presidente Umar Al-Bashir, que chegou ao poder em um golpe em 1989. 

O Sudão atual é visto como vergonhoso pela comunidade internacional por financiar o terrorismo, cometer atrocidades e enfraquecer fundamentalmente a liberdade de religião. 

O governo vem lutando contra diferentes grupos rebeldes em Darfur e outras partes do país. Em lugares como as montanhas Nuba, o governo usa ataques de grupos antigovernamentais como pretexto para atacar indiscriminadamente civis, e um número significativo deles são cristãos.

A política sudanesa tem sido sempre um ponto de disputa. O governo nunca esteve à vontade com a comunidade internacional nem com o próprio povo. Esse foi em particular o caso com grupos no país e que levou à independência do Sudão do Sul.

A secessão do Sudão do Sul, em janeiro de 2011, foi o culminar de uma história dolorosa e de uma década de conflito interno entre os poderosos árabes muçulmanos no Norte e os africanos negros cristãos e nativos do Sul.

A maioria esmagadora dos eleitores apoiou a independência do Sul. No entanto, apesar dessa separação, os conflitos armados sobre a diminuição dos recursos e posições de poder político (aspectos típicos da situação pós-independência do Sudão) persistiram.

A secessão do Sudão do Sul causou uma divisória na história econômica do Sudão. O Sudão perdeu cerca de: 80% de seus recursos agrícolas e hídricos; 75% das reservas de petróleo; 90% das exportações totais; e 50% das receitas do governo. 

Após a perda de petróleo e população, o crescimento econômico contraiu 4,4% em 2012. Mesmo tendo concluído um acordo com o Sudão do Sul que abrange a exportação de petróleo do Sudão do Sul, bem como 3,03 bilhões de dólares de “ajuda de transição” pago pelo Sudão do Sul, o presidente Umar Al-Bashir anunciou uma série de cortes orçamentais profundos em junho de 2012 para controlar um crescente déficit fiscal.

Além disso, o Banco Mundial estimou que o Sudão recuou na categoria de países de baixa renda, com 47% da população do Sudão vivendo abaixo da linha de pobreza.
Embora as causas profundas dos conflitos permaneçam constantes – marginalização política, desapropriação de terras e promessas não implementadas – as dinâmicas étnicas nas diversas regiões do Sudão e Sudão do Sul continuaram mudando.

Por exemplo, em Abyei (uma província reivindicada pelo Sudão e Sudão do Sul), os árabes da tribo Misserya (governo dos principais apoiadores locais do Sudão) ficaram cada vez mais frustrados com Cartum, enquanto a tribo Ngok Dinka (que tem apoio do governo do Sudão do Sul) tornou-se forte. 

O sistema político do Sudão se baseia em um sistema descentralizado de governança e política multipartidária, mas o presidente Al-Bashir e seu Partido Islâmico do Congresso Nacional dominam o poder real. A independência do Sudão do Sul, que sinalizou o fim do Governo de Unidade Nacional e a retirada dos representantes do parlamento, reforçou ainda mais o domínio do partido do presidente Al-Bashir.

Ao mesmo tempo, o Amplo Acordo de Paz não conseguiu resolver o problema da marginalização das regiões periféricas do Sudão, em particular as chamadas “três áreas”, que consistem em Abyei, Kordofan do Sul e Nilo Azul.

Localizados estrategicamente ao longo da volátil fronteira Norte-Sul do Sudão e que possuem consideráveis recursos naturais, incluindo petróleo, essas três áreas foram contestadas; resolver questões relacionadas a elas é considerado crítico para a estabilidade dos dois países. 

Dominada por duas tribos principais, Abyei, em particular, teve um enorme significado para a política doméstica de Sudão e Sudão do Sul. A tribo de Ngok Dinka, um subconjunto do maior grupo étnico do Sudão do Sul, viveu tradicionalmente em Abyei e tem uma forte representação tanto no Movimento de Libertação do Povo do Sudão (SPLA) quanto no Movimento de Libertação do Povo Sudanês (SPLM).

Durante os anos de guerra civil, essa tribo – que tem uma população cristã em grande parte africana – foi deslocada. Ao mesmo tempo, a Misserya, uma tribo nômade muçulmana, em grande parte árabe, que migra pela região para pastagem do gado, forma um importante círculo eleitoral do NCP e lutou contra o Ngok Dinka durante a guerra civil.

O cristianismo foi muito influente no Sudão a partir do século 4. Durante quase um milênio, a maioria da população era cristã. Os cristãos sofreram quando os árabes levaram o islã – especialmente o Norte do país – e aos poucos islamizaram a região ao longo do século 15. No entanto, as igrejas grega ortodoxa e etíope ortodoxa sobreviveram. 

Após os britânicos derrotarem o autoproclamado Mahdi islâmico (mahdi significa “o guiado”) e seus apoiadores, em 1898, muitos grupos cristãos entraram no país. Os católicos romanos, os anglicanos por meio da Igreja Missionária e os presbiterianos norte-americanos também vieram de sua base no Egito.

A Missão Unida do Sudão, a Missão do Interior Africano e a Missão Interior do Sudão vieram em seguia. Várias igrejas iniciadas na própria África também se estabeleceram no país.

REDE ATUAL DE IGREJAS

De acordo com a World Christian Database (WCD), as principais denominações são a Igreja Católica Romana, a Igreja Copta Ortodoxa, a Igreja Episcopal do Sudão e a Igreja do Mosteiro do Sudão.

Não há consenso sobre as estatísticas do número de cristãos no país. Mais do que os números da WCD acima mencionados, o Departamento de Estado dos Estados Unidos e alguns grupos de defesa estimam o número de não-muçulmanos em 15% a 20%, dos quais os cristãos compõem a maioria.

O Ministério da Cultura e da Informação do Sudão estima que os cristãos constituam apenas 3% da população e que residam principalmente em Cartum, no Norte e nas Montanhas Nuba. 

De acordo com a mesma fonte, 97% da população são muçulmanos. Quase todos os muçulmanos são sunitas, mas existem distinções significativas, particularmente entre os chamados sufis. Além disso, existem pequenas minorias muçulmanas, incluindo xiitas e os irmãos republicanos, com base predominantemente em Cartum e uma porcentagem crescente, ainda que pequena, de salafistas.

As várias denominações protestantes estão presentes principalmente em Cartum, Port Sudan, Kassala, Gedaref, El Obeid, El Fashe e algumas partes das Montanhas Nuba.

O Sudão é administrado por um regime autoritário desde que Al-Bashir chegou ao poder por meio de um golpe em 1989. A influência do governo na vida privada e pública é enorme. A esmagadora maioria da população do país é muçulmana sunita.

A elite do Sudão tem o objetivo de reforçar um regime islâmico no país. A apostasia é criminalizada, punível com pena de morte. As leis de blasfêmia estão sendo usadas em todo o país para processar os cristãos. O regime ditatorial e a opressão islâmica são os motores que sustentam a dinâmica da perseguição religiosa no Sudão.

A situação global de perseguição contra os cristãos vem piorando desde a independência do Sudão do Sul – predominantemente cristão –, pois o governo do Sudão está fazendo progressos na implementação de sua política de uma religião, uma cultura e uma língua.

Na esfera de nação, os cristãos são considerados cidadãos de segunda classe. Embora o Artigo 38 da Constituição Provisória garanta a liberdade de religião, o partido no poder acredita que o país pertença aos muçulmanos.

A violência é extrema: em 2016 houve inúmeras prisões, ataques a igrejas e assassinatos de cristãos, sobretudo nas Montanhas Nuba. Cristãos de origem muçulmana enfrentam a pior forma de perseguição em todas as esferas da vida, sendo discriminados, pressionados a voltar à antiga fé, processados e presos.  

Dentro da maioria muçulmana, o principal grupo salafista tradicional, Jama’at Ansar al-Sunna al-Mohammediya, defende meios pacíficos para alcançar seus objetivos. No entanto, os grupos radicais mais recentes tendem a ser mais militantes e confrontativos.

Eles são suspeitos de atacar um santuário sufi em Cartum, em 2 de dezembro de 2011, celebrações religiosas xiitas em Omdurman, em 31 de janeiro de 2012, e uma igreja anglicana em Cartum, em 21 de abril de 2012. 

O Sudão foi designado por mais de uma década pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos como um país de particular preocupação por suas violações graves e sistemáticas da liberdade religiosa. A liberdade religiosa, embora garantida pela constituição provisória de 2005, não é mantida na prática.

Além disso, o direito penal do Sudão, baseado na lei islâmica que permite o uso de amputações e flagelações por crimes e atos de “indecência” e “imoralidade”, foi aplicado indiscriminadamente, em especial contra os cristãos nativos africanos. 

Especialmente nos últimos anos, os cristãos têm perdido suas igrejas, onde costumavam se reunir e adorar durante muito tempo. O governo prendeu ou intimidou muitos líderes cristãos. Pelo menos em uma ocasião, o governo exerceu uma enorme pressão sobre um comitê eleito pela igreja para entregar a liderança a uma comissão que o governo "apoia".

A paisagem étnico-cultural do país também é complicada: árabe versus étnico-africano, muçulmano versus cristão. A separação do Sudão do Sul, em 2011, não resolveu esses problemas. Isto é real para os africanos étnicos, porque um número significativo é de cristãos e eles ainda vivem no país.

Todas as comunidades cristãs no Sudão temem ter conversas sobre a fé com os muçulmanos sudaneses, pois isso pode ser interpretado como um "ato que encoraja a apostasia contra o islã".

Houve prisões com acusações de espionagem; muitas igrejas foram demolidas e outras estão na lista oficial em espera de demolição; muitos cristãos são atacados em áreas como as Montanhas Nuba, onde há um conflito contínuo entre forças governamentais e grupos rebeldes.

Para que não sejam descobertos, os novos convertidos muitas vezes se abstêm de criar os filhos como cristãos porque isso pode atrair a atenção do governo e dos líderes comunitários (uma vez que as crianças podem revelar a fé de seus pais).

Esse medo ainda se estende aos funerais, quando morre um cristão ex-muçulmano, ele é enterrado de acordo com os ritos islâmicos em cemitérios muçulmanos, embora os cemitérios cristãos e muçulmanos sejam separados.

O governo fechou mais de 20 igrejas. Os cristãos ex-muçulmanos estão em risco, uma vez que a lei castiga oficialmente a conversão do islã à outra religião com morte. Eles geralmente se abstêm de possuir materiais cristãos ou acessar canais de TV e até sites cristãos.

Porque se alguém descobrir, poderá usar como evidência contra eles. As crianças cristãs são muitas vezes assediadas na escola ou nos parques infantis devido à fé dos pais. Um nível extremo de violência contra os cristãos é real.

Embora tenha sido difícil obter detalhes exatos sobre o número de cristãos executados, é fato que os cristãos estão sendo atacados. De novembro de 2016 a outubro de 2017, mais de 20 cristãos e líderes cristãos foram presos e pelo menos 3 cristãos foram mortos. Pastores estão sendo processados por falarem contra a perseguição no país.

•    Cristãos enfrentam intensa opressão e perseguição. Ore por proteção e oportunidades de comunhão com outros cristãos. Ore também para que os líderes da igreja se mantenham firmes em meio à pressão exercida sobre suas igrejas tanto pelo governo quanto por extremistas islâmicos.
•    A sharia (lei islâmica) é a base do sistema jurídico do Sudão. O governo frequentemente prende, assedia e expulsa os cristãos. Peça a Deus que o governo sudanês se torne mais receptivo ao cristianismo e que permita a liberdade de religião.
•    O governo do Sudão é um dos regimes mais ditatoriais da África. Interceda pelos líderes sudaneses, para que o Espírito Santo mude seus corações e os use para trazer justiça e paz ao país.

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