República Árabe da Síria

República Árabe da Síria

  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica
  • Capital: Damasco
  • Região: Oriente Médio
  • Líder: Bashar al-Assad
  • Governo: República
  • Religião: Islamismo, cristianismo
  • Idioma: Árabe, curdo, armênio, aramaico
  • Pontuação: 82

POPULAÇÃO
MILHÕES

POPULAÇÃO CRISTÃ
MIL

A Síria é considerada protagonista da “maior crise de deslocados no mundo”, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Mais de metade da população síria antes da guerra – 22 milhões – deixaram suas casas. Segundo a ONG Observatório Sírio de Direitos Humanos, 511 mil pessoas já morreram. A ONU calcula que 5,6 milhões de pessoas deixaram a Síria, se refugiando em outros países, e mais de 6 milhões foram deslocadas internamente pela violência.

Ocupando a 11ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2019, a Síria que foi a 15ª colocada em 2018, subiu quatro posições em função dos incidentes violentos. Outro fator foi a dificuldade de receber informações confirmadas de um país no caos da guerra civil.


“Tudo acontece por uma razão e acredito que tudo esteja acontecendo como uma mensagem de Deus para nós. É por isso que amo a história de Jó, que fala sobre paciência, sobre crer em Deus incondicionalmente. Nós sírios somos fortes, nunca desistimos.”
MERNA ASHDI, JOVEM CRISTÃ DE ALEPPO, NA SÍRIA
 

A guerra, que começou como uma revolta popular em 2011, tem raízes mais profundas e complicadas do que costuma ser noticiado, e incluem o conflito de classes, as divisões rurais contra as urbanas e a liberdade política reprimida. Isso explica, em parte, porque o conflito evoluiu com rapidez para um conflito sectário extremamente violento que já dura oito anos.

O componente religioso do conflito é primariamente entre sunitas e alauitas. No entanto, muitos sunitas em áreas controladas pelo governo apoiam o regime de Assad a fim de se proteger da violência de grupos religiosos. Com o influxo de combatentes estrangeiros, a oposição se tornou “islamizada” e a guerra civil tomou a forma de um jihad contra o governo sírio. No conflito, todos os sírios estão sofrendo, mas alguns grupos estão em posição mais vulnerável que outros.

Uma das principais características da população cristã da Síria é a combinação de sua identidade étnica e religiosa. Os cristãos sírios estão concentrados em áreas estratégicas do país, que são vitais tanto para o governo quanto para a oposição, como as cidades de Aleppo, Damasco, Homs e seus arredores. A concentração geográfica de cristãos em áreas estratégicas é um fator importante em sua vulnerabilidade, assim como seu apoio ao governo.
 

Até 1920, a Síria fazia parte do Império Otomano. Após a sua dissolução, a Liga das Nações deu à França um mandato sobre a Síria. Em 1946, foi concedida a independência da Síria, mas o país precisava de estabilidade política e enfrentou vários golpes militares. Em 1958, a Síria uniu-se ao Egito para formar a República Árabe Unida. Os dois países se separaram três anos e meio depois e a República Árabe da Síria foi restabelecida.

A Síria perdeu a região de Golan Heights para Israel, durante a Guerra de Seis Dias ou Guerra Árabe-Israelense de 1967. A estabilidade política ocorreu quando Hafiz al-Assad, do partido socialista Baath, assumiu o poder em 1970 e governou como presidente até sua morte em 2000. Seu filho, Bashar al-Assad, foi então nomeado presidente pelo referendo popular, e novamente para um segundo mandato em 2007.

Os principais fatores que desencadearam os protestos antigoverno em março de 2011 foram: as reviravoltas de levantamentos da Primavera Árabe ocorrendo em outros lugares da região; o descontentamento social com uma economia fraca e corrupção governamental e a repressão violenta das demandas de reformas políticas. No entanto, as raízes do conflito são mais complexas e incluem conflitos de classe, divisões rurais/urbanas e liberdade política reprimida.

Isso explica porque o conflito se espalhou tão rápido e evoluiu em um conflito de identidade sectária. O governo respondeu à agitação inicialmente com concessões e algumas novas leis, por exemplo, permitindo novos partidos políticos. No entanto, em breve, recorreu à força militar que se deparou com uma ampla atividade de oposição armada. A batalha atraiu jihadistas estrangeiros e, em junho de 2014, o grupo radical muçulmano Estado Islâmico (EI) estabeleceu seu califado em grandes partes da Síria e Iraque, com Raqqa, na Síria como sua capital. Em 2016 e 2017, EI perdeu a maioria de seu território devido à intervenção militar do Ocidente e da Rússia. No entanto, bolsões da presença do EI, inclusive de outros grupos radicais, ainda são encontrados no país.

Como tal, cerca de 25.000 combatentes do Exército Sírio Livre, muitos dos quais são islamistas endurecidos pela batalha, estavam lutando ao lado de tropas regulares turcas e forças especiais quando tomaram as áreas em torno da cidade de Afrin, em março de 2018 para forçar a saída de rebeldes curdos que dominavam a área. A analista e defensora da liberdade religiosa internacional, Elizabeth Kendal, relata no Boletim da Liberdade Religiosa e Oração de março de 2018: "Centenas de civis foram mortos e feridos; muitos milhares estão agora deslocados do que há muito tempo era um dos grandes portos seguros da Síria”. Fontes locais relatam que "jihadistas aliados da Turquia estão caçando minorias religiosas [cristãos e outros] para matá-los no noroeste da Síria [e] ao longo de sua fronteira".

Como confirmado no CIA World Factbook: "As negociações políticas entre o governo e as delegações da oposição na conferência patrocinada pela ONU em Genebra, em 2014 e as negociações patrocinadas pela ONU em Genebra, em 2016 não conseguiram produzir uma resolução do conflito. Desde o início de 2017, Rússia, Irã e Turquia têm feito negociações em Astana para estabelecer zonas de redução da violência na Síria”. A inquietude continua na Síria e, de acordo com uma estimativa do Observatório Sírio de 2018, mais de 500 mil foram mortos desde que a guerra começou em 2011.

Até outubro de 2018, a UNICEF relatou que cerca de 13,1 milhões de pessoas precisavam de assistência humanitária na Síria, com 6,2 milhões de pessoas deslocadas internamente e 5,3 milhões de refugiados sírios registrados, tornando a situação síria a maior crise humanitária mundial. Em 18 de setembro de 2018, um acordo russo-turco referente a um dos últimos redutos tomados pelos rebeldes no noroeste da Síria, Idlib, entrou em vigor. Isso reduziu a violência grandemente na região e nenhum ataque aéreo foi relatado desde então. A maior parte do país está agora sob controle do governo, enquanto algumas áreas estão sob a influência da Turquia ou da Coalizão Global.

A base de poder do governo inclui partes próximas do clã Assad, divisões especializadas dos grupos paramilitares e informais do país (o Shabiba e os comitês populares, associados às comunidades minoritárias da Síria). As facções antigoverno estão fortemente divididas. Seu núcleo é formado pelo Conselho Nacional da Síria (SNC), que é dominado pela Irmandade dos Continentes Sírios e seu braço militar, o Exército Sírio Livre. No entanto, o SNC é rivalizado com importantes grupos independentes, como Jabh at al-Nusra, a Frente da Libertação Islâmica Síria, a Frente Islâmica e Alwiya Ahfaad ar-Rasool, que têm um programa islâmico ideológico. A complexidade da composição sociológica da Síria faz da guerra civil um conflito potencialmente intratável e altamente divisivo.

A oposição síria é cada vez mais dada à "islamização", e a guerra civil assumiu cada vez mais a forma de uma "jihad" contra o governo sírio. O estabelecimento do califado do Estado Islâmico (EI) em junho de 2014 acelerou ainda mais esse desenvolvimento. Em 2016, perdeu grandes partes de seu território como resultado da intervenção internacional. No final de 2016, a posição do governo sírio parece ter se beneficiado com o apoio contínuo da Rússia e do Irã. Analistas políticos esperam que a crise humanitária se arraste nos próximos anos.

Enquanto isso, o Estado Islâmico está sob crescente pressão na Síria depois de perder Palmira às forças governamentais em março de 2017, e em meio a ofensas contínuas de forças curdas, apoiadas pelos Estados Unidos, para retomar Raqqa. Os cristãos estão sendo pegos no fogo cruzado da luta entre tropas governamentais e rebeldes. Eles têm reputação de serem ricos e apoiar o governo de Assad, que combinado com a participação de uma frágil minoria não muçulmana, contribui para a sua vulnerabilidade.

A Síria teve um dos maiores aumentos da desigualdade de renda em um estado árabe na última década, o que deverá aumentar ainda mais. Existe pobreza generalizada devido ao desemprego, baixos salários e desvalorização da libra síria. Os cristãos também enfrentam a alta taxa de desemprego e são altamente dependentes da ajuda humanitária. Os preços de alimentos, necessidades básicas e suprimentos médicos são elevados, devido ao aumento dos riscos de distribuição. A maioria dos cristãos deixados no país é pobre e corre o risco de desnutrição. A escassez de água e o mau saneamento ameaçam a vida de milhões de crianças e adultos sírios. A guerra em curso leva a uma tensão emocional considerável na sociedade, levando a níveis aumentados de medo, insônia, depressão, agressão nas famílias e abuso de drogas.

Cerca de 2 milhões de crianças em idade escolar não conseguem obter educação escolar como resultado da guerra, o que leva a riscos elevados de analfabetismo. No entanto, em comparação com anos anteriores, mais crianças entraram na escola em 2018, conforme menos áreas são afetadas por confrontos. A inflação também parece estar diminuindo e o comércio começa a se desenvolver ao longo da fronteira com a Jordânia, depois que as forças sírias retomaram o controle da região fronteiriça.

A BMI Research espera que "a economia síria se encolha ao tamanho que era no início dos anos 90". Enquanto as regiões detidas pelo regime do presidente da Síria, Bashar al-Assad, permaneceram melhores que as ocupadas pelos rebeldes, a atividade comercial e o investimento estadual estagnaram e o padrão de vida diminuiu à medida que a libra síria perdeu o valor. A economia síria declinou mais de 70% de 2010 a 2017. De acordo com o World Factbook da CIA: “O governo tem lutado para lidar com os efeitos de sanções internacionais, danos à infraestrutura, diminuição de produção e consumo interno, redução de subsídios e alta inflação. Em 2017, alguns indicadores começaram a se estabilizar, como a taxa de câmbio e a inflação, mas a atividade econômica continua baixa e o PIB provavelmente caiu. Durante 2017, o conflito contínuo e o declínio econômico pioraram a crise humanitária, gerando necessidade de ajuda internacional, visto que mais de 13 milhões de pessoas continuam necessitadas na Síria e o número de refugiados sírios cresceu de 4,8 milhões em 2016 para mais de 5,4 milhões”.

O Economist Inteligence reporta: “A posição do presidente Bashar al-Assad parece segura, em grande parte devido ao apoio da Rússia e Irã, apesar de recentes ataques aéreos contra posições do regime pelos Estados Unidos, Reino Unido e França. Um acordo de paz permanecerá como uma possibilidade distante, com combates intermitentes continuando em uma escala mais localizada. Assim, uma divisão de fato do país em uma área controlada pelos rebeldes turcos no norte, uma região de maioria curda apoiada pelos EUA no leste, e o oeste mantido pelo governo, se formará”.

Com base nessas previsões, não se espera que os cristãos na Síria se encontrem em uma situação segura a curto prazo. Isso diz respeito especificamente aos cristãos que vivem na linha de frente ou nas áreas de defesa dos rebeldes e é provável que continuem fugindo do país. No entanto, alguns cristãos escolhem deliberadamente ficar e ajudar seus compatriotas.

A igreja esteve presente na Síria desde o tempo do Novo Testamento, onde a conversão de Saulo/Paulo é mencionada no caminho de Damasco (em Atos 9). O apóstolo Paulo foi inicialmente parte da igreja em Antioquia, onde os discípulos de Jesus foram chamados cristãos pela primeira vez. Ao longo dos séculos seguintes, o cristianismo se espalhou por todas as partes da Síria. Foi no século 7, quando o cristianismo ainda era a religião majoritária na Síria, que o califa Omar demitiu funcionários cristãos e seu sucessor obrigou-os a se vestir de forma diferente dos outros. Um século depois, o califa Abbasid al-Mahdi forçou os cristãos árabes da tribo tannukh a se converterem ao islamismo. Em Homs, os cristãos se revoltaram em 855 d.C. e seus líderes foram crucificados nos portões da cidade. No século 9, o islã ganhou vantagem, muitas igrejas se tornaram mesquitas e, por volta de 900 d.C., aproximadamente metade da população síria era muçulmana.

Os séculos 12 e 13 foram marcados por problemas que os cristãos experimentaram em áreas controladas alternadamente por exércitos dos cruzados e muçulmanos. Em 1124, a catedral de Aleppo foi transformada em uma mesquita. Em 1350, o cristianismo tornou-se uma religião minoritária: de uma população de um milhão, apenas 100 mil eram cristãos. A queda de Constantinopla e a ocupação otomana da Síria foram um obstáculo para reunir a igreja no século 15. No entanto, no século seguinte, os cristãos ortodoxos, jacobitas e armênios foram reconhecidos pelo sultão otomano como comunidades independentes com seus próprios tribunais e leis.

A pressão europeia forçou o Império Otomano a fazer reformas no século 19: a igualdade de todos os cidadãos foi proclamada, independentemente de qual fosse a religião. As tensões sectárias entre os dois principais grupos religiosos do Líbano Central, os drusos e os cristãos levaram a massacres de cristãos no Monte Líbano, que se espalharam para Damasco em 1860, onde 25 mil cristãos foram mortos. Cerca de meio século depois, começando em 1915, um grande número de armênios fugiu, ou foi deportado, para a Síria no decorrer dos massacres generalizados de cerca de 1,5 milhão de armênios e meio milhão de cristãos assírios na Turquia. Ao longo dos séculos, a igreja cristã na Síria passou – e ainda passa – níveis consideráveis de perseguição. Atualmente, a guerra civil está fazendo com que muitos cristãos sírios deixem seu país, estabelecendo-se principalmente no Líbano, Turquia e Ocidente.

De acordo com o World Christian Database, as denominações principais são ortodoxas (ortodoxos gregos, ortodoxos sírios, igreja assíria do leste e armênios) e católicos romanos, seguidos por um grupo relativamente pequeno de protestantes. O número de protestantes é pequeno, mas cresce – a maioria era ortodoxo ou católico, mas também há alguns de origem muçulmana.

A Síria é um país majoritariamente muçulmano: de acordo com a CIA World Factbook, 74% de todos os muçulmanos são sunitas e 13% são alawi, ismaili e xiitas. Uma das principais características da população cristã da Síria é a sua identidade étnica e religiosa complicada. A concentração geográfica dos cristãos em áreas estratégicas também tem sido um fator importante na sua vulnerabilidade: áreas como Aleppo e Damasco e suas circunvizinhanças e as áreas do sul, em Homs, perto da fronteira do Líbano, foram vitais para o governo e os esforços de guerra da oposição.

NOTAS SOBRE A SITUAÇÃO ATUAL

No caos e na impunidade da guerra civil, as minorias são ainda mais vulneráveis. Isso também é verdade para os cristãos da Síria que foram alvo de ataques que os levaram a fugir do país.

Entre os cristãos o medo imperou nos últimos anos, principalmente devido a ameaças, intimidação e sequestros realizados por grupos radicais islâmicos, que consideram os cristãos como infiéis. A chegada de jihadistas do exterior e a imposição do califado do Estado Islâmico em 2014 claramente acrescentou o componente religioso à perseguição aos cristãos durante a guerra civil.

Já em fevereiro de 2014, cristãos da cidade de Raqqa foram obrigados a assinar um contrato “dhimmi” (termo histórico que se refere a um não muçulmano vivendo em um estado islâmico com proteção legal. A palavra literalmente significa “pessoa protegida”), violando sua liberdade religiosa.

Em fevereiro de 2015, a BBC publicou: “Em áreas tomadas pelo grupo jihadista Estado Islâmico, cristãos foram ordenados a se converter ao islã, pagar a “jizya” (uma arrecadação religiosa) ou enfrentar a morte. Na província de Hassakeh, em fevereiro de 2015, teme-se que centenas de cristãos tenham sido sequestrados por extremistas. Líderes cristãos também foram sequestrados por homens armados desconhecidos. As suspeitas recaem sobre o Nusra Front, um afiliado sírio da al-Qaeda”.

O Estado Islâmico já perdeu a maior parte de seu território na Síria, mas seus combatentes e de outros grupos radicais ainda estão presentes. Conforme a posição de Assad se consolida com o apoio da Rússia e a influência de grupos islâmicos se restringe, o nível de medo entre os cristãos está diminuindo.

Embora muitos cristãos tenham deixado o país ou estão internamente deslocados, há muitos irmãos sinceramente comprometidos em continuar na Síria e servir ao seu país, principalmente durante o tempo da guerra civil. Apesar de ter havido uma mudança étnica produzida pela contínua guerra, o número de cristãos permanece relativamente estável, com 10% entre 2010 e 2018. Também há relatos de crescimento no número de cristãos ex-muçulmanos.

Em geral, os cristãos se sentem mais seguros no regime de Assad, que consolidou sua posição (com a ajuda da Rússia) e tem marginalizado grupos oponentes, inclusive islamistas. Em áreas governadas pelo governo, a pressão governamental sobre os cristãos ex-muçulmanos é baixa devido a outras prioridades.

No entanto, os cristãos estão conscientes das ameaças contínuas. A situação dos cristãos em áreas controladas pelos curdos se deteriorou, tanto em Afrin (que agora está sob o controle de grupos islâmicos apoiados pela Turquia) como em Hassaka, no nordeste da Síria, onde há tensões com a administração curda. Os problemas nessas áreas são altamente políticos, baseados na consideração de líderes cristãos chave ao regime de Assad. Em Afrin, cristãos estavam entre os milhares que foram deslocados durante os ataques das forças turcas iniciados em janeiro de 2018.

Embora, em geral, os cristãos estejam seguros em áreas controladas pelo governo, nem sempre é assim. O vilarejo de Mhardeh (de maioria cristã) por exemplo, foi bombardeado por rebeldes em setembro de 2018, matando doze pessoas. A situação é particularmente perigosa para cidades e vilarejos que estão perto de áreas controladas pelos rebeldes.

Grupos radicais islâmicos permanecem sendo uma ameaça aos cristãos, principalmente em áreas controladas por facções islâmicas de oposição. No segundo semestre de 2018, essas áreas eram menos de 25% da Síria. Entretanto, em áreas controladas pelo governo, cristãos ex-muçulmanos enfrentam oposição da família e da comunidade devido à fé. E ao mesmo tempo, autoridades governamentais restringem as atividades de cristãos evangélicos para prevenir instabilidade. Eles são muitas vezes interrogados e monitorados. Discurso de ódio contra cristãos por líderes islâmicos ocorrem, mas não são permitidos em áreas controladas pelo governo. Sabe-se que líderes religiosos muçulmanos fazem pressão sobre cristãos ex-muçulmanos direta ou indiretamente, através da família e agências de segurança.

A constituição garante liberdade religiosa, embora haja restrições e laços com grupos fundamentalistas que são contrários aos cristãos. Os ex-muçulmanos enfrentam a desconfiança que paira na sociedade, causada pela polícia secreta. Eles têm medo de contar suas histórias às pessoas, até mesmo aos amigos. E a igreja, por sua vez, tem medo de receber esses convertidos, pois desconfia que possam ser agentes do governo disfarçados – o que não é impossível de acontecer.

Devido à exposição pública, especialmente os líderes das igrejas históricas são alvo de sequestro. Mas as congregações também estão em uma posição vulnerável, pois são conhecidas pela orientação ocidental, a fragmentação, a falta de liderança forte e a falta de um porta-voz estrangeiro, como um bispo, que possa falar em seu nome.

Em áreas controladas por grupos islâmicos radicais, a maioria das igrejas históricas foi demolida ou usada como centros islâmicos. As expressões públicas da fé cristã são proibidas e os prédios da igreja não podem ser reparados ou restaurados, independentemente do dano ter sido colateral ou intencional. Nas áreas controladas pelo governo, há menos monitoramento de cristãos devido às circunstâncias da guerra. A reputação política das denominações, das igrejas e dos líderes locais desempenha um papel importante no nível de perseguição ou opressão que enfrentam de grupos que estão lutando contra o presidente Assad.

Cristãos ex-muçulmanos são especialmente pressionados pela família, pois a conversão lhes traz uma grande desonra. Isso é particularmente verdadeiro em boa parte das áreas sunitas, onde os convertidos correm o risco de serem expulsos das casas de seus familiares. A pressão da família é menor nas áreas curdas, pois os curdos sunitas são geralmente menos radicais. De fato, no norte de Aleppo há comunidades cristãs curdas reconhecidas.

As comunidades cristãs históricas compõem o maior grupo de cristãos do país e são alvos específicos dos extremistas islâmicos. Elas estão espalhadas em todo o país e também presentes nas zonas de conflito. Desse grupo, os líderes são os mais afetados, devido à sua exposição pública.

  • Ore pelas negociações de paz na Síria, que até agora parecem não levar a nada. Clame para que haja uma verdadeira mudança e a guerra chegue ao fim.
  • Peça a Deus que os cristãos continuem recebendo ajuda material e espiritual e, assim, sejam encorajados.
  • Interceda pelo governo e pelo presidente Bashar al-Assad, para que tomem decisões que sejam boas para a população e para o futuro do país.

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