República Centro-Africana

República Centro-Africana

  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica
  • Capital: Bangui
  • Região: África Subsaariana
  • Líder: Faustin-Archange Touadera
  • Governo: República presidencialista
  • Religião: Cristianismo ortodoxo, islamismo, animismo
  • Idioma: Francês, sango
  • Pontuação: 70

POPULAÇÃO
MILHÕES

POPULAÇÃO CRISTÃ
MILHÕES

A República Centro-Africana (RCA) é um dos países menos estáveis do mundo e enfrenta vários desafios assustadores. Apesar da presença de uma considerável força de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) e dos esforços liderados pela mesma e outros atores internacionais para começar um processo de paz, isso provou ser ilusório no país. Particularmente na região norte, a situação para os cristãos é terrível.

O país teve 9 pontos a mais que em 2018, ocupando a 21ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2019. A razão para o aumento de pontos é, principalmente, devido à intensificação do conflito entre os grupos rebeldes Seleka e as milícias Anti-Balaka. Numerosos grupos dissidentes do Seleka são particularmente responsáveis por matar cristãos.


“Somos livres agora. Hoje fomos libertas.” 
UMA DAS MULHERES QUE PASSARAM POR ACONSELHAMENTO PÓS-TRAUMA
 

Devido às óbvias implicações religiosas do conflito, tanto cristãos como muçulmanos e animistas são afetados pela violência. O estado de anarquia na RCA persiste há cerca de meia década e parece continuar inalterado. Há pouca esperança de que a situação melhore num futuro próximo, visto que a força de paz da ONU no país também não obteve êxito em mudar a situação.

As fontes mais significativas da perseguição na RCA são grupos militantes extremistas e paramilitares, que poderiam ser considerados grupos ex-Seleka. Dois deles são a Frente Popular para o Renascimento da República Centro-Africana (FPRC) e a União pela Paz na República Centro-Africana (UPC).

Até certo ponto, muitos desses grupos poderiam ser considerados grupos religiosos violentos. No entanto, também é possível caracterizá-los como partidos políticos e organizações paramilitares. Nas partes predominantemente muçulmanas do país, as pessoas comuns influenciadas pelos ensinamentos de imãs (líderes islâmicos) fanáticos e intolerantes também atuam como motivadores da perseguição. Os anciãos tribais ou étnicos também desempenham um papel nesse processo, uma vez que reforçam a pressão contra os convertidos para o cristianismo.
 

Notas sobre a situação atual

• Constitucionalmente, a RCA é um Estado secular, mas, no passado, os governantes autocráticos confiaram no apoio das organizações religiosas - principalmente igrejas.

• As iniciativas de educação lideradas por missionários são praticamente inexistentes. No entanto, a assistência humanitária, entregue por organizações religiosas, tem um papel importante a desempenhar no alívio do impacto negativo do conflito dos últimos anos.

• A animosidade contínua entre grupos militantes é uma causa de instabilidade e um grave perigo para as igrejas e para a população cristã e muçulmana.
 

A República Centro-Africana era uma colônia francesa conhecida como Ubangi-Shari. Em 1960, Ubangi-Shari ganhou independência da França. Depois de uma série de golpes, o general François Bozizé assumiu o poder em 2003. Após vários anos de luta intermitente, em que o governo foi desafiado por vários grupos rebeldes, um grupo de milícias chamado Seleka, amplamente percebido como uma coalizão de combatentes muçulmanos, assumiu o controle da capital Bangui em 2013 e seu líder, Michel Djotodia, tornou-se o primeiro presidente muçulmano na história da RCA.

Devido à intensa pressão da comunidade internacional, o presidente Djotodia renunciou ao cargo e foi substituído por Catherine Samba-Panza, que atuou como presidente interina de 2013-2014 até as eleições. O governo interino, depois de muita demora, finalmente conseguiu realizar uma eleição que deveria ser um marco significativo no processo de transição na República Centro-Africana. Na eleição presidencial realizada em fevereiro de 2016, Faustin-Archange Touadera chegou à presidência.

Embora o presidente Touadera tenha feito da paz e da reconciliação sua prioridade desde o início do mandato, ainda existem confrontos e conflitos em algumas partes do país que envolvem os grupos Seleka e os grupos de autodefesa, principalmente, chamados Anti-Balaka (embora chamados de "cristãos", eles são animistas dos quais a igreja se dissociou fortemente). Devido ao caráter religioso óbvio do conflito, civis cristãos e muçulmanos são vítimas da violência perpetrada pelos militantes Seleka e Anti-Balaka. Nem os pacificadores da ONU nem o governo conseguiram pôr fim aos conflitos até agora e o país continua mergulhado em anarquia.

SITUAÇÃO POLÍTICA E SOCIAL ATUAL

A maioria dos analistas concorda que as linhagens familiares, as políticas étnicas locais e a militância rebelde têm sido fundamentais para moldar a política na RCA. Várias tribos têm travado guerra umas contra as outras, irritadas pela política, economia e questões sociais.

As tribos do norte têm forte dominação muçulmana e, antes do golpe de Estado de Bozizé, em 2003, elas lutaram entre si pelo poder, mas juntaram forças sob o guarda-chuva da Seleka antes de encenar o golpe de 2013. Em todo o país, as relações têm sido tensas entre as várias tribos, e os conflitos entre elas levaram a uma perda de pessoas considerável no passado.

A RCA foi afetada com instabilidade crônica como resultado de vários grupos rebeldes que se opõem ao governo central. A maioria desses rebeldes usa armas como resultado de uma suposta exclusão sectária e marginalização. A instabilidade da RCA e a fraqueza de seus sucessivos governos, bem como sua falta de legitimidade, significaram que o ex-colonizador da RCA, França, ainda desempenha um papel muito decisivo no país.

Houve muitas intervenções militares diretas pela França em apoio aos governos e, às vezes, para proteger o próprio povo francês que vive na RCA. Enquanto os rebeldes e aqueles que lideram os golpes militares, muitas vezes, alegam que estão motivados pelo desejo de erradicar a corrupção ou a discriminação étnica ou religiosa, na maioria das vezes parece que eles são motivados pelas recompensas materiais do poder político e pelas oportunidades financeiras que a corrupção oferece. Os padrões recorrentes de conflito transformaram a RCA em um Estado falido. Segundo estimativas, aproximadamente 80% do território é controlado por vários grupos militantes sobre os quais a ONU e o governo têm pouco controle, na maior parte do país. De modo geral, a segurança no país parece piorar com o tempo.

Apesar das grandes riquezas naturais, os motins e um histórico de golpes mergulharam o país em uma pobreza adversa. Como resultado de décadas de instabilidade política, uma posição geográfica sem litoral e a prevalência da agricultura de subsistência, a RCA é um dos países menos desenvolvidos do mundo. No relatório do Desenvolvimento Humano de 2018 (compilado com base em dados de 2017 e publicado no dia 14 de setembro de 2018), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) colocou a RCA na categoria "baixo desenvolvimento humano", classificando-o em 188º entre os 189 países incluídos no estudo.

Além de ser um dos países de menor ranking no Índice de Desenvolvimento Humano, a República Centro-Africana também possui uma das mais baixas expectativas de vida, 53,3 anos, segundo o World Factbook da CIA. Isto se deve em parte à instabilidade da década passada que levou a uma deterioração da situação socioeconômica no país.

Como a maioria dos países africanos, a sociedade da RCA foi dominada por várias religiões africanas tradicionais praticadas por diferentes tribos. A maioria das religiões tradicionais na região era dependente da tradição animista. Embora essas práticas religiosas sejam semelhantes, elas diferem de uma tribo para outra. A tradição africana animista dominava mais no sul e centro do país. Comerciantes muçulmanos do norte do país introduziram o islã na região.

O cristianismo tornou-se dominante na RCA depois que os colonos franceses assumiram o poder na década de 1880 e se tornou a religião de escolha para muitos, devido à sua estreita associação com poderosos e respeitados funcionários coloniais.

Enquanto os missionários católicos romanos chegaram já na segunda metade do século 19, os missionários protestantes (por exemplo, enviados pelos batistas americanos) não começaram a operar no país até 1921. Os católicos romanos são de longe o maior grupo cristão.

Rede atual de igrejas

A RCA é considerada uma nação de maioria cristã, com os cristãos compondo 73% da população, segundo estima o World Christian Database 2018 (WCD). No entanto, a maioria dos cristãos também praticam religiões tradicionais africanas e mistura a fé com várias outras práticas, como magia negra e feitiçaria. Comunidades muçulmanas são minoritárias no país desde os tempos coloniais. Elas somam 14,5% da população e aumentaram sua influência através do surgimento do Seleka.

Haviam numerosos mercadores de escravos muçulmanos operando no país durante o século 19, vindos do norte e do Chade, o que levou ao crescimento do islamismo nas regiões mais ao norte do país. Até recentemente, a sociedade multirreligiosa da RCA não sofreu tensões substanciais.

No entanto, há uma instabilidade crescente no país desde 2013, depois que grupos militantes se mobilizaram ao longo das linhas religiosas. A principal queixa expressada pela maioria dos militantes Seleka é a negligência e a marginalização de longa data das regiões predominantemente muçulmanas no norte.

Entre a variedade de denominações, as igrejas independentes, em particular, estão florescendo. As igrejas protestantes na RCA são organizadas sob a Aliança Evangélica, significando alguma medida de unidade.

Os grupos missionários que atuam atualmente na RCA incluem batistas e luteranos e várias igrejas carismáticas. Uma parcela significativa da população é católica romana e existem nove dioceses e uma arquidiocese no país.

O conflito nos últimos anos mudou fundamentalmente o relacionamento entre cristãos e muçulmanos. A menos que haja um processo de reconciliação e uma tentativa de pôr fim ao ciclo de impunidade, há um grave risco de que a polarização continue e se transforme em um conflito religioso. Apesar das eleições em 2015 e 2016, que muitos esperavam que trariam uma nova chance de reconciliação, a ex-milícia Seleka não parece disposta a baixar as armas e ainda há um sério risco de uma recaída em um conflito violento com conotações religiosas. A igreja, o Estado e a sociedade na RCA estão envolvidos em uma experiência dramática. Líderes cristãos das principais denominações têm condenado a violência do grupo anti-Balaka.

Os líderes cristãos que denunciaram a violência foram ameaçados e as igrejas foram queimadas e saqueadas. O conflito resultou no deslocamento de milhares de cristãos, que foram forçados a viver em campos e perder suas casas e meios de subsistência.

Além da insegurança e da violência que todos os cristãos enfrentam, os cristãos ex-muçulmanos também sofrem com a perseguição que vem de seus familiares mais próximos. A comunidade local, muitas vezes, os rejeita e também tenta forçá-los a renunciar a fé através da violência.

Cristãos locais estão muito preocupados que incursões islâmicas sejam estabelecidas no país e líderes cristãos repetidamente apontam que a rebelião que levou ao golpe tem uma agenda religiosa.

Na superfície, o relacionamento entre cristãos e muçulmanos foi bom no passado, mas a tensão aumentou. Em particular, cristãos ex-muçulmanos enfrentam mais perseguição. Cristãos que moram em áreas muçulmanas no norte, leste e oeste relataram perseguição em forma de discriminação e outras pressões sociais.

  • Clame pela graça de Deus sobre todos os cristãos vítimas do grupo terrorista Seleka; muitos deles perderam entes queridos e precisam de cura e consolo.
  • A opressão islâmica parte de pessoas comuns. Peça para que os cristãos tenham graça para responder à opressão de forma espiritual, colocando sua confiança no Senhor.
  • Ore para que o governo, junto com forças internacionais, possa restaurar a paz e a ordem no país.

 

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