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República Islâmica do Paquistão

República Islâmica do Paquistão

  • Fonte de Perseguição: Opressão islâmica
  • Capital: Islamabad
  • Região: Ásia Central
  • Lider: Mamnoon Hussain
  • Governo: República
  • Religião: Islamismo
  • Idioma: Inglês, urdu, punjabi, sindhi, pashto, balochi (principais)
  • Pontuação: 86

POPULAÇÃO
MILHÕES

POPULAÇÃO CRISTÃ
MILHÕES

No sexto país mais populoso do mundo, os cristãos representam muito pouco da população. No Paquistão, o nível da perseguição religiosa é extremo e cresceu consideravelmente no último ano, bem como o nível de violência, o maior de todos os países da Lista Mundial da Perseguição.

O exército continua seguindo uma política de distinção entre “bons” e “maus” extremistas islâmicos. Enquanto combate alguns, corteja outros e usa esses grupos como meio de intervenção ativa nos países vizinhos, como Afeganistão e Índia. Porém, o exército luta contra rebeldes que aderem ao Estado Islâmico, cuja presença parece aumentar no Paquistão. 

Contudo, o Talibã permanece ativo e pode atacar, como o fez na Páscoa de 2016, no bombardeio de Lahore, em que eles afirmaram explicitamente terem direcionado o ataque contra os cristãos. 

As reuniões aos domingos para adoração ainda são possíveis, mas todas as outras atividades cristãs são fortemente desaprovadas. São comuns os relatos de igrejas sendo atacadas, cristãos sendo mortos, mulheres sequestradas e vítimas de violência sexual, quando não forçadas a se casar, despejadas de casa ou enviadas para fora do país. Outras minorias religiosas têm sofrido o mesmo tipo de ataque.

Em 2017, o governo anunciou um novo foco no combate à blasfêmia ocorrida nos blogs de redes sociais. Consequentemente, houve um número crescente de prisões de pessoas acusadas de terem cometido blasfêmia nas redes sociais. Isso parece contrariar os esforços do governo para limitar o impacto devastador das leis de blasfêmia sobre as minorias religiosas em particular. Em suma, é difícil encontrar melhorias para os cristãos e outras minorias religiosas até agora.

NOTAS SOBRE A SITUAÇÃO ATUAL

•    Os frequentes ataques à igreja – especialmente os de Lahore em setembro de 2013, março de 2015 e Páscoa de 2016 – destacam a situação precária em que os cristãos se encontram. Outro ataque a uma igreja na Páscoa de 2017 foi frustrado no último minuto. Em vez de ser levado a juízo, a mulher-bomba de 18 anos apareceu em uma entrevista de TV ao vivo.

•    As notórias leis da blasfêmia do país continuam a representar um desafio significativo para os cristãos, e as meninas cristãs continuam sendo sequestradas, convertidas à força, casadas e abusadas sexualmente.

•    A representação política das minorias, incluindo os cristãos, tornou-se um dos grandes temas nos últimos anos. Conectado com o censo realizado em 2017, espera-se que o número de lugares reservados para as minorias religiosas aumente. No entanto, isso tem alcance limitado se os cristãos não forem livres para escolher e votar em quem quiserem, seja por causa do analfabetismo ou da pressão exercida sobre minorias indefesas.

Paquistão

O Paquistão tornou-se uma nação independente separada da Índia no final do domínio colonial britânico em 1947. Em 1971, o Paquistão Oriental se tornou o país independente Bangladesh. O território da Caxemira continua disputado até hoje por Paquistão e Índia. 

O Paquistão sofreu com um sistema de governo instável com três fases prolongadas de ditadura militar, com a última fase terminada em 2008. Em 2013, Nawaz Sharif tornou-se primeiro-ministro pela terceira vez depois que seu partido Liga Muçulmana ganhou as eleições parlamentares.

Os ataques em uma escola do exército em Peshawar, em dezembro de 2014, deixando 141 mortos, levaram a uma rápida reforma da Constituição, reintroduzindo a pena de morte e estabelecendo tribunais militares especiais para casos relacionados ao terrorismo, cumprindo as exigências antigas do exército .

O fato de a população total do Paquistão ter aumentado 60% desde o último censo em 1998, mostra quais são os desafios enfrentados pelos paquistaneses. Se essa taxa de crescimento de 2% ao ano continuar, a população do país pode duplicar novamente nas próximas décadas. 

SITUAÇÃO POLÍTICA E SOCIAL RECENTE

Embora a questão étnica não seja um problema tão grande no Paquistão, como em muitos outros países da região, esta não deve ser ignorada. Isso fica óbvio quando o Paquistão é visto em conjunto com o Afeganistão: a minoria pashtun, em particular, abrange grandes áreas em ambos os lados da fronteira.

Os pashtuns são uma das maiores minorias do mundo, sem um Estado próprio. (Costuma-se afirmar que o povo curdo – com menos de 40 milhões de pessoas – é o maior grupo sem uma nação. Porém, os pashtuns são cerca de 45 milhões de pessoas.)

Economicamente, o país depende cada vez mais da China, que está disposta a investir no Paquistão, em sua estrutura New Silk Road [Nova Rota da Seda], One Belt, One Road [Um cinturão, Uma Estrada].

A cidade portuária de Gwadar é um dos pólos que os chineses estão usando e que foi arrendado pelo governo paquistanês por 40 anos em 2017, enquanto a China investe 57 bilhões de dólares no chamado China-Pakistan Economic Corridor (CPEC) [Corredor Econômico China-Paquistão]. 

Recentemente, as dúvidas aumentaram, uma vez que o Paquistão pode muito bem acabar endividado e tornar-se dependente da China devido a esta iniciativa. Além disso, o assassinato de dois cristãos chineses no Paquistão perto do local de construção do CPEC ilustra o quão volátil e desafiadora é a situação.

O Paquistão tem um forte crescimento populacional, mas em especial os jovens não têm nenhuma perspectiva econômica. A pobreza é alta, deixando milhões sem qualquer opção além de trabalhar por pouco dinheiro, nem mesmo o suficiente para suas necessidades diárias, além de sofrerem com o tratamento de empregadores, muitas vezes arbitrário e violento. 

Isso afeta ainda mais as minorias étnicas e religiosas. Mulheres e crianças são grupos especialmente vulneráveis. O trabalho infantil é desenfreado. 
Toda a população sofre muito com essas condições precárias, mas os grupos minoritários (como os cristãos) ainda mais. 

De acordo com um relatório publicado pela UNICEF em 2014, mais de 9 milhões de crianças no Paquistão não recebem educação primária ou secundária, mais do que em qualquer outro país da Ásia do Sul, exceto no Afeganistão. O baixo investimento do Estado em educação nas últimas décadas levou a um crescimento no número de madrassas islâmicas (escolas religiosas islâmicas que oferecem alguma instrução).

Onze mil dessas madrassas (de um total de cerca de 35 mil) seguem os ensinamentos estritos do islamismo de Deobandi. A linha Deobandi argumenta que as sociedades islâmicas são atrasadas em relação ao Ocidente porque foram seduzidas pelos recursos amorais e materiais da ocidentalização e assim se desviaram dos ensinamentos originais do Profeta.

Os números de seus estudantes exatos não são contabilizados. Enquanto algumas madrassas podem alfabetizar os alunos e lhes ensinar matemática, muitas outras apenas oferecem leitura do Alcorão, estudos islâmicos e nada mais. Como essas madrassas não são registradas e supervisionadas, as autoridades não têm ideia real do que acontece nelas.

De acordo com os registros de Eusébio de Cesareia no século 4, tido como o pai da história da igreja, os apóstolos Tomé e Bartolomeu foram designados para Parthia (Irã moderno) e Índia. No momento do estabelecimento do Segundo Império Persa (ano 226), havia bispos da Igreja do Oriente no noroeste da Índia, Afeganistão e Baluchistão (incluindo partes do Irã, Afeganistão e Paquistão), com leigos e clérigos envolvidos na atividade missionária.

O trabalho missionário católico romano decolou no continente indiano com a chegada dos portugueses no século 16 e se estabeleceu em Lahore em 1570. Em tempos mais modernos, o cristianismo foi estabelecido por meio do trabalho missionário protestante no final do século 18 e início do século 19 e continuou a crescer desde então. 

Em 1947, o ano da independência do país, a situação para a minoria cristã se tornou mais complicada, uma vez que o Paquistão se definiu oficialmente como um Estado muçulmano. De acordo com a World Christian Database, mais de 96% da população são muçulmanos, sendo a grande maioria muçulmana sunita. No entanto, há também uma considerável minoria xiita de 10% a 15%, que também sofreu perseguição.

REDE ATUAL DE IGREJAS

O maior grupo de cristãos hoje pertence à Igreja do Paquistão, um grupo protestante que abarca quatro grandes denominações (anglicana, metodista, presbiteriana e luterana) e que é membro da Comunhão Anglicana. Há outras igrejas protestantes de várias linhas do presbiterianismo, assim como muitas outras denominações menores. 
No Paquistão, os números de católicos e de protestantes é praticamente o mesmo.

Cristãos de origem muçulmana têm de ter cuidado em expressar sua fé, especialmente se são os únicos cristãos de sua família. Bíblias e outros materiais cristãos podem ser tirados deles por sua família, amigos ou vizinhos. A Internet e as mídias sociais se tornam perigosas para os cristãos, já que qualquer movimento na rede pode levá-los a ser acusados de blasfêmia contra o islã.

Reconhecer-se como cristão convertido não é possível na esfera familiar nem na esfera de nação. Enquanto a prisão domiciliar imposta pelas famílias aos convertidos é uma forma de castigo, uma forma mais suave é a de submetê-los à vigilância, o que os leva a se esconder ainda mais. 

Devido à forte pressão crescente nos últimos anos, muitos cristãos fugiram para países como Sri Lanka ou Tailândia. Desde a introdução das leis da blasfêmia em 1986, os cristãos são vítimas de cerca de um quarto de todas as acusações de blasfêmia.

As leis de blasfêmia são muito conhecidas por serem usadas para resolver questões pessoais. Sua discussão chegou à comunidade internacional quando, em 2010, a cristã Asia Bibi foi acusada de blasfemar contra o islã e condenada à morte. Ela é a primeira mulher a estar no corredor da morte no Paquistão.

À medida que essas leis continuam ganhando destaque, torna-se cada vez mais difícil para o governo e tribunais lidar com elas, já que têm um significado simbólico para grupos militantes em todo o país. 
Essa violência explícita ofusca a violência diária nos bastidores contra meninas e mulheres cristãs que são frequentemente raptadas, violentadas e convertidas ao islamismo – uma estimativa de 700 cristãs por ano.

Em casos de blasfêmia, as casas dos cristãos são atacadas, forçando-os a se esconder. Consequentemente, o Paquistão foi o país da Lista Mundial da Perseguição 2017 com maior violência. As igrejas históricas têm liberdade relativa para realizar cultos e outras atividades, no entanto, elas são fortemente monitoradas e regularmente alvo de ataques com bombas.

As igrejas cristãs mais ativas e com maior número de jovens enfrentam perseguições mais fortes da sociedade. Todos os cristãos enfrentam discriminação, ilustrada pelo fato de que as profissões vistas com menor valor são oficialmente reservadas aos cristãos. Muitos irmãos são, de qualquer forma, pobres e, muitas vezes, vítimas de trabalho forçado.

Por outro lado, também existem muitos cristãos pertencentes à classe média, mas isso não os afasta de serem marginalizados ou perseguidos. As notórias leis de blasfêmia do país visam minorias religiosas (incluindo minorias muçulmanas), mas afetam a minoria cristã em particular. 

Um novo abalo para a igreja foi a morte de dois cristãos chineses, que trabalhavam no Paquistão, Li Xinheng, de 24 anos, e Meng Lisi, de 26 anos, em maio de 2017. Eles foram mortos por militantes ligados ao grupo do Estado Islâmico que os acusou de proselitismo.

Os cristãos continuam a ser executados devido a acusações de blasfémia, e ao seu status negligenciado. Em 1° de junho de 2017, um cristão que trabalhava no esgoto morreu no hospital de Umerkot, província de Sind, porque três médicos muçulmanos se recusaram a atendê-lo. Isso os tornaria impuros durante o jejum do Ramadã.

Outros assassinatos foram registrados de novembro de 2016 a outubro de 2017, mas, graças a Deus, os ataques contra a igreja paquistanesa não tiveram sucesso. Mesmo que um paquistanês que não seja de origem muçulmana se batizar, haverá armas disparando de telhados e gritos agressivos contra os cristãos. O batismo é simplesmente odiado, pois é um sinal visível do crescimento do cristianismo. 

Recentemente, uma corporação municipal anunciou vagas para trabalhadores sanitários. Para preencher a vaga era necessário não ser muçulmano e uma condição foi adicionada ao formulário de inscrição: os candidatos deveriam fazer um juramento religioso com o livro sagrado da sua religião, afirmando que não faria nada além de trabalhar na área sanitária e nunca se recusaria a realizar esse trabalho.

Os ataques às igrejas estão ocorrendo com frequência, embora os edifícios nem sempre sejam destruídos ou fechados. No entanto, de acordo com entrevistas com muitos pastores, houve incêndios frequentes, janelas quebradas, propriedades danificadas e pequenas ações prejudiciais como cortes de energia e água.

Esta violência aberta esconde a violência cotidiana nos bastidores contra meninas e mulheres cristãs que muitas vezes são sequestradas, violentadas, forçadas a se casar e negar o cristianismo. Nos casos de blasfêmia, as casas dos cristãos são atacadas com frequência, forçando-os a se esconder. O Paquistão é o único país da Lista Mundial da Perseguição 2018 com uma pontuação máxima para a violência.

O piloto de Rickshaw Christian Shahzad Masi foi morto em 8 de fevereiro de 2017. Noman Munir Masih foi morto em 20 de março de 2017. Em 30 de agosto de 2017, o estudante de 17 anos, Sharoon Masih, foi agredido até a morte por seus colegas depois de supostamente ter bebido na mesma fonte de água que os estudantes muçulmanos usaram.

A influência de grupos islâmicos radicais relativamente pequenos foi exposta mais uma vez em novembro de 2017, quando um grupo de 3 mil pessoas conseguiu bloquear um grande cruzamento em Islamabad, interrompendo o tráfego em toda a capital. O objetivo era exigir a remoção de um ministro e a implementação rigorosa das leis da blasfêmia. No final de novembro de 2017, as demandas foram parcialmente cedidas.

•    O Paquistão é uma República Islâmica e o processo de islamização não cessa. O país sofre com uma infinidade de grupos islâmicos radicais. Ore para que o governo paquistanês aprove leis que possam vir a proteger os cristãos.
•    Clame pelos cristãos ex-muçulmanos que sofrem o peso da perseguição religiosa no país. Grupos radicais islâmicos os veem como apóstatas, e as suas famílias, amigos e vizinhos os veem como uma vergonha para a comunidade.
•    Cerca de 700 meninas e mulheres cristãs são raptadas por ano, frequentemente forçadas ao casamento com muçulmanos. Peça por proteção para elas.

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