República Islâmica do Paquistão

República Islâmica do Paquistão

  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica
  • Capital: Islamabad
  • Região: Sul da Ásia
  • Líder: Arif Alvi
  • Governo: República parlamentarista
  • Religião: Islamismo
  • Idioma: Punjabi, sindhi, saraiki (principais)
  • Pontuação: 87

POPULAÇÃO
MILHÕES

POPULAÇÃO CRISTÃ
MILHÕES

O Paquistão continua como um dos países onde é mais difícil se viver como cristão. Os índices basicamente inalterados em todas as esferas da vida mostram que a situação para os nossos irmãos é muito difícil. A pontuação relativa à violência continua no nível máximo (historicamente, poucos países atingiram esse nível). O ataque a bomba em uma igreja em dezembro de 2017 foi um lembrete de quanta violência os cristãos e outras minorias religiosas enfrentam. A lei de blasfêmia do país continua a fazer suas vítimas.

No entanto, no último dia de apuração da Lista Mundial da Perseguição 2019, 31 de outubro de 2018, a Suprema Corte corajosamente decidiu absolver Asia Bibi. A cristã havia ficado oito anos no corredor da morte devido a acusações de blasfêmia. Logo após sua libertação, grupos radicais islâmicos pararam o país. Os protestos paralisaram a nação por alguns dias – escolas foram fechadas, universidades adiaram provas, voos atrasaram, trens tiveram suas rotas mudadas e o governo suspendeu todos os serviços de telefonia celular.
 

“Orem para que continuemos a alcançar os rejeitados, necessitados e sozinhos. Essa é a história dos cristãos no Paquistão. Eu sou a história deles, eles são minha história. Obrigada por suas orações e apoio. Vocês são parte da nossa história.”
CRISTÃ PAQUISTANESA
 

A situação aumentou o medo e a tensão entre a comunidade cristã do Paquistão. Os cerca de 2% de cristãos do país, que já enfrentam discriminação diariamente, passaram a ser ainda mais hostilizados. Uma fonte local disse: “Os cristãos estão todos trancados em casa. As notícias são conflitantes. Estamos todos preocupados uns com os outros”.

Até o final de dezembro de 2018, Asia Bibi ainda estava sendo mantida sob custódia pelo governo para proteção em um lugar não revelado no Paquistão, sem poder deixar o país. Além disso, mais de dez cristãos foram mortos por sua fé, a maioria em conexão com a lei de blasfêmia do país.

No sexto país mais populoso do mundo, os cristãos representam muito pouco da população. No Paquistão, o nível da perseguição religiosa é extremo e cresceu consideravelmente no último ano, bem como o nível de violência, o maior de todos os países da Lista Mundial da Perseguição.

No Paquistão, grupos radicais não apenas existem, eles estão entrando cada vez mais na esfera pública e expandindo sua influência, visto que alguns deles são cortejados por partidos políticos, pelo exército e pelo próprio governo.

O exército continua seguindo uma política de distinção entre “bons” e “maus” extremistas islâmicos. Enquanto combate alguns, corteja outros e usa esses grupos como meio de intervenção ativa nos países vizinhos, como Afeganistão e Índia. O perigo dessa abordagem se revelou mais uma vez no próprio dia das eleições, quando aconteceu um ataque suicida assumido pelo Estado Islâmico. Embora o exército aja contra os que considera “maus” extremistas, a presença deles parece aumentar no Paquistão. O Talibã permanece ativo e pode atacar, como o fez na Páscoa de 2016, no bombardeio de Lahore, em que afirmou explicitamente ter direcionado o ataque contra os cristãos.

Nas eleições nacionais de julho de 2018, um inesperado número de radicais islâmicos se candidatou, alguns deles até mesmo convocando à conversão forçada das minorias – o que explicitamente inclui os cristãos. Embora a maioria desses candidatos não tenha sido eleita, eles conseguiram envolver a arena política, inclinando partidos mais moderados ao radicalismo. Diante disso, o maior desafio que o país enfrenta é como lidar com os grupos militantes islâmicos.

As reuniões aos domingos para adoração ainda são possíveis, mas todas as outras atividades cristãs são fortemente desaprovadas. São comuns os relatos de igrejas atacadas, cristãos mortos, mulheres sequestradas e vítimas de violência sexual, quando não forçadas a se casar com muçulmanos, despejadas de casa ou enviadas para fora do país. Outras minorias religiosas têm enfrentado o mesmo tipo de ataque.

Em 2017, o governo anunciou um novo foco no combate à blasfêmia ocorrida nos blogs de redes sociais. Consequentemente, houve um número crescente de prisões de pessoas acusadas de terem cometido blasfêmia nas redes sociais. Isso parece contrariar os esforços do governo para limitar o impacto devastador das leis de blasfêmia sobre as minorias religiosas em particular. Em suma, é difícil encontrar melhorias para os cristãos e outras minorias religiosas até agora.
 

NOTAS SOBRE A SITUAÇÃO ATUAL

• Os frequentes ataques à igreja – especialmente os de Lahore em setembro de 2013, março de 2015 e Páscoa de 2016, assim como o de dezembro de 2017 à Igreja Metodista em Quetta – destacam a situação precária em que os cristãos se encontram. Algumas vezes, os prédios de igrejas são guardados e protegidos pelas autoridades, mas com frequência as igrejas têm que se responsabilizar por sua própria segurança da melhor forma que podem. Independentemente de quem está guardando a igreja, ataques ocorrem com frequência.

•    As leis de blasfêmia do país continuam a representar um desafio significativo para os cristãos. O governo não mexerá nelas, principalmente após os massivos protestos de grupos radicais islâmicos após a Suprema Corte absolver Asia Bibi. Meninas cristãs são ainda mais vulneráveis.
 

Paquistão

O Paquistão tornou-se uma nação independente separada da Índia no final do domínio colonial britânico, em 1947. Em 1971, o Paquistão Oriental se tornou o país independente Bangladesh. O território da Caxemira continua disputado até hoje por Paquistão e Índia.

O Paquistão sofreu com um sistema de governo instável com três fases prolongadas de ditadura militar, com a última fase terminada em 2008. Em 2013, Nawaz Sharif tornou-se primeiro-ministro pela terceira vez depois que seu partido, Liga Muçulmana, ganhou as eleições parlamentares.

Os ataques a uma escola do exército em Peshawar, em dezembro de 2014, deixando 141 mortos, levaram a uma rápida reforma da constituição, reintroduzindo a pena de morte e estabelecendo tribunais militares especiais para casos relacionados ao terrorismo, cumprindo as exigências antigas do exército. O exército foi acusado de estar por trás da queda e sentenciamento do primeiro-ministro, Nawaz Sharif, por corrupção nos anos 90, bem como por interferir nas últimas eleições no país em 25 de julho de 2018. Nas eleições de julho, Imran Khan, ex-astro de críquete, foi eleito primeiro-ministro. Ele tem tido dificuldade para manter o país no caminho, no que diz respeito ao desenvolvimento econômico. Até novembro de 2018, ele havia cedido duas vezes às pressões de grupos extremistas islâmicos, o que não é um bom sinal nem para o desenvolvimento do país nem para as minorias religiosas.
 

SITUAÇÃO POLÍTICA E SOCIAL RECENTE

Os muçulmanos formam mais de 96% da população total, sendo a maioria de tradição sunita. Os xiitas são menos de 10% e os ahmadi cerca de 0,2%. Esses últimos são vítimas de perseguição tanto quanto os cristãos e as minorias hindus. Ataques contra essas minorias acontecem com frequência. Pastores cristãos podem até mesmo ser presos quando não se submetem aos desejos das autoridades. Isso envia um alerta à minoria cristã e a intimida. Eles são considerados cidadãos de segunda classe e são discriminados em todos os aspectos da vida.

Embora a questão étnica não seja um problema tão grande no Paquistão, como em muitos outros países da região, esta não deve ser ignorada. Isso fica óbvio quando o Paquistão é visto em conjunto com o Afeganistão: a minoria pashtun, em particular, abrange grandes áreas em ambos os lados da fronteira.

Os pashtuns são uma das maiores minorias do mundo, sem um Estado próprio. Costuma-se afirmar que o povo curdo – com menos de 40 milhões de pessoas – é o maior grupo sem uma nação. Porém, os pashtuns são cerca de 45 milhões de pessoas.

Economicamente, o país depende cada vez mais da China, que está disposta a investir no Paquistão, em sua estrutura da Nova Rota da Seda e Um Cinturão, Uma Estrada.

A cidade portuária de Gwadar é um dos polos que os chineses estão usando e que foi arrendada pelo governo paquistanês por 40 anos em 2017, enquanto a China investe 57 bilhões de dólares no chamado Corredor Econômico China-Paquistão.

Recentemente, as dúvidas aumentaram, uma vez que o Paquistão pode muito bem acabar endividado e tornar-se dependente da China devido a essa iniciativa. Além disso, o assassinato de dois cristãos chineses no Paquistão perto do local de construção do Corredor ilustra quão volátil e desafiadora é a situação.

O Paquistão tem um forte crescimento populacional, mas em especial os jovens não têm nenhuma perspectiva econômica. A pobreza é alta, deixando milhões sem qualquer opção, além de trabalhar por pouco dinheiro, nem mesmo o suficiente para suas necessidades diárias, e sofrerem com o tratamento de empregadores, muitas vezes arbitrário e violento. Isso afeta ainda mais as minorias étnicas e religiosas. Mulheres e crianças são grupos especialmente vulneráveis. O trabalho infantil é desenfreado.

Toda a população sofre muito com essas condições precárias, mas os grupos minoritários, como os cristãos, ainda mais. De acordo com um relatório publicado pela UNICEF em 2014, mais de 9 milhões de crianças no Paquistão não recebem educação primária ou secundária. Mais do que em qualquer outro país do Sul da Ásia, exceto no Afeganistão. O baixo investimento do Estado em educação nas últimas décadas levou a um crescimento no número de madraças (escolas islâmicas que oferecem instrução).

Onze mil dessas madraças, de um total de cerca de 35 mil, seguem os ensinamentos estritos do islamismo de Deobandi. A linha Deobandi argumenta que as sociedades islâmicas são atrasadas em relação ao Ocidente porque foram seduzidas pelos recursos amorais e materiais da ocidentalização e assim se desviaram dos ensinamentos originais do Profeta Maomé.

Os números de seus estudantes exatos não são contabilizados. Enquanto algumas madraças podem alfabetizar os alunos e lhes ensinar matemática, muitas outras apenas oferecem leitura do Alcorão, estudos islâmicos e nada mais. Como essas madraças não são registradas e supervisionadas, as autoridades não têm ideia real do que acontece nelas.

De acordo com os registros de Eusébio de Cesareia no século 4, tido como o pai da história da igreja, os apóstolos Tomé e Bartolomeu foram designados para Parthia (Irã moderno) e Índia. No momento do estabelecimento do Segundo Império Persa (ano 226), havia bispos da Igreja do Oriente no noroeste da Índia, Afeganistão e Baluquistão (Paquistão), incluindo partes do Irã e outras regiões do Afeganistão e Paquistão), com leigos e clérigos envolvidos na atividade missionária.

O trabalho missionário católico romano decolou no continente indiano com a chegada dos portugueses no século 16 e se estabeleceu em Lahore em 1570. Em tempos mais modernos, o cristianismo foi estabelecido por meio do trabalho missionário protestante no final do século 18 e início do século 19 e continuou a crescer desde então.

Em 1947, o ano da independência do país, a situação para a minoria cristã se tornou mais complicada, uma vez que o Paquistão se definiu oficialmente como um Estado muçulmano. De acordo com o World Christian Database (WCD), mais de 96% da população é muçulmana, sendo a grande maioria muçulmana sunita. No entanto, há também uma considerável minoria xiita de 10% a 15%, que também enfrenta perseguição.
 

REDE ATUAL DE IGREJAS

O maior grupo de cristãos hoje pertence à Igreja do Paquistão, um grupo protestante que abarca quatro grandes denominações (anglicana, metodista, presbiteriana e luterana) e que é membro da Comunhão Anglicana. Há outras igrejas protestantes de várias linhas do presbiterianismo, assim como muitas outras denominações menores. No Paquistão, o número de católicos e protestantes é praticamente o mesmo.

Igrejas históricas desfrutam de relativa liberdade, no entanto são estritamente monitoradas e são frequentemente alvo de ataques a bomba. Igrejas ativas em evangelismo e ministério com jovens enfrentam maior perseguição na sociedade. Todos os cristãos enfrentam discriminação institucionalizada, o que pode ser exemplificado pelo fato de que os trabalhos considerados como baixos, sujos ou depreciativos são oficialmente reservados aos cristãos. Muitos cristãos são pobres e muitos também são vítimas de trabalho forçado. Por outro lado, há muitos cristãos que pertencem à classe média, mas isso não os isenta de ser marginalizados e perseguidos.

Cristãos ex-muçulmanos têm de ter cuidado em expressar sua fé, especialmente se são os únicos cristãos de sua família. Bíblias e outros materiais cristãos podem ser tirados deles por sua família, amigos ou vizinhos. A internet e as mídias sociais se tornaram perigosas para os cristãos, já que qualquer movimento na rede pode levá-los a ser acusados de blasfêmia contra o islã.

Reconhecer-se como cristão não é possível na esfera familiar nem na esfera de nação. Enquanto a prisão domiciliar imposta pelas famílias aos convertidos é uma forma de castigo, uma forma mais suave é a de submetê-los à vigilância, o que os leva a se esconder ainda mais.

Devido à forte pressão crescente nos últimos anos, muitos cristãos fugiram para países como Sri Lanka ou Tailândia. Desde a introdução das leis de blasfêmia em 1986, os cristãos são vítimas de cerca de um quarto de todas as acusações de blasfêmia.

As leis de blasfêmia são muito conhecidas por serem usadas para resolver questões pessoais. Sua discussão chegou à comunidade internacional quando, em 2010, a cristã Asia Bibi foi acusada de blasfemar contra o islã e condenada à morte. Ela é a primeira mulher que esteve no corredor da morte no Paquistão.

À medida que essas leis continuam ganhando destaque, torna-se cada vez mais difícil para o governo e tribunais lidar com elas, já que têm um significado simbólico para grupos extremistas em todo o país.

Essa violência explícita ofusca a violência diária nos bastidores contra meninas e mulheres cristãs que são frequentemente raptadas, violentadas e convertidas ao islamismo – uma estimativa de 700 cristãs por ano.

Em casos de blasfêmia, as casas dos cristãos são atacadas, forçando-os a se esconder. Consequentemente, o Paquistão foi o país da Lista Mundial da Perseguição 2019 com maior violência.

  • Interceda pelos cristãos ex-muçulmanos, que mais enfrentam a perseguição no Paquistão, pois são vistos como apóstatas e uma vergonha para a família e comunidade.
  • Ore por proteção para as meninas e mulheres cristãs. Cerca de 700 são sequestradas a cada ano, violentadas e obrigadas a casar com um homem muçulmano, o que geralmente resulta em conversões forçadas.
  • Clame para que o novo governo aprove leis que protejam os cristãos do país.

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